Brasil nas Américas: a questão dos aberturas

Com a chegada do campeonato das Américas, principal evento da história do rugby de XV brasileiro, será mais do que imperativo para os Tupis terem uma equipe que mostre toda a evolução e empenho continuo dos atletas nos jogos. Mas, claro, o crescimento do time dependerá de algumas escolhas do grupo técnico, entre elas a posição do melhor do mundo de 2015 Dan Carter, o Abertura, camisa 10. Flávio Mazzeu, nosso analista, abordou a opções para a camisa 10 brasileira. Confira!

 

Esta análise irá tratar dos dois últimos jogadores que vestiram esta camiseta sobre os seguintes pontos:

  • – Capacidade de infiltração/ocupação da defesa como o abertura, combate aos oponentes da linha ou aos avançados e decisão de buscar o contato a partir de suas habilidades e capacidades.
  • – Defesa e tackle: importantíssimo para esta posição que nas formações fixas protege o 1°canal. Com isso, pode ser alvo da 3°linha e das movimentações fechadas. Também precisa comandar a subida junto com o desborde quando necessário.
  • – Chute: diminuir a pressão territorial ou ganhar terreno em troca da posse de bola; marcar pontos; ou buscar formas de passe para permitir melhor situação para os receptores avançarem.
  • – Gerenciamento da posse: escolha do passe longo ou curto a partir das opções ofertadas pelos atacantes, junto com a velocidade, comunicação e decisões envolvidas, como chutar, infiltrar e fixar, e como abordar movimentações e jogadas como cruzamentos e relevos.

 

As análises tratam apenas dos últimos jogos dos atletas com a camiseta da seleção, excluindo a participação dos atletas nos clubes e treinamentos, o que significa que a análise será sobre a história recente do atleta na seleção apenas.

 

Lucas Duque “Tanque”

Tanque apresentou contra Colômbia um jogo versátil de abertura, explorando as formações e buscou fixar as defesas. Como infiltrador perdeu algumas bolas no contato mesmo robusto e não conseguiu se sobressair contra os defensores, mas sua maior qualidade fica perante a fixação da defesa criando buracos para ângulos de corrida.

 

O adversário não exigiu muito da defesa do abertura, nas poucas vezes que foi exigido não se destacou mas também não falhou absolutamente. Na defesa, é um jogador que prefere ficar logo após a primeira linha defensiva para organizar e liderar os tacleadores.

 

Quanto aos chutes, coube mais ao scrum-half se preocupar em tirar a pressão territorial e até mesmo ganho de terreno, quando foi utilizado o abertura não mostrou dificuldades nestas habilidades pois se manteve na simplicidade para o jogo aéreo, Tanque usou do chute para atacar principalmente com passes para si próprio.

 

Na organização de jogo é onde Lucas Duque se destaca, com suas corridas e passes fixadores cria buracos para os apoios, lidera as formações e sabe aonde quer atacar para dificultar a defesa adversária, que nesta partida não conseguiu se organizar para exigir um ritmo maior ao ataque brasileiro.

 

David Harvey

O australiano mostrou um contato forte com a bola e recursos na infiltração com dribles e chutes rasteiros, mas por diversas decisões infiltrou demais e perdeu a posse em momentos que o passe era claramente favorável.

 

Na organização do ataque ele tem excelentes fundamentos tanto para passe curto que fixa os adversários ou passes longos para usar os espaços nas laterais, com físico intenso se apresenta em diversas bolas mesmo em jogadas mais abertas e rápidas.

 

Na defesa tem uma boa técnica de tackle, porém no sistema apresentou problemas com desborde, decidindo ficar na linha de defesa, com o scrum-half na ficando com a organização da muralha. “Dave” ainda prefere no jogo aéreo esperar o retorno a deixar o fullback buscar a bola.

 

No chute para os paus ele cumpriu o básico. Para a lateral, cobriu uma distância de 40 metros, e no jogo aberto existiram excelentes momentos quando se trata de recurso como passe, ou seja, ofensivo, porém para ganho de terrenos quando precisou não se destacou.

 

Qual será a opção para o decorrer do campeonato? Vamos aguardar as listas finais. Na lista de aberturas recentes do Brasil, Grilo e Di Pilla poderiam também estar no elenco, mas ficaram de fora, assim como o neozelandês Josh. Vamos ficar atentos às próximas listas e trazer mais análises nas próximas semanas.

 
Que venha o Americas Rugby Championship!

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