ARTIGO COM VÍDEO – O Campeonato Sul-Americano de 2015 chega ao final de sua primeira fase neste fim de semana, com as disputas da terceira e última rodada. Em campo, todas as quatro seleções, em disputas bem distintas. Primeiro, às 13h00, em Bento Gonçalves, com SPORTV3 e Jornada Ovalada (Rádio Estação Web) ao vivo, jogam Brasil e Paraguai, ambos ainda sem vencer e lutando contra o último lugar (e contra a repescagem de rebaixamento diante do campeão do Sul-Americano B). Depois, às 18h00 (hora de Brasília), tem o duelo pelo título do torneio, entre Chile e Uruguai, empatados invictos com duas vitórias, em Santiago.

 

Assim como em 2014, o título do Campeonato Sul-Americano é dado ao campeão da primeira fase, entre Uruguai, Chile, Brasil e Paraguai, enquanto a segunda fase é chamada de Copa CONSUR e é disputada entre Argentina e os dois primeiros do Campeonato Sul-Americano do ano anterior. Em 2015, Uruguai e Paraguai, por conta dos resultados de 2014, enfrentarão os argentinos, ao passo que em 2016 será a vez de Uruguai e Chile enfrentarem os Pumas.

 

Para o jogo de Bento Gonçalves, Tupis e Yakarés fazem um jogo que promete grande equilíbrio. A vantagem, em tese, é do Brasil, que joga no frio do Estádio da Montanha e com o apoio de seu torcedor. A equipe, entretanto, não fez até agora nenhuma grande apresentação. É verdade que os Tupis fizeram 60 minutos de alto nível contra o Uruguai na abertura, com um jogo de chutes de qualidade de Grilo e muita força no pack de forwards, que chegou a levar vantagem no scrum. Porém, sem conseguir finalizar, os Tupis saíram derrotados por 48 x 9. No segundo jogo, o Brasil perdeu novamente fora de seus domínios, mas desta vez em um jogo nivelado por baixo contra o Chile. O Brasil foi péssimo da formação lateral e no jogo de chutes, conseguiu igualar o Chile no pack, mas caiu em rendimento no final e viu os Condores fecharem o placar em 32 x 3, o que significa que em dois jogos os Tupis ainda não somaram nenhum try.

 

Os Yakarés começaram sendo massacrados pelos Teros no Uruguai, por 77 x 3, mas deram a volta por cima quando jogaram em casa diante do Chile. O Paraguai foi superior ao Chile em muitos momentos e foi melhor que o Brasil contra os chilenos (com a vantagem de ter jogado diante de sua torcida, ao contrários dos Tupis). O Paraguai foi superior ao Chile no jogo de contato, com sua segunda e terceira linhas atropelando. O problema esteve na primeira linha, que foi mal no scrum, ao passo que seus 3/4s também fizeram um grande jogo, sobretudo seu fullback Hugo Chávez, de alto nível, ao passo que a dupla de scrum-half e abertura, Bareiro e Cuttier, mostrou a qualidade que o Brasil não mostrou contra os Condores. No fim, a vitória foi chilena, 35 x 25, mas o Paraguai saiu de campo com moral.

 

Contra os Tupis, os Yakarés não terão seu terceira linha de destaque, Carlos Bareiro, que fez o Chile suar frio no breakdown, mas, contarão com o restante do elenco da semana passada. O Brasil, por outro lado, não terá o melhor jogador do país no ano passado, Ige, o que imporá grande desafio aos dois lados na terceira linha em geral e, sobretudo, nos rucks. O técnico Rodolfo Ambrósio segue testando diferentes formações para a Seleção Brasileira. Contra o Paraguai serão oito alterações em relação aos jogadores que participaram da derrota para o Chile, no último dia 18: Camelo, Bruninho, Paixão, Tissot, Fred, Leo Cecarelli, Pedrinho e Yan entram, Martin (que pediu licença por conta do nascimento de seu filho), Muller, Ilha, Manteigão, Saulo, Laurent, Di Pilla e Duka saem.

 

O Brasil poderá levar vantagem na formação de scrum, mas terá certamente grandes problemas nos laterais se a tendência do jogo em Santiago se seguir. Se o Brasil conseguir ser superior ao bom pack paraguaio, a vitória estará mais próxima. Quanto à linha, o Brasil oscilou no sistema criativo, enquanto o Paraguai mostrou muito mais virtudes diante do Chile. O que significa que o Brasil terá que se superar na transição do jogo de contato para o jogo de mãos, além de tomar cuidado redobrado no sistema defensivo, já que o Paraguai se mostrou perigoso com a bola em mãos. Os 3/4s dos Tupis ainda não se sobressaíram no torneio e tiveram pouco espaço para jogarem até aqui. Assim, o confronto de sábado também impõe a eles o desafio de mostrarem sua qualidade diante dos paraguaios. Por tantas dúvidas, apesar do mando de jogo, o Brasil não entra com favoritismo incontestável para a partida, e terá que provar isso em campo, com muita cautela contra os albirojos.

