Foto: Ícaro Leal/Jacareí

Quem acompanhou o primeiro jogo do Jacareí no Campeonato Paulista pôde notar a presença de um jogador de Samoa em seu elenco. Rod Paaniani Sang Yum, iniciou entre os titulares como centro, e logo em sua primeira partida oficial pelos ‘jacarés’ conseguiu a vitória e seu primeiro try. O inusitado dessa história é que Rod é natural de Samoa, pequeno país localizado no conjunto de ilhas no Sul do Oceano Pacífico, na região da Polinésia.

Destino paradisíaco da região, o país é bem pequeno e não tem fronteiras terrestres. Apesar de ser formado por nove ilhas, apenas duas delas são habitadas. A extensão territorial do país e de 2.831 km² e tem uma população estimada em cerca de 200 mil habitantes. Se compararmos o país com Jacareí, dá para se ter uma real ideia de seu tamanho. O município do Vale do Paraíba tem pouco mais de 230 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2018. A extensão territorial da cidade é próxima de 465 km².

Se geograficamente Samoa está distante de ser um país lembrado de cabeça por muitos, quando o assunto é rúgbi a questão muda de cenário. Assim como outras nações na Oceania, Samoa respira rúgbi. No ranking da World Rugby, atualizado em 24 de março de 2019, o país oceânico encontra-se na 17ª posição entre 105 seleções masculinas. O Brasil, atualmente, é o 24º colocado nesta mesma lista. No ranking feminino, Samoa é o 13º de 53 seleções. A Seleção Brasileira Feminina ocupa a 44ª posição.

“O rúgbi em Samoa é como o Futebol no Brasil. É o esporte com o qual temos mais contato desde pequenos. Está em nosso Sangue! É nossa vida, a história de nosso povo e faz parte de nossa cultura”, explica Rod.

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Nascido em uma família composta por nove irmãos, na capital Apia, Rod tem 25 anos e sempre jogou rúgbi. Como trabalhava em navios de cruzeiros como bombeiro, passou a se dedicar menos ao esporte quanto gostaria. E foi por meio do trabalho que conheceu sua esposa: a jacareiense Ana Paula Sang Yum, que também trabalhava embarcada, mas como massoterapeuta. Depois que começaram a namorar, tiveram um filho. Porém, Rod só foi conhecer o pequeno Roger depois de dois anos.

“Ela parou de embarcar assim que soube da gravidez e eu continuei a bordo. Planejamos por várias vezes minha vinda ao Brasil, que não é muito barata, e sempre algo dava errado. Porém, no dia 1º de novembro de 2018, eu finalmente consegui chegar no Brasil para ficar junto da minha esposa e do meu filho”, disse.

Já em Jacareí, a família então procurou o Jacareí Rugby com a intenção de fazer com que Rod matasse um pouco a saudade de sua terra natal e praticasse seu esporte preferido. Além disso, fazer novos amigos. Em quatro meses, Rod está feliz por fazer parte da equipe do Jacarei Rugby e pelo acolhimento recebido no clube.

“Me sinto muito feliz. Tenho uma boa conexão com os demais jogadores. O time é como se fosse uma nova família para mim. Minha esposa sugeriu eu procurar o clube, pois seria uma maneira de eu me sentir em casa. Estou muito feliz por fazer parte dele e espero corresponder as expectativas do time”, completou.

A língua ainda é uma barreira que Rod está enfrentando aos poucos. Alfabetizado em inglês, um dos idiomas oficiais de Samoa junto com o dialeto samoano, o jogador ainda está se adaptando ao país. Desde que chegou, Rod tem buscado aprender o português para conseguir um emprego no Brasil e ajudar no orçamento de casa. Por enquanto, o jogador está se dedicando ao rúgbi e curtindo cada segundo com a família.

Confira o bate-papo mais do bate-papo com Rod:

1 – O que está achando do rúgbi brasileiro?

R. É um pouco diferente do rúgbi no meu país. Acredito que um dia o rúgbi brasileiro vai ser tão reconhecido quanto o futebol, pois existem jogadores disciplinados e de qualidade.

 

2 – E quais são as diferenças que vê entre o rúgbi do Brasil e de Samoa?

R. O rúgbi de lá é um pouco mais agressivo. Os jogadores são bastante intensos. Quando entramos em campo para jogar é como se estivéssemos indo para a guerra, porque os atletas são grandes, fortes e tem paixão pelo jogo. Querem sempre a vitória. Sempre jogam para ganhar e perder não é uma opção.

 

3 – E como está se sentindo jogando no país?

R. Estou gostando muito. Me divirto jogando. É como se eu estivesse jogando em Samoa.

 

4 – O que mais gosta de fazer aqui no Brasil?

R. Gosto de passar o tempo com a minha esposa e com meu filho, minha família e fazer novos amigos. Também estou gostando muito de treinar pelo Jacareí Rugby, fico contando as horas para os treinos.

 

Regina Costa é reeleita presidente do Jacareí Rugby até abril de 2021

Regina Fátima da Silva Costa, atual presidente do Jacareí Rugby, foi reeleita para o cargo até abril de 2021. A eleição ocorreu na segunda-feira (25), na sede administrativa do clube, por aclamação, em razão de apenas uma chapa ter manifestado interesse em concorrer aos cargos e ser a única inscrita para o pleito. O novo mandato será iniciado oficialmente em abril de 2019.

Ainda compõem os cargos eletivos, Valdir Lemes da Silva, como vice-presidente da nova gestão. E também Carla Lima dos Santos e Eliete Barboza de Lima Rodrigues da Mota, que serão respectivamente, primeira e segunda conselheiras fiscais do clube durante o período.

No primeiro mandato, Regina Costa assumiu o clube em abril de 2017, logo após o clube conquistar o primeiro título brasileiro de Sevens. Com ela no comando, a equipe repetiu a dose neste início de 2019, com o bicampeonato do Sevens. Além disso, o time também foi Campeão Brasileiro de XV, em 2017, e vice-campeão paulista naquele mesmo ano.

 

Escrito por: Ícaro Lea/Jacareí