Super Rugby: Crusaders, Hurricanes e Lions triunfam nos clássicos

ARTIGO COM VÍDEOS – Neste fim de semana, o Super Rugby foi recheado de clássicos em rodada que foi a última antes da pausa de junho para amistosos das seleções nacionais. Com todas as equipes tendo disputado 12 partidas, a real situação da competição está clara e a liderança do quadro geral é do poderoso Crusaders, que vai reassumindo protagonismo mesmo após as saídas de Dan Carter e Richie McCaw. O time de Christchurch triunfo em clássico nacional neozelandês contra os Blues e tirou proveito da derrota fora de casa dos Chiefs diante dos australianos dos Waratahs. Enquanto isso, ainda na terra dos All Blacks, os Hurricanes venciam o jogão contra o Highlanders, reedição da final da ano passado.

 

Na terra dos Wallabies, por sua vez, apesar da vitória dos Waratahs, a liderança geral é dos Brumbies, que atropelaram os japoneses dos Sunwolves, enquanto os Rebels se reerguiam com vitória sobre o Force. Já na terra dos Springboks o grande destaque ficou pela vitória avassaladora do Lions sobre o arquirrival Bulls no clássico do velho Transvaal, ao passo que o Stormers acabou a primeira perna da liga bem, com vitória sobre o Cheetahs. Por fim, os argentinos dos Jaguares fecharam a 12ª rodada sofrendo uma inimaginável e amarga 10ª derrota, contra o então pior time do Super Rugby, o Kings, dando adeus matematicamente às suas chances de classificação ao mata-mata final. Reds e Sharks receberam as folgas da vez.

 

O Super Rugby retornará no dia 1º de julho para suas três rodadas finais, sem folgas para mais nenhuma equipe. Além dos argentinos, já não têm mais chances de classificação Sunwolves, Kings e Cheetahs, no  Grupo Africano, e Reds e Force, no Grupo Australasiano.

 

cvc julho 2016 horizontal

 

Hurricanes dão o troco nos Highlanders em clássico neozelandês

Isto é o Super Rugby! Reedição da final do ano anterior termina com uma doce vingança para os “furacões”, que a jogar em casa, foram motivados ao ponto de conseguirem o try da vitória aos 79’ pelo talento de 2016, Ardi Savea. “Balde de água fria” para a equipe de Jamie Joseph que não podiam, de forma alguma, vacilar nesta reta final da fase regular. Agora vão correr contra o tempo e estão dependentes dos resultados dos seus adversários diretos, sejam os Chiefs, Hurricanes ou Crusaders… ficarão os campeões de fora da fase final da maior liga de clubes do Hemisfério Sul? Foi um jogo muito sui generis, com o brilhantismo de sempre, em que os ‘canes demonstraram uma predisposição ofensiva “gigante” (550 metros conquistados), castigando a defesa dos Highlanders, que realizou uma exibição boa mas não o suficiente boa para evitar uma derrota em Wellington.

 

Num jogo ganho nos detalhes e no cumprimento tático, os Hurricanes até tiveram alguns erros que podiam ter comprometido a sua vitória: cerca de 44% dos alinhamentos foram “roubados” pelos Highlanders, o que lhes tirava um ponto de partida para atacar as linhas. A somar a isso cometeram o dobro de penalidades dos visitantes, o que podia ter subido alguns degraus na escala de perigo. Porém, uma defesa soberba (110 tackles só 7 falhadas) “obrigou” os campeões em título cometer muitos erros com a bola nas mãos, com os 10 knock-ons a provarem-se “pesados” nas contas finais. Melhor que tudo foi o trabalho dos da casa no breakdown, onde conseguiram completar 11 turnovers, tirando mais bolas à equipe visitante. ArdieSavea com dois tries, aos 13’ e 79’, foi das unidades mais impressionantes, em que os seus rasgos de “gênio” encontraram-se com a sua “manha” fenomenal. O primeiro foi após uma jogada total dos Hurricanes, que começo nos seus dez metros, para Cory Jane, TJ Perenara e Brad Shields chegarem aos 22 metros… uma bola que parecia perdida no chão, foi apanhada por Savea, que ao estilo do seu irmão, sai disparado até à linha de try. Passado dez minutos, BradShields faz o segundo a partir de um pick and go, em que o asa sai disparado e perante uma péssima tackle de Fekitoa, aproveita para “enterrar” a oval entre os postes. 14-00 aos 23’, os Highlanders tinham de fazer algo para regressar ao encontro, com Sopoaga a ser o responsável por esse encontro… numa jogada em que a lentidão dos ‘canes foi importante para o try, Aaron Smith jogou para  o médio de abertura, com este a passar no meio da defesa e a cair dentro da área de validação. Contudo, os erros iam-se acumulando nos Highlanders, em que Osborne, Fekitoa e Naholo deixaram cair demasiadas bolas para a frente ou para trás (33’ é um exemplo disso). Barrett aproveitou uma penalidade para dar um espaço entre as duas formações, colocando em 17-07 na primeira parte.

