Super Rugby: Chiefs, Stormers, Crusaders, Hurricanes e Highlanders classificados

ARTIGO COM VÍDEOS – O Super Rugby fechou sua penúltima rodada com seis dos oito classificados às quartas de final já conhecidos. Na rodada passada, apenas os Lions já eram certos no mata-mata, mas entre esta sexta e sábado Chiefs, Crusaders, Hurricanes, Highlanders e Stormers também carimbaram suas vagas. As duas vagas remanescentes serão disputadas na rodada final por quatro times. Uma vaga ficará entre os australianos dos Brumbies ou dos Waratahs, ao passo que a outra vaga será sul-africana, ou de Sharks ou de Bulls.

 

Nesta penúltima rodada, Chiefs, Crusaders, Lions e Bulls atropelaram seus oponentes, os eliminaos Reds, Rebels, Kings e Sunwolves, respectivamente, ao passo que Stormers e Sharks não levaram sustos para passarem por Force e Cheetahs. Os destaques maiores ficaram pela grande e crucial vitória fora de casa do Hurricanes sobre o Waratahs, em duelo direto pela classificação, e a derrota desastrosa fora de casa do Brumbies contra o eliminado Blues. Já os Jaguares terminaram o Super Rugby sem vencer oponentes neozelandeses, caindo em casa contra o Highlanders.
Na rodada final, Sharks e Bulls terão oponentes já em ritmo de férias: Sunwolves e Cheetahs. Os Bulls jogam fora de casa e torcem para os japoneses (que lutam para escapar do último lugar) causarem uma zebra contra os Sharks. Já os Brumbies recebem o também eliminado Force, que quer apenas deixar a lanterna do Grupo Australasiano, enquanto os Waratahs visitam os perigosos Blues – que, no entanto, não brigam por mais nada. Quem avançar de Brumbies e Waratahs terá ainda um prêmio extra: o mando de jogo nas quartas de final, destinado aos campeões das quatro conferências.
Nas duas conferências africanas, o primeiro lugar e o mando de jogo na próxima fase já têm seus donos: Lions e Stormers, que não jogam apenas para saberem quem enfrentarão na próxima fase. Os Lions visitarão os Jaguares, que querem se despedir da temporada de forma mais feliz, ao passo que os Stormers recebem os Kings, que jogam para evitar a lanterna. Quem também joga contra a lanterna, mas do Grupo Australasiano, é o Reds, que recebe o Rebels no único duelo entre eliminados.
A briga pelo mando de jogo nas quartas de final está eletrizante entre os neozelandeses, com quatro times brigando ainda para saber qual será o único a jogar em casa na semana seguinte. O Chiefs está em primeiro lugar, 1 ponto acima do Crusaders, que tem 1 ponto a mais que o Hurricanes, que por sua vez soma 1 a mais que o Highlanders. São 3 pontos que separam os quatro neozelandeses e eles se enfrentarão no sábado! O Highlanders receberá o Chiefs e o Crusaders receberá o Hurricanes, em jogos que todo ponto bônus fará uma enorme diferença. Serão dois confrontos de arrepiar!

 

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Brumbies ficam vermelhos contra os Blues

Os cavalos de Canberra quase que foram ao “tapete” com esta derrota frente aos Blues de Auckland. 40-15 a favor dos homens de Tana Umaga, um resultado que demonstra que a franquia neozelandesa está em amplo crescimento e é pena que já estejam de fora para a próxima fase da competição. Mas o que se passou com a time de Pocock, Fardy, Moore ou Kuridrani? Bem, é uma questão difícil de “desmontar”, uma vez que se olharem para algumas das estatísticas o jogo nem pareceu correr mal aos australianos: 7 penalidades (os Blues cometeram 11), 16 lineouts conquistados (só 1 perdido), 100% nas scrums, 110 tackles (mais 20 falhadas) e 150 metros conquistados em 71 carries, com dois tries “debaixo do braço”. Porém, quando observamos o resultado final dita uma vitória de 40-15 a favor dos seus adversários… ora, os Blues sempre que conseguiram passar o meio-campo somaram pontos, com 6 tries e 5 conversões a ditarem essa vantagem “abismal” dos Blues. Scott Fardy, que tem a responsabilidade de liderar a terceira linha na ausência de David Pocock, tem estado a um nível q.b., quando a time precisa que o asa Wallaby seja o “comandante” na ausência do nº8 da Austrália.

