No Eden Park não adianta, a Bledisloe Cup é dos All Blacks

ARTIGO COM VÍDEO – A Austrália parecia estar perto de quebrar o incômodo tabu de não conquistar a Bledisloe Cup desde 2002. Apenas parecia, porque o desafio final pela taça foi no Eden Park de Auckland, onde os All Blacks não perdem há 21 anos. O resultado não foi apenas uma vitória neozelandesa, mas um dos maiores placares da história entre os rivais da Oceania. Após início de jogo equilibrado, a Austrália não resistiu, sucumbiu aos erros de lateral (3 alinhamentos perdidos) e turnovers (16 cedidos, conta apenas 9), e sofreu um atropelo no segundo tempo, vendo a Nova Zelândia cruzar o in-goal cinco vezes e fazer 41 x 13, reafirmando sua supremacia.

 

A partida começou com muita pressão da parte dos Wallabies, que mostraram força no scrum e garantiram o domínio territorial inicial, levando vantagem no jogo de contato, com Israel Folau oferecendo perigo cedo. Aos 7′, saiu o primeiro penal para Quade Cooper inaugurar o marcador para os visitantes, 3 x 0.

 

Apesar de começar sofrendo no lateral, a Austrália voltou a criar uma ótima oportunidade a partir de um alinhamento, mas Will Skelton desperdiçou a chance de try. A resposta dos All Blacks veio apenas aos 17′, com Dan Carter convertendo sua primeira chance de penal. Nesse momento, os neozelandeses já mostravam superioridade na terceira linha, que fora a virtude australiana no primeiro jogo, e os contra-rucks garantiram os primeiros turnovers para os donos da casa.

 

Aos 21′, o grande momento do primeiro tempo, com a Nova Zelândia saindo de sua área de 22 justamente com um turnover brilhante e trabalhando até o meio campo, onde Dan Carter avançou pelo espaço aberto , carregou lateralmente e serviu Dane Coles, criando o corredor para o hooker arrancar e correr 40 metros para o try. Arquitetura perfeita para o primeiro try da partida.

 

A Austrália não resistiu à pressão no breakdown, Michael Hooper saiu lesionado para a entrada de David Pocock e a Nova Zelândia seguia levando vantagem no setor, com mais um penal sendo arrancado, aos 29′, para Carter ampliar, 13 x 3. Cooper voltou a descontar aos 31′ com penal, e Carter jogou fora um penal aos 34′. Apostando no jogo de chutes nas costas da defesa australiana, a Nova Zelândia manteve a Austrália longe de seu in-goal, impôs grande pressão na bola aérea, levando os aussies aos erros, e ainda foi superior nas saídas de lineout. No fim, Carter ainda arriscou um drop goal, mas não teve sucesso, e o jogo foi ao intervalo em 13 x 6 para os anfitriões.

 

O segundo tempo começou desastroso para os Wallabies, que sofreram no scrum logo no início e viram os All Blacks voltando arrancar seus turnovers, reafirmando superioridade no jogo de atrito. Mas, o perigo também vinha do jogo de mãos e, aos 47′, Milner-Skudder achou o espaço pelo meio, disparou e desferiu offload para Aaron Smith, que recebeu tackle alto de Quade Cooper na hora de finalizar o try, ganhando o penal try e levando Cooper ao sin bin.

 

O lance do segundo try neozelandês se provou catastrófico para os visitantes e a porta se abriu. Aos 50′, após chute ruim dos Wallabies, Milner-Skudder, infernal, arrancou pela ponta, chutou, os All Blacks reciclaram a posse e trabalharam de mão em mão até Ma’a Nonu romper livre para o terceiro try. Game over. Atônita e com um homem a menos, a Austrália viu o quarto try kiwi sair três minutos mais tarde, com o domínio de posse de bola e território pendendo totalmente a favor da Nova Zelândia, que não havia tido o mesmo controle no primeiro tempo. Conrad Smith recebeu de Ma’a Nonu e cortou para mais um try, colocando 34 x 6 no placar.