 

Nos vinte minutos de reinício de jogo, o jogo foi tomado pelos campeões do Super Rugby, que conseguiram um try e duas penalidades, atingindo o empate: DanLienert-brown (41’) numa entrada curta já em cima da linha de try, faz o 17-14, com Sopoaga a converter uma penalidade logo de seguida para o 17-17. Barrett subiu para o 20-17 e MartyBanks, aos 62, faz o 20-20. Sopoaga já tinha saído fruto de uma lesão, que não nos apercebemos da gravidade da mesma. Com isto, os Hurricanes aproveitaram para estabelecer uma boa pressão sob a scrum dos visitantes, que começaram a sentir dificuldades para travar as investidas dos Savea’s (juntos fizeram quase 200 metros de conquista, 15 carries e 5 defensores batidos), a somar a entrega física de Shields e os pés de Barrett. O try da vitória chegou a partir de uma scrum, onde a boa manobra dos 8 ‘canes, possibilitou uma “nesga” de espaço a Savea que arrancou e passou pelo meio de 4 defensores para o 27-20.

 

Warratahs derrubam Chiefs em jogão de Sydney

Uma dura derrota para os Chiefs na Austrália, em clássico transtasmânico contra o Waratahs. A equipe de Dave Rennie levou uma verdadeira lavada dos australianos de Sydney por45 x 25, que afastou os Chiefs da ponta da tabela. Israel Folau foi um bulldozer que para além dos 2 tries e 185 metros conquistados, atirou defensores para trás e foi um problema para as linhas atrasadas dos de Waikato, que, infelizmente, assumiram erros muito graves do ponto de vista defensivo. Damian McKenzie foi um dos piores dos Chiefs, com muitos erros na tackle (em 4 tackles, acertou uma e falhou outras três) e uma abordagem defensiva pouco exigente, como vimos no try de Michael Hooper (38’) ou de Israel Folau (8’), podendo queixar-se também do apoio do seu par de pontas que estiveram muito apáticos.

 

Uma exibição tremenda dos Waratahs que só queriam jogar rugby, com todos os seus jogadores a demonstrar uma vontade de agarrar a bola, correr com ela e fazer um try ou offload… os Chiefs só tiveram essa atitude nos primeiros 30 minutos, só que os erros no contacto, onde permitiram 4 turnovers no espaço de 15 minutos foi tirando a possibilidade de terem uma boa vantagem na primeira parte. Para além de Folau, Michael Hooper ganhou a Sam Cane na disputa pelo melhor asa no jogo… o neozelandês fez 15 tackles com 4 falhadas, mas apareceu muito pouco jogo, apesar de uma boa primeira parte em que teve uma encontro direto com W. Palu, nº8 dos australianos (acabou mesmo por ir para a rua por uma tackle alta de alguma gravidade). Hooper fez dois tries, deu mais um a marcar e foi massacrando os Chiefs na scrum, que apesar de não terem perdido nenhuma, não conseguiram contestar a dos ‘tahs e até consentiram alguns metros recuados. Na primeira parte ainda o jogo foi bem equilibrado, com um 17-13 a favor dos australianos, apesar da igualdade em tries valeu Bernard Foley, que converteu todos os pontapés possíveis – ao contrário que McKenzie falhou todas as conversões possíveis, à excepção de uma penalidade depois de já ter falhado uma antes.

