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O rugby europeu começou 2014 falando no dinheiro das copas europeias e terminou falando no dinheiro das ligas nacionais. Pois é, o assunto do momento no Velho Continente é o teto salarial das ligas nacionais. Depois do Toulon se manifestar repetidas vezes em oposição ao teto salarial no Top 14 francês, agora foi a vez do Saracens clamar pelo fim do instrumento de controle na Premiership inglesa.

Edward Griffiths, CEO do Saracens, declarou que o clube levará à reunião de stakeholders (sócios) da Premiership a proposta de por fim ao teto salarial da liga, que hoje impõe limite de 5 milhões de libras de folha salarial aos clubes ingleses (e que aumentará para 5,5 milhões na próxima temporada, com os clubes podendo ainda selecionar dois atletas para ficarem de fora da cota do teto salarial). Alarmado com as últimas contratações do rugby francês (Dan Carter, que irá para o Racing Métro, e Ashley-Cooper, de malas prontas para o Bordeaux), Griffiths argumenta que o poder econômico dos clubes franceses, que têm teto salarial maior que os ingleses, pode levar ao êxodo dos grandes talentos do rugby inglês para o país vizinho.

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Para a proposta do Saracens ser aceita, 75% dos sócios da Premiership devem aprovar a proposta. A Premiership conta com 15 stakeholders, os 12 clubes que atualmente participam da liga e 3 equipes que hoje estão na segunda divisão, mas figuraram na elite recentemente, Worcester, Bristol e Yorkshire (ex-Leeds).

Os defensores do teto salarial argumentam que a medida impede que se criem grandes discrepâncias entre os clubes, como ocorre com as ligas de futebol, onde o desnível econômico favorece a criação de um grupo de clubes ricos muito acima dos demais. Além disso, o teto salarial também impede que indivíduos ricos se tornem mecenas e desequilibrem a balança econômica da liga, como os casos do Chelsea e do Manchester City no futebol mostram.

A medida deverá ter oposição de equipes como Harlequins Leicester, Gloucester e Northampton, que, apesar de terem lucros a cada ano, temem entrar no vermelho caso sejam obrigados a aumentar seus gastos com atletas para seguirem competindo no topo da liga, uma vez que seus modelos de negócios se baseiam em patrocinadores e torcedores, ao contrário de clubes como Saracens, Bath e Bristol, que contam com donos ricos dispostos a aumentar seus gastos se possível. Para equipes como London Irish, Newcastle Falcons e London Welsh, que vem tendo mais perdas que ganhos, o fim do teto salarial poderia ser desastroso.

Fonte: Guardian