A segunda cidade que nossa série “As sedes do Mundial” traz é Osaka, segunda maior cidade do Japão e casa espiritual do rugby do país. Higashi-Osaka (Osaka Leste) é a cidade da região metropolitana de Osaka que receberá a Copa do Mundo, sendo conhecida no país como “A Cidade do Rugby”, por conta do Estádio Hanazono, o estádio de rugby mais antigo de todo o Japão, construído em 1929.

O lugar especial que o Hanazono ocupa no rugby japonês se deve ainda ao fato de anualmente receber as finais do Campeonato Colegial Japonês, a centenária e mais importante competição de escolas do país, fundada em 1917. Nada menos que 50 times oriundos dos 49 torneios regionais do país estão representados anualmente no Hanazono, com milhares de jogadores japoneses de rugby datando suas primeiras memórias com a bola oval justamente nos gramados de Higashi-Osaka.

 

O Coração do Japão

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Osaka (com 19 milhões de habitantes em sua região metropolitana, a chamada “Keihanshin”) não é simplesmente a segunda cidade japonesa. Localizada no centro do país e com 1700 anos de idade, Osaka é considerada uma capital cultural japonesa, abrigando alguns dos mais icônicos festivais do país, como o “Tenjin Matsuri” (o milenar “Festival das Luzes”), Danjiri Matsuri (as celebração da colheita de outono) e o Futon Daiko (o “Festival da Lua”).

A cidade ainda abriga o templo budista mais antigo do Japão, o Shitennoji, e o icônico templo Hiraoka Jinja. No coração de Osaka ainda está seu famoso castelo do século XVI, importante centro político no processo de Unificação do Japão que resultou no apogeu do xogunato Tokugawa, um sistema análogo ao feudalismo que existiu de 1600 até 1868 (a “era dos samurais”), ruindo no século XIX para dar lugar à Revolução Meiji (a modernização do país).

Importante porto, Osaka foi por muito tempo considerada a porta japonesa para a “Rota da Seda”, recebendo produtos de toda a Ásia. O resultado disso é uma culinária rica – e distinta do restante do país – que faz de Osaka “a Cozinha do Japão”, uma capital gastronômica única (e famosa pelos noodles e curries).

Como centro comercial poderoso, Osaka se tornou também um centro financeiro e produtivo importante, e Higashi-Osaka uma das zonas industriais da Keihanshin.

 

O rugby no Leste de Osaka

Fundada em 1910, a Kintetsu é uma das companhias ferroviárias do Japão e foi a responsável pela construção do estádio de Hanazono. As companhias ferroviárias têm longa tradição em fomentarem o rugby entre seus funcionários. Com as ferrovias japonesas tendo nascido no século XIX com importante participação de engenheiros britânicos. O Tratado Anglo-Britânico de 1902 criou laços comerciais maiores entre os dois países e levou a uma explosão no número de equipes de rugby, bem como de equipes de colégios e universidades – e um aumento do número de estudantes japoneses na Inglaterra, entre eles, o Príncipe Chichibu, que se tornou presidente da JRFU (a federação japonesa de rugby) em 1926. A criação do campeonato de colégios e a construção pioneira do Hanazono fizeram de Higashi-Osaka cedo um centro importante da bola oval japonesa.

Após a Segunda Guerra Mundial, a equipe da Kintetsu (hoje Kintetsu Liners) foi uma das fundadoras do Campeonato Japonês de Empresas (atual Top League) em 1948 e o se tornou uma das potências do país, sendo campeã em 1953, 1956, 1957, 1961, 1966, 1967, 1969 e 1974, além de faturar o All-Japan Rugby Championship (o título mais prestigiado do país na era amadora) em 1967, 1968 e 1975.

Além do Kintetsu, Osaka conta com o NTT-Docomo Red Hurricanes, time mais novo, fundado em 1993, pela companhia de telecomunicações do mesmo nome, adotando o Hanazono também como casa.