Otago venceu Wellington e cresce na Mitre10 Cup. Foto: Mitre10 Cup

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ARTIGO COM VÍDEOS – Num fim de semana de Bledisloe Cup, a Mitre10 Cup teve o seu recheio de excelentes jogos (o que dizer do embate entre Taranaki e Auckland, que foi colorido com tons de imprevisibilidade e espetacularidade) e com uma grande surpresa a se dar para os lados de Wellington, com a equipe da casa a ser derrubada por uns rebeldes de Otago! Esta é a nossa análise aos melhores jogadores e equipes, refletindo com os dados e números de mais uma jornada empolgante da competição de províncias neozelandesa.

A melhor equipe da rodada: Canterbury

Demorou a arrancar, pois os primeiros pontos só apareceram após a meia hora de jogo, mas Canterbury ofereceu uma requintada exibição aos seus fãs retornando ao seu melhor tanto em termos de aproveitar as fases estáticas, onde moeram os avançados de Manawatu, e de dar uso ao jogo ao pé de uma forma desenfreada e, ao mesmo tempo, calculista garantindo 5 pontos na luta pelo acesso às meias-finais da competição. Com algumas trocas pelo meio (Tom Christie ficou de fora e Brett Cameron ficou no banco de suplentes), o elenco visitante foi capaz de seguir com a sua típica estratégia, ou seja, de frieza total nas saídas ao pé ou no montar fases a partir dos avanços do seu pack, aproveitando para acelerar a oval quando sente o seu adversário mais nervoso ou lento, explorando essas fragilidades com uma total rapidez imperceptível e imparável.

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Acima de tudo deu-se uma melhoria dos processos ofensivos quando Fergus Burke, o suplente de Brett Cameron, ganhou confiança e começou a dar outra largura e amplitude ao ataque e contra-ataque de Canterbury, fazendo vibrar os seus colegas através de uma série de movimentos individuais que desequilibraram por completo a defensiva de Manawatu. O abertura, que foi a par de Jason Potroz, Jared Page e Luke Romano um dos melhores da jornada, inflamou o poder ofensivo de Canterbury que a partir dos últimos 10 minutos da primeira parte impôs um domínio da bola total, observando-se um show de offloads e dribles desconcertantes, transitando então da frieza calculista para o espetáculo de combinações de ataque, pondo fim qualquer sonho por parte dos jogadores de Manawatu.

Verdade que North Harbour foi responsável por uma exibição glamourosa (nota para os três tries do antigo ponta do GDS Cascais, Jared Page) mas pela 2ª jornada consecutiva vimos os vislumbres de um Canterbury dominante, agressivo e de grande expansão, sendo ainda candidatos ao ceptro de campeão.

A surpresa: Otago

Chegaram a estar a perder por 23-34 quando faltavam só 14 minutos para o fim do encontro, mas provaram que o jogo só acaba quando a buzina soa e o árbitro apita, registando uma reviravolta memorável no terreno de jogo dos “leões” de Wellington. Foi dos melhores encontros da semana entre ambos blocos, lembrando um típico embate entre Hurricanes e Highlanders (são as duas principais formações de fornecimento de atletas às franquias de Super Rugby), com todos aqueles detalhes e pormenores que levam o rugby neozelandês a ser considerado o melhores à escala global, seja pela imposição agressiva na placagem (Dylan Nel, por Otago, e Du’Plessis Kirifi, por Wellington foram os principais autores nesse departamento) e subida da defesa ou pela aceleração elétrica no ataque, em que Wes Goosen, Vilimoni Koroi e Jona Nareki (outra exibição espectacular do ponta kiwi) foram os prevaricadores principais nos termos da conquista de metros e quebras-de-linha, atribuindo a este jogo de cruzamento entre divisões como um dos melhores da época.

Quando Otago parecia estar arredada da luta pelo resultado, surgiram em força Josh Ioane e Jona Nareki a explodir com a bola em seu poder, aproveitando um adormecer inesperado das linhas atrasadas e as constantes penalidades no chão dos avançados de Wellington, o que acabou por resultar em dois tries e uma cambalhota no marcador.