 

“Eu acho que o Brasil está a frente de uma grande mudança para o futuro. Para mim, o mais importante nos meus primeiros 6 meses, foi analisar a maior quantidade de jogadores possíveis, para que na próxima 2ª feira eu possa tomar decisões importantes para o futuro”, declarou Rodolfo Ambrosio, técnico dos Tupis. “Sinto que após a preparação que o Brasil fez para esse Sul-americano, no sábado vamos fazer uma grande partida e espero que com uma vitória. O mais importante para mim nesse momento, é que os jogadores possam deixar tudo em campo!”, concluiu.

 

“O torcedor faz uma diferença incrível. O calor que vem de fora ajuda muito dentro de campo. No ano passado, contra o Uruguai aqui em Bento, entramos em campo e vimos a torcida com todo aquele barulho, nos incentivando. Isso reflete no jogador e nos ajuda a crescer durante a partida. Acho que o apoio do torcedor é fundamental, principalmente neste jogo, quando a gente vai precisar de um resultado positivo”, disse Jardel Vettorato, pilar do time, em entrevista para o Jornal Serra Nossa. Atualmente no Brummers, do Rio Grande do Sul, Vettorato frisa a familiaridade com o estádio da Montanha, onde se destacou vestindo a camisa do Farrapos durante duas edições do Campeonato Brasileiro. “Aqui eu me sinto em casa. Apesar de não ser morador de Bento, jogar na Montanha para mim é como jogar em casa, e isso me deixa bastante confortável e confiante. Eu tenho certeza que com a receptividade da cidade, os demais jogadores também vão se sentir em casa, o que será muito importante para o desempenho de cada um”, finalizou.

 

No histórico do confronto, o Paraguai leva vantagem, com 12 vitórias em 23 jogos, contra 11 triunfos do Brasil, que ficou de 1979 a 2008 sem vencer os Yakarés. Foi somente em 2008 que o tabu caiu com vitória no Paraguai por 15 x 6. Desde então, foram mais seis jogos, com outras quatro vitórias brasileiras (em 2009, 36 x 21, em 2010, 23 x 18, em 2012, 35 x 22, e em 2014, 21x 13) e dois triunfos paraguaios (20 x 17, em 2010, e 31 x 24, no Sul-Americano de 2014), sendo que em jogos em solo brasileiro o Brasil não perde para o Paraguai desde 2004 (22 x 17, em São Paulo, no Sul-Americano B).

 

Em 2014, no amistoso em São José dos Campos, os Tupis marcaram seu pontos com tries de Nick Smith e Zé (um dos mais bonitos do ano, correndo pela ponta). Na partida, Grilo ainda chutou um drop goal, enquanto Rodox arrematou dois penais e uma conversão. Já o Paraguai fez seus tries com Rojas e Gavigán, enquanto Cuttier chutou um penal e errou as duas conversões (os três estão no time de sábado). No que toca à equipe paraguaia que superou o Brasil em Assunção, Ortiz, Bareiro e Zárate fizeram os três tries daquela oportunidade, enquanto Alvarenga chutou quatro penais e duas conversões, sendo que todos foram a Bento. Do time brasileiro, os três tries naquele jogo foram marcados por Zé (que cresce em jogos contra os Yakarés) e Monstro (não convocado desta vez), além de um penal try. Leco e Di Pilla foram  os chutadores e não estarão em campo no Rio Grande do Sul.

 

Quer rever o jogo de São José dos Campos? Assista agora!

 

Quem fica com o título?

No embate em Santiago entre Uruguai e Chile, o título estará em disputa e com amplo favoritismo para o Uruguai. Os chilenos jogam em casa, mas não vencem os Teros desde 2011. O último jogo em solo chileno foi em 2012 e terminou em 27 x 26 para o Uruguai. É evidente a evolução do Uruguai nos últimos anos que, além da classificação à Copa do Mundo, vem mostrando grande superioridade com relação a seus rivais sul-americanos. Neste ano, inclusive, o Chile foi ao Uruguai com uma seleção quase principal (apesar de desfalques importantes, como Ramón Ayarza) e perdeu para o Charruas XV, a segunda seleção uruguaia, por 42 x 5.

