Sábado de grandes clássicos: Springboks x Red Dragons e All Blacks x Les Bleus!

Hora de falar de decisão, hora de falar do sábado decisivo de quartas de final da Copa do Mundo! O primeiro dia de jogos define as equipes que vão se encarar na semifinal do dia 24. Então, o que esperar dos grandes clássicos África do Sul x Gales e Nova Zelândia x França.

 

Entre problemas e soluções, Gales e África do Sul vão para a decisão

De um lado uma seleção que passou um ano terrível, começou a Copa do Mundo sofrendo uma derrota outrora impensável, mas se reergueu e terminou a primeira fase do Mundial em alta. Do outro lado, uma equipe que conseguiu grandes feitos, mas a um custo altíssimo, penando com seguidas lesões de atletas centrais de seu elenco. É assim que África do Sul e Gales vão para o primeiro jogo das quartas de final da Copa do Mundo.

 

A África do Sul tem a vantagem histórica do confronto, sendo uma verdadeira pedra na chuteira galesa ao longo dos tempos. Porém, no último confronto entre galeses e Springboks quem emergiu vitorioso foi o time celta. Desta vez, o momento parece favorecer os sul-africanos, que jogaram pela última vez na quarta-feira, em um jogo tranquilo contra os Estados Unidos, ao passo que Gales teve no sábado o duro embate físico contra a Austrália, que terminou em derrota dos Red Dragons e rendeu a lesão de Liam Williams. Fisicamente, a balança pende a favor da África do Sul, mas há muito mais a se levar em conta.

 

Os Springboks tiveram somente uma alteração com relação ao time que venceu as Águias na semana passada, com JP Pietersen voltando ao time no lugar de Lwazi Mvovo. Frans Malherbe ganhou mesmo a posição de Jannie du Plessis na primeira linha, ao passo que Victor Matfield seguirá de fora. Kriel e De Allende continuam fazendo o dueto no centro. Já Gales sofreu três alterações na equipe derrotada pelos Wallabies, tendo os retornos do experiente pilar Gethin Jenkins e do asa Dan Lydiate (no posto do ótimo Justin Tipuric), enquanto Tyler Morgan entra na vaga de Liam Williams no centro, permitindo a George North ser devolvido para a ponta.

 

Gales é uma seleção forjada nas dificuldades e na superação, tendo sofrido com incontáveis desfalques na linha. Ainda assim, a equipe de Warren Gatland seguiu se mostrando unida e com qualidade, conduzida por uma das melhores duplas de scrum-half e abertura do momento, Gareth Davies – que está voando no Mundial – e Dan Biggar – sempre perfeito nos chutes. Mas, a grande força da equipe esteve no pack, com o segundo melhor índice de turnovers, impulsionados por uma terceira linha das melhores do mundo, liderada por Warburton, com um scrum forte, com Baldwin e Samson Lee em grande forma, e, sobretudo, pelo lateral implacável, de Alun Wyn Jones e Luke Charteris.

 

Os sul-africanos acabaram a primeira fase com o segundo melhor ataque e muito disso se deve às entradas de Fourie du Preez e Duane Vermeulen. Du Preez mostra que segue sendo um dos grandes scrum-halves do planeta, e o duelo da velha com a nova geração contra Davies será um espetáculo à parte. Du Preez tem a capacidade de colocar o jogo no ritmo que melhor lhe cabe e permitiu ao longo da Copa que Pollard pudesse desenvolver um rugby em evolução. Se Pollard estiver em dia inspirado, Gales sofrerá com a força da linha sul-africana, em especial com Habana em alta e com a agilidade da dupla de centros. Com a camisa 15, Le Roux ainda não mostrou seu melhor e o duelo com Gareth Anscombe, desejoso em mostrar sua qualidade com a camisa vermelha, intriga e poderá ser outro fator crucial. No scrum, a África do Sul ainda tem as marcas do que sofreu contra o Japão e contra Gales terá a real prova se resolveu seus problemas de fato, em especial na primeira linha.

