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O crescimento do rugby nos últimos 20 anos é palpável. A modalidade passou de pouco conhecida para ser destacada como uma das mais promissoras do país. Em um estudo recente realizado pela Deloitte, por exemplo, o rugby foi colocado como um dos esportes com maior projeção de crescimento para o futuro próximo.

No entanto, a margem de avanço de popularidade desse esporte no Brasil não é puramente linear e existem alguns acertos a serem realizados em diversas frentes para que seja possível impulsionar ainda mais esse crescimento. Para isso, é justo pensar um pouco fora da caixa e mirar em exemplos de outras modalidades em ascensão no país.

Poker e ginástica são exemplos de que é possível produzir atletas a nível nacional mesmo sem praticar futebol

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De acordo com a revista Superinteressante, o futebol, o vôlei, o tênis de mesa, a natação e o futsal são, respectivamente, os esportes mais populares do Brasil. Porém, isso não quer dizer que não há espaço na mídia para outras modalidades.

O rugby brasileiro certamente se beneficiaria de uma grande estrela a nível mundial para impulsionar o seu status no Brasil e assim chamar novas pessoas para a prática do esporte.

Nesse sentido, há vários exemplos que podem ser feitas com outras modalidades que se encaixam muito bem. O poker, por exemplo, teve uma rápida ascensão no Brasil quando André Akkari se tornou campeão mundial das cartas em 2008 (World Series of Poker) e alavancou o esporte a milhões de brasileiros. Mais recentemente, a ginasta Rebeca Andrade foi medalha de ouro no ginástica pelos Jogos Olímpicos de Tóquio e isso gerou uma onda de novos patrocínios na modalidade que provavelmente renderão ótimos frutos para a ginástica nacional no futuro.

Dessa maneira, um atleta do rugby nacional do mesmo nível de Akkari para o poker ou Rebeca para a ginástica certamente colocaria muitos holofotes para a modalidade e, consequentemente, traria mais patrocínio e novos praticantes para o rugby que funcionaria como um efeito dominó.

É claro que para produzir esportistas como Rebeca e Akkari é preciso de mais investimento em diversas etapas do desenvolvimento de um atleta, no entanto, ambos são prova de que é possível fazer esse salto de popularidade mesmo sem praticar um esporte tão popular como futebol, natação ou futsal.

Criar demanda e público a partir de rivalidade como acontece no basquete

Engajar não é fácil. Em um mundo de redes sociais e propagandas pipocando a cada segundo, está cada vez mais difícil chamar a atenção das pessoas, seja por cliques ou visualizações.

Os cartolas da maioria dos esportes brasileiros sabem disso e um jeito que o basquete encontrou de aumentar a sua popularidade foi por meio da criação de rivalidade e há duas maneiras práticas para fazer isso.

A primeira é por meio da associação com grandes clubes. No basquete nacional, Vasco da Gama, Flamengo, São Paulo e tantos outros times tradicionais do futebol estão associados com a bola laranja. Isso cria uma associação direta de torcedores que normalmente não se engajariam tanto com o basquete se não fosse pelas cores do seu time de coração no esporte.

É claro que se associar com grandes equipes de maneira direta tem também os seus contras e não são poucos. No entanto, essa conexão é, sem dúvida, uma ótima maneira de engajar quando realizada da maneira correta de forma que ela também é adotada por outras modalidades, com destaque para o futebol americano.

A segunda maneira de engajar mais é por meio da criação de narrativas. A vitória do Brasil no Sul-Americano de 2018 diante da Colômbia certamente foi uma excelente tacada para o marketing da modalidade, assim como seria caso o Brasil se classificasse para a Copa do Mundo de Rugby de 2023.

O skate, por exemplo, criou uma narrativa muito boa nas Olimpíadas de Tóquio, quando o Brasil conquistou várias medalhas importantes na primeira vez que a modalidade esteve presente nos Jogos.
É claro que não é fácil ou palpável no momento ter o alcance que o skate tem sob a mídia brasileira, mas ficou claro como a construção de uma bela narrativa tem excelente impacto positivo na exposição do esporte no país.

O rugby tem a sua realidade própria, mas nunca é demais olhar para o vizinho

Contextualização é fundamental quando analisamos a realidade de qualquer modalidade no Brasil e por isso, pelo menos no momento, ainda não é possível comparar exemplos do futebol com o rugby, por exemplo.

Entretanto agora já é muito interessante olhar para os demais casos no esporte brasileiro, como skate, poker, ginástica e até mesmo o basquete, especialmente considerando que o rugby já deu passos muito importantes nos últimos anos, como a gestão com métodos empresariais que ajudou a impulsionar a modalidade.

Agora, para o futuro e adiante, se espelhar positivamente nos “vizinhos” do esporte brasileiro pode ser a próxima tacada de ouro que o rugby precisa para seguir evoluindo e conquistar ainda mais entusiastas nos próximos anos.