Reds se puseram como co-favoritos no Super Rugby AU. Foto: SUPER RUGBY

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E a Austrália também já está de regresso ao Super Rugby com uma jornada cheia e em que até se deu a queda de um dos registos mais negativos dos últimos dez anos entre franquias australianas, pois os Reds puseram uma “seca” de 11 anos sem vitórias contra os Waratahs! A formação treinada por Brad Thorn derrubou os seus maiores rivais de sempre, num jogo intenso, emotivo mas que foi maioritariamente dominada pelos koalas enquanto que os Brumbies nunca perderam a liderança no placard e também entraram em grande!

A análise à 1ª jornada do Super Rugby AU toda neste artigo.

 

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OS UP’S DA SEMANA: THE RED(S) SQUADRON E OS BULLIES DE CANBERRA

Intensidade… é talvez a melhor palavra que explica a base da vitória dos Queensland Reds frente aos Waratahs, num Suncorp Stadium com 6 mil pessoas a seguir de perto o primeiro jogo de Super Rugby australiano após a paragem forçada. Os homens treinados por Brad Thorn foram assumindo o protagonismo durante a maior parte do encontro, mostrando resiliência, concentração e uma boa capacidade para gerir os piores momentos, impedindo os Waratahs de sonhar com uma reviravolta, e revelaram outra coesão mental que no passado fez-lhes falta.

A jogar em casa, a franquia de Queensland fez uso de uma avançada mais móvel e acelerada para ir explorando as falhas defensivas dos Waratahs, especialmente no que toca ao timing para abordar o ruck e breakdown conquistando diversas penalidades e oportunidades para infligir pontos na formação visitante. Com James O’Connor a pautar uma exibição de qualidade, dando expressão à ideia de jogo ofensiva, os Reds ocuparam os 40 e 22 metros dos Waratahs durante uma média de quase 7 minutos em diferentes períodos de jogo, em que Harry Wilson e Liam Wright procuraram oferecer a sua fisicalidade para criar problemas aos seus rivais. Foi uma exibição de equipa completa e que lança os Reds a vencer neste Super Rugby AU.

O outro Up da 1ª ronda do SR AU vai para os Brumbies, com a franquia de Canberra a registar uma prestação compacta apesar de um leve susto na 2ª parte, mais precisamente entre os 60 e 70 minutos momento em que os Rebels passaram de 6 pontos para 23. Porém, a formação da casa aguentou bem esta reacção dos intempestáveis Rebels, aplicando uma defesa de super reacção que estancou o excesso de penalidades cometidas – 17 – para forçar dois erros de controlo da oval dos seus adversários, o que possibilitou reiniciar uma última acção de ataque que só terminaria dentro da área de ensaio. Se recuarmos até aos primeiros 40 minutos, os Brumbies foram esmagadores, dominando totalmente a velocidade da bola, a construção de fases e até à aplicação do jogo ao pé, tendo este parâmetro do jogo causado algumas dificuldades à formação de Melbourne – especialmente a aplicação das novas leis.

Com Noah Lolesio a comandar bem as linhas atrasadas – é um dos claros destaques da jornada – e a avançada a dar um show em termos de aplicar uma total asfixia a partir da defesa e contra-ataque aos Rebels, os Brumbies foram a melhor equipa durante todo o encontro e nem o susto belisca a boa exibição.

O ensaio do maciço Harry Wilson

OS DOWN’S DA SEMANA: AS LEIS NOVAS DO PONTAPÉ E WARATAHS VIRAM O DISCO E TOCAM O MESMO

17 penalidades cometidas, 16 perdas de bola no contacto, pouca presença nos últimos metros e problemas em conseguir manter uma linha defensiva eficiente e imaculada… este foi o retrato dos Waratahs na visita ao campo dos Reds. Perderam só por 6 pontos, mas nunca foram superiores aos koalas… aliás, foram inferiores na maior parte de jogo e isso se revelou especialmente nos últimos 10 minutos, em que praticamente só defenderam e ficaram à espera de um erro dos seus adversários para tentar sair do seu meio-campo defensivo.

Veja-se os últimos 3 pontos que caíram praticamente do “céu”, graças a um erro monumental de Taniela Tupou que decidiu a atropelar Will Harrison de forma ilegal, permitindo que o abertura dos ‘tahs convertesse a penalidade. Mas no geral, Rob Penney não pode ter ficado satisfeito com as sucessivas faltas no breakdown, tendo sido um dos vários calcanhares de Aquiles de uma equipa que tem nomes de qualidade suficientes para dar a volta à situação dos últimos dois anos.

O down da semana não vai para os Rebels, mas sim para a confusão da nova lei de jogo para o Super Rugby, o pontapé 22/50 e 50/22. Esta nova lei beneficia a equipa que está a atacar, contudo na realidade beneficiou a equipa que estava completamente a ser dominada e que atirou um pontapé para fora dos 22 muitas vezes ao “calhas” ou sem noção para onde ia.

Sim, esta regra pode forçar aos chutadores das equipas a arriscarem um pouco mais os seus pontapés, mas até que ponto não tira a justiça de jogo à equipa que estava a pressionar totalmente o adversário e vê-se agora não só com um recuo exponencial no terreno como também à perda da posse de bola? Aconteceu entre Reds-Waratahs (os tahs nos últimos 8 minutos estavam a pressionar e por duas vezes foram forçados a recuar e a defender no meio-campo) e também nos Brumbies-Rebels, sendo que neste notou-se um total caos a certa altura.

 

OS CRAQUES DA JORNADA: TATE MCDERMOTT, JAMES RAMM, NOAH LOLESIO E DANE HAYLETT-PETTY

O formação dos Reds, Tate McDermott, jogou e fez jogar, com um ensaio, duas assistências e mais de 60 metros de posse de bola (para um formação, é bem acima da média) tendo sido o fio condutor das operações de ataque da formação de Queensland.

James Ramm, que está a fazer a sua época de estreia nos Waratahs, completou uma boa exibição a partir da ponta mezclando apontamentos técnicos que conseguiram ludibriar adversários por 4 ocasiões (tem um slalom de categoria) com uma presença física de impacto, somando o seu 2º ensaio desta época.

Lolesio continua a deslumbrar e a conquistar seguidores, expondo-se como uma abertura diferente do habitual, que consegue jogar no limite da linha de defesa, criando constantes problemas quer com uns grubers venenosos ou uns detalhes técnicos de handling que colocam qualquer defesa em pânico.

Haylett-Petty continua a ser um dos “capitães” mais importantes dos Rebels, tendo remado contra a maré na 1ª parte para depois conseguir mesmo liderar uma tentativa de reviravolta que não aconteceu devido à exibição de qualidade dos Brumbies na defesa. Fica o belo ensaio, um goose step e mais uns pormenores que valem a pena ser realçados – o controlo dos pontapés lá atrás foi de excelência.

 

OS NÚMEROS DA JORNADA

Mais pontos marcados: Will Harrison (Waratahs) – 16 pontos
Mais ensaios marcados: Vários – 1
Mais quebras-de-linha: James Ramm (Waratahs) – 3
Mais placagens: Michael Hooper (Waratahs) – 11
Mais turnovers: Liam Wright (Reds) – 3
Mais defesas batidos: Mark Hansen (Brumbies) – 7
Melhor da Jornada: Noah Lolesio (Brumbies)