Neste mês, a Federação de Rugby da Bahia teve seu pedido de filiação à Confederação Brasileira de Rugby rejeitado, após 25 meses do início do processo. O Portal do Rugby publicou na semana passada a ata da reunião do Conselho da CBRu que negou a filiação baiana. Logo na sequência, a Federação de Rugby da Bahia publicou um comunicado acerca do assunto (reproduzido ao final deste artigo) e esperará sua próxima Assembleia Geral interna para voltar a se pronunciar.

Do lado da CBRu, o CEO da entidade, Agustín Danza, respondeu aos questionamentos do Portal do Rugby, com a entrevista podendo ser lida abaixo:

 

– Na ata está dito que haverá mudanças no estatuto. Quais mudanças estão previstas?
O Estatuto está sendo modificado para atender os requisitos das novas leis e portarias emitidas ao longo do último ano. Adicionalmente, estamos incorporando diversos mecanismos para incorporar melhores práticas de governança, tais como a ampliação da representatividade de atletas e mulheres na assembleia geral. Essas atualizações, estão em linha com as melhores práticas da atualidade e irão contribuir como mais um passo na consolidação do rugby brasileiro.

 

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– Se a revisão do estatuto prever mudança nos requisitos de filiação, a decisão sobre a Bahia não deveria ficar para após a mudança?
A proposta de novo estatuto, elaborada pela CBRu em conjunto com as federações filiadas, reduz a quantidade de pre requisitos para a filiação, por ex árbitros de 4 pra 2 (N2).  A FBR ainda não cumpre os novos requisitos, mesmo que abrandados.  Esperamos que eles possam atender esse requisito o quanto antes, inclusive convidamos dois árbitros da FBR para participar do curso de Arbitragem N2 que acontecerá na Super Week de Junho.

 

– A ata afirma ser prática comum entre as federações haver 4 árbitros nível 2, mas isso não se confirma com a realidade, pois nem todos os estados filiados contam com esse número. Por essa ter sido a razão descrita na ata para a não filiação na Bahia, não seria mais lógico oferecer à Bahia um número de meses para se adequar e efetivar a filiação?
Entendemos que os critérios mínimos são essenciais. Como colocamos acima, o novo estatuto reduz os requisitos essenciais mas a CBRu e seu conselho de adm entendem que esses não devem ser flexibilizados.

 

Nota: O Portal do Rugby apurou que hoje a distribuição de árbitros Nível 2 pelo Brasil é a seguinte: 12 em SP, 5 no RS, 4 no RJ, 2 em MG, 2 no PR, 1 em SC, 1 no Nordeste (ligado à Federação da Bahia) e 1 no Centro-Oeste;

 

– Já foram mais de 2 anos desde o pedido de filiação. Por que houve todo esse tempo de espera?
A FBR enviou seu pedido original de filiação no final de 2016. Esse pedido foi respondido no começo de 2017, indicando que faltavam documentos tais como certidões negativas, antecedentes, e documentações da sua Diretoria, além da comprovação dos quatro árbitros Nível 2 World Rugby.
A FBR fez um bom trabalho, completando suas documentações  e mantendo seus torneios e com isso  renovou o seu pedido de vinculação no começo de 2018, ano durante o qual fiscalizamos o calendário de competições, fizemos vistorias in-loco.  Entretanto, se observou a falta de árbitros N2, que esperamos solucionar com o curso de árbitros N2 que acontecerá durante a Super Week e para o qual estaremos especialmente convidando árbitros da FBR.

 

– A CBRu tem hoje um plano de como auxiliar novos estados a se filiarem (já que a ata fala em auxiliar a Bahia)?
Somos uma entidade pequena como baixa disponibilidade de recursos portanto preferimos priorizar áreas com algum trabalho de base desenvolvido. No contexto da Bahia, convidamos dois árbitros da FBR para participar da próxima Super Week. Adicionalmente realizamos os cursos de coaching, preparação física, gestão, etc que nos foram solicitados e continuamos fazendo cursos aonde houver demanda real. Finalmente, estamos avaliando outros mecanismos, como acesso a competições, para ajudar a desenvolver mais rápido a FBR, um primeiro passo pode ser a Taça Cultura Inglesa.

 

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Comunicado da Federação de Rugby da Bahia

A Federação de Rugby da Bahia tomou conhecimento através da imprensa – Portal do Rugby, 18 de fevereiro de 2019 – da decisão da Confederação Brasileira de Rugby de recusar o pedido de filiação apresentado pela FRB em 27 de dezembro de 2016.

De acordo com as notícias publicadas, essa decisão foi tomada na reunião do Conselho de Administração da CBRu do passado dia 4 de Fevereiro, invocado o não cumprimento por parte da FRB dos “requisitos previstos no art. 17, IX do Estatuto Social da CBRu, ou seja, não ter 4 árbitros de nível II certificados pela World Rugby” (Veja aqui a notícia do Portal do Rugby e a Ata da Reunião).

A Federação de Rugby da Bahia não considera apropriado que esta matéria seja tratada na imprensa devendo antes ser tratada por via do contato direto entre as duas partes, mas dada a repercussão pública que a divulgação da Ata da supra referida reunião do Conselho de Administração teve,  não pode deixar de fazer os seguintes esclarecimentos:
1- O pedido de filiação foi apresentado pela FRB junto da CBRu no dia 27 de dezembro de 2016, ou seja, há mais de 25 meses;
2- Ao longo de todo este processo a FRB forneceu sempre todos os documentos e esclarecimentos solicitados pela CBRu, mesmo quando os mesmos foram pedidos em duplicado;
3- Ao longo deste processo a FRB recebeu com a maior abertura os enviados da CBRu, e forneceu todos os dados que foram solicitados nas auditorias realizadas, tenham elas sido programadas ou feitas sem qualquer aviso prévio;
4- O Estatuto Social da CBRu é omisso na definição “do nível II de arbitragem” exigido, nunca sendo feita qualquer referência a árbitros certificados pela World Rugby;
5- A nenhuma das seis federações que neste momento são filiadas à CBRu foi feita a exigência de apresentação de 4 árbitros de nível II certificados pela World Rugby para a efetivação da sua filiação à Confederação, o que coloca a FRB em claro plano de desigualdade em relação a essas federações.

Assim, e porque a não filiação à CBRu traz importantes danos à FRB – que tenta isoladamente difundir a prática da modalidade no Estado da Bahia, sem qualquer apoio da CBRu –  nomeadamente nas relações institucionais com órgãos do poder estadual ou federal, ou ainda na captação de meios financeiros para a concretização das suas atividades, o Conselho de Administração da Federação de Rugby da Bahia informa todos os interessados que a análise da situação criada pela recusa da filiação será realizada na Assembleia Geral que terá lugar no próximo dia 30 de Março, em Porto Seguro, a que deverão estar presentes todos os clubes filiados à FRB.
A Assembléia Geral decidirá quais as medidas que deverão ser tomadas em relação a esta matéria, de importância fulcral para o futuro do rugby na Bahia.

Mais informa o Conselho de Administração da Federação de Rugby da Bahia que por respeito ao rugby e pelo acatamento disciplinado que as decisões da Assembléia Geral impõem, não fará qualquer outro comentário público sobre esta matéria até à realização da Assembleia Geral do dia 30 de Março.

Bahia, 19 de fevereiro de 2019
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA FRB
Manuel Cabral – Presidente
Diego Reis – Vice Presidente
Nilo Sousa – Tesoureiro

3 COMENTÁRIOS

  1. A CBRu precisa funcionar na articulação de instituições, descentralização e densificação da prática do rugby. Se for apenas uma agencia de treinamento de talentos exclusivamente voltada para a formação de uma seleção, não vejo o que ela faz de diferente da CBF… (e ser comparado à CBF para mim é um xingamento dos mais pesados).
    O caso da FRB precisa criar uma jurisprudência que guie a difusão e institucionalização do esporte, merece ser debatido. Merece revisão a decisão e seria ótimo se as federações estaduais se posicionassem, pressionassem para a inclusão da Bahia no mapa oficial e no radar nosso.