Foto: Sudamérica Rugby

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O Times noticiou nesta semana que as negociações seguem para uma Liga Mundial de Rugby XV masculino, denominada provisoriamente “Nations Championship”. Esse assunto já foi abordado antes aqui e uma definição só deverá ocorrer em novembro deste ano. De todo o modo, as especulações crescem e as perguntas se somam. Seria esse novo torneio bom para nações emergentes como o Brasil?


A proposta que foi divulgada é de haver duas divisões. A primeira divisão com as 12 melhores seleções do mundo, sendo 6 da Europa e 6 do Resto do Mundo. Tais equipes jogariam 6 partidas (equipes europeias contra equipes do resto do mundo), sendo 3 em julho (com os europeus viajando) e 3 em novembro (com os europeus recebendo), em substituição aos amistosos internacionais. Após 6 rodadas, os dois primeiros colocados fariam uma grande final em novembro, enquanto o pior europeu e o pior do resto do mundo iriam para as repescagens de promoção e rebaixamento contra os melhores da 2ª divisão, respeitando a geografia (europeu contra europeu, resto do mundo contra resto do mundo).

Já a segundona teria outros 12 times, mas, a fim de cortar gastos com viagens, muitos jogos poderiam ser em sedes neutras. Não foi revelado, mas possivelmente o sistema de rebaixamento e promoção com ocorreria entre a segunda divisão mundial e as competições regionais, permitindo acesso a todos os países.

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A promessa é de que qualquer seleção possa ser rebaixada – e isso não afetaria a composição do Six Nations ou do Rugby Championship, que se manteriam como competições independentes.

A nova Liga Mundial ocorreria apenas em anos pares e começaria em 2026. O ano da Copa do Mundo seria preservado sem outra competição e o ano de British and Irish Lions seria completado com amistosos. Com isso, o calendário ficaria do seguinte modo:

  • 2023: Copa do Mundo
  • 2024: amistosos
  • 2025: British and Irish Lions + amistosos
  • 2026: Liga Mundial
  • 2027: Copa do Mundo
  • 2028: Liga Mundial
  • 2029: British and Irish Lions + amistosos
  • 2030: Liga Mundial (e assim por diante);

 

Cilada ou avanço?

Para as nações emergentes, tal modelo será positivo ou negativo? É difícil afirmar algo agora, mas o fato é que a nova competição traria mais receitas para o rugby de modo geral. Por outro lado, menos seleções emergentes enfrentariam seleções do primeiro escalão mundial a cada ano, pela separação entre 1a e 2a divisões.

A questão central que dirá se a nova competição poderá beneficiar países emergentes (como o Brasil) está na divisão de receitas. Se a nova Liga Mundial for entendida como uma liga com duas divisões, como faz o rugby francês (o Top 14, a primeira divisão francês, divide receitas com a Pro D2, a segunda divisão), o sistema permitirá a ascensão de novos países. O modelo benéfico para as nações emergentes é a segunda divisão ser considerada parte da liga e receber receitas para fazer seu produto evoluir. O que inclui também se tornar interessante para qualquer país do primeiro escalão que venha a ser rebaixado.

Para um país como o Brasil, que batalhará para ter seu lugar ao sol na segunda divisão, uma competição prestigiada e com receitas significativas poderia impulsionar o crescimento do esporte de modo determinante. Logicamente, caso os Tupis consigam estar entre os 24 melhores do mundo. Mesmo que não consigam imediatamente, o fato de haver acesso à segunda divisão já criaria um estímulo extra importante.

Porém, se a opção for por se comercializar separadamente primeira e segunda divisões, sem haver um investimento substancial nos países emergentes, a tendência é de aumentar perigosamente o abismo entre os dois escalões – como ocorre atualmente no rugby inglês de clubes, que viu a distância entre Premiership (a primeira divisão) e Championship (a segunda divisão) ampliar perigosamente, dando espaço para o movimento que quer fechar a Premiership e impedir novos clubes de subirem à elite.

O resumo é que o rugby mundial viverá um momento existencial. A decisão com relação à Liga Mundial impactará o futuro da modalidade de modo comparável apenas à profissionalização do rugby em 1995.