Foto: LNR.fr

A França não esperou nem a Copa do Mundo começar e a liga mais rica do planeta, o Top 14, terá início nesse fim de semana, com o pontapé inicial marcado para o dia 24 de agosto. Até o Mundial acabar, os clubes franceses não terão seus atletas que jogam nas seleções, o que significa um início de temporada potencialmente equilibrado – e que provará a profundidade dos plantéis.

 

Como funciona o Top 14 francês?

O Top 14 conta com 14 clubes, que se enfrentam no sistema de todos contra todos em ida e volta, totalizando 26 rodadas, que se encerrarão no dia 6 de junho de 2020. Depois disso:

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  • Os 2 primeiros colocados avançarão às semifinais;
  • Os times classificados entre o 3º e o 6º lugar jogaram as Barrages, isto é, as Repescagens para as semifinais. Os jogos serão 3º x 6º e 4º x 5º, nas casas do 3º e do 4º colocados no fim de semana do dia 13 de junho;
  • Os 6 primeiros colocados garantirão ainda classificação à Heineken Champions Cup (a Copa Europeia) de 2020-21;
  • O último colocado será diretamente rebaixado;
  • O penúltimo colocado fará repescagem de rebaixamento/promoção contra o vice campeão da 2ª divisão;
  • As semifinais serão em campo neutro, em Nice, no fim de semana do dia 20 de junho;
  • A grande final será no dia 26 de junho em Paris;

 

Quais os favoritos e as novidades?

O Top 14 é certamente uma das ligas mais imprevisíveis no mundo esportivo, com equilíbrio total. São nada menos que 6 campeões diferentes nos últimos 6 anos: Toulon, Stade Français, Racing, Clermont, Castres e Toulouse.

A temporada 2018-19 coroou o maior campeão do país, o Toulouse, que não erguia a taça desde 2012. E o título do Toulouse foi celebrado como a vinda de uma nova talentosa geração de jogadores aos rugby francês, pela tradição do clube de ser o maior celeiro do “rugby champagne”, da “escola francesa” de jogo aberto e envolvente.

A concorrência se reforçou. O Bordeaux contratou o ponta argentino Santiago Cordero, ao passo que o Montpellier é o destino do abertura sul-africano Handré Pollard após o Mundial. Ben Smith, o fullback dos All Blacks, jogará pelo Pau, ao passo que Nehe Milner-Skudder defenderá as cores do Stade Français, junto com o segunda linha e capitão sul-africano Eben Etzebeth e do terceira linha argentino Pablo Matera. Por outro lado, o segunda linha dos Wallabies Rory Arnold jogará pelo Toulouse, que também testará o ex melhor do mundo Werner Kok, que deixa a seleção sul-africana.

 

1ª rodada

Dia 24/08 – Racing x Bayonne

Dia 24/08 -Castres x Montpellier

Dia 24/08 – Agen x Toulon

Dia 24/08 – Lyon x Stade Français

Dia 24/08 – Pau x Brive

Dia 24/08 – Bordeaux x Toulouse

Dia 25/08 – Clermont x La Rochelle

 

Clubes

Agen

Cidade / Estádio: Agen – Stade Armandie (14.000 lugares)

2018-19: 12º colocado

2019-20: O Agen tem provavelmente o elenco mais humildade do Top 14 e novamente irá a campo com apenas o objetivo de sobreviver mais um ano na elite do país. A equipe perdeu atletas importantes, como o argentino Facundo Bosch, e investiu pouco. O grande destaque talvez esteja no banco: o novo treinador é ex-jogador e um dos maiores ídolos da França, Phillippe Sella;

 

Bayonne

Cidade / Estádio: Bayonne – Stade Jean Dauger (16.900 lugares)

2018-19: Campeão da Pro D2 (2ª divisão)

