Charrua estreia na Taça Tupi com vitória sobre Serra em dérbi gaúcho

Em um dia ensolarado na capital gaúcha, Charrua e Serra se enfrentaram pela terceira vez no ano e, assim como no último encontro, a vitória foi dos índios. No primeiro turno do campeonato estadual, a equipe azul e vermelha havia tropeçado e sido derrotada em casa para os caxienses, ao passo que, no segundo, a situação se inverteu, com o Serra cedendo uma vitória em sua casa numa partida que serviu de afirmação para o Charrua, colocando-os na vice-liderança da tabela do estadual. Agora, pela Taça Tupi, triunfo porto-alegrense por 15 x 10, suado, impondo a segunda derrota na competição para o Serra, vice-campeão da edição do ano passado. Ótima estreia do Charrua com seu novo uniforme.

 

As duas equipes foram a campo nessa tarde de sábado com alguns desfalques. O Serra sem um dos seus principais articuladores, o abertura Jonatan Streb, o Juca, sem os tackles do terceira linha argentino, Angelo Marcucci, e sem um dos seus pilares titulares, o também argentino Francisco Paternoste. Já do lado Charrua, os problemas eram em sua primeira-linha, sem os pilares Anderson Muller e Telmo Mota “Gudão”, de fora por lesão. Apesar de tudo e conforme esperado, a tônica da partida foi o equilíbrio. As duas equipes entraram em campo decididas a vencer de qualquer maneira e o embate físico foi intenso ao longo de toda a partida, com o placar saindo do zero somente com o relógio próximo da metade do primeiro tempo.

 

A equipe da serra começou tentando impor o seu forte jogo aberto, com destaque para a dupla Mauro Lopez e Lucas Carrizo, sempre criando situações de perigo, mas encontrando uma defesa charrua intransponível, que tackleava de forma muito dura e devolvia os chutes que recebia com o fullback Guilherme Dalpizzolo, o Xuxa, fazendo a bola quicar dentro de campo e sair, colocando a equipe visitante de volta à sua defesa, assim conseguindo segurar o ímpeto inicial do clube da serra, que tem por característica começar as suas partidas de forma muito intensa, normalmente abrindo o placar antes dos 20 minutos de jogo.

Passados os primeiros 15 minutos, o Charrua conseguiu dominar as ações e, apesar de disputas muito parelhas, levava alguma vantagem nas formações de scrum e garantia todas as suas bolas nos laterais, com o seu pack de forwards em grande dia, e, dessa forma, aos 18’, através de um pick and go dentro da linha de 5m da defesa serrana, o Charrua conseguiu o primeiro dos seus dois tries com o segunda-linha Diego Pietrobon, o Banana, convertido pelo abertura Filipe Aguiar, o Cata. O duelo seguiu assim por quase toda a segunda metade do primeiro tempo, com os índios controlando as ações da partida, porém, pouco antes do intervalo, a equipe mandante cedeu um penal em frente aos paus e os visitantes converteram com Mauro, aos 39’, fechando o primeiro tempo em 7 a 3 para o Charrua.
 
Na volta do intervalo pouca coisa mudou. A intensidade dos embates físicos se mantinha, o que tirava suspiros da pequena torcida presente a cada tackle. A equipe caxiense tentava aproveitar as suas oportunidades cobrando free-kicks de forma rápida, mas errava ao tentar fazê-lo longe da marca do árbitro Giancarlo Bristot, que os anulava, dando tempo para a defesa Charrua se reorganizar. Aos 12’ a equipe do Charrua ampliou o placar com um try de Bruno Reginatti, o Alemão, não convertido, em uma saída de scrum pelo lado cego, pegando a defesa serrana de surpresa. Novamente a equipe do Serra reagiu indo para cima e o treinador do Charrua, percebendo certo cansaço na equipe, começou a fazer alterações. Já aos 24’ os índios ampliaram mais uma vez, com a conversão de um penal através dos pés de Cata, deixando o placar em 15 a 3 para o time da casa. A equipe da Serra não deixou por menos e respondeu fazendo alterações que surtiriam efeito quase que de imediato, colocando ainda mais intensidade em seu jogo e indo pra cima de um Charrua já cansado, chegando ao seu único try do jogo, aos 27’, com Hiam Rombaldi, convertido por Mauro, sacramentando o que seria o placar final em 15 a 10.
 
Sentindo o crescimento do Serra e a exaustão de alguns de seus jogadores, o treinador do Charrua, que já havia feito algumas trocas, modificou novamente a equipe, dessa vez em vários setores, o que renovou o fôlego e preparou o grupo para aquele que seria um grande final de partida, com a equipe do Serra controlando as ações e pressionando muito, mas sendo bem defendida com tackles agressivos vindos do lado azul e vermelho. No fim a equipe do Charrua vibrou com o apito final e comemorou com a sua torcida.

No próximo sábado, dia 08 de agosto, pela terceira rodada da fase de grupos, o Charrua receberá o seu rival San Diego para disputar o terceiro clássico SanCha da temporada, em Porto Alegre, esse que provavelmente definirá o primeiro colocado do grupo. Enquanto isso a equipe do Serra receberá os catarinenses do BC, em Caxias