Fotojump/João Neto

Com o Brasil sempre reconhecido como o país do futebol, crescer em uma família que respira rugby não é a situação das mais comuns. Moisés Duque colheu muito bem os frutos dessa oportunidade rara e hoje é um dos maiores atletas da modalidade em solo brasileiro.

Iniciado na modalidade aos 9 anos, o mais novo de três irmãos, sempre contou com o apoio da família, que desde sempre foi a maior base para a trajetória de Moisés. O incentivo para a prática do esporte veio dos irmãos, que já levavam o rugby a sério, porém, o início tinha o intuito apenas de divertir o jovem.

Com o tempo, a brincadeira foi se tornando séria, até que Moisés começou a atuar pelo São José Rugby, e rapidamente, logo aos 17 anos, teve sua primeira chamada para a seleção brasileira adulta.

Um início complicado, já que na época, a modalidade ainda estava num estágio de amadorismo extremo, e as viagens para atuar pela seleção eram pagas pelos próprios atletas. Para uma família com três jogadores no time, não é difícil de imaginar que a missão era mais do que complexa.

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Após muito esforço e investimento da família Duque, o país teve um avanço na modalidade a partir de 2009, quase três anos após a estreia de Moisés pelo selecionado nacional, graças ao projeto que visava a participação da equipe nos Jogos Olímpicos de 2016, edição que marcaria o retorno do rugby ao calendário olímpico após 92 anos.

Mesmo com a evolução, a incerteza, que ainda rodeava os praticantes da modalidade, fez com que Moisés começasse a faculdade de engenharia, no Rio de Janeiro. Nada que desanimasse, ou ao menos diminuísse, o interesse do atleta no rugby.

Apesar da rotina corrida, de idas e vindas entre a capital fluminense e São José dos Campos, o atleta só evoluiu neste período, indicando toda a dedicação que o transformou nesse grande craque.

Entre 2013 e 2015, Moisés se mudou para a França para um intercâmbio, que foi fundamental para a evolução do jogo do atleta. Sendo necessário o retorno ao Brasil, devido a faculdade e a reta final da preparação para as Olimpíadas, o jogador já estava mais do que preparado para se tornar um exemplo.

A histórica participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e a conclusão do curso de engenharia marcaram o ano de 2016 do craque. Como se fosse uma recompensa por tanto esforço, a partir daí o rugby só cresceu no Brasil, a ponto de Moisés recusar propostas para atuar fora do país, devido as boas perspectivas.

Sete vezes eleito o melhor jogador de rugby do Brasil, artilheiro da edição de 2017 do Americas Rugby Championship e atual campeão sul-americano com a seleção brasileira, Moisés não esquece as origens e não exita em afirmar que apesar das inúmeras conquistas dentro de campo, o seu maior troféu está dentro de casa, na figura da família, que tanto o apoiou.

Apoio que transformou Moisés Duque em um modelo a ser seguido por quem quer jogar rugby no país da bola redonda. Que já transformou o atleta em um dos principais jogadores da história do rugby nacional. Um verdadeiro craque.

Texto: Geisa Teles Frutuoso/João Pedro Almeida