 

Na segunda etapa, só deu Waratahs: 51’, 53’, 63’ e 76’, de Kellaway, Hooper, Folau e Dempsey, respectivamente. Tudo com quebras de linha, erros de tackle dos Chiefs e um ataque avassalador da equipe da casa, sempre com Folau, Foley e Guildford a criarem boas situações de try. Os Chiefs ainda conseguiram um terceiro try graças a um crosskick de Cruden (esteve bastante bem no jogo, mas sempre muito desapoiado e com os seus pontas e 15 muito longe para abrir perfurações na defesa dos australianos) que Toni Pulu apanhou à ponta e meteu dentro da área de try. Uma derrota extremamente pesada para os Chiefs que estão à mercê dos Crusaders, ficando com o primeiro lugar do Super Rugby em risco quando já só restam três jornadas até ao final de temporada. De assinalar o grande jogo de B. Retallick eNathan Harris, que foram dos melhores chefes em todo o encontro.

 

Jaguares perdem para o pior time da liga

O que mudou num par de semanas… os Jaguares tinham ganho por 73-27 à, praticamente, um mês atrás e nesta jornada, a jogar em casa dos Kings, perdeu por 29-22… num jogo recheado de polêmica. Dois cartões vermelhos mostrados a jogadores argentinos: T. Lavanini, o enorme segunda linha, recebeu ordem de expulsão depois de entrar num ruck com o ombro onde acertou na cabeça do seu adversário, numa jogada que daria try aos Jaguares… E. Boffelli saiu lesionado, também, desse lance; o segundo chegou aos 37’, quando numa penalidade a favor dos visitantes, Herrera (pilar) entra no chão com o ombro direto ao seu adversário… mais uma vez, o cartão de expulsão foi levantado e os Jaguares jogaram com 13 até ao final do encontro.

 

A atuação do árbitro foi, no mínimo, polêmica… o primeiro cartão é bem mostrado, uma vez que Lavanini pouco se preocupou com o seu adversário, já o segundo é algo questionável, onde poderia ter-se ficado pelo amarelo. Foi um jogo de baixo, já que o nível exibicional dos Kings contrastou com o público das bancas, fraco, vazio e desprovido de cor. Os Jaguares, mesmo com 13, foram sempre melhores e pareciam mais motivados com os reveses da primeira parte, onde saíram na frente do marcador por 06-03. Uma exibição segura, muito calma com a bola nas mãos e sem grandes riscos, os Jaguares iam jogando no erro dos Kings que continuam a cometer faltas, no mínimo, infantis e que até aos 58’ jogaram a favor dos argentinos. À altura do primeiro try de jogo por Schalk Ferreira, os Jaguares estavam na frente por 15-03, uma vantagem controlável e impressionante para quem está a jogar com 13.

 

O primeiro try dos Kings proveio de um erro de Landajo, que ao receber a bola de um alinhamento, nos seus 5 metros, demora um segundo a mais a chutar para fora e acaba por ver a bola bloqueada (legalmente) para depois Ferreira cair em cima da oval e dar o primeiro tries dos Kings. Mas quem pensava que isto podia ser o início da “machada” (que havia de chegar) nos Jaguares, estava enganado, já que os argentinos, ao seu estilo “fogoso” e com um querer que relembrou o Mundial de 2007 ou 2015, trabalhou de forma impressionante até chegar ao seu try através de um pick and go, de Facundo Isa, uma das boas surpresas dos Jaguares nesta temporada. Aos 72’ vieram os tries da reviravolta e vitória dos Kings, que ainda tiveram a benevolência de ver Lezana a ser expulso temporariamente (amarelo algo questionável, uma vez que os Kings fizeram o mesmo tipo de faltas ao longo do encontro e não receberam uma única admoestação), abrindo mais brechas na defesa argentina que consentiu o segundo try através de uma queda de scrum. Dewald Human fez o seu primeiro try no Super Rugby à ponta aos 74’ e W. Mjekevu aos 77’ da mesma forma que o seu colega. Mereciam os Jaguares este castigo? Não, uma vez que praticam um bom rugby, onde Landajo e Sánchez fazem uma dupla fora de série, com Tuculet a comandar todas as operações atrás… Creevy com 7 tackles e 2 turnovers, foi uma “rocha” na scrum, tendo só falhado naquela última, numa altura em que o cansaço era a triplicar. Do lado os Kings é difícil destacar alguém… foi um jogo paupérrimo, que só deu vitória pela vantagem de terem jogado contra 13 a partir dos 38’ (que não foi bem aproveitada) e contra 12 aos 71’… os tries viriam nesse período final. Veja-se que os Kings fizeram 11 knock-ons, 10 passes médios ou longos mal concluídos e um jogo sem ideias.

 

Os Jaguares não foram, nem de longe ou perto, piores que os Kings… até com 13 chegaram a ser superiores. Mas que futuro?