 

Os embates de segunda e terceira linhas, no entanto, parecem ser os mais decisivos. Etzebeth e De Jager estão em franca evolução com a camisa verde, mas terão pela frente Alun Wyn Jones, a cada dia melhor. O lateral poderá ser o fator determinante da partida, pois a capacidade de somar pontos a partir da formação, sobretudo para a África do Sul, vem sendo um fator central na Copa. E a terceira linha terá a batalha aguardada entre Schlak Burger e Vermeulen contra Warburton e Faletau. De tirar o fôlego. Por tudo o que envolve o duelo, o equilíbrio e a imprevisibilidade imperam, mas os Springboks têm leve vantagem.

 

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Dia 17/10 – 12h00 – África do Sul x Gales, em Twickenham, Londres – ESPN+ AO VIVO

Árbitro: Wayne Barnes (Inglaterra)

Assistentes: George Clancy (Irlanda) e JP Doyle (Inglaterra) / TMO: Graham Hughes (Inglaterra)

 

África do Sul: 15 Willie le Roux, 14 JP Pietersen, 13 Jesse Kriel, 12 Damian de Allende, 11 Bryan Habana, 10 Handré Pollard, 9 Fourie du Preez (c), 8 Duane Vermeulen, 7 Schalk Burger, 6 François Louw, 5 Lood de Jager, 4 Eben Etzebeth, 3 Frans Malherbe, 2 Bismarck du Plessis, 1 Tendai Mtawarira.

Suplentes: 16 Adriaan Strauss, 17 Trevor Nyakane, 18 Jannie du Plessis, 19 Pieter-Steph du Toit, 20 Willem Alberts, 21 Ruan Pienaar, 22 Pat Lambie, 23 Jan Serfontein.

 

Gales: 15 Gareth Anscombe, 14 Alex Cuthbert, 13 Tyler Morgan, 12 Jamie Roberts, 11 George North, 10 Dan Biggar, 9 Gareth Davies, 8 Taulupe Faletau, 7 Sam Warburton (c), 6 Dan Lydiate, 5 Alun Wyn Jones, 4 Luke Charteris, 3 Samson Lee, 2 Scott Baldwin, 1 Gethin Jenkins.

Suplentes: 16 Ken Owens, 17 Paul James, 18 Tom Francis, 19 Bradley Davies 20 Justin Tipuric, 21 Lloyd Williams, 22 Rhys Priestland, 23 James Hook.

 

Histórico: 30 jogos, 27 vitórias da África do Sul, 1 empate e 2 vitórias de Gales. Último jogo: Gales 12 x 6 África do Sul, em 2014 (amistoso);

 

O clássico dos clássicos das Copas

O melhor time do mundo e seu adversário mais indesejado. A Nova Zelândia até aqui na Copa do Mundo não encantou, mas não sofreu, e segue como o time a ser batido, munida do melhor elenco do mundo, o que inclui o melhor XV do mundo e o melhor banco de reservas do mundo. A França, como sempre acontece em Mundiais, chegou com brigas no elenco e sem encantar, mas vem fazendo sua parte, apesar da última derrota para a Irlanda. Os franceses têm um elenco de extrema qualidade e, como se diz no mundo do rugby, são previsivelmente imprevisíveis. Na cabeça dos neozelandeses a confiança vem da vitória na última Copa do Mundo na final sobre a França, apesar do grande jogo dos Bleus. Para os franceses, também vem desse jogo sua força, mas não apenas dele. Em 2007, os dois times se encontraram nas quartas de final do Mundial, no mesmo estádio, em Cardiff, e o triunfo foi francês, com Fred Michalak, que estará em campo nesse sábado, mostrando sua capacidade de decidir jogos.

 

Para o jogo, os All Blacks efetuaram quatro trocas no grupo titular, com Wyatt Crockett, Brodie Retallick, Richie McCaw e Julian Savea voltando nas vagas de Tony Woodcock, Luke Romano, Sam Cane e Waisake Naholo. Já a França terá novidade com a camisa 9, com Morgan Parra ganhando a titularidade sobre Tillous-Borde, enquanto Bastareaud, criticado pela forma física, não será mais titular, passando a vaga no centro para o ótimo Dumoulin.