 

Em 70 minutos de jogo (saiu durante 5 a 10 para tratar de uma lesão de sangue), Fardy pouco se envolveu no jogo, com 5 tackles (1 falhada), 0 turnover, 0 metros conquistados e sem a capacidade de liderar que se pedia. O jogo dos Brumbies foi fraco no geral, que não tiveram capacidade para passar a linha de defesa dos Blues de forma consistente. Dificuldades em explorar a linha de vantagem, de encontrar soluções nas pontas ou na execução do jogo ao pé, tiraram a possibilidade de resposta que necessitavam perante aqueles vinte minutos iniciais de Inferno. Os Blues nesse espaço de tempo conquistaram 4 tries, de vários gostos e feitios. Kaino aos 3’ recebe, à ponta, um crosskick de West e finaliza com calma. Logo de seguida, nova pressão bem trabalhada pelos Blues garante uma penalidade e lineout a seu favor, com o nº2, James Parsons, a receber bem a bola de Luatua (vale a pena reverem este movimento) e a fazer o 14-00. Mesmo com a resposta dos Brumbies (try de penalidade por derrube de maul) só os Blues é que pareciam estar interessados em jogar Super Rugby, com mais dois tries de Prattley e Duffie aos 17’ e 20’, após boas jogadas e passes de Francis e Luatua. Estes 20 minutos à All Blacks, garantiram 28 pontos, tirando qualquer possibilidade de recuperação dos Brumbies que não conseguiam impedir a maior velocidade dos da casa que impressionava. West voltou aos jogos de bom nível, com uma série de movimentações e “rasgos” de categoria, sendo que aquele cross kick para Kaino merece uma “ovação”.

 

Mas os jogadores da noite, estavam em Kaino e Luatua, com os dois terceiras-linhas a dar um show total. O capitão e nº6 voltou, pela segunda semana consecutiva, a somar dois tries (já a marca de 6 tries), com o primeiro a ser “fácil” e o segundo a ser de “manha” (excelente saída do maul), com Luatua a ter assistido por duas vezes com mais de 60 metros conquistados. Kaino ainda conseguiu ser dos melhores “tackleadores” do encontro (10), demonstrando as suas capacidades de liderança e “voz” durante todo o encontro. Matt Duffie somou os seus dois primeiros tries (6º jogo esta temporada) e deu o mote para a próxima temporada… os Blues serão reforçados com Sonny Bill Williams e Augustine Pulu e com a recuperação de Ranger, terão uma das linhas atrasadas mais temíveis do Super Rugby. Rugby em velocidade, total e em jeito de offloads, é o que Tana Umaga procura, só assim é que os Blues poderão voltar a fase finais… para já, voltaram a ganhar aos Brumbies (não o faziam desde 2012) e já melhoraram o registro, ao nível de 2010 (2011 foi o último grande registro com 10 vitórias e meias-finais da competição).

Chiefs classificados em noite de gala

Chiefs a um pequeno passo de garantir o primeiro lugar na fase regular do Super Rugby. Tremendo jogo da time de Dave Rennie, que continua a espalhar “terror” no Hemisfério Sul. DamianMcKenzie, o superfullback dos Chiefs conseguiu somar os pontos necessários para “reinar” na tabela dos melhores marcadores de tries e de pontos, com 9 tries e 160 pontos (está à frente de Barrett por 9 pontos). O flash de Waikato realizou outro jogo tremendo, castigando uma fraca defesa dos Reds de Sydney, que pouco ou nada fizeram para montar uma “muralha” defensiva capaz de parar as “avalanches” atacantes dos visitantes. Foi um jogo de uma direção, com a time de Waikato a conseguir 50 pontos (8 tries), sofrendo apenas 5. Liam Messam regressou às convocatórias, mas começou o jogo no banco, ficando Sam Cane com a camisa nº8. O asa All Black voltou a realizar uma boa exibição, com 11 tackles e 1 try, completando um jogo muito bem trabalhado e conseguido da sua avançada (54 tackles, 4 turnovers, 170 metros conquistados, 3 tries e 2 assistências), que ganharam duas scrums dos Reds e ainda foram buscar dois lineouts aos australianos também.

