Foto: NRL.com

ARTIGO COM VÍDEO – Nesta quarta-feira a Austrália parou. Sydney recebeu o jogo final do maior evento do Rugby League (o rugby de 13 jogadores) do país, o State of Origin, o duelo anual em três partidas entre as duas grandes seleções estaduais australianas, considerado o maior evento esportivo da Austrália.

Nova Gales do Sul (New South Wales, NSW), os Blues, e Queensland, os Maroons, chegaram ao jogo 3 igualados, com uma vitória para cada lado, e com a vantagem para NSW, que jogava em casa, diante de seu torcedor sedento por uma conquista marcante. Desde a série de título de 2003, 2004 e 2005 os Blues não conseguiam ser campeões por dois anos seguidos. E finalmente o tabu foi quebrado. Campeões de 2018, os Blues voltaram a erguer a taça em 2019, com uma vitória dramática por 26 x 20, em jogo decidido simplesmente na última bola.

O jogo começou com os donos da casa abrindo o placar com penal chutado por Maloney, ídolo de NSW (após ser um dos jogadores decisivos do título de 2014, que quebrara o jejum de títulos dos Blues que se arrastava justamente desde 2005). Mas os Maroons marcaram o primeiro try, com Kaufusi deixando atônito o torcedor azul aos 15′. O momento pendeu a favor dos visitantes, que ainda aproveitaram penal aos 29′ para ampliarem o marcador.


Mas NSW reagiu antes da pausa com Paul Vaughan rompendo para o try do empate aos 35′. 8 x 8.

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E o segundo tempo começou com festa azul, com o craque James Tedesco acelerando para o try da virada de NSW, mostrando por que é decisivo.


Quando Damian Cook cravou aos 60′ o terceiro try azul, parecia que o nocaute de Queensland estava ocorrendo. Linda ação individual achando o espaço após o play the ball.


Mas os visitantes cresceram na reta final do jogo e produziram um milagroso empate, com McGuire (no físico, rompendo a defesa de forma impressionante) e Papalii (furando a defesa) marcando os tries do empate aos 72′ e aos 77′, chocando o estádio de Sydney com o 20 x 20.


Porém, os Blues estavam vivos e simplesmente na última bola, com segundos restantes para a sirene tocar, Blake Ferguson recebeu na ponta e disparou para servir Tedesco, que deu o drible final e cravou o delirante try da vitória de Nova Gales do Sul. 26 x 20, placar final e título azul.

Este foi o 15º título de Nova Gales do Sul, contra 21 de Queensland.

 

Holden State of Origin – Jogo 3

26versus copiar20

NSW Blues 26 x 20 Queensland Maroons, em Sydney

Blues

Tries: Tedesco (2), Vaughan e Cook

Conversões: Maloney (4)

Penais: Maloney (1)

1 James Tedesco, 2 Blake Ferguson, 3 Tom Trbojevic, 4 Jack Wighton, 5 Josh Addo-Carr, 6 James Maloney, 7 Mitchell Pearce, 8 Daniel Saifiti, 9 Damien Cook, 15 David Klemmer, 11 Boyd Cordner (c), 12 Tyson Frizell, 13 Jake Trbojevic;

Interchange: 10 Paul Vaughan, 14 Dale Finucane, 16 Cameron Murray, 17 Wade Graham;

Maroons

Tries: Kaufusi, McGuire e Papalii

Conversões: Lowe (3)

Penais: Lowe (1)

1 Cameron Munster, 2 Corey Oates, 14 Moses Mbye, 4 Will Chambers, 5 Dane Gagai, 6 Corey Norman, 7 Daly Cherry-Evans (c), 8 Joe Ofahengaue, 9 Ben Hunt, 10 Josh Papalii, 11 Felise Kaufusi, 18 Ethan Lowe, 13 Josh McGuire;

Interchange: 3 Michael Morgan, 15 Christian Welch, 16 Tim Glasby, 17 David Fifita;

 

O que é o Rugby League?

O Rugby League é uma modalidade do rugby que nasceu em 1895 no Norte da Inglaterra. Na época, o rugby (o Rugby Union) proibia o profissionalismo no mundo todo, mas um grupo de clubes ingleses se opôs à proibição de pagamentos a jogadores e romperam com a federação inglesa, formando uma liga independente. A fim de mudar a dinâmica do jogo e torná-lo mais aberto, a liga passou a promover mudanças nas suas regras, criando uma modalidade distinta, jogada com regras diferentes. O League, no entanto, se difundiu fortemente apenas no Norte da Inglaterra e na Austrália, onde é mais popular que o Union. O esporte ganhou popularidade ainda na Papua Nova Guiné (país da Oceania onde é o League e não o Union quem reina) e, em menor dimensão, na Nova Zelândia e em algumas partes da França.

As entidades que organizam o Rugby League no mundo não têm ligações com as entidades do Rugby Union. A federação internacional do League é a RLIF – Federação Internacional de Rugby League. No Brasil, a entidade que organiza o League é a CBRL – Confederação Brasileira de Rugby League.

Quais as principais diferenças do League para o Union?

  • O League é jogado por 2 times de 13 jogadores cada, com 4 reservas, sendo que um atleta que foi substituído poderá retornar a campo. A modalidade reduzida principal é o Nines, de 9 jogadores de cada lado;
  • No League, o try vale 4 pontos, a conversão 2, o penal 2 e o drop goal (chamado também de field goal) 1 ponto;
  • Não existem rucks. Quando um atleta sofre o tackle, é seguro e vai ao chão o jogo é parado. O atleta com a bola é liberado, rola a bola com os pés para trás e o jogo é reiniciado. É o chamado “play the ball”;
  • Cada equipe tem direito a realizar 5 vezes o play the ball e, na sexta vez que um atleta é derrubado, a posse da bola troca de equipe. É a chamada “Regra dos 6 tackles”. Com isso, é comum após o 5º tackle a equipe com a posse da bola chutá-la;
  • Se a equipe defensora tocar na bola entre um play the ball e outro a contagem de tackles é zerada. Quando uma equipe com a posse de bola comete um erro de manuseio e a bola troca de posse o primeiro tackle é considerado “tackle zero” e a contagem se inicia apenas após ele;
  • Não há lineouts. A reposição da bola que saiu pela lateral é feita a partir de um scrum. Penais chutados para a lateral são cobrados com free kick;
  • Na prática, os scrums não possuem disputas, pois a equipe que introduz a bola na formação pode introduzi-la diretamente no pé de sua segunda linha. Porém, a equipe sem a bola pode tentar empurrar a formação para roubar a bola (o que é raro de acontecer);
  • Não existe o mark. Com isso, chutes no campo ofensivo são frequentes;
  • Um chute dado atrás da linha de 40 metros do campo de defesa que saia pela lateral após a linha de 20 metros do campo ofensivo é chamado de “40/20” e premia a equipe chutadora com a manutenção da posse da bola e com a contagem de tackles zerada;
  • A numeração dos atletas no League muda. Os números mais altos são para os forwards e os números menos são para a linha. O fullback é o camisa 1 e o pilar o 13, por exemplo;