O que esperar de Brasil e Alemanha? Os Tupis já têm seu XV titular!

ARTIGO COM VÍDEO – ARTIGO ATUALIZADO – Nesse sábado, Brasil e Alemanha entrarão às 19h30 em campo no Estádio do SESI, em Blumenau, que pela primeira vez recebe uma partida da seleção brasileira de rugby. Será o primeiro jogo na história entre as duas seleções e o primeiro jogo da história da Alemanha contra uma seleção das Américas. O Brasil, por sua vez, busca sua primeira na história sobre uma seleção europeia. A partida terá transmissão de TV do SporTV 2 e de web rádio com a Rede Contínua (clique aqui), em parceria com o Portal do Rugby.

 

Ainda sem vencer em 2015, os Tupis vão a campo renovados e com grandes ambições. Após um provador Super 8 e o lançamento das academias de alto rendimento, Rodolfo Ambrosio teve quatro semanas para preparar o elenco brasileiro, que teve novidades, com a chegada de “sangue novo”. Apesar de ainda não terem jogado pelo Brasil no XV, e não terem o necessário entrosamento com o restante do grupo para renderem ao máximo agora, os nomes de Harvey, Dell’Acqua, Caique, Yan e Stefano, que atuam todos em níveis muito bons (e superiores ao nível do rugby alemão) na Austrália, Itália e Argentina, empolgam os torcedores brasileiros, além, é claro, da expectativa de sentir a evolução nos atletas que jogam Super 8, após a mais longa e provadora temporada já disputada por eles, e os efeitos do início do trabalhos com as academias. Rodolfo, por sua vez, terá, enfim, a chance de colocar em prática muito mais de sua filosofia, pois os primeiros jogos (contra Uruguai e Paraguai, no ano passado, e o Sul-Americano deste ano) devem ser entendidos como o momento inicial de seu trabalho, quando ainda buscava conhecer os potenciais – e as deficiências – do plantel e dar início às transformações pretendidas.

 

“Será um jogo muito significativo, pois representa o começo de uma etapa do rugby brasileiro. É o primeiro confronto depois que os jogadores começaram a treinar nas academias”, comentou o treinador do Brasil, o argentino Rodolfo Ambrosio. Com relação ao time derrotado em Bento Gonçalves pelo Paraguai no Sul-Americano, os Tupis tiveram oito mudanças no XV titular. Abud deu lugar a Nelson e Nelsinho saiu para a entrada do hooker debutante Yan na primeira linha. Na segunda linha, o jovem Matheus Wolf, que jogou pela seleção juvenil em 2014, entra no posto de Pedro Rosa, ao passo que na terceira linha Mathias deixa o time titular (apesar de ter sido novamente convocado) e entra em seu lugar Ige, grande nome da equipe, que havia ficado de fora daquela partida.

 

Na linha, mais mudanças. A dupla criativa terá novamente Beukes com a 9, mas o sul-africano naturalizado brasileiro fará parceria com o australiano, de ascendência brasileira, David Harvey, que já jogou pela seleção de sevens, mas estava de fora dos Tupis nos últimos meses por lesão. Harvey jogou neste segundo semestre o NRC, o Campeonato Australiano profissional (onde jogam os atletas do Super Rugby não convocados pelos Wallabies), pelo NSW Country Eagles, atuando em duas das oito partidas do time no torneio, e na seleção ganhou a camisa que fora de Grilo. A dupla chama a atenção, pois o Brasil vinha mostrando problemas na criação de jogadas recentemente. Nos centros, Estrela segue na esquadra e Martin retorna ao time (no posto de Pedrinho), enquanto nas pontas Drudi e Muller voltam ao XV principal (contra o Paraguai, o time teve Yan, do Curitiba, e Macaxeira, do URA). Versátil, Zé manteve a camisa 15. Na reserva, os dois outros atletas radicados na Argentina, Caique, no pack, Stefano, na linha, são opções para Ambrosio, ao passo que o italiano Matteo Dell’Acqua ficou de fora do plantel para o primeiro jogo. Curiosamente, apenas um atleta (Nelson) do XV titular esteve na final do Super 8 de 2015.