 

O time dos Reds voltou a efetuar um jogo terrível e precisa, desesperadamente, de uma alteração total de rumo. Têm peças para elevar o seu nível de jogo, como Kerevi (é ele que consegue “criar” o único try neste jogo para os coalas), Nabuli, Gill, Slipper ou Frisby e com as contratações de Moore (ex-Brumbies) e George Smith (ex-Wasps) pode ser que deem o passo certo na direção das vitórias. Todavia, voltemos ao presente e vejamos o que se passou no seu reduto, no estádio Suncorp. Os Reds tentaram jogar de igual para igual com os Chiefs, expondo vários problemas nas linhas de ataque (14 bolas perdidas) ou na forma como defenderam (54 tackles efetivas e 28 falhadas), indo sempre atrás da velocidade de jogo imposta pelos Chiefs. Sempre que os forasteiros subiram a linha de defesa, os Reds perdiam-na e acabavam por ver os neozelandeses a parar dentro da sua área de validação. Vejam o segundo try, em que os Chiefs nem precisam de fazer um ruck para conseguirem chegar ao try, basta trocarem a bola com 3 a 4 offloads, para depois, no final, o pilar A. Moli cair para dentro da área de validação. A passividade defensiva foi sempre uma “doença crónica” neste jogo… e quando se joga contra uma time com os Chiefs é normal que o castigo seja pesado. Um dos momentos do encontro foi quando Frisby evitou um try de forma ilegal, chutando a bola das mãos de L. Boshier, recebendo o amarelo… logo de seguida, J. Tuttle, nº15 dos coalas, também recebeu amarelo por acumulação de faltas o que facilitou a missão dos Chiefs… chegaram ao intervalo com um 33-05 e já com os coalas completamente perdidos no jogo. Depois foi só esperar por McKenzie (fenomenal jogada da linha de ¾’s dos “chefes” com A. Lienert-Brown a encontrar a brecha para depois de desferir offload para McKenzie) aos 54’, N. Harris aos 67’ e novamente o nº15 aos 77’ para fecharem o placar. Há forma de parar estes Chiefs? E agora com o regresso de Messam que esperar da “máquina” de Rennie? Último destaque vai para Seta Tamanivalu que para além dos dois tries, 10 tackles e 1 turnover, jogou a um pace fantástico, demonstrando ser dos melhores centros deste Super Rugby.

O primeiro lugar é dos Lions

Está feito! Os Lions são os vencedores do Grupo Africano, com ainda uma jornada por disputar da fase regular. A time sensação do Super Rugby 2016, efetuou nova exibição de qualidade com uma vitória por 57-21 frente aos Kings, a time com o pior média desta edição da competição de clubes do Hemisfério Sul (-374 pontos). Em abono da verdade, os Kings aguentaram 30 minutos, demonstrando alguns pormenores interessantes e que foram arrendando os “leões” de chegarem a outro resultado mais cedo. Até aos 33’ tínhamos um 07-07, com tries de van Rensburg (chegou ao seu oitavo em 2016), para os Lions, e James Hall, para os Kings. O centro da time de Joanesburgo tem sido outra das revelações de 2016, com 14 jogos e 8 tries, 4 assistências, 15 quebras de linha (média de uma por encontro) e 30 tackles (não é a unidade que placa mais, mas o jogo defensivo dos Lions “aborda” outros contornos no que toca à defesa), com 6 turnovers. Com 21 anos o sul-africano que enverga a camisa nº12 poderá ter um futuro auspicioso à sua frente… conseguirá manter o nível? No jogo em questão, o centro ainda foi atrás do seu segundo try, que chegou aos 67’ quando os Lions já levavam uma vantagem muito “confortável”.

 

Esse resultado foi atingido por vários motivos, mas apresentamos só dois: a forma como Jantjies foi “mexendo” o jogo e a forma como os Kings se desorganizaram. Notem bem o try de De Klerk aos 47’ (o terceiro para os Lions) em que a defesa dos Southern Kings sobe de forma irregular, não há comunicação entre jogadores e abrem-se espaços suficientes para que o formação Springbok aproveite para chegar à área de validação. Os Kings cometeram este erro vezes sem conta durante todas as jornadas, talvez uma das razões por serem das times que mais tries sofreram durante toda a competição… Já os Lions demonstraram uma defesa altamente inteligente, que para além de terem um bom rácio de eficácia na tackle, também procuram obter o turnover (há sempre um jogador atrás do primeiro “tackleador”, que aguarda pela queda no chão e assim limpar para garantir a bola), como demonstram os números neste jogo nesse parâmetro, com 13 turnovers (os Kings conseguiram 4 apenas) no breakdown. Em relação a Jantjies podemos dizer que é dos melhores médios de abertura no Hemisfério Sul, sempre à procura de criar “perigo”, onde os offloads ou passes de várias formas assumem proporções “épicas” a seu favor, ou contra si. Neste jogo um dos tries dos Kings (o segundo) proveio de uma intercepção a um passe do abertura, que tentou imitar o mesmo procedimento do primeiro try da sua time, só que desta vez a defensiva dos Kings soube esperar e captar a bola no ar. Os Lions se ganharem o próximo jogo com vitória bonificada serão os campeões da fase regular, que quase não conta para nada… ou seja, não dá títulos no imediato, mas garantem os quartos e meias-finais em sua casa, o que pode ser um boost total para a fase final

