Tupis vivem dia de recorde de público no Pacaembu, mas triunfo é alemão

Brasil e Alemanha encerraram nessa sexta a série de dois amistosos entre as duas seleções, que jamais antes tinham se enfrentado. Novamente, os alemães saíram com a vitória, 31 x 7, mas esse não foi o destaque mais importante a ser feito. Acostumado a grandes duelos e decisões de campeonato, o Pacaembu abriu as portas para o rugby. Este foi o primeiro evento de não-futebol no estádio desde a reforma de 2007. E o sucesso foi visível. O público de 10.480 pessoas é o recorde de uma partida da modalidade no Brasil. Um grande trabalho da CBRu e um engajamento inestimável dos rugbiers brasileiros produziu a marca tão sonhada, abrindo um horizonte de expectativas muito positivo para 2016.

 

“Eu moro em Florianópolis, quando falaram que o jogo ia ser no Pacaembu, exaltaram bastante. Quando eu saí do vestiário, entendi o motivo. O clima é sensacional. É um símbolo para São Paulo. Ficamos sem palavras para descrever o que aconteceu aqui”, declarou Daniel “Nativo”, capitão do time.

 

A partida começou com um minuto de silêncio em homenagem a Lucas Mariuzza e a José Fernandez, atletas do Farrapos e do Carioca falecidos nesta semana. Com a bola em disputa, o jogo não tardou a ser paralisado, com Matias sofrendo fratura no tornozelo. Os primeiros pontos saíram aos 6′, com o Brasil cometendo penal (entrada pelo lado do ruck) que Parkinson não desperdiçou, 3 x 0.

 

O início do jogo registrou muitos erros de parte brasileira, com excessivos knock-ons (em especial em recepções de bolas altas) para um time com baixa posse de bola. Nos laterais, a dificuldade seguiu e a Alemanha usou sua vantagem no setor para produzir o primeiro try, embalando um maul após o alinhamento para Jaco Otto finalizar o primeiro try do jogo, 10 x 0, aos 13′.

 

O Brasil equilibrou as ações dali em diante, mostrando imensa superioridade no scrum, mas ainda recorrentes dificuldades no breakdown – onde a Alemanha foi superior – e no aprofundamento da linha para o trabalho de mãos, que muito pouco ocorreu. Porém, os Tupis mantiveram os germânicos a uma distância salutar do in-goal e, a partir dos 30′, o volume territorial passou a pender a favor do Brasil. Antes do intervalo, Harvey fez linda jogada driblando o alemão com os pés, recebendo penal na sequência. Ao invés de ir aos postes e somar 3 pontos, o Brasil pediu um scrum, que atropelou a formação alemã até a arbitragem marcar novo penal para o Brasil – o qual poderia ter sido um penal try. Na sequência, de novo o scrum brasileiro funcionou e, dessa vez, o penal try foi marcado. Harvey somou a conversão e o Brasil reduziu a desvantagem para 10 x 7.

 

Antes do intervalo, no entanto, Portugal recebeu amarelo e Parkinson chutou com precisão o penal no minuto derradeiro, levando a partida aos vestiários em 13 x 7 para os germânicos. Apesar disso, o primeiro tempo, que começou mal para os Tupis, com superioridade clara alemã, terminou de forma promissora, com uma reação se desenhando.

 

No início do segundo tempo, o Brasil cedeu novo penal, que Te Huia não desperdiçou, capitalizando sobre o homem a mais dos visitantes após tackle alto brasileiro. Ainda com um homem a menos, os Tupis tiveram grande chance de reduzir, mas optaram por scrum em penal que poderia ter sido chutado aos postes. Tanto que logo depois Harvey arriscou o drop goal, tornando mais duvidosa a escolha anterior. O drop foi bonito, mas bateu na trave e o placar seguiu inalterado. Pouco depois, quem não faz, leva, e a Alemanha somou mais três pontos com Te Huia arrematando certeiramente novo penal. 19 x 7, que já se tornavam perigosos.

