Prévia da Copa: Itália, surrada, mal tratada e sempre esperançosa

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Apelido: Gli Azzurri (Os Azuis)

População: 61.000.000

Capital: Roma

Continente: Europa

Principais títulos: Troféu da FIRA (1995/97) e Trofeo Giuseppe Garibaldi (2011 e 2013)

Mundiais disputados: Todos

Melhor campanha em Mundiais: 3º lugar na fase de grupos (1987, 1991, 1995, 2003, 2007 e 2011)

Copa do Mundo de 2011: 3º lugar na fase de grupos

Caminho para o Mundial 2015: Classificada antecipadamente como uma das 12 melhores da Copa do Mundo de 2011

Técnico de 2015: Jacques Brunel

2015: Grupo D

19/09 – x França – Histórico: 37 jogos, 3 vitórias e 34 derrotas. Último jogo: Itália 0 x 29 França, em 2015 (Six Nations);

26/09 – x Canadá – Histórico: 7 jogos, 5 vitórias e 2 derrotas. Último jogo: Canadá 16 x 25 Itália, em 2012 (amistoso);

04/09 – x Irlanda – Histórico: 24 jogos, 4 vitórias e 20 derrotas. Último jogo: Itália 3 x 26 Irlanda, em 2015 (Six Nations);

11/09 – x Romênia – Histórico: 41 jogos, 22 vitórias, 16 derrotas e 3 empates. Último jogo: Itália 24 x 18 Romênia, em 2007 (Copa do Mundo);

 

Monotemática e decepcionante. Essa é a Itália e como ela é vista. De todos os chamados dez grandes do mundo, isto é, os dez países que disputam anualmente o Six Nations e o Rugby Championship, a Itália é a única seleção que jamais chegou ao mata-mata da Copa do Mundo. Com a exceção de 1999, quando os Azzurri perderam todos os seus jogos justamente no Mundial que entraram com uma de suas mais brilhantes gerações, de Diego Dominguez e Alessandro Troncon, os italianos sempre terminaram uma posição abaixo da classificação às quartas de final. O Mundial no qual a Itália passou mais perto da classificação foi em 2007, quando o favoritismo era seu, por conta da péssima fase vivida pela Escócia, companheira de grupo, mas os italianos jogaram fora a classificação em derrota de 18 x 16, com Chris Paterson chutando seis penais devastadores para os escoceses. Na equipe italiana estavam dois dos maiores jogadores da história dos Azzurri, os argentinos naturalizados italianos Martin Castrogiovanni e Sergio Parisse. E eles deverão em 2015 fazer seu último Mundial com a camisa italiana. Outro mito que se despedirá é o asa Mauro Bergamasco, que esteve naquele Mundial de 1999 e participou de toda a história da Itália no Six Nations, iniciada em 2000. A história viva da seleção da Bota indo para sua quinta Copa do Mundo e igualando o feito do samoano Brian Lima, único homem até hoje a jogar cinco Mundiais.

 

As recorrentes derrotas no cenário internacional fazem o espectador de longa distância se esquecer de como a Itália evoluiu numa perspectiva de longa duração. Foi somente no ano 2000 que a Itália entrou para o Six Nations, sendo que anteriormente por décadas os italianos foram apenas “mais uma” seleção dentro do rugby europeu. A equipe disputou dos anos 30 aos anos 90 o velho Troféu da FIRA, atual Europeu de Nações, que reunia países do norte da África e as seleções europeias, inclusive a França, mas com a exceção das nações das Ilhas Britânicas – Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda, que nunca se interessaram pela competição. Até os anos 90 a Itália foi coadjuvante do torneio, sem jamais ter vencido a França e colecionando apenas oito vice-campeonatos, contra cinco títulos e onze vices da Romênia, além de quatro vices da União Soviética. Foi somente na temporada 1995-97 que a Itália, de Dominguez e Troncon, quebrou o tabu, venceu a França, levantou a taça pela primeira vez e, de quebra, foi convidada para ingressar em 2000 no Six Nations. O título só fora possível por uma evolução sem precentes no rugby do país entre o fim dos anos 80 e o começo dos anos 90, quando os clubes italianos passaram a importar atletas estrangeiros em massa, especialmente argentinos e romenos, burlando as leis anti-profissionalismo que existiam na época. O grande exemplo foi o gênio australiano David Campese, de ascendência italiana, e verdadeiro embaixador do rugby na Bota, tendo atuado pelo Petrarca Padova de 1984 a 1988 e pelo Amatori Rugby Milano entre 1988 e 1993.