Crusaders trucidam Rebels e também estão classificados

Avalanche de tries, jogo incontestável e uma vitória “agressiva” dos Crusaders ante os Melbourne Rebels. Foram 17 tries no seu total, 13 para os da casa e 4 para os visitantes, com a time de Todd Blackadder a garantir as quartas de final em casa, tendo ainda o olho aberto para a última jornada, já que uma derrota dos Chiefs frente aos Highlanders pode abrir portas para o primeiro lugar do Grupo Austalasiano garantindo não só as meias-finais em casa, mas, também, evitar que joguem os quartos (passam 4 times para os quartos, que jogam entre si uma eliminatória, com os primeiros classificados de cada divisão a seguirem diretamente para as meias) e assim descansarem uma semana extra. Sem Kieran Read, que ficou a descansar, os “cruzados” meteram o “pé no acelerador” e só tiveram olho para a linha de validação dos australianos de Melbourne. Ryan Crotty regressou após ausência de uma semana e o seu envolvimento na estratégia de jogo foi total, com o nº13 a garantir posse de bola, ritmo alto (dois tries e 1 assistência) e reação ao ataque adversário (10 tackles).  Crotty fez parte de uma linha de ¾’s em alto nível, com 6 tries, divididos por Johnny McNicholl com três (finalmente o ponta apareceu em grande nível, já leva 8 tries nesta edição), Crotty dois e Nadolo 1.

 

A velocidade imposta pelos Crusaders foi sempre altíssima, com os “rebeldes” a não terem capacidade para acompanhar as variações de ataque que iam sendo aplicadas… offloads de avançados para ¾’s, jogo carregado de passes curtos e falsos, tudo como os “cruzados” gostam. O terceiro try prova isso mesmo, com Taufua, o asa, a passar a bola já em queda, com Nadolo a aparecer em velocidade máxima e numa situação de 2 para 1, a seu favor, só tem de agarrar o último defesa e dar a bola a S. Barrett… movimento básico, simples e eficaz, é isto que se nota no rugby neozelandês, aplicando as nuances básicas com um nível técnico de execução bem alto. Há outro dado a observar nos Crusaders, que é a eficácia defensiva que possuem mesmo num jogo que somaram 13 tries: 130 tackles, 10 falhadas, enquanto que os seus adversários demonstram uma “forma” muito menos exuberante, com 38 tackles falhadas para 84 eficazes. No primeiro try de McNicholl dá para observar exatamente isso, com o ponta a escapar-se a 4 tackleadores, que não conseguem ler o movimento do adversário, abrindo não só espaços mas também a darem o caminho para o try. O melhor que os Rebels conseguiram foram 4 tries, mas de nada ou pouco valeram, numa semana terrível para as times australianas no Super Rugby (5 derrotas em 5 jogos). Aonde está J. Debreczeni das 1ªs jornadas? Que se passa com Reece Hodge, Wallaby, e um dos centros com mais “raça” na Austrália? Bem, o que fica para a história são os 85 pontos, com tries de McNicholl com 3, Taylor e Crotty  com 2 cada e 1 para Nadolo, Hodgman, Barrett, Whitelock, Todd e Samu. Em 830 metros e com 126 carries, apareceram 13 tries… como?

 

Revejam o jogo e notem os “malabarismos” dos forwards, a forma como garantem fases rápidas e a execução eficaz do seu jogo à mão… na semana passada, frente aos Chiefs (derrota), foram derrotados porque a time adversária impediu que se jogasse rápido, retirando boas bolas aos Crusaders em certos rucks. Conseguirão os Crusaders demonstrar que são o “papão” deste Super Rugby?