2019-20: O Bayonne é outro clube focado na sobrevivência. O time basco voltou à elite e contratou veteranos como o samoano Census Johnstone e o francês Djibril Camara e uma legião de atletas do Pacífico que poderão frutificar. Mas a missão é só uma: ficar;

 

Bordeaux

Cidade / Estádio: Bordeaux – Stade Chaban-Delmas (34.500 lugares)

2018-19: 10º colocado

2019-20: O Bordeaux desapontou na temporada passada e foi ambicioso nas contratações, contratando Santiago Cordero (o argentino voador, que se somará aos excelente Nabuli e Tamanivalu) e o armador Rémi Lamerat (substituindo o veterano Brock James), além do veterano Scott Higginbothan. Mas a perda da jovem estrela Baptiste Serin será de difícil reposição. O objetivo é voltar ao mata-mata e o Bordeaux tem chances disso, mas há muitos desafios para o treinador Christophe Uriòs, famoso por ter feito milagre à frente do Oyonnax no passado;

 

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Brive

Cidade / Estádio: Brive-la-Gaillarde – Stade Amédée-Domenech (16.000 lugares)

2018-19: Vice campeão da Pro D2 (2ª divisão)

2019-20: Outro focado na permanência, o Brive é um clube muito tradicional e que passou uma temporada na segunda divisão. Com orçamento pequeno, os alvinegros trouxeram apenas um nome famoso, o escocês Alex Dunbar, além de algumas jovens promessas fijianas, mas perderam sua joia da primeira linha Demba Bamba. Os brivistas têm ainda uma legião de georgianos e deverão apoiar seu jogo na potência física. A ver se seguirão na elite;

 

Castres

Cidade / Estádio: Castres – Stade Pierre-Fabre (14.500 lugares)

2018-19: 7º colocado

2019-20: Uma máquina em casa, um gigante de orçamento modesto. O Castres se tornou um exemplo dentro da França de um clube de uma cidade menor que conquistou 2 vezes o título nacional nesta década, sempre com elencos modestos e competitivos. O técnico Mauricio Reggiardo, argentino com passagem pelo Paraguai e capaz de trabalhar em condições extremas, é a aposta para treinar o time que não fez grandes investimentos. A perda de Scott Spedding por aposentadoria será sentida e o clube perdeu o mata-mata no detalhe na temporada passada. O objetivo é seguir entre os clubes que lutam por playoffs;

 

Clermont

Cidade / Estádio: Clermont-Ferrand – Parc des Sports Marcel Michelin (19.000 lugares)

2018-19: Vice campeão – 2º colocado na 1ª fase

2019-20: Vice campeão, o Clermont fez um ano vistoso em 2018-19 e acabou sem títulos, mas sempre mostrando que é um dos gigantes do continente. O técnico Frank Azèma terá a missão de conduzir à glória um clube obcecado pela falta de títulos e, lógico, a conquista da Europa é o maior de todos os objetivos. Porém, o Clermont pensou muito na largada do Top 14 e contratou alguns atletas específicamente para a janela do Mundial, por perder muitos atletas para as seleções. O sul-africanos JJ Engelbrecht e Rudy Paige chegarão com essa propósito. Quando a Copa do Mundo acabar, os Vulcões estarão quentes com nomes como Laidlaw, Lopez, Fofana, Penaud, Raka, Yato, Iturria, Vahaamahina e Slimani, além de craques que não irão ao Mundial, como Parra, Abendanon, Nanai-Williams ou Sitaleki Timani. Keyser e Flip van der Merwe foram as perdas por aposentadoria, mas a certeza é de que os amarelos brigarão por título. Se ganharão, é outro problema (e um grande);

 

La Rochelle

Cidade / Estádio: La Rochelle – Stade Marcel-Deflandre (16.000 lugares)