 

Mesmo com a Austrália voltando a ter quinze homens em campo, a Nova Zelândia seguiu mandando por completo na partida e, aos 66′, os neozelandeses trabalharam perfeitamente após scrum, com Dan Carter deixando para Nonu romper a defesa amarela e fazer mais um try, abrindo uma diferença desconcertante. 41 x 6. No embate das primeiras e segundas linhas, a vantagem foi toda dos All Blacks, com Dane Coles, Tony Woodcock e Sam Whitelock dominantes, mostrando que os Wallabies têm muito ainda a crescer nos homens de frente se quiser levantar a Taça Webb Ellis.

 

Steve Hansen logo depois tirou Richie McCaw, que se tornou o atleta com maior número de jogos internacionais da história do rugby mundial, para que o ídolo fosse ovacionado, e a Nova Zelândia diminuiu a intensidade do jogo, com a Austrália, finalmente, voltando ao ataque. A Nova Zelândia ainda seguia perigosa e, em contra-ataque, quem salvou a pele australiana foi Nic White. Mas, foi justamente em um contra-ataque que nasceu o try de honra australiano, com Israel Folau arrancando após chute equivocado de Perenara para correr 50 metros, salvando a Austrália de sofrer a maior derrota de sua história para a Nova Zelândia (até então, a maior diferença de placar havia sido 43 x 6, em 1996).

 

Números finais, All Blacks 41 x 13, naquele que provavelmente foi o último jogo em solo neozelandês de Richie McCaw, que se aposentará após o Mundial, e Dan Carter, de malas prontas para Paris, onde jogará pelo Racing. Um triunfo impactante, que restaura a confiança neozelandesa para a Copa do Mundo com uma resposta sem igual às dúvidas geradas pela vitória dos Wallabies no jogo anterior. É verdade que Michael Cheika aproveitou a partida para fazer muitas alterações e testar o time com um conjunto diferente daquele que havia vencido os All Blacks, mas o placar alcançando pelos neozelandeses foi de devolver os australianos à realidade. A Nova Zelândia podia ter perdido a batalha do Rugby Championship, mas na guerra pela Copa do Mundo ela ainda é o time a ser batido.

 

Os All Blacks agora terão um longo descanso e não contam com mais nenhum test marcado antes da estreia no Mundial. Já os Wallabies voltam ainda uma vez a campo, no dia 5 de setembro, em Chicago, contra os Estados Unidos.

 

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Nova Zelândia 41 x 13 Austrália, em Auckland

Árbitro: Nigel Owens (Gales)

 

Nova Zelândia

Tries: Nonu (2), Coles, penal try e C Smith

Conversões: Carter (5)

Penais: Carter (2)

15 Ben Smith, 14 Nehe Milner-Skudder, 13 Conrad Smith, 12 Ma’a Nonu, 11 Julian Savea, 10 Daniel Carter, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read, 7 Richie McCaw (c), 6 Victor Vito, 5 Samuel Whitelock, 4 Brodie Retallick, 3 Owen Franks, 2 Dane Coles, 1 Tony Woodcock.

Suplentes: 16 Keven Mealamu, 17 Wyatt Crockett, 18 Nepo Laulala, 19 Jerome Kaino, 20 Sam Cane, 21 TJ Perenara, 22 Colin Slade, 23 Malakai Fekitoa.

 

Austrália

Try: Folau

Conversão: White (1)

Penais: Cooper (2)

15 Israel Folau, 14 Adam Ashley-Cooper, 13 Tevita Kuridrani, 12 Matt Toomua, 11 Henry Speight, 10 Quade Cooper, 9 Nic White, 8 Wycliff Palu, 7 Michael Hooper, 6 Scott Fardy, 5 James Horwill, 4 Will Skelton, 3 Sekope Kepu, 2 Stephen Moore (c), 1 Scott Sio.

Suplentes: 16 Tatafu Polota-Nau, 17 James Slipper, 18 Greg Holmes, 19 Dean Mumm, 20 Kane Douglas, 21 David Pocock, 22 Matt Giteau, 23 Kurtley Beale.

 

Foto: Scrum.com

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