 

A Alemanha, por sua vez, chega a Blumenau nesta sexta-feira, na véspera da partida, e teve duas mudanças de última hora em seu elenco. O seu principal jogador, o abertura Chris Hilsenbeck (que joga no Colomiers, da França, junto do renomado francês David Skrela), e o segunda linha Tom Behrendt (do carismático St. Pauli), foram cortados antes do embarque, entrando em suas posições Loris Geibel e Benjamin Danso, ambos do Heidelberger RK. E é justamente o Heidelberger RK, atual campeão da Rugby Bundesliga, que é a base da seleção alemã, contando com nada menos que 12 convocados. O clube se classificou para o Torneio Qualificatório Europeu de 2015-16, a terceira competição continental europeia, e a federação alemã permitiu que o HRK usasse atletas de outros clubes na competição. Resultado: o time de Heidelberg estreou contra o Direito, campeão português, em Lisboa, no último sábado, e venceu por 24 x 21, sendo basicamente a seleção alemã em campo. Atuando no exterior, os alemães terão Rupert Cowan, do tradicional Richmond, da terceira divisão inglesa, e Dale Garner, do Luctonians, da quarta divisão também da Terra da Rainha.

 

O time que conquistou a histórica vitória em Portugal, a primeira em competições continentais, justamente no ano que pela primeira vez o campeão alemão garantiu vaga no torneio internacional, deverá ser a equipe a enfrentar os Tupis. Kobus Potgieter, técnico sul-africano da Alemanha, foi quem reconduziu a equipe à primeira divisão do Europeu de Nações, o “Six Nations B”. A campanha no primeiro ano da equipe foi boa, apesar de não vencer nenhuma partida. Os alemães fizeram frente a adversários historicamente mais fortes e quase surpreenderam Portugal e Romênia, perdendo em Lisboa para os portugueses por apenas 11 x 3 e em casa para a Romênia por apertados 17 x 12, arrancando seu único ponto no torneio. No ano que vem, o Europeu de Nações terá os jogos do returno e os alemães lutam contra o rebaixamento, entrando no torneio 4 pontos abaixo do penúltimo colocado Portugal. Com isso, Potgieter usará a gira ao Brasil para testar atletas e preparar o time alemão para a luta contra o descenso. “Contra o Brasil, queremos erradicar as nossas fraquezas que constatamos no Europeu de Nações. Além disso, faremos tudo o que pudermos para mostrar o nosso melhor rugby e volta com duas vitórias para a Alemanha”, comentou o treinador. “Um aspecto importante da viagem para o Brasil é também para alcançar o progresso fora do campo, como uma equipe, para crescermos juntos. A oportunidade de passar dez dias no Brasil juntos como uma equipe é importante na intenção de realizarmos exercícios intensos de espírito de equipe”, diz Potgieter.

 

A equipe germânica está repleta de atletas naturalizados que atuam no rugby local. O abertura Te Huia é neozelandês, assim como Harris, May e Sztyndera, enquanto o scrum-half Armstrong é australiano. Bosch (centro, ex Western Province), Els (ex Border Bulldogs), Van der Merwe, Poppmeier, Parkinson, e Otto são sul-africano, ao passo que Van Gelderen é argentino de nascimento e jogou no rugby cordobês. Já outro scrum-half, Oilver Paine, é inglês. Os alemães têm um jogo físico forte e souberam usa-lo com qualidade recentemente, em especial nos jogos contra portugueses e romenos, citados. O jogo parado alemão é eficiente e alguns tries contra seleções importantes nasceram de laterais e scrums. O jogo de mãos vem evoluindo, em especial por conta do crescimento vertiginoso do time de sevens.