 

O Uruguai chega ainda mais forte a Santiago, mas ainda não tem sua força máxima, pois não contará com os atletas que atuam no exterior e que estarão no Mundial. O Chile, por sua vez, terá seu escrete completo que, apesar das vitórias sobre Brasil e Paraguai, não convenceu. O desfalque principal é o segunda linha Pablo Huete, que voltou ao rugby francês, onde seu clube, o Massy, teve na semana passada decretado seu rebaixamento à terceira divisão. A expectativa é, apesar da recuperação da honra por parte do Chile, que o Uruguai vença com tranquilidade.

 

Pensando na Copa do Mundo, os Teros estão trabalhando com um plantel de 42 nomes, os quais serão cortados para 32. No dia 16, o Uruguai pega a Argentina, abrindo a Copa CONSUR, e depois recebe Fiji Warriors, no dia 23.  No mesmo dia 23, o Paraguai duela com os argentinos encerrando a Copa CONSUR.

 

Campeonato Sul-Americano

3ª rodada – Sábado, dia 9 de maio

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13h00 – Brasil x Paraguai, em Bento Gonçalves

Histórico: 23 jogos, 12 vitórias do Paraguai e 11 vitórias do Brasil. Último jogo: Brasil 21 x 13 Paraguai, em São José dos Campos, em 2014 (amistoso).

 

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18h00 – Chile x Uruguai, em Santiago

Histórico: 41 jogos, 27 vitórias do Uruguai, 13 vitórias do Chile e 1 empate. Último jogo: Uruguai 55 x 13 Chile, em Montevidéu, em 2014 (Sul-Americano).

 

SeleçãoJogosPontos
Chile39
Uruguai36
Paraguai33
Brasil30

 

Brasil:

Arthur Bergo – Camelo – SPAC;

Beukes Cremer – Beukes – PASTEUR;

Bruno Garcia – Bruninho – JACAREÍ;

Cláudio Medeiros – Macaxeira – URA;

David Pereira Martins Prates – David – PASTEUR;

Diogo Paixão – Paixão – LOUSÃ (Portugal);

Felipe Tissot – Tissot – CURITIBA;

Frederico Cândido Costa – Fred – SÃO JOSÉ;

Jardel Vettorato – Jarda – BRUMMERS;

Leonardo Cecarelli – Leo – ILHABELA;

Lucas Abud – Jequitibá – JEQUITIBÁ CAMPINAS;

Lucas Piero de Moraes – Bruxinho – DESTERRO;

Lucas Tranquez – Zé – SPAC;

Mateus Estrela M. Tavares – Estrela – NITERÓI;

Matheus Daniel – Mathias – JACAREÍ;

Nelson Oliveira – Nelson – SÃO JOSÉ;

Nick Smith – Nick – SPAC;

Pedro Henrique da Costa Lopes – Pedrinho – SÃO JOSÉ;

Pedro Rosa – Rosa – BANDEIRANTES SARACENS;

Rafael Carnivalle – Carnaval – SPAC;

Rafael Morales – Grilo – SÃO JOSÉ;

Vitor Ancina de Oliveira – Vitão – CURITIBA;

Yan Machado – Yan – CURITIBA.

Técnico: Rodolfo Ambrósio

 

Paraguai

Alvaro Rojas, Christian Martínez, Juan Gavigán, Andrés Nasser, Alejandro Montiel, Carlos Plate, Leonardo Glitz, Miguel Jara, Gonzalo Bareiro, Gerard Cuttier, Horacio Aguero, Diego Argaña (C), Mateo Arévalo, Sergio Alvarenga, Hugo Chávez, Gustavo Zárate, Martín Sitjar, César De Brix, José Lezcano, Luis Mauger, Alejandro Feldman, Juan Martín Ortiz, Pablo Espínola e Joaquín Vera.

 

Chile

Ignácio Alvarez, Ramón Ayarza, Iñaki Barturen, Sergio Bascuñan, Matias Cabrera, Matias Contreras, Manuel Dagnino, Manuel Gurruchaga, Francisco Hurtado, José Ignácio Larenas, Felipe Molinare, José Tomás Munita, Cristóbal Niedmann, Matias Nordenflycht, Cristian Onetto, Juan Pablo Perrota, Javier Richard, Luis Sepúlveda, Benjamin Soto, Francisco Urroz, Javier Valderrama, Claudio Zamorano e Italo Zunino.

 

Uruguai

Alejo Corral, Mateo Sanguinetti, Nicolás Klappenbach, Arturo Avalos, Oscar Duran, Carlos Arboleya, Jorge Zerbino, Mathias Palomeque, Santiago Vilaseca, Fernando Bascou, Diego Magno, Agustín Alonso, Mathias Brown, Gabriel Puig, Alejo Durán, Manuel Blengio, Alberto Román, Joaquín Prada, Santiago Gibernau, Leandro Leivas, Rodrigo Silva, Federico Favaro e Jerónimo Etcheverry.

 

 

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