Sam Nock, Auckland e Blues

ARTIGO OPINATIVO – Antes da pausa no mundo da bola oval para conter a pandemia do COVID-19, a temporada do Super Rugby vinha apresentando surpresas, como os Blues finalmente voltando aos tempos áureos antes mesmo de Beauden Barrett atuar, e os Reds conseguindo apresentar consistência sob o comando do treinador Brad Thorn. Confira na análise de Francisco Isaac.

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Como esperado, o Super Rugby 2020 tem apresentado uma série de jogadores em grande nível esta época, alguns a fazer a sua estreia nesta competição tão especial do Hemisfério Sul. e é altura de destacarmos cinco top-performers das primeiras 7 rodadas!

SAM NOCK (BLUES)

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Os Blues estão fazendo um dos melhores inícios de temporada dos últimos 10 anos e os 22 pontos conquistados em 7 jogos são motivos para sentir que existe uma franca possibilidade de chegarem aos playoff. Leon McDonald alterou certos aspectos da forma de jogar da franquia sediada em Auckland, fugindo ao estilo de contra-ataque idealizado por Tana Umaga em 2016-2018, conseguindo por outro lado conferir uma força mental totalmente fundamental para que os Blues aguentem os períodos de maior tensão e isto fica facilmente provado com o baixo número de penalidades cometidas dentro dos seus últimos 40 metros, o que evita dissabores como se verificaram em anos anteriores.

Neste processo de “acalmia” e de conquista de vitórias consecutivas foi fundamental a ascensão de alguns nomes seja do Rieko Ioane (cada vez mais convincente na posição de centro), Mark Telea (um ponta multifacetado), Hoskins Sotutu (impôs o banco de suplentes a Akira Ioane), Dalton Papalii, Stephen Perofeta, Otere Black e Sam Nock, e é precisamente o formação que merece uma atenção especial.

Internacional Junior All Black em 2016, Nock demorou a conquistar um lugar no XV dos Blues tendo sido preterido, inexplicavelmente, por Jonathan Ruru durante vários jogos e até períodos de época em anos anteriores, mas agora parece ter a camisola nº9 sob seu controlo muito graças a uma série de exibições de altíssimo nível, como se verificou com os Bulls, Stormers (conseguiu dar a confiança essencial para manter a estratégia de jogo sólida), Hurricanes e Lions (a forma como forçou constantemente erros de precipitação defensiva dos Lions foi extraordinária), fazendo parte de uma série de quatro vitórias, algo que não era visto já há quase dez anos!

Senhor de um passe equilibrado e rápido, a inteligência e leitura de jogo têm sido dois elementos fundamentais desta revitalização da franquia de Auckland que teve quatro últimos anos de inconsistência, lesões e más exibições da parte dos seus médios de formação, sendo Nock o nº9 que pode repor estabilidade à forma de jogar dos Blues.

APHELELE FASSI (SHARKS)

Os Sharks têm sido uma equipas em melhor forma neste Super Rugby 2020, apresentando um rugby diferente do que se costuma assistir por paragens sul-africanas, baseando mais em fases rápidas, jogo veloz e construção de um frenesim que termina com uma jogada de alto risco com Aphelele Fassi a surgir na maioria das ocasiões como iniciador dessa movimentação rápida ou finalizador, sendo um dos principais rookies deste início de época da competição.

Em 7 rodadas estes são alguns dos números mais interessantes do fullback da franquia de Durban: 3 assistências, 2 assistências (uma das quais foi espetacular ante os Highlanders), 620 metros conquistados (é o jogador com mais quilometragem conquistada nesta época), 10 quebras-de-linha, 33 defesas batidos (apresenta uma panóplia de movimentos e skills que cria sérios problemas ao potencial tackleador). Isto revela que Fassi tem sido uma unidade de jogo que representa profundas dificuldades para quem está do outro lado, pois consegue ser brilhante em diferentes planos como nas intercepções, sendo um perigo na subida da linha de defesa, na perseguição aos pontapés, no assumir da construção de jogo – combina bem com Curwin Bosch – e no intensificar do ritmo físico.

Foi uma das novidades dos Sharks para esta nova época e a sua subida à titularidade tem valido pontos, situações de try e uma frescura de ideias completamente nova que permite ultrapassar o capítulo “Du Preez” desta formação sul-africana, que agora vive à base deste “novo” sangue.

HARRY WILSON (REDS)

Foi um dos destaques da 6ª rodada no encontro que opôs Crusaders-Reds, com o próprio treinador dos tricampeões do Super Rugby a dizer que ficou completamente “apaixonado” pelas competências técnicas e físicas do jovem de 20 anos, impondo-se desde logo um interesse curioso em relação a quem é este Harry Wilson? Comecemos pelos detalhes físicos… 1,95 metros e 110 quilos, revelando-se assim uma unidade propensa a fazer dano à defesa contrária, impondo bem o seu peso na hora que entra com a bola como se viu contra os Crusaders (atirou um par de adversários para o chão, arrancando uma salva de palmas e gritos na bancada) e isto conferiu uma saída de jogo de elevada qualidade para a franquia treinada por Brad Thorn.

Mas não é só aquele brutamontes de pura fisicalidade, já que tenta analisar os momentos de jogo com rapidez para perceber como pode melhor beneficiar os “seus” Queensland Reds, sendo um particularismo bem interessante para alguém tão jovem e que rapidamente está a ser uma revelação da competição, aparecendo bem na linha para pôr a oval a ganhar velocidade ou entrar na linha de defesa para depois inventar um offload impensável que abre um mar de oportunidades, como aconteceu já contra os Brumbies, Crusaders e Bulls. Só para nota final, Harry Wilson já conquistou 450 metros com a bola em seu poder nesta sua época de estreia no Super Rugby e começa assim a gerar um burburinho em relação ao que pode vir a fazer num futuro próximo, não só pelos Reds mas também pelos Wallabies.

TEXTO: Francisco Isaac