Hurricanes despacham Waratahs e se garantem no mata-mata

Hurricanes continuam a “sonhar” com o primeiro lugar do Super Rugby, uma vez que o último jogo da próxima semana vai ditar um super dérbi entre os “furacões” e Crusaders. Quem perder fica com o wildcard mais baixo, o que obriga a viagens fora de casa na fase a eliminar (os Highlanders vão defrontar os Chiefs). O encontro frente aos tahs’ de Sydney foi, sem dúvida, o melhor jogo desta jornada, com um desafio muito quente entre Hooper versus Savea (o asa e não o ponta), com os dois asas a desferirem uma “guerra” total. Michael Hooper, um dos melhores jogadores australianos da atualidade, completou 6 tackles e 1 turnover, tendo se notado o seu “peso” no jogo a atacar, com 80 metros, em 13 carries, tendo sido importante para os tries da sua time, uma vez que participou no “esboço” das movimentações. Hooper trabalha de forma intensa no jogo a atacar, gosta de participar e tem uma capacidade de leitura de jogo que o faz um dos “alvos” mais difíceis de abater nos Waratahs. Já Ardie Savea saiu por cima na defesa, com 16 tackles e 2 turnovers, aplicando uma defesa veloz e que ia desdobrando-se em apoios à sua linha defensiva. Ardie fez só 17 metros com a oval na mão, mas em os 8 metros conquistados na segunda parte foram fulcrais, uma vez que assistiu Cory Jane para o try do 18-17 aos 47’… a partir desse momento, os “furacões” não voltaram a sofrer pontos e conseguiram carregar para novo try aos 59’ pelo o outro Savea.

 

O problema dos Waratahs esteve em dois momentos: aguentar o momentum ganho com o seu segundo try no jogo e garantir uma linha de defesa longa. Se repararem os dois tries dos Hurricanes foram à ponta, após 5 a 6 fases de conquista no meio, para depois apanharem balanço e terem situações de superioridade nas alas. Isto acontece pela excesso de defesas postos nas situações de tackle (se observarem os Waratahs meteram mais que um “tackleador”, notando-se pouco ritmo na hora de levantar e voltar a estar activo a nível defensivo) e pela forma rápida como que os atacantes conseguem soltar a bola no chão ou quando estão em fase de serem “tackleados” (Faf de Kleker dos Lions “obriga” os seus colegas do Lions a fazê-lo, assim como TJ Perenara aqui nos Hurricanes). De qualquer forma, os Waratahs têm capacidade para muito mais, têm um dos melhores centros de toda a competição, Israel Folau, que voltou a marcar um try de grande categoria aos 42’ (solta-se de 3 tackles certas para ir de jogador em jogador até à linha de try). Beauden Barrett voltou a falhar pontapés (1 conversão de try e uma penalidade), só que voltou a ir à linha de try. Vale a pena verem não só o try, como também observarem como se movimenta com ou sem bola na mão. O médio de abertura dos All Blacks está sempre a procurar um tipo de profundidade que lhe permite acelerar e fugir à tackle, ou marcar o defesa e soltar a bola para o seu colega mais próximo ou um passe mais em “salto” para os colegas à ponta (por isso do primeiro para o terceiro canal). O primeiro try é exemplificativo dessa movimentação, que o nº10 tenta, em vários momentos do jogo, aplicar sempre que possível. Foi jogo muito de igual para igual, com os australianos a perderem 3 lineouts em 14 (dois deles em cima dos últimos metros dos Hurricanes), naquele que foi o “parâmetro” de jogo menos igual de todo o encontro. Uma última jornada que vai decidir tudo para os Hurricanes e Waratahs… os “furacões” ainda terão hipótese de ficar em primeiro? E o time de Sydney ainda pode sonhar com a vaga?

Stormers carimba sua vaga sem problemas

Entre polêmica e decepção, entre o sonho e a esperança, Force e Stormers mediram força num jogo providencial para os sul-africanos. A time dos Stormers necessitava de garantir uma vitória para distanciarem-se dos Sharks, mantendo assim o segundo lugar, garantindo o segundo melhor wildcard do Super Rugby (dá direito às quartas de final em casa). O Force entraram no jogo de forma atribulada, já que alguns jogadores tiveram uma atitude menos profissional (chegaram a horas tardias à concentração de time no dia anterior, apresentando o comportamento errado), algo que “estragou”, em definitivo, a sua forma de jogar. Se a época já não estava a correr da melhor forma, esta nova derrota por 22-03, atira-os para o antepenúltimo lugar do Super Rugby, sendo a terceira pior franquia… atrás mesmo só os estreantes dos Sunwolves e dos Southern Kings. É uma das times que vai sofrer alterações na próxima temporada, com a federação de rugby australiana a tomar controlo para potenciar o que de bom têm e “cortar” com alguns males que padecem (para além de que a franquia entrou em falência).

