Querendo entender a realidade dos atuais e futuros atletas da Seleção Brasileira de Rugby, o Portal do Rugby dedicou um dia para ver de perto os treinamentos realizados no Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo, o NAR. Entre os anos de 2014 e 2015, a prefeitura da capital paulista focou em promover o Programa Rede Olímpica, e, em parceria com investidoras, inaugurou a sede em Santo Amaro que recebe seleções paralímpicas de judô, natação, atletismo e também, há pouco mais de 1 ano, recebe as seleções femininas e masculinas do Rugby. Atualmente, o NAR atende não só a treinamentos físicos, também aplica acompanhamento nutricional e psicológico, dando formação completa aos atletas que frequentam.

 

“Meninas, vocês viram que a Aline Furtado conseguiu a vaga entre as doze que viajam para o Canadá, né? Ela começou aqui com vocês, durante os treinos da tarde, desde o final do ano passado. Em 5 meses, ela evoluiu muito e conseguiu o lugar dela. Esse exemplo é pra vocês verem que o tempo todo estão sendo observadas e que todas aqui podem ter a oportunidade que ela teve”. Com essas falas, Rafaela Turola, que atualmente responde também pela comissão técnica da seleção feminina, inicia o treino da tarde da última segunda-feira, que se repete também às quartas e é destinado às atletas de 15 a 20 anos que se destacam em suas equipes e que podem ser indicados pelos respectivos treinadores e buscam seu lugar na seleção principal adulta ou que pretendem intensificar o conhecimento sobre Rugby. Entre às 14h e 17h, a coleção de talentos que têm sido revelados se dedica aos treinos e pode garantir uma vaga nos treinos da manhã, que são dirigidos às Yaras e Tupis que passam por testes que, a cada 2 meses os qualificam, e, no caso das meninas, dependendo da situação que é avaliada ou da idade, se não atingirem as notas mínimas nos testes podem ser encaminhadas de volta (ou pela primeira vez), aos treinos da tarde e, dos meninos, em alguns casos também ocorre a transferência para o turno das 14 às 17h.

 

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O processo de revelar atletas é o que tem dado a maior eficiência do NAR, além dos treinos muito bem aplicados à atual seleção. Muitas meninas e meninos chegam de seus clubes com mais facilidade ou habilidade que os companheiros de time e, no NAR, têm a chance de sonharem mais alto. O caminho não é fácil, no início do treino de quarta, Turola ainda continuou “A Aline, mesmo sabendo que provavelmente não entraria entre as 12 para a etapa do Canadá, continuou treinando duro e treinando forte e o esforço dela foi enxergado. O melhor caminho é não desistir do que você quer”. Além de receber o incentivo da treinadora, as meninas e meninos também têm acompanhamento psicológico para o preparo emocional durante a fase de desenvolvimento.

 

Entre as 30 atletas que treinam no período da manhã, cerca de 20 são convidadas para os “camps” que ocorrem duas semanas antes das séries mundiais, uma semana completa de treinamentos, táticas, estratégias e plano dos jogos e, ao final, as que se destacam são as 12 selecionadas que representarão o país. A ideia é que as meninas mais novas que têm treinado agora também formem, em 2018, uma seleção juvenil que seja competitiva e que uma das bases de formação seja o NAR, reforçando o interesse do projeto nas categorias de base. Para os meninos que têm treinado, os torneios inter-academias já têm acontecido e levado muitos destaques para os treinos com os Tupis.

 

Recentemente, o NAR e a CBRu realizaram um recrutamento de atletas que rendeu bons frutos e já conta com alguns que têm frequentado os treinos, e a ideia é que mais recrutamentos aconteçam e que os treinadores das equipes conheçam o canal para indicar os jovens destaques, sendo a melhor forma de alimentar a seleção futura.

 

O resultado do trabalho pode ser visto em campo no sábado e domingo, pelas Yaras jogando no Canadá. 

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