Porém, o melhor apontamento ficou guardado para os 80 minutos… quando Wellington procurava um try ou uma penalidade para atirar aos postes (era suficiente para ganhar), o asa Dylan Nel de Otago atirou-se no momento exacto para caçar a oval no breakdown e oferecer a vitória aos seus companheiros. Posição de corpo extraordinária, oportunismo ainda melhor e um poder físico total, tudo atributos deste elenco de Otago!

O MVP da Jornada: Jayson Potroz (Taranaki)

23 pontos foi o humilde pecúlio somado por Jayson Potroz na recepção de Taranaki a Auckland, mas que acabou por não ser suficiente para derrubar os seus rivais da divisão principal da Mitre 10. O defesa foi responsável por dois tries, duas assistências, duas quebras de linha, quatro defesas batidos, uma bela eficácia na conversão aos postes (90%), aparecendo como um dos principais agitadores de jogo da formação de Taranaki que perdeu por um mero ponto de diferença.

Sem Jordie Barrett para dar outra “voz” ao jogo ao pé e à devolução dos pontapés adversários, a verdade é que Potroz tem sido um dos principais jogadores desta formação que sonha conseguir voltar à Premiership da Mitre10, nisto que é a sua 2ª temporada como profissional de rugby quando apresenta 28 anos no seu BI. Seria interessante perceber se Jayson Potroz conseguirá alimentar o fluxo ofensivo de Taranaki nos cinco jogos que restam, numa fase da época algo conturbada para o clube pois somam três derrotas consecutivas, e isto coloca uma pressão extra no polivalente 3/4’s que soma 40 pontos à passagem da 5ª jornada da competição.

Waikato, Tasman, North Harbour e Northland vencem

Em jogos cruciais pela luta por vagas nas semifinais, Tasman venceu bem Bay of Plenty (lanterna da primeira divisão) por 33 x 07 e seguiu na liderança da competição, ao passo que Waikato seguiu na zona de classificação ao fazer 36 x 13 sobre o vizinho Counties Manukau.


North Harbour, por sua vez, respirou com triunfo por 46 x 10 contundentes sobre Haekw’s Bay, que perdeu a liderança da segunda divisão, que agora é de Northland, após derrotar Southland em jogo apertado, 18 x 14.


 

Mitre 10 Cup – Campeonato Neozelandês

Manawatu 10 x 34 Canterbury

Taranaki 28 x 29 Auckland

North Harbour 46 x 10 Hawke’s Bay

Wellington 34 x 35 Otago

Waikato 36 x 13 Counties Manukau

Tasman 33 x 07 Bay of Plenty

Northland 18 x 14 Southland

 Equipes (Províncias)ApelidosCidade(s)JogosPontos
Premiership - 1ª divisão
WaikatoMooloo MenHamilton727
TasmanMakosNelson e Blenheim725
AucklandGullsAuckland725
wellington lionsWellingtonLionsWellington724
CanterburyLambsChristchurch718
bay of plentyBay of PlentySteamersRotorua e Tauranga717
North HarbourHibiscusAuckland (Norte)716
Championship - 2ª divisão
hawkes bayHawke's BayMagpiesNapier725
OtagoRazorbacksDunedin725
NorthlandTaniwhaWhangarei718
TaranakiBullsNew Plymouth715
SouthlandStagsInvercargill711
counties manukauCounties ManukauSteelersPukekohe 75
Manawatu TurbosPalmerston North74
- Vitória = 4 pontos;
- Empate = 2 pontos;
- Derrota = 0 pontos;
- Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
- Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

- Premiership: 1º ao 4º ligares = classificação às Semifinais pelo título;
- Premiership: 7º lugar = rebaixamento ao Championship 2016;
- Championship: 1º ao 4º lugares = classificação às Semifinais pela promoção à Premiership 2016

Números

Maior marcador de pontos (equipe): North Harbour – 46 pontos
Maior marcador de tries (equipe): North Harbour – 7 tries
Maior marcador de pontos (jogador): Jason Potroz (Taranaki) – 23 pontos
Maior marcador de tries (jogador): Jared Page (North Harbour) – 3 tries
Melhor da Jornada: Fergus Burke (Canterbury