 

Crusaders vencem clássico neozelandês em Auckland

Dos melhores jogos desta edição do Super Rugby, sem dúvida alguma. Os Blues de Auckland realizaram uma exibição de classe durante 70 minutos, com Guyton, Luatua, Moala ou Kaino a demonstrarem que estes azuis não são uma “saco de pancada” das outras equipes neozelandesas. Duas defensores que se apresentaram no seu melhor, com 203 tackles (no total) e 30 falhadas, o que prova o belo trabalho, na Nova Zelândia, no que toca à defesa individual ou na combinação coletiva.

 

As terceiras linhas, de ambas as equipes, tiveram um dia de embates, com os Blues a terem 35 tackles e 4 turnovers (divididos por Kaino, Pryor e Luatua), enquanto que os asas e 8 dos Crusaders “perderam” nesta batalha, com Taufua, Todd e Read, a meter 23 jogadores no chão e mais 6 “roubos” de bola. Codie Taylor foi o melhor “tackleador” do time da Ilha do Sul, com 12 tackles, algo que lhe valeu a chamada, mais uma vez, aos All Blacks, com o hooker a apresentar-se numa forma total e que poderá fazer a diferença dentro de pouco tempo. Em relação ao jogo, foi daqueles encontros intensos e carregado de detalhes, como foi, por exemplo, o primeiro try dos Crusaders: combinação boa e bem concebida pelas linhas atrasadas, tomando metros com Nadolo a entrar bem, em que uma desatenção, à ponta, dos Blues permitiu ao fijiano receber a bola de Read (passe muito rápido) e cair, com calma, para o 07-00. Com muitos lances de “gênio”, caso de Moala aos 13’ ou Dagg aos 14’, foram os Blues a conseguira o seu primeiro try, que surgiu de um pontapé mal executado de Mo’unga, que ressaltou nas mãos de um azul e Dagg, sem escolha, capta-a, mas é “caçado” por Luatua e Kaino, com o capitão dos Blues a arrancar a bola das mãos e depois foi só chegar a West que aproveita uma cratera defensiva dos cruzados para fintar e marcar.

 

Sempre em crescendo, o domínio Blue chegou, em boa hora, com a equipe de Umaga a querer jogar rugby rápido e eficaz, não houve os desacertos do jogo contra os Lions, uma entrega absoluta com belos lances de ataque, que só não resultaram em try por detalhes ou pela boa defesa dos Crusaders. Aos 39’, chegou a reviravolta com Duffie, o nº14, a quebrar a linha e a ganhar os metros necessários para que depois Guyton jogasse largo, com Moala a entrar e fazer o 15-10. Com uma penalidade para cada, os Blues entravam para os vinte minutos finais a dominar e só um erro de domínio é que poderia suscitar algo diferente… ora, um bola perdida no ar, resultou em bola para os Crusaders, que jogaram para Fonotia, o centro a entrar a 100 e desequilibrar por completo a linha dos da casa, transmitindo a oval para Andrew Ellis. Cambalhota, mais uma vez, no resultado e crescimento exponencial dos cruzados que voltaram a jogar e a estar onde queriam… penalidades para Mo’unga ditaram uma vantagem dilatada.

 

Os Blues jogaram mais com o “coração” e a falta de “oxigênio” permitiu, aos Crusaders, escaparem-se com a vitória e assumirem o primeiro lugar no Super Rugby… em Julho vão ter um jogo para confirmar esse cenário, frente aos Chiefs em casa. Israel Dagg (105 metros conquistados, 13 carries, 3 quebras de linha), Crotty (105 metros, acabou por ser ele a falhar o try que permite o segundo try dos Blues) e Nadolo foram elementos importantes para os Crusaders, enquanto que Moala, Nanai e Duffie (140 metros no total) deram a nota “mágica” aos azuis de Auckland.