 

Em seu percurso rumo ao Six Nations, a Itália acumulou derrotas contra seleções para as quais hoje um insucesso italiano seria impensável: Ilhas Cook, Tchecoslováquia, Polônia, Portugal, Alemanha, Espanha, Marrocos, Namíbia… Mas, quando a Itália ganhou seu lugar entre os grandes não decepcionou e, em 2000, derrotou logo em sua primeira partida a então campeã de 1999, a Escócia, por 34 x 20, criando a ilusão em todos de que seu sucesso poderia ser muito rápido na elite. E não foi. Desde então, jamais os Azzurri conquistaram mais que duas vitórias em um mesmo Six Nations, além de terem terminado com a colher de pau em dez de suas dezesseis temporadas. O que, ponderando-se friamente, não é tão ruim quanto parece, sobretudo ao se olhar para a imensa diferença que existia entre britânicos, franceses e italianos até os anos 80. Mais notável ainda é que nos últimos quatro ano, sob o comando do técnico Jacques Brunel, apesar do constante dilúvio de críticas sobre a seleção, a Itália terminou apenas uma vez no último lugar do torneio europeu, em 2014. Estatística que não condiz com o cenário negro tão correntemente pintado sobre a equipe.

 

Todavia, apesar dos Azzurri sofreram até mais críticas do que merecem, a fragilidade da equipe é inegável, por conta do descompasso entre suas unidades. Se a Itália tem hoje – e já há um bom tempo – um dos melhores packs do mundo, é liderada por um dos melhores jogadores do planeta, o genial Sergio Parisse (muito acima da seleção que defende), e seu scrum é capaz de causar muita preocupação em qualquer seleção do mundo, sua linha é extremamente frágil, a começar pela parelha de scrum-half e abertura, de longe uma das menos empolgantes da Copa do Mundo. Primeiramente porque Brunel ainda não sabe quem jogará com as camisas 9 e 10. E segundo que nenhum jogador nessas posições é confiável e no nível de uma seleção de Six Nations. As esperanças estão no jovem abertura Carlo Canna, que acabou de jogar – e se destacar – no Mundial Junior, mas a preocupação é evidente, inclusive quanto aos chutes ao H. Afinal, a qualidade que a Itália tem nos avançados, com capacidade para arrancar preciosos penais, é constantemente jogada fora pela falta de qualidade de seus chutadores. O que é imperdoável no rugby atual.

 

Com a ligação entre os camisas 9 e 10 fluindo, a Itália conta na linha com alguns bons nomes, como Michele Campangnaro, Giovanbattista Venditti e Andrea Masi, mas ainda falta muito para os Azzurri preocuparem alguém quando com a bola em mãos. Com isso, a dependência é total na forma de seus avançados. E, se o destaque foi feito ao oitavo Parisse, é na primeira linha que o poder de fogo italiano impressiona mais, com Ghiraldini, Castrogiovanni, Rizzo, De Marchi e Cittadini compondo uma linha de frente que não fica a dever a ninguém.

 

Na Copa do Mundo, a Itália caiu em um grupo que não é dos piores, enfrentando duas seleções cuja vitória não é impensável para os Azzurri, que ainda sonham com a inédita classificação – a qual coroaria as carreiras merecedoras de Bergamasco, Castrogiovanni e Parisse. Pela frente estarão Canadá e Romênia, inferiores à Itália (que, entretanto, terá que provar que sabe vencer quando é favorita, sobretudo contra seleções que, à sua semelhança, têm como ponto forte o pack), a instável França, que os italianos já venceram duas vezes nos últimos cinco anos, e a Irlanda que, apesar de ser hoje uma das seleções mais fortes do mundo e detentora do título do Six Nations, quando entra em Mundiais sempre sofre psicologicamente com a pressão de não decepcionar. A Itália bateu a Irlanda também há pouco tempo, em 2013, 22 x 15, mas, assim como os triunfos sobre os Bleus, a vitória sobre os irlandeses foi em Roma. Resta à Itália repetir o desempenho longe de sua torcida. Em 2015, os Azzurri se superaram longe de seus domínios vencendo a Escócia em Murrayfield, afastando a colher de pau. O problema para os italianos é que após essa vitória a situação do rugby no país se deteriorou, com um verdadeiro inferno sendo vivido no momento, com trocas de acusações entre elenco e Federação Italiana de Rugby, que já resultou em greve dos atletas, o que, certamente, vem prejudicando a preparação. Em sua provável despedida do comando da seleção, Brunel tem a dura missão de transformar um time desacreditado na primeira equipe italiana a estar entre os oito melhores do planeta. Será? Improvável, mas a esperança está no sangue do time.

 

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