2018-19: Semifinalista – 5º colocado na 1ª fase

2019-20: O La Rochelle do técnico neozelandês Jono Gibbes é um dos clubes menos preocupados com o Mundial e um dos mais ambiciosos. O time aurinegro perderá poucos atletas e tem um elenco bastante coeso, com nomes importantes como Victor Vito, Lopeti Timani, Atonio, o jovem ascendente Alldritt e Gourdon no pack, Kerr-Barlow, Andreu e a nova contratação da linha Brock James. Veteranos que sabem liderar um time também de jovens destaques e que corre por fora na luta pelo título;

 

Lyon

Cidade / Estádio: Lyon – Matmut Stadium de Gerland (25.000 lugares)

2018-19: Semifinalista – 3º colocado na 1ª fase

2019-20: O Lyon é a nova potência ascendente da França. Clube da segunda maior cidade do Top 14, o rubronegro deu o passo adiante na temporada passada chegando às semifinais e agora é muito claro em suas ambições de título, liderado pelo treinador Pierre Mignoni, que tem seu primeiro grande trabalho. Os Lobos contrataram estrategicamente, reforçando o pack com Demba Bamba e Chiocci e arranjando um matador para sua linha, Josua Tuisova. Beauxis, que foi importante no crescimento do clube, saiu, mas o time conta com elenco para reposição – e terá poucas perdas durante o Mundial;

 

Montpellier logo novo copy

Montpellier

Cidade / Estádio: Montpellier – Altrad Stadium (15.600 lugares)

2018-19: Eliminado na Repescagem – 6º colocado na 1ª fase

2019-20: O milionário que ainda não deu certo. O Montpellier é dono de um dos maiores orçamentos da França, conta com um treinador de ponta, Vern Cotter (que quebrou em 2010 o jejum de títulos do Clermont) e um elenco caro, mas que sofreu demais para render na temporada passada, sem brilho. O Montpellier voltou a investir na busca de seu primeiro título de Top 14 e buscou a liderança do hooker Guirado (para se somar a Bismarck Du Plessis e Louis Picamoles) e o talento do abertura Handré Pollard, que se sentirá em casa jogando ao lado de François Steyn, Jan Serfontein e Johan Goosen. Pollard ainda terá como abertura companheiro o ex All Blacks Aaron Cruden e, com tantos talentos e egos, a missão de encaixar o grupo não será fácil do lado de Cotter. Mas, se ocorrer, o fruto será protagonismo em todas as frentes. Será?

 

Pau

Cidade / Estádio: Pau – Stade du Hameau (18.300 lugares)

2018-19: 11º colocado

2019-20: O Pau foi muito competente nos últimos anos em sua missão de permanecer no Top 14 e agora sonha alto. Os Verdes abriram a carteira e contrataram ninguém menos que o fullback dos All Blacks Ben Smith e o terceiro linha Luke Whitelock. O neozelandês Simon Mannix é o treinador à frente do projeto e o material humano existe para o Pau ir ao mata-mata – porém, a concorrência poderá se tornar forte demais para isso e, claro, o período do Mundial será crucial;

 

Racing

Cidade / Estádio: Nanterre (Paris) – Paris La Défense Arena (30.600 lugares)

2018-19: Eliminado na Repescagem – 4º colocado na 1ª fase

2019-20: Outro milionário que desapontou na temporada passada, o Racing está pressionado por títulos. O técnico Laurent Travers já deu um título francês ao clube, em 2016, e busca atingir de novo o pico com um time que contratou bem. Se Pat Lambie se aposentou, o Racing trouxe Trinh-Duc, para disputar a camisa 10 com Finn Russell – e substitui-lo no período de Mundial. Szarzewski e Rokocoko se aposentaram, mas o elenco é farto, lotado de atletas que estarão na Copa do Mundo – e esse será um problema evidente. Completo, o clube parisiense tem nomes como Nakarawa, Tameifuna, Machenaud, Imhoff, Vakatawa ou Zebo para brilhar. Olho neles;

 

Stade Français

Cidade / Estádio: Paris – Stade Jean-Bouin (20.000 lugares)