 

Num jogo que de pouco tem para contar, os Stormers garantiram a sua classificação, com as exibições de Schalk Burger e Pieter-Steph du Toit sendo a nota mais alta da noite (26 tackles e 3 turnovers no total). O nº8 poderá fazer a diferença nas fase final, com toda a sua experiência e capacidade de liderança, que compõe um asset fenomenal quando somamos a capacidade para placar (103 tackles, 10 falhadas, cerca de 90% de eficácia) e de conquistar metros curtos (em 123 carries conseguiu 188 metros, notando-se um try). Burger sempre foi daquelas unidades fulcrais para garantir posse de bola e conquista curta de território, disponibilizando-se à sua time sempre que possível. Du Toit é outra “história”… o segunda linha é um powerhouse, como temos vindo a destacar… gosta de ter oval nas mãos, não é um jogador de pick and go curto e estagnado, pelo contrário, aborda o jogo atacante de forma rápida, ágil e hábil. Apesar do início algo atribulado, com um pontapé de penalidade convertido a favor dos Force e um amarelo para Daniel du Plessis, rapidamente os Stormers tomaram controlo do jogo e somaram três tries sem resposta. Os tries de J. Van Wyk aos 37’ e Kolisi aos 40’ (a pior altura para sofrer pontos em qualquer desporto é quando estamos a chegar ao intervalo), providenciaram uma vantagem clara para os sul-africanos, que só tiveram de garantir mais um try na fase de “gestão” do jogo (novo try de Van Wyk aos 60’). Com isto os dois primeiros lugares na divisão Africana-Restante ficaram decididos… resta uma vaga para ser disputado pelos Bulls e Sharks.

Bulls atropelam japoneses e ainda sonham com vaga

Os “touros” do Loftus Versfeld de Pretória jogam contra o tempo e contra os resultados dos Sharks… mesmo com esta vitória “gorda” por 50 a 3 frente aos nipônicos dos Sunwolves, tudo está dependente do que o seu rival de Durban vai fazer nos dois últimos jogos (ao momento do fecho da crônica os Sharks tinham garantido a vitória com ponto de bônus e agora esperam pelos Sunwolves em sua casa). Alguns dados interessantes para nos apercebemos como foi o jogo: Labuschagne voltou a fazer mais de 17 tackles (já segue com 150), impedindo dois tries dos Sunwolves (aos 33’ e 67’), tendo conseguido somar um try aos 11’, que abriu o marcador no estádio dos Bulls. Por outro lado, os japoneses pouco fizeram para contrariar o favoritismo dos sul-africanos e, uma vez mais, desiludiram o público que os acompanhou ao estádio. Não se esperava uma vitória, mas quem viu o jogo queria algo mais em termos defensivos e ofensivos… fica na retina a falta de solidez atacante (várias bolas perdidas no contacto ou passes que falham o alvo) ou o fraco ritmo defensivo (entre o esperado em algumas situações e o rápido demais em outras, parecem não possuir um meio termo, não se espantando uma derrota por números altos.

 

Mas há muito mérito nos Bulls que estão a tentar formar uma nova geração de “ouro” liderada por François Brummer, Travis Ismael ou Jesse Kriel. Ismael conseguiu dois tries, atingindo a marca de 4 na presente temporada, fruto de um bom trabalho da sua avançada, que depois só teve de acelerar, driblar e cair para dentro da área de try. Em vinte minutos, os “touros” derrubaram os “lobos”, com tries de Labuschagne, Swanepoel, Kirsten e Brummer, aos 11’, 20’, 26’ e 31’. Mesmo com esta vitória com ponto de bônus ofensivo deverão ficar de fora da fase a eliminar do Super Rugby 2016, esperando-se um futuro auspicioso em 2017 (poderão ombrear com os Sharks) se mantiverem as suas melhores unidades. Em relação aos Sunwolves, há muito terreno por “apalpar” é necessário que encontrem um modelo que lhes sirva, mas acima de tudo, garantirem o mesmo ritmo físico que a maioria dos seus adversários e terem 3 ou 4 unidades que lhes garantam competitividade para as próximas edições.

