ARTIGO COM VÍDEO – O “Jogo do Século” parou Auckland na fria noite de sábado, no primeiro dos três encontros programados para o tour do British and Irish Lions em 2017, retornando à Nova Zelândia depois de doze anos e buscando melhor sorte que seus antecessores, que saíram do país derrotados em 2005. O saldo foi um time britânico que resistiu e flertou com a virada no placar no primeiro tempo, mas que não foi capaz de segurar a máquina preta de rugby. A vitória foi dos All Blacks, 30 x 15, mas ainda há muito a se ver nas duas próximas semanas.

A partida começou vibrante, com o Lions subindo rapidamente ao ataque e Jonathan Davies encontrando brecha na linha adversária e acionando Daly na ponta, mas Dagg salvou o que seria o primeiro try da partida logo aos dois minutos de jogo. Os All Blacks não se assustaram e de pronto levaram o jogo ao campo de ataque, com dois ataques pelo centro, mas a defesa dos visitantes conteve o avanço. O domínio da equipe de preto foi aumentando gradualmente e depois da tentativa de Barrett acionando a ponta com um chute pelo alto ser neutralizada por Watson, um penal no lance seguinte deu a oportunidade para o abertura da casa abrir o placar no Eden Park.

Aos 18′, a legião de torcedor britânicos em Auckland tiveram tudo para se desesperarem. Aaron Smith bateu rápido um penal nas 22 e a linha defensiva vermelha estava desorganizada. A troca de passes neozelandesa saiu fácil até a ponta para o hooker Codie Taylor finalizar o primeiro try da peleja. 10 x 00.

Porém, combativo nas formações, o time visitante não se deixou abalar e, aos 26′, Furlong quase fez estrago ao bloquear chute de Aaron Smith, impondo pressão no breakdown. O lance não teve sequência, mas não tardaria para que os Lions arrancassem seu penal aos 31′, que Owen Farrell não desperdiçou, reduzindo a diferença.

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A resposta neozelandesa foi rápida, com Beauden Barrett buscando assistência com chute cruzado. Na sequência, Read deixou com Crotty e mais um penal foi sofrido pelos All Blacks, com Barrett colocando 13 x 03 no marcador. Mas, os Lions já estavam em alta voltagem e, ao 36′, Liam Williams puxou brilhantemente um contra-ataque desde seu campo de defesa, achando o espaço pela defesa kiwi. O apoio chegou e ele deixou com Eliott Daly, que passou para Jonathan Davies se infiltrar e servir de offload Sean O’Brien para o try. Um dos mais lindos da história dos Lions. Owen Farrell perdeu a conversão e o placar ficou em 13 x 08 ao final da primeira etapa.

No intervalo, 62% de posse de bola e 66% de território a favor dos donos da casa, que, no entanto, perderam mais tackles que os Lions e somaram apenas pouco mais de metros ganhos.

Os Lions começaram “apavorando” no segundo tempo, com uma magnífica troca de passes pela ponta entre Anthon Watson e Liam Williams que quase resultou em try e levou os All Blacks ao “parafuso”, pois logo depois Watson outra vez arrancou pelo espaço na defesa da casa levando mais perigo. Entretanto, foi só um susto inicial. Os All Blacks logo se recompuseram e passaram a ter maior controle da posse de bola.

O momento decisivo aconteceu aos 55′. Em scrum para a Nova Zelândia, Kieran Read se lançou ao chão no momento que a bola saiu do túnel e deu um offload mágico para Aaron Smith, que saiu jogando rápido e armou a linha de passes neozelandesa até Rieko Ioane receber na ponta e correr para o try que nocauteou os Leões.

Os minutos seguintes foram de instabilidade do time vermelho, com os All Blacks tentando aproveitar o momento para liquidar a fatura. Aos 61′, os neozelandeses arrancaram penal após longa sequência de fases nas 22 pressionando os Lions. Barrett não pensou duas vezes e guardou o 23 x 08. O golpe foi sentido pelos visitantes e o terceiro try kiwi quase saiu, com Lienert-Brown e Barrett trocando passes e quase conseguindo a infiltração. Os Lions cometeram mais um penal e os All Blacks, lendo o momento, optaram pelo lateral ao invés dos 3 pontos. Coube a Maro Itoje brilhar no alinhamento para roubar a bola e salvar os Leões de um golpe fatal.

A resposta neozelandesa a Itoje veio na mesma moeda, com Whitelock roubando lateral aos 68′ no campo de ataque dos Lions, que voltaram a conseguir levar algum perigo. Aaron Smith novamente acabou tendo chute bloqueado, agora por Kruis, mas sem consequências.

Os torcedores da casa não precisaram esperar muito pela virada. Aos 70′, a pá de cal veio com um contra golpe e com a colaboração britânica. Liam Williams errou na recepção de chute e a bola sorriu para Rieko Ioane, que rompeu em disparada para o terceiro try dos anfitriões. 30 x 08 avassaladores, com quase o dobro de linhas quebradas a favor dos All Blacks com relação aos Lions ao final da partida.