 

No papel, ao se comparar as duas seleções, a Alemanha leva vantagem. O Ranking dos visitantes é superior, estando 9 posições acima do Brasil (30ª posição para os alemães e 39º para os brasileiros) e a evolução recente do time lhes garante confiança, tendo criado uma rotina de vitórias quando jogaram a 1ª Divisão B (até 2014) contra seleções de Ranking semelhante.

 

Porém, o Brasil tem chances de vitória, e elas não são pequenas, sobretudo com as novas convocações. As deficiências apresentadas no lateral, no tackle e na criação de jogadas preocuparam ao longo do Sul-Americano, e para vencer a Alemanha nenhum desses aspectos pode falhar. Ambrosio certamente trabalhou tais aspectos ao longo dos meses após o insucesso no torneio continental e evolução é esperada. As novas adições ao elenco, tanto de atletas vindos do exterior como do elenco de sevens, apontam para isso. Triunfo em Blumenau significa subida no Ranking Mundial e uma propaganda inestimável para o rugby – afinal, Alemanha, ao ouvido do brasileiro, hoje tem outra conotação, e é negativa para o Brasil.



 

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Dia 28/11 – 19h30 – Brasil x Alemanha, no Estádio do SESI, em Blumenau

Árbitro: Mauro Rivera (Argentina)

Auxiliares: Ricardo Sant’Anna e Vitor Magalhães (Brasil)

 

Brasil: 15 Lucas Tranquez “Zé” (SPAC), 14 Lucas Muller (Desterro), 13 Mateus Estrela (Niterói), 12 Martin Schaefer (SPAC), 11 Lucas Drudi (Jacareí), 10 David Harvey (NSW Country Eagles, Austrália/NRC), 9 Beukes Cremer (Pasteur), 8 Nick Smith (SPAC), 7 João Luiz da Ros “Ige” (Desterro), 6 Arthur Bergo (SPAC), 5 Matheus Wolf (Joaca), 4 Lucas Piero “Bruxinho” (Desterro), 3 Jardel Vettorato (San Diego), 2 Yan Rosetti (CUBA, Argentina/URBA Top 14), 1 Wilton Rebolo “Nelson” (São José).

 

Suplentes: 16 Benê Rodriguez (São José), 17 Caique Silva (CUQ, Argentina/URBA 2ª divisão), 18 Lucas Abud (SPAC), 19 Lucas Correa “Tedd” (Farrapos), 20 Mark Jackson “Wacko” (Desterro), 21 Stefano Giantorno (San Luis, Argentina/URBA Top 4), 22 Robert Tenorio (Pasteur), 23 Felipe Claro “Alemão” (SPAC).

 

Alemanha: 15 Raynor Parkinson (Heidelberger), 14 Mark Sztyndera (1880 Frankfurt), 13 Carlos Soteras-Merz (Pforzheim), 12 Paul Bosch (Heidelberger), 11 Hendrik van der Merwe (Heidelberger), 10 Jeremy Te Huia (Pforzheim), 9 Sean Armstrong (Heidelberger) (c), 8 Rob May (Heidelberger), 7 Jarrid Els (Heidelberger), 6 Jaco Otto (Heidelberger), 5 Michael Poppmeier (Heidelberger), 4 Benjamin Danso (Heidelberger), 3 Samy Füchsel (Heidelberger), 2 Dale Garner (Luctonians, Inglaterra/4ª divisão), 1 Arthur Zeiler (Heidelberger).

 
Suplentes: 16 Rupert Cowan (Richmond, Inglaterra/3ª divisão), 17 Jörn Schröder (Pforzheim), 18 Eric Marks (Aachen), 19 Marcus Bender (Handschuhsheim), 20 Robert Lehmann (Rottweil), 21 Pascal Fischer (Hannover 78), 22 Thomas van Gelderen (Neuenheim), 23 Oliver Paine (Pforzheim).

 
Foto: Fotojump

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