Dois problemas graves vem saltando aos olhos ao longo de 2018 e têm efeito direto no futuro disciplinar do rugby brasileiro.

O primeiro e mais grave são os quase 9 meses já que as Leis do Rugby não estão mais disponíveis em português. E isso é terrível.

As Leis do Rugby sofreram uma remodelação profunda no texto em inglês, que foi reformatado para ser mais fácil de ser lido. Porém, a reformatação não foi ainda feita para o português, com a versão antiga saindo do ar – todos já devem ter percebido que ela não está mais em laws.worldrugby.org.

O trabalho está sem previsão certa para ser terminado pela CBRu, como apuramos. Mas certamente merecia o investimento financeiro (que não seria elevado) para que fosse terminado o quanto antes, com tradução profissional (para evitar os erros de português que a versão anterior continha), revisão de uma comissão de arbitragem e discussão crítica sobre os termos a serem “aportuguesados” de acordo com a norma gramatical da nossa língua (para facilitar a compreensão da maioria dos brasileiros que não leem ou leem mal em inglês). E era pra ontem!

- Continua depois da publicidade -

A gravidade da ausência ao longo de todo ano de 2018 das Leis do Rugby em português é óbvia:

  • A maioria dos brasileiros não lê inglês ou lê mas com deficiência, não compreendendo tudo. Portanto, isso impacta praticantes atuais e praticantes futuros;
  • Se o jogador não entende 100% do que está escrito, ele pode cometer erros em campo;
  • Mais grave: se o jogador não entende 100% do que está escrito, ele não faz os exames corretamente. Ele cola!

É claro que já sabemos que sempre teve muito atleta que não sabe as Leis do Rugby direito e também não se importa em fazer os exames de leis corretamente, copiando de algum colega. Pior que isso, tem muito clube que faz pelo jogador o exame ou passa a cola para todos os jogadores. Isso não vai acabar porque as leis estão em português (porque nunca acabou). Mas sem as leis em português a desculpa está pronta!

É também verdade que o documento das Leis do Rugby de 2016 segue no site da CBRu (na seção “Regulamento”, que precisava ter um nome mais claro, como “Leis do Rugby”, e um local de melhor destaque), mas a ausência do documento no site do World Rugby precisava ter sido esclarecido pela entidade, com o comunidade relembrando que as leis existem ainda no site, na versão antiga, e que uma nova versão sairá em um prazo a ser esclarecido publicamente.

Essa falta de cuidado no trato com a comunidade se soma ao fato de não serem publicadas em português – para a comunidade do rugby brasileiro ler – as leis experimentais em vigor. Todo ano algo muda e nunca é publicado. Em português, essas informações ficam públicas apenas (modéstia à parte) porque o Portal do Rugby as publica.

 

Cadê as resoluções do Tribunal de Justiça Desportiva?

Em seu site, a CBRu conta com uma seção dedicada ao STJD (clique aqui). Porém, a última atualização foi referente a um jogo de agosto de 2017. Tudo bem, as competições nacionais são apenas no segundo semestre de cada ano. Mas, quando essa seção foi criada, ela surgiu em um momento que a crítica era justamente essa: as decisões do STJD não eram publicadas em espaço aberto nenhum.  Você lembra deste artigo nosso de setembro do ano passado? Clique aqui.

Em setembro de 2017, nós apontávamos que não havia nenhuma decisão do STJD disponível para acesso público. Portanto, se o último documento disponível é de um julgamento de agosto do ano passado, todos os documentos que lá estão foram publicados quando já não eram de interesse geral (foram publicados com atraso).

Interesse geral? Sim. Se nós queremos que nosso campeonato nacional seja bom, atraente para mais pessoas (além de jogadores e familiares) serem atraídos por ele, nós temos que ter uma cobertura séria da competição – e isso inclui saber o quanto antes quem está suspenso, por quantos jogos e por qual motivo!

Estamos muitos passos atrás do desejável em coisas tão simples…