 

Os All Blacks são completos, tendo a terceira melhor defesa do certame, o terceiro melhor ataque, o primeiro em número de tries marcados, mais ainda sem a inspiração que se espera da equipe. O pack é de alto nível, mas enfrentará mais um duro desafio no scrum contra a boa e versátil primeira linha francesa. Na batalha aérea, a vantagem é neozelandesa nos laterais e a fragilidade francesa no setor poderá se transformar no ponto decisivo do jogo, ainda mais com o monumental Retallick com a camisa preta. Na terceira linha, a Nova Zelândia dispensa apresentações com McCaw, Read e Kaino, mas a França não fica atrás e já provou isso com Dusautoir, Picamoles e Le Roux. A batalha do breakdown será um dos pontos altos do jogo e a França precisará mostrar mais do que mostrou contra a Irlanda para superar os Homens de Preto nos rucks, porém têm o material humano para tal.

 

Na linha, a vantagem neozelandesa também é aparente. A França tem ainda que fazer engrenar sua dupla criativa, pois Parra não é ainda sombra do que se espera dele, enquanto do outro lado está Aaron Smith, talvez o melhor do planeta. Mas, Michalak vem encantando mais que o Carter em fim de carreira e o que hoje é dúvida pode virar amanhã solução para os Bleus. A troca nos centros também deverá surtir efeito com uma dupla mais jovem e dinâmica, que, no entanto, tem que provar sua evolução defensiva, contra uma brilhante mas veterana dupla neozelandesa. Nas pontas, a Nova Zelândia é superior, enquanto na camisa 15 Spedding vem em alta e fará uma embate de estilos bem distintos com Ben Smith.

 

Se o jogo tem um favorito óbvio, a tradição de partidas imprevisíveis e apimentadas entre os dois países tem tudo para se repetir. Que venha o clássico do caos!

 

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Dia 17/10 – 16h00 – Nova Zelândia x França, em Cardiff – ESPN AO VIVO

Árbitro: Nigel Owens (Gales)

Assistentes: Jaco Peyper (África do Sul) e John Lacey (Irlanda) / TMO: Shaun Veldsman (África do Sul)

 

Nova Zelândia: 15 Ben Smith, 14 Nehe Milner-Skudder, 13 Conrad Smith, 12 Ma’a Nonu, 11 Julian Savea, 10 Daniel Carter, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read, 7 Richie McCaw (c), 6 Jerome Kaino, 5 Sam Whitelock, 4 Brodie Retallick, 3 Owen Franks, 2 Dane Coles, 1 Wyatt Crockett.

Suplentes: 16 Keven Mealamu, 17 Joe Moody, 18 Charlie Faumuina, 19 Victor Vito, 20 Sam Cane, 21 Tawera Kerr-Barlow, 22 Beauden Barrett, 23 Sonny Bill Williams.

 

França: 15 Scott Spedding, 14 Noa Nakaitaci, 13 Alexandre Dumoulin, 12 Wesley Fofana, 11 Brice Dulin, 10 Frédéric Michalak, 9 Morgan Parra, 8 Louis Picamoles, 7 Bernard le Roux, 6 Thierry Dusautoir (c), 5 Yoann Maestri, 4 Pascal Papé, 3 Rabah Slimani, 2 Guilhem Guirado, 1 Eddy Ben Arous.

Suplentes: 16 Dimitri Szarzewski, 17 Vincent Debaty, 18 Nicolas Mas, 19 Damien Chouly, 20 Yannick Nyanga, 21 Rory Kockott, 22 Rémi Talès, 23 Mathieu Bastareaud

 

Histórico: 55 jogos, 42 vitórias da Nova Zelândia, 1 empate e 12 vitórias da França. Último jogo: França 19 x 26 Nova Zelândia, em 2013 (amistoso);

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