Sharks firmes na briga pelas quartas de final

Jogo muito difícil para os “tubarões” de Durban que tiveram nas Cheetahs um adversário à altura. A vitória por 26-10 dá uma margem de dois pontos para os Sharks, que vão receber na última jornada os Sunwolves em casa. Só uma vitória interessa, e já nem é preciso obter o ponto de bônus… por isso, mesmo jogando mal, o que interessa é ganhar. Gary Gold pode queixar-se das contínuas ausências de algumas das suas maiores estrelas como Lambie (continua sob observação), Paul Jordaan (lesão no joelho, anunciou a sua saída para o Stade Rochellais, do Top14, esta semana) ou Willie Le Roux (lesão no pé). Mesmo assim, April converteu as 4 penalidades que teve direito, mais as duas conversões de tries, perfazendo 16 pontos no encontro. Com JP Pietersen a ser uma das unidades mais ativas, os “tubarões” foram jogando no erro dos Cheetahs, que acabaram por cometer 24 erros próprios… são das times que mais falhas “sofrem”, com vários passos errados, knock ons desnecessários e falta de lucidez para ter “calma”, “olhar” e gerir o jogo como deve ser. É aqui que se nota o desnível entre times: os Sharks podem ter só 45% de posse de bola e território, mas é uma posse eficaz, pois sempre que a têm há uma probabilidade grande de ser convertida em pontos.

 

Os Cheetahs têm tido sempre uma posse e território, só que depois quando necessitam de pontos, seja tries ou pontapés, não há nada na maioria das vezes. Têm capacidade para serem uns novos Lions, todavia é necessário saber ter a oval em seu poder e “castigar” os seus adversários sempre que possível. Os “tubarões” têm seguido essa regra, e as vitórias frente aos Hurricanes e Highlanders provaram que a sua frieza, qualidade defensiva e reação rápida podem valer vitórias… mas o que acontece quando não ganham metros? Ou quando o seu tempo de reação baixa e a lentidão é aproveitada pela time adversária? É aqui o ponto a discutir dos Sharks e neste jogo, foram quase apanhados em alguns movimentos dos Cheetahs (ver o minuto 47’ ou 38’), mas depois a “sorte” e erros dos seus adversários garantem a calma necessária. Com esta vitória a fase a eliminar está a um pequeno passo… é o momento dos Sharks dominadores surgirem em jogo e demonstrarem que conseguem quebrar qualquer adversário.

Rotina de derrotas para os Jaguares e triunfo crucial para os Highlanders

O resultado é enganador… começamos por abrir este resumo com esta frase, uma vez que os Jaguares demonstraram as suas “garras”, com um rugby bem alegre, num ritmo bem pulsado e com ideias bem interessantes. Faltou a execução final de um passe, de garantir um ruck em cima dos últimos metros, de impedir um turnover… num encontro que terminou com uma diferença de 26 pontos, os Jaguares mereciam bem mais do que essa diferença de pontos. Mas o rugby é assim. Os 21 erros próprios “estragaram” a possibilidade de irem atrás da vitória, com os Highlanders, campeões em título, a ficarem com menos 1 erro que os argentinos… ou seja, 41 erros num jogo de 80 minutos. Como é que isto aconteceu? Velocidade a mais na execução, pouca comunicação e tackles de grande nível. Foi um jogo “bruto”, com as avançadas de ambas as equipas a mostrarem o seu melhor… Elliot Dixon foi autor de mais um jogo bem trabalhado, aparecendo bem nos rucks a “incomodar”, com uma ação rápida no breakdown (2 turnovers) e um carrier de excelência. Dixon foi responsável por dois tries, entre os 40 metros que carregou a oval nas mãos, tendo ainda feito 4 offloads (só ao nível de Read, Hooper ou Kriel).

 

Do outro lado, destacar Facundo Isa, o nº8 argentino, que teve a missão de trabalhar na conquista de terreno… bem sucedido, com 90 metros, tendo quase chegado ao try aos 67’ quando conseguiu interceptar a bola e sair a correr pelo meio-campo… infelizmente, à entrada dos 22 metros faltou um apoio mais lúcido para dar sequência à jogada. A nível de defesa completou a uma dezena de tackles com 2 turnovers, mostrando uma aptidão para montar a sua equipa na hora de defender o seu reduto… infelizmente, os Highlanders conseguiram 4 tries que lhes deram o ponto de bônus e a possibilidade de ainda saírem desta fase regular com o primeiro lugar da sua divisão. Ben Smith abriu o marcador ao primeiro minuto de jogo, seguindo-se Rob Thompson aos 13’, Eliott Dixon aos 31’ e 63’.  Pelo menos dos 4 tries, apareceu o de “El Mago” Juan Martín Hernandez, que pode agradecer a uma jogada bem “arrancada” por Santiago Cordero. O que vale a pena rever neste jogo? Postura defensiva dos Highlanders e como conseguem evitar que os seus adversários saiam rápido em certos momentos. Há um disclaimer antes de entrarmos no tema, que é o facto dos “guerreiros” de Dunedin roçarem a ilegalidade no jogo, algo que Aaron Smith vai tentando avisar e comunicar aos seus colegas (é interessante ver o papel do formação nas ações defensivas dos Highlanders). Sempre que os Jaguares tinham possibilidade de infligir dano, a equipa neozelandesa atacava o ruck da melhor forma para evitar uma saída rápida da bola, e nas tackles “abraçam” o adversário de forma a amarrarem-no bem (vejam os últimos 15 minutos de jogo de Greg Pleasants-Tate, o nº16) e impedirem um offload ou que o formação retire a bola e saia a jogar rápido. Já tínhamos feito várias referências de como os Highlanders defendem soberbamente bem, de como entregam a posse de bola e o território, quase todo, para depois recuperarem e num par de jogadas chegarem aos postes. Defendem com classe e atacam com “peso”, onde a dupla Smith & Smith faz a diferença. Os Jaguares caíram, de certa forma, na “armadilha” mas foi também por algum “azar” que não vimos mais 1 ou 2 tries. Segue-se a última jornada, todas as decisões em 80 minutos… há mais Super que isto?