 

O golpe fatal dos visitantes veio aos 75′. Após a arbitragem não pegar knock-on alemão, o Brasil errou no combate ao oitavo Jarrid Els, que deixou para Otto rodar sobre o contato e anotar seu segundo try na partida. O Brasil ainda teve outro penal no qual apostou em um scrum ao invés de um lateral ou de um chute a gol e a estratégia não deu certo com os Tupis cometendo penal em maul que parecia promissor. Pouco depois, Garner, da Alemanha, e Yan, do Brasil, receberam amarelo e na última bola da partida os alemães aceleraram o jogo de passes até Fischer finalizar na ponta o bonito try final. 31 x 7, números finais.

 

Agora, os Tupis se preparam para o duelo diante da Colômbia, no próximo sábado (12), no estádio do Canindé, também na capital paulista. O duelo vale pela permanência na elite sul-americana.

 

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Adeus e obrigado, Portuga
 
Ao final do jogo, Fernando Portugal foi homenageado em sua despedida oficial da Seleção Brasileira de Rugby. Ao ser substituído, ele foi aclamado pelo público presente.

 

“Dei minha vida ao rugby e chegamos até esse belo jogo. Terei memórias incríveis. Vou fazer eles treinarem bastante para que cheguem no lugar em que nunca estiveram (risos). Meu propósito é levar o Rugby para a Copa do Mundo e temos certeza que vamos conseguir”, comentou Fernando Portugal, após o duelo.
 
 

 
 
 
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Brasil 7 x 31 Alemanha, no Estádio do Pacaembu, São Paulo

Árbitro: Juan Silvestre (Argentina)

Auxiliares: Victor Hugo Barboza e Murilo Bragotto / TMO: João Mourinha

 

Brasil

Try: Penal try

Conversão: Harvey (1)

15 Guilherme Coghetto (Farrapos), 14 André Silva “Boy” (SPAC), 13 Fernando Portugal (São José), 12 Martin Schaefer (SPAC), 11 Lucas Tranquez “Zé” (SPAC), 10 David Harvey (NSW Country Eagles, Austrália/NRC), 9 Beukes Cremer (Pasteur), 8 Nick Smith (SPAC), 7 João Luiz da Ros “Ige” (Desterro), 6 Matheus Daniel “Matias” (Jacareí), 5 Felipe Tissot (Curitiba), 4 Lucas Piero “Bruxinho” (Desterro), 3 Jardel Vettorato (San Diego), 2 Daniel Danielewicz “Nativo” (Desterro) (c), 1 Rafael Carnivalle “Carnaval” (SPAC).

Suplentes: 16 Yan Rosetti (CUBA, Argentina/URBA Top 14), 17 Wilton Rebolo “Nelson” (São José), 18 Lucas Abud (SPAC), 19 Matheus Wolf (Joaca), 20 Mark Jackson “Wacko” (Desterro), 21 Stefano Giantorno (San Luis, Argentina/URBA Top 14), 22 Felipe Sancery (Albi, França/Pro D2), 23 Matheus Cruz (Jacareí).

 

Alemanha

Tries: Otto (2) e Fischer

Conversões: Parkinson (1), Te Huia (1)

Penais: Parkinson (1), Te Huia (3)

15 Raynor Parkinson (Heidelberger), 14 Pascal Fischer (Hannover 78), 13 Carlos Soteras-Merz (Pforzheim), 12 Paul Bosch (Heidelberger), 11 Sam Harris (Pforzheim), 10 Jeremy Te Huia (Pforzheim), 9 Sean Armstrong (Heidelberger) (c), 8 Jarrid Els (Heidelberger), 7 Jaco Otto (Heidelberger), 6 Kehoma Brenner (Heidelberger), 5 Rob May (Heidelberger), 4 Michael Poppmeier (Heidelberger), 3 Samy Füchsel (Heidelberger), 2 Dale Garner (Luctonians, Inglaterra/4ª divisão), 1 Arthur Zeiler (Heidelberger).
Suplentes: 16 Rupert Cowan (Richmond, Inglaterra/3ª divisão), 17 Jörn Schröder (Pforzheim), 18 Marcus Bender (Handschuhsheim), 19 Benjamin Danso (Heidelberger), 20 Eric Marks (Aachen), 21 Oliver Paine (Pforzheim), 22 Thomas van Gelderen (Neuenheim), 23 Mark Sztyndera (1880 Frankfurt).

 

 

Foto: João Neto/Fotojump

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