É neste sábado, que o Primeiro Treino de Rugby LGBT acontecerá no Obelisco do Ibirapuera, na zona centro-sul da capital de São Paulo a partir das 15h. A iniciativa surgiu por parte de Bruno Kawagoe, Marcelo Cidral e Alan Alves depois de um dos membros, Marcelo, ter contato com o Rugby quando morou em Londres. No treino, alguns princípios básicos de passe e tackle serão ensinados e todos poderão vivenciar o touch.

 

A história do Marcelo se cruza com a história do Rugby quando conheceu o clube inglês Kings Cross Steelers, o primeiro clube LGBT, fundado em 1995, também em Londres que tem feito tradição ao participar de campeonatos exclusivamente LGBTs como UK Gay Sports Festival, Union Cup – que acontece a cada dois anos e é exclusivo para clubes gays da Europa – e, finalmente, também participa do Mundial Gay de Rugby, o Bingham Cup, exclusivamente organizado pela International Gay Rugby.

 

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Marcelo morou na capital inglesa até 2016, jogou vários amistosos e a Union Cup, completa dizendo “Foi uma experiência incrível para conhecer gente do mundo todo e praticar um esporte que eu provavelmente teria medo de experimentar em um time heterossexual por medo de sofrer preconceito“. Desde que chegou no Brasil, não continuou treinando, mas os rumos mudaram quando conheceu Bruno Kawagoe e Alan Alves, “eles tinham a mesma ideia que eu [unir pessoas LGBT em um treino] e os dois já haviam conversado com um monte de gente interessada e já haviam juntado um grupo pra começar a treinar“.

 

As iniciativas concretas para as mulheres da sigla LGBT ainda não estão tão bem estruturadas como a dos homens na International Gay Rugby. Um grupo de discussão sobre mulheres LBT foi criado há pouco tempo pela instituição e, na última edição da Union Cup, as mulheres foram inseridas jogando Sevens. No Brasil, o cenário dentro das equipes é que as mulheres têm assumido sua sexualidade em maior número quando comparado aos homens e um dos grandes episódios foi o pedido de casamento de Marjorie para Izzy, da seleção brasileira, nas olimpíadas de 2016. O que se vê é um tabu por parte dos homens sobre a sexualidade dentro dos clubes, ressaltando que no Brasil ainda não existe nenhuma equipe exclusivamente LGBT e, para as mulheres, uma superação deste tabu.

 

 

O que uniu Marcelo, Alan e Bruno foi que “Todos curtiram o fato de não ter sofrido preconceito [quando vivenciaram o Rugby] o que deu vontade de voltar. Acho que o que nós 3 temos em comum é como a gente se surpreendeu por viciar um esporte que na teoria seria super agressivo e nada pró-LGBT, mas na prática é bastante inclusivo.

 

Foto retirada de: Union Cup Madrid 2017