Republic of Ireland fans watch the Euro 2016 match between Republic of Ireland and Belgium at The Living Room bar in Dublin City Centre. PRESS ASSOCIATION Photo. Picture date: Saturday June 18, 2016. See PA story SPORT Euro 2016 Dublin. Photo credit should read: Brian Lawless/PA Wire

Hoje, a parcela do público que ainda acredita no surrado mote “O esporte que mais cresce no país” acordou com uma bomba, isto é, se leu o artigo sobre o fim da transmissão da Champions Cup na ESPN.

Sério, o que vocês esperam? Se não dá audiência, não dá dinheiro, perde espaço.

Acredito que a grande variedade de jogos que vimos no passado, com transmissão regular de jogos da Premiership e Champions Cup tenha sido um teste de mercado, uma aposta da emissora para ver se havia potencial para mais conteúdo, um teste em que falhamos miseravelmente.

Isso é reflexo do tamanho do mercado do Rugby no Brasil, que é minúsculo ainda e não consome nada perto do público do futebol, futebol americano e os emergentes e-sports (o fenômeno não é novo, mas o aumento de espaço na TV sim). Todos públicos igualmente qualificados e de alto poder aquisitivo.

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No Portal do Rugby, vemos uma dinâmica semelhante à da ESPN. Artigos envolvendo clubes tem apelo mais localizado, enquanto artigos sobre seleções alcançam uma audiência muito maior, algo esperado, mas enquanto para nós o custo de produzir um artigo de campeonato X, Y ou Z é baixo, para a emissora isso envolve custos de transmissão, contratos de licenciamento, uma equipe enorme e muito mais. É natural que vá para a plataforma online, onde o custo é diluído para todas as subsidiárias da ESPN pelo mundo e o conteúdo acessível a todos. Agora talvez nem isso.

E não há muito o que fazer a não ser seguir trabalhando para o esporte crescer no país. Crescer a base ao invés de crescer o topo da pirâmide.

Por quê?

Nem vou entrar na questão que a categoria de base é vital para um clube existir no longo prazo.

Mais que isso, ela é também um consumidor em potencial no futuro, que vai se comprar camisas, ir ao estádio e assistir jogos, e vai levar essa cultura adiante. Uma hora a demanda vai chegar até a TV.

Se não conseguimos nem convencer ex-jogadores a assistir jogos do seu clube ou levar mais que 2% da base de “fãs” do clube nas redes sociais, temos problemas maiores para resolver.

Mas não transmitir All Blacks e Springboks ao vivo (que aconteceu no primeiro dos jogos entre os dois times neste ano) foi vacilo.

3 COMENTÁRIOS

  1. Concordo! Sensacional!

    Demorou para a CBRu pensar num esquema tipo o que a Federação Paranaense de Futebol fez, transmitindo pela internet, facebook, youtube, sei lá! Com uma equipe reduzida e planejamento dos pontos de filmagem feito com calma, é possível! O problema é ficar esperando uma empresa se interessar pelo “produto”… Esporte não é “produto”, pessoal! Fortalecer a base (concordo plenamente) é fortalecer o esporte (acesso, difusão-comunicação, constância dos campeonatos) e não fortalecer a “oportunidade de negócio”.

    Tem que aparecer muito e de maneira mais livre e buscar outras formas de financiamento.

    Rugby não vai dar a grana que o futebol deu e dá, porque não depende do esquema promíscuo do futebol (emissoras-clubes-federações) para ser difundido (ainda bem!). E não depende ainda dos esquemas corrompidos de produção de atletas (ainda bem!). Mas tenho certeza que tá todo mundo com boas idéias e não vamos repetir as besteiras do futebol… Abraço

  2. Concordo em partes com o exposto. Só não consigo entender as “muitas” horas de transmissão de beisebol, hóquei, além de surfe e golfe. Como já escrevi anteriormente, ou são muito baratos os direitos de transmissão desses esportes ou alguma outra coisa.

    Outra coisa é realmente pensar em uma alternativa para a transmissão/difusão dos torneios nacionais.

    Enfim, só nos resta esperar.

  3. Poxa! Muito bem exposto, mas como o Marcelo disse, tenho dificuldades de compreender outros esportes, como o Beisebol (certamente menos praticado que o rugby) ter espaço. Ou deve ser barato mesmo, ou estratégia de disseminação de cultura.

    Quanto trabalho na base, que sem dúvida, é o campo mais concreto para se conseguir a solidez, penso e pergunto: quais seriam as melhores adaptações que deveríamos ter? Não é possível mudar regras do Rugby (sob risco de descaracterização), então como tornar mais atraente, mais adaptável á nossa cultura?
    É possível criar um modo diferente de jogarmos? Explorar mais jogadas com os pés? Jogadas ensaiadas?
    Não sei se vou ser fuzilado, mas prefiro ser transparente e falar o que penso. Às vezes um jogo fica muito repetitivo, truncado, parado. Será que adotarmos táticas mais combativas e criativas daria mais espaço entre nós, e até mesmo a desenvolvermos nosso jeito brasileiro? Vide o que o BJJ.

    Abraços