Somente nos minutos finais os Lions voltaram a ameaçar o in-goal e no lance final Rhys Webb fez o segundo try de honra para o time vermelho, aproveitando o espaço na base do ruck de cara para o in-goal. Fim de papo em Auckland e 30 x 15 para os All Blacks.

Os British and Irish Lions estarão de volta aos gramados na terça-feira para um último jogo contra um oponente do Super Rugby, o Hurricanes, a fim de fazer os últimos ajustes para o segundo e decisivo jogo contra os All Blacks, em Wellington, no dia 1º de julho, próximo sábado.

 

Na sala de imprensa…

Após o jogo, o Portal do Rugby, que esteve no estádio com Daniel “HP”, foi à coletiva de imprensa.

Steve Hansen (All Blacks): “Estou orgulhoso que o time executou o plano de jogo bem, apesar de não ser perfeito”

“Ben Smith [que saiu lesionado] está bem mas terá que passar por novos exames, espero que possamos contar com ele. Mais q o try de Ioane, o ponto de virada da partida foi a partir do momento que aumentamos o número de tackles na linha e pressionamos mais a saída de bola”

“O primeiro try do Lions foi um dos mais bonitos q já vi. Não acho que o trabalho já esteja garantido, temos mais dois jogos a fazer e vamos manter a seriedade. Sempre queremos melhorar e vãmos seguir trabalhando pra fazer melhor no próximo jogo. Vamos celebrar a vitória de hoje porque merecemos isso, test matches são ocasiões especiais, mas amanhã vamos acordar cedo e treinar mais”;

Kieran Read (All Blacks): “Sinto-me muito bem com a vitória, sempre acho que podemos melhorar, mas saí feliz com minha apresentação hoje”;

“Demoramos 60 minutos para definir o jogo. Foi um jogo muito intenso e rápido, o Lions é um ótimo time e é isso q queríamos demonstrar pro público”;

Hansen sobre Read: “Substituir Richie McCaw não é facil e Read o fez muito bem, é um autêntico capitão dos All Blacks, um líder em campo”;

Warren Gatland (Lions): “Eles foram muito agressivos no breakdown e precisamos aprender a jogar contra isso nas próximas partidas. Demos alguns penais bobos que nos custaram pontos importantes, mas não foi o determinante. Criamos ótimas chances e fizemos belos tries; Perdemos outras oportunidades também, mas ainda acho que os jogos serão equilibrados”

“Os primeiros test matches sempre são importantes e a escolha de jogadores foi boa, mas temos que melhorar na 1a e 2a linha (tight five) no quesito físico e mental. O próximo jogo com o Hurricanes será igualmente físico, um ótimo novo teste antes da partida decisiva”

Gatland sobre Liam Williams: “Ele teve ótimos momentos, agora é avaliar as falhas sobretudo as do segundo tempo, mas são pontos que certamente estaremos melhores no segundo jogo”

 

30versus copiar15

Nova Zelândia 30 x 15 British and Irish Lions, em Auckland

Árbitro: Jaco Peyper (África do Sul)

Nova Zelândia

Tries: Ioane (2) e Taylor

Conversões: B Barrett (3)

Penais: B Barrett (3)

15 Ben Smith, 14 Israel Dagg, 13 Ryan Crotty, 12 Sonny Bill Williams, 11 Rieko Ioane, 10 Beauden Barrett, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read, 7 Sam Cane, 6 Jerome Kaino, 5 Sam Whitelock, 4 Brodie Retallick, 3 Owen Franks, 2 Codie Taylor, 1 Joe Moody;

Suplentes: 16 Nathan Harris, 17 Wyatt Crockett, 18 Charlie Faumuina, 19 Scott Barrett, 20 Ardie Savea, 21 TJ Perenara, 22 Aaron Cruden/Lima Sopoaga, 23 Anton Lienert-Brown;

British and Irish Lions

Tries: O’Brien e Webb

Conversões: Farrell (1)

Penais: Farrell (1)

15 Liam Williams, 14 Anthony Watson, 13 Jonathan Davies, 12 Ben Te’o, 11 Elliot Daly, 10 Owen Farrell, 9 Conor Murray, 8 Taulupe Faletau, 7 Sean O’Brien, 6 Peter O’Mahony (c), 5 George Kruis, 4 Alun Wyn Jones, 3 Tadgh Furlong, 2 Jamie George, 1 Mako Vunipola;

Suplentes: 16 Ken Owens, 17 Jack McGrath, 18 Kyle Sinckler, 19 Maro Itoje, 20 Sam Warburton, 21 Rhys Webb, 22 Jonathan Sexton, 23 Leigh Halfpenny;

 

Foto: All Blacks