2018-19: 8º colocado

2019-20: Mas os olhares em Paris nesta temporada não estão sobre o Racing – mas sobre o Stade Français, que terá que viver sem Sergio Parisse e Morné Steyn. Em busca de sua reinvenção, o clube rosa investiu pesado. O técnico é o explosivo sul-africano Heyneke Meyer que terá em suas mãos o argentino Matera para a terceira linha, o australiano Naivalu e os sul-africanos Combrinck e Mapoe para sua linha – e estes últimos já desde o início da competição. O Stade Français precisa retornar ao mata-mata e haverá muita pressão sobre isso;

 

Toulon

Cidade / Estádio: Toulon – Stade Mayol (18.200 lugares)

2018-19: 9º colocado

2019-20: Porém, de todo o rugby francês, o clube mais pressionado é o Toulon, do presidente pop star Mourad Boudejlal, que anda perplexo que seu clube perdeu o protagonismo apesar dos investimentos. O Toulon perdeu Bastareaud, Guirado, Trinh-Duc,, Fekitoa e Tuisova e certamente, por isso, terá cara nova, com novas lideranças. E as grandes novas liderança são Sergio Parisse e Eden Etzebeth, que formarão um pack incrível com Gorgodze, Messam e Facundo Isa. Na linha, Ben Te’o será novidade durante o período do Mundial, em um grupo que na parte do fundo do campo perdeu a confiança, com Julian Savea e Rhys Webb em baixa. Milner-Skudder chegará ao time com a missão de eletrificar o time, mas a missão do treinador Patrice Collazo será criar um time dominante no pack que possa ser ao menos eficiente e voltar ao mata-mata;

 

Toulouse

Cidade / Estádio: Toulouse – Stade Ernest-Wallon (19.500 lugares)

2018-19: Campeão – 1º colocado da 1ª fase

2019-20: O atual campeão é novamente o maior favorito ao título. Renascido e com uma geração de jovens talentos muito promissora, o Toulouse do técnico Ugo Mola manteve a base do time vencedor, liderado pelo neozelandês Jerome Kaino e pelo icônico Maxime Médard. A jovem geração de Dupont, Ramos, Ntamack e (o sul-africano) Kolbe voou baixo e promete muito mais. Para esta temporada, o time ainda apostou na vinda para o XV do sul-afriano Werner Kok, melhor do mundo no sevens em 2015, e no segunda linha australiano Rory Arnold. Dois nomes escolhidos a dedo e que poderão ajudar muito um elenco confiante. Atenção à curva ascendente dos rubronegros!

 

Histórico

 ClubeTítulos profissionais (desde 1996)Anos (a partir de 1996)Títulos totais (desde 1892)
Toulouse81996, 1997, 1999, 2001, 2008, 2011, 2012 e 201920
Stade Français61998, 2000, 2003, 2004, 2007 e 201514
biarritz novoBiarritz32002, 2005 e 20065
Castres22013 e 20185
clermont copy copyClermont22010 e 20172
Perpignan120097
Racing 120166
Toulon120144
Béziers11
Bordeaux¹9
Agen8
Lourdes8
Bayonne3
Pau3
Lyon OU2
Narbonne2
Tarbes2
Carmaux1
Grenoble1
Montauban1
Mont de Marsan1
Quillan1
Valence-Romans²1
Vienne1
FC Lyon³1
Olympique Pantin³1
¹ Bordeaux tem 9 títulos somando-se os 7 do Stade Bordelais e os 2 do Bègles, clubes que se fundiram em 2006;
² O título é do La Voulte, que se fundiu em 2010 ao Valence. Em 2016, o Valence se fundiu ao Romans, dando origem ao Valence-Romans Drôme;
³ O FC Lyon e o Olympique Pantin não existem mais. O FC Lyon deu origem do clube de futebol Olympique Lyonnais e o Olympique Pantin se fundiu ao Red Star, também do futebol;