A especialização do treinamento é uma fase em que o atleta já passou pela transição da iniciação e possui maturidade suficiente para o treinamento em modalidade específica.

Para isso, o atleta terá que passar por diversas aprendizagens motoras, cognitivas e afetivas, oferecendo uma máxima de vivências e oportunidades através de jogos, esportes, exercícios e praticas mais variadas possíveis tentando alcançar uma complexa aprendizagem multilateral.

Esta fase de aumento do acervo motor ocorre na pré-puberdade do jovem. Ou seja, para meninos até 13-14 anos e meninas 11-13 anos, mostrando que um sexo tem mais tempo para se desenvolver e aprimorar sendo assim, em certo momento o treino deve ser separado e diferente ainda na pré-puberdade.

Qual o problema da especialização? A PRECOCIDADE! Que gera abandono e perda de atletas. Um aluno que treina duas vezes por semana dos 10 anos até qualquer idade que ele vá se manter no esporte terá uma experiência pobre se não houver um treino variado e boas aulas de educação física que auxiliem no aprimoramento infantil. Infelizmente, hoje é difícil contar com isso.

Em outras modalidades no Brasil, é fácil ver como um time de alunos precoces tanto em seu treinamento sofrendo especialização na modalidade e dando ênfase para os alunos que maturaram mais cedo. Quero dizer, aqueles que entraram na puberdade ou até que já são pós-púberes são os times campeões, vencem tudo, pois são mais rápidos mais fortes, habilidosos etc…

Mas, a ciência nos ensina que a grande maioria dos atletas de alto nível foram crianças TARDIAS tanto em sua maturação quanto em sua especialização! Esses atletas tiveram infância rica em atividades físicas e cognitivas – obviamente existem exceções. Existe, pois, a dependência de outros fatores, como a quantidade de matéria-prima (crianças) que se têm para educar e desenvolver. Como o rugby brasileiro sofre em sua quantidade de alunos, a QUALIDADE do treino para aqueles que jogam deve ser o melhor possível, tentando formar, divertir e, por último, gerar atletas ao longo do tempo.

Nosso esporte tem sorte e alguns pontos: não sofre pressão de país, então consequentemente não precisa de pressão dos treinadores pela vitória, como ocorre no grande e imperdível campeonato da Rua São Joaquim para faixa etária de 12 anos, o que torna a modalidade bem menos estressante para os alunos. Também o emprego dos professores não está em risco como em clubes grandes de tantas modalidades, não precisando entrar na especialização e especificação mais cedo.

A especificação no sentido da posição do esporte em que o aluno tem o biótipo X, somatótipo Y, aos 6 anos de idade até os 14 anos, deve jogar em Z posição apenas porque ele tem essa forma física, sem pensar que o aluno de qualquer modalidade deve passar pelo máximo possível de posições no jogo, principalmente no caso de meninos entre 13- 15 anos, deixando o menino escolher onde quer jogar. Tal pensamento é estupido, pois o menino pode facilmente mudar sua composição corporal durante o crescimento até a fase adulta. Para que passar por todas as posições dentro de determinada idade? Ora, simples, para ter o aluno mais completo em questão de conhecimento, visão e tomadas de decisão gerando um ser inteligente para o jogo e dando oportunidades para todos, apesar de serem baixos, gordos ou altos e magros aos 13 anos de idade.

Esses dois pontos devem ser evitados em qualquer treinamento, deixando uma aula mais democrática. Não é o professor e nem os pais que deveriam decidir se o aluno vai ser atleta de alto nível ou não!

Jamais podemos esquecer a filosofia do jogo, porém existem alguns princípios do treinamento que tornam o treinamento realmente eficaz  para os objetivos como formar atletas e homens de caráter.

Se o professor treinar para especialização ou especificação ele não vai permitir que seus alunos virem atletas de alto nível, e vai fechar em muito suas chances, aumentando o número de pessoas frustradas por abandonar um esporte por causa de um treinador que não sabe o que faz e que acredita apenas em sua própria capacidade de conhecimento de jogo, sem estudar e conhecer a formação do ser humano. Assim, ter profissionais devidamente qualificados para o treino faz um ensino realmente democrático. 

especificidade leve

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