Classificação na Currie Cup também para Boland

Enquanto isso, na Currie Cup, o Campeonato Sul-Africano, o segundo classificado à fase final foi conhecido, restando agora apenas duas rodadas para o fim da Fase Qualificatória. Depois do Griquas se garantir na fase final, foi a vez do Boland Cavaliers carimbar sua vaga. E ela não veio com vitória, Os Cavaliers foram derrotados pelo Western Province em casa no clássico do Cabo, 25 x 14, mas contaram com a derrota do Griffons para o Sharks, 36 x 27, suficiente para lhes assegurar a vaga matematicamente. O Griffons ainda não está fora, mas só um milagre lhe dará a classificação, estando 10 pontos abaixo do Pumas. O time de Mpumalanga poderia ter garantido vaga nesta rodada, mas perdeu para o líder Griquas.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Blues 40 x 15 Brumbies

Reds 05 x 50 Chiefs

Lions 57 x 21 Kings

Crusaders 85 x 26 Rebels

Waratahs 17 x 28 Hurricanes

Force 03 x 22 Stormers

Bulls 50 x 03 Sunwolves

Sharks 26 x 10 Cheetahs

Jaguares 08 x 34 Highlanders

 

EquipeConferência*PaísCidadeJogosPontos
Grupo Australásia
HurricanesNeozelandesaNova ZelândiaWellington1553
HighlandersNeozelandesaNova ZelândiaDunedin1552
ChiefsNeozelandesaNova ZelândiaHamilton1551
CrusadersNeozelandesaNova ZelândiaChristchurch1550
BrumbiesAustralianaAustráliaCanberra1543
WaratahsAustralianaAustráliaSydney1540
BluesNeozelandesaNova ZelândiaAuckland1539
RebelsAustralianaAustráliaMelbourne1531
RedsAustralianaAustráliaBrisbane1517
ForceAustralianaAustráliaPerth1513
Grupo África do Sul
LionsÁfrica 2África do SulJoanesburgo1552
StormersÁfrica 1África do SulCidade do Cabo1551
SharksÁfrica 2África do SulDurban1543
BullsÁfrica 1África do SulPretória1542
JaguaresÁfrica 2ArgentinaBuenos Aires1522
CheetahsÁfrica 1África do SulBloemfontein1521
KingsÁfrica 2África do SulPorto Elizabeth1509
SunwolvesÁfrica 1JapãoTóquio1509

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Bulldogs 26 x 45 Blue Bulls

Cavaliers 14 x 25 Western Province

Griffons 27 x 36 Sharks

Falcons 14 x 75 Golden Lions

Eagles 16 x 24 Cheetahs

Leopards 54 x 14 Kings

Griquas 37 x 14 Pumas

 

EquipesCidade principalFiliação no Super RugbyJogosPontos
Western Province*Cidade do CaboStormers1461
GriquasKimberleyCheetahs1456
Boland CavaliersWellingtonStormers1454
Mpumalanga PumasNelspruitLions1451
Golden Lions*JoanesburgoLions1447
Free State Cheetahs*BloemfonteinCheetahs1444
Blue Bulls*PretóriaBulls1438
LeopardsPotchefstroomSharks1437
GriffonsWelkomCheetahs1436
Natal Sharks*DurbanSharks1433
SWD EaglesGeorgeKings1430
FalconsKempton ParkBulls1430
Border BulldogsEast LondonBulls1426
Eastern Province Kings*Porto ElizabethKings1413
WelwitchiasWindhoek (Namíbia)1401
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

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