Encontro regional de rugby, realizado em Indaiatuba no dia 4 de agosto de 2019. Foto: Mariana Ferreira.

A “Voz do Rugby” é nossa coluna aberta a todos os interessados em nos enviarem textos opinativos. Quem aproveitou o espaço foi Murilo Braga Teodoro, da Liga Aberta de Rugby Juvenil de São Paulo! Vamos ao texto dele tratando da importância da liga.

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Acho bom começar esse texto me apresentando, me chamo Murilo, tenho 17 anos, 7 deles no rugby. Sou de Indaiatuba, porém passo a maior parte do meu tempo em Campinas por conta dos estudos. Em 2017, após a reunião de início de temporada do Tornados, em uma conversa com alguns companheiros de time, quando comentava que seria difícil continuar treinando em Indaiatuba (havia acabado de ser aprovado no Colégio Técnico de Campinas/Unicamp, o Cotuca), sugeriram-me montar um time do zero no colégio. Após algumas tentativas, em setembro do mesmo ano surgia o Halley Rugby (equipe dos alunos do Colégio). Aí começava minha trajetória fora de campo.

Já em 2018, o Halley estava minimamente estruturado, enquanto tomava banho, tive a ideia de criar um torneio de base no interior paulista. No dia seguinte, mandei mensagem para alguns clubes da região e, para minha surpresa, a resposta foi muito positiva, nascia aí a Liga Aberta de Rugby Juvenil, a LARJ. Na primeira temporada, foram quatro etapas, na categoria m18 masculina 10-a-side, movimentando cerca de 60 atletas por etapa, sendo eles, ao longo do torneio, de 9 clubes diferentes, todos do interior paulista, lembrando que o torneio serviu também como “vitrine” para a formação do Barbarians 019 m17. Na última etapa, organizada pelo Halley em Vinhedo, por conta de algumas dificuldades, entrei em contato com o Pedro Raposo, coordenador regional na FPR, que não hesitou em ajudar não só naquela etapa, mas também na continuidade do projeto.

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No paulista m17 de 2018, o Barbarians 019 não venceu, porém fez ótimos jogos contra todos os adversários, no caso: São José, Spac e Pasteur; contando sempre bom plantel de jogadores.

Em 2019, resolvemos realizar encontros regionais no interior e as etapas da LARJ dentro dos mesmos. Os encontros tiveram a participação de, em média 120 pessoas de todas as categorias de desenvolvimento e, foram marcadas inicialmente três etapas da Liga, uma em junho, a segunda em agosto e a última deveria ser realizada no dia 13/10, datas essas que não deveriam coincidir com os campeonatos da base organizados pela Federação Paulista.

A primeira etapa, realizada em Piracicaba contou com duas equipes e aproximadamente 20 atletas de diversos clubes no feminino e três equipes, somando aproximadamente 35 atletas de quatro clubes no masculino m18. Já a segunda, realizada num domingo de muito frio em Indaiatuba, logo após treinos do polo 019 em todas as categorias, contou com três equipes, somando aproximadamente 40 atletas de sete clubes, na categoria m18 flexível. Ambos os encontros contaram com mais de 100 participantes em campo, fora dos jogos.

Neste ano, a terceira etapa deverá ser realizada, porém ainda não há data. O mês de novembro é cheio de vestibulares grandes e o Paulista de 7s não tem datas já definidas. Um questionamento que me vêm a mente é: por que não incluir a LARJ no calendário oficial da FPR?

Os participantes da LARJ de 2018 foram: Piratas, Tornados/Wallys, Lechuza, Halley, Piracicaba/São Roque e Garça, além de atletas do Cougars. Destes clubes, apenas o Piratas participou de campeonatos oficiais da base em 2017, no caso, o Paulista m17 de rugby XV; já após a 1ª LARJ, os campeonatos oficiais da base só não contaram com a participação oficial de Halley e Garça dentre esses, sendo que os mesmos foram representados no Barbarians 019.

Fato que dá a entender que a Liga Aberta deu e dá estímulo para clubes menores desenvolverem suas categorias de base, por meio de um cenário competitivo, em uma modalidade reduzida inclusiva, no caso o 10-a-side (eu, como Hooker, não vejo o 7s como algo inclusivo de fato, apesar de gostar de jogar a modalidade), com baixo custo, a etapa mais cara de todas foi a última do ano passado, com inscrição a R$200,00 por equipe com terceiro tempo, socorrista e premiação inclusos, além de arbitragem voluntária e com os atletas representando seus próprios clubes.

A inclusão dessa iniciativa no calendário oficial da Federação Paulista, não apenas no m18 masculino, porém nas outras categorias masculinas e femininas da base, incentivará mais e mais clubes fora do eixo capital-vale e menores dentro desse eixo a desenvolverem sua base, servindo como uma espécie de divisão de desenvolvimento das categorias de base paulistas e, quem sabe, em alguns anos, possibilitando campeonatos juvenis de XV grandes de fato, como já foram um dia.

Obs.: qualquer dúvida, crítica construtiva, sugestão e comentário sobre a Liga Aberta de Rugby Juvenil ou o Halley Rugby é só entrar em contato comigo por meio das redes sociais ou do telefone: (19) 99900-9341.