 

Brumbies atropelam Sunwolves

Jogo sem história, os Brumbies entraram a “matar” e fizeram 10 tries contra 1 dos japoneses dos Sunwolves. Numa corrida pelo playoff, a equipe que está recheada de “estrelas” dos Wallabies (só os Waratahs têm mais), não deu hipóteses à equipe de Pisi (de fora por lesão), Yamada (mais um try para a sua conta pessoal) ou Quirk, que não têm “armas” para se defenderem da forma equilibrada, eficaz e “agressiva” que as melhores equipes do Super Rugby possuem. tries para todos os gostos, seja por intercepção (James Dargaville aos 59’), de maul dinâmico (Moore 17’), de jogada entre avançados e ¾’s (Fardy 11’), de entrada à ponta (qualquer um dos de Ah Wong, como aos 79’), foi um passeio dos australianos, que até a defender deram um espectáculo, com 130 tackles confirmadas e só 11 é que não terminaram da melhor forma (Ruan Smit, primeira linha com 14), onde David Pocock, mais uma vez, roubou 5 bolas aos japoneses (é o Imperador do Turnover), o que demonstra a vitória clara e sem contestação dos australianos.

 

Por ordem de marcadores: Fardy aos 11’, Moore 17’ e 42’, Dowsett 22’, Ah Wong aos 30’e 80’,Toua 54’, Jackson-Hope 56’, Dargaville 59’ e Taliauli 74’. Yamada fez o gosto à mão, aos 66’, após um pontapé de Tamura. Os japoneses evidenciaram claras falhas na capacidade de ler o jogo do adversário, na defesa coletiva (ora subia metade da equipe e o resto ficava para trás, ora não aplicavam qualquer pressão com alguns a “adormecer”) ou na gestão de bola (tantas bolas perdidas no chão, é impossível manter uma linha de ataque eficaz se não conseguem segurar a oval). Os Brumbies seguem no encalço de um lugar… mas os Waratahs estão a “acordar” e parecem não querer sair de onde estão… quem reinará na Austrália?

 

Stormers sobem na África do Sul

Jogo intenso, dramático e acelerado entre Stormers e Cheetahs, em outro jogo entre rivais sul-africanos. Foi um dia em cheio para os chutadores, que dispuseram de 15 pontapés para dar vantagem à sua equipe, com du Plessis (Stormers) a marcar 16 pontos de 21 possíveis, enquanto que Zeilinga completou 14 em 19 pontos. Entre escaramuças (não se percebeu como é que De Jager e Etzebeth, colegas de equipes dos Boks, não acabaram na rua), pontapés e duas defensores que recusavam-se a falhar na sua missão de evitar pontos, foram os Stormers a chegar ao try, em primeiro lugar, com Allende a jogar para Damien du Plessis, numa boa combinação de centros (serão, possivelmente, o duo dos Springboks para os jogos de Junho), com o nº13 a conseguir chegar e cair dentro da área de validação aos 35’, apesar da pressão dos Cheetahs.

 

O “segredo” da vitória do time do Cabo esteve nisto, na marcação de um try aos 36’ e depois, na reabertura da segunda parte, de chegar logo ao segundo o que lhes deu uma lead boa para chegarem à vitória… L. Zas, foi o responsável por esse segundo try, através de uma intercepção a um passe der Spuy, que foi excelentemente bem pressionado por C. Kolbe (como é que o pequeno defesa fica fora da convocatória da África do Sul, é algo inexplicável). 21-09, era uma vantagem quase decisiva para o resto do encontro, apesar da boa resposta dos visitantes, que foram atrás do prejuízo e chegaram a um resultado que lhes devolveu a esperança: Paul Schoeman aos 47’, após uma bela ligação e uma jogada de incrível qualidade entre os Cheetahs (Blommetjies teve uma movimentação de qualidade); e aos 58’ pelo suspeito do costume (já tínhamos saudades de uma bela entrada de Petersen), Petersen, que recebe um passe do chão de Marais (foi de propositado) e com umas mãos incríveis, chega aos 24-21.

 

Bastava só mais um try para darem a volta ou penalidade para o empate, era altura de assumir o risco de jogar, era fulcral que os Cheetahs, também, não perdessem a bola no contacto… os Stormers souberam esperar e aos 63’ “caçaram” a vitória, num lance que vale a pena ver… saída de ruck nos 22, os Cheetahs deram espaço a Notshe, o asa dos Stormers, que ao chegar ao meio campo atira um pontapé que com muita sorte à mistura, vai parar quase debaixo dos postes dos Cheetahs e a velocidade máxima aparece Van Wyk, a agarrar a bola e a “rebolar” para dentro da área de try para o 31-21. Zeilinga ainda converteu uma penalidade para garantir um ponto bônus defensivo, mas as Cheetahs ficaram com a “garganta seca”, já que o try dos Stormers nasce de uma desatenção sua. Vitória merecida… só que ainda irão a tempo? Lions estão em primeiro com 42, seguem-se os Stormers com 36 e Sharks com 35, e a partir, daqui esgotam-se os wildcards e apuramento direto. Três jornadas por decidir.

 

Leões devoram Touros em clássico sul-africano

A “fome” dos Lions é inigualável… há fome de tries, pontos, vitórias e títulos. Agarraram-se com “unhas e dentes” aos touros, que a jogar em casa, deram um autêntico espetáculo de horrores. Notem que Jantjies não jogou pelos leões em virtude de um dedo fraturado, que poderá deixá-lo de fora, ou não, das próximas 4 a 5 semanas. A linha de ¾’s dos Lions fez uma exibição soberba com Mapoe (quem se não ele) a “massacrar” as linhas dos da casa, que não conseguiram parar Rohan van Rensburg, o primeiro centro que marcou 2 tries, assistiu uma vez, “galgou” 112 metros e foi responsável por 5 quebras de linha… números excelentes para um centro, em que a maioria das vezes, tem de ser a primeira aposta na entrada direta ou de dummie a nível ofensiva.

 

O seu primeiro try, foi o primeiros dos leões, ao minuto 18’ quando já ganhavam por 06-00… Rensburg conseguiu escapar-se a 5 adversários (bom falso do seu colega, Mapoe) e a fazer o 13-00. Esta vantagem inicial deu o mote necessário para os Lions atingirem outros números, um autêntico massacre que Jesse Kriel ainda tentou evitar, com um try logo de seguida, após uma scrum, recebe a bola e faz o 13-05. Rensburg voltou a receber a bola, entrar, quebrar a linha e com um apoio de Mapoe, o segundo centro fez o 18-05. Nunca pararam, mantiveram o nível, a capacidade, a velocidade e a “agressividade”, Julian Redelinghuys a fazer o seu segundo try da época após um pick and go. Na segunda parte mais do mesmo, com chegadas à área de validação de Kriel (53’), Skosan (61’), Klerk (67’)e van Rensburg (74’). O melhor que os Bulls (e foi mesmo o melhor) produziram foi dois tries de Staruss e Stegmann. Os pólos de domínio estão invertidos na África do Sul, agora e finalmente, os Lions começam a ter uma equipe bem sedimentada, que entra nos jogos com “fome” não só de ganhar, mas de deslumbrar, de fazer jogar e de excitar o seu público. Mapoe, Jantjies, Skosan, van Rensburg, Redelinghuys, Kriel são as caras fortes desta equipe… 700 metros, 7 tries e 7 penalidades cometidas. Os Bulls bem tentaram parar, com Labuschagne a realizar 16 tackles (não foi convocado para a seleção sul-africana) e Jesse Kriel 10 (bem na sua posição de centro) foram os melhores destes touros com pouca vontade de atropelarem os seus adversários.

 

Rebels vencem dérbi do “futebol australiano”

Duas das piores equipes (os Rebels já estiveram na luta pelo playoff) do Super Rugby, encontraram-se no AAMI Park, num jogo entre, também, duas formações que já nada têm por lutar neste final de época. O duelo entre as cidades de Perth (Force) e Melbourne (Rebels) tem história mais em ouro esporte, no futebol australiano, pelo qual as duas cidades são apaixonadas, mas ambas vem buscando seu espaço no rugby.

 

Os Force mantiveram a “tristeza” de serem últimos, e parece-nos que não voltam a escapar dessa realidade em 2016 (já o foram em 2015), com 12 pontos em 14 jornadas. O jogo de hoje foi mal jogado, no seu geral, com as duas formações a cometerem vários erros coletivos, seja nos alinhamentos (45% acabaram com bolas no chão), bolas longas (10 falhas de passe na tentativa de explorar o corredor lateral) e uma execução de jogadas, várias vezes, mal combinadas. Sem Matt Hodgson (pode ter terminado a temporada e fala-se numa potencial saída para a Europa), os Force perderam aquele quo eficiente na tackle importante, uma vez que o asa era responsável de 30% das tackles da sua equipe (162 tackles, é o “monstro tackleador” do Super Rugby). Desde que se “conhecem” os Rebels em 11 jogos ganharam 8 frente aos Force e, hoje, não foi diferente. Mike Harris deu o primeiro try para os rebeldes, onde o timing do passe foi o correto para transmitir a bola a Reece Hodge e este chegar ao 07-00. Curiosamente, o try da jornada proveio da equipe do Force, com Peter Grant a realizar um up and under cruzado, em que Luke Morahan capta do ar (erro de Naivalu, que calculou mal o espaço e tempo de salto) e ao escapar-se pela esquerda, realiza, novo grubber para apanhar, mais à frente, e dar o 08-07. Naivalu foi atrás do try da redenção, que chegou aos 42’, após uma boa simulação de passe de Inman, com o ponta a receber e a chegar ao 15-08.

 

A equipe visitante ainda respondeu com novo try de Scolbe, porém isto só estimulou a equipe dos Rebels a irem de encontro à área de try, onde o 4º, em que Naivalu entra a velocidade TGV para o seu 5º try esta temporada. O 27-15 não foi definitivo, uma vez que Morahan ainda foi à dose dupla, para o 27-20 aos 71’. Não se registraram qualquer mudança até ao final do encontro, apesar das tentativas, frustradas, dos Force para darem a reviravolta no encontro. Qual o futuro para qualquer uma destas equipes australianas? Haverá espaço para crescer? Ou só Waratahs e Brumbies têm o poder nas mãos? E o que dizer do crescimento dos Reds, que poderão contar, na próxima temporada, com novidades?

 

Griquas perdem invencibilidade na Currie Cup

Enquanto isso, na África do Sul, a fase qualificatória da Currie Cup teve sequência e teve seu último invicto derrotado: o líder Griquas, que caiu pela diferença mínima contra o Western Province: 24 x 23. O pesadelo na competição segue com o time da Namíbia, o Welwitschias, que continua no último lugar, sem vitória após 8 jogos. Os namibianos foram desta vez trucidados pelo humilde Griffons, 101 x 00. Será bom negócio para a Namíbia a Currie Cup?

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Hurricanes 27 x 20 Highlanders

Waratahs 45 x 25 Chiefs

Kings 29 x 22 Jaguares

Blues 21 x 26 Crusaders

Brumbies 66 x 05 Sunwolves

Stormers 31 x 24 Cheetahs

Bulls 20 x 56 Lions

Rebels 27 x 22 Force

 

EquipeConferência*PaísCidadeJogosPontos
Grupo Australásia
HurricanesNeozelandesaNova ZelândiaWellington1553
HighlandersNeozelandesaNova ZelândiaDunedin1552
ChiefsNeozelandesaNova ZelândiaHamilton1551
CrusadersNeozelandesaNova ZelândiaChristchurch1550
BrumbiesAustralianaAustráliaCanberra1543
WaratahsAustralianaAustráliaSydney1540
BluesNeozelandesaNova ZelândiaAuckland1539
RebelsAustralianaAustráliaMelbourne1531
RedsAustralianaAustráliaBrisbane1517
ForceAustralianaAustráliaPerth1513
Grupo África do Sul
LionsÁfrica 2África do SulJoanesburgo1552
StormersÁfrica 1África do SulCidade do Cabo1551
SharksÁfrica 2África do SulDurban1543
BullsÁfrica 1África do SulPretória1542
JaguaresÁfrica 2ArgentinaBuenos Aires1522
CheetahsÁfrica 1África do SulBloemfontein1521
KingsÁfrica 2África do SulPorto Elizabeth1509
SunwolvesÁfrica 1JapãoTóquio1509

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Cavaliers 32 x 16 Eagles

Cheetahs 26 x 29 Pumas

Bulldogs 29 x 24 Falcons

Western Province 24 x 23 Griquas

Blue Bulls 26 x 51 Leopards

Golden Lions 35 x 35 Kings

Welwitschias 00 x 101 Griffons

 

EquipesCidade principalFiliação no Super RugbyJogosPontos
Western Province*Cidade do CaboStormers1461
GriquasKimberleyCheetahs1456
Boland CavaliersWellingtonStormers1454
Mpumalanga PumasNelspruitLions1451
Golden Lions*JoanesburgoLions1447
Free State Cheetahs*BloemfonteinCheetahs1444
Blue Bulls*PretóriaBulls1438
LeopardsPotchefstroomSharks1437
GriffonsWelkomCheetahs1436
Natal Sharks*DurbanSharks1433
SWD EaglesGeorgeKings1430
FalconsKempton ParkBulls1430
Border BulldogsEast LondonBulls1426
Eastern Province Kings*Porto ElizabethKings1413
WelwitchiasWindhoek (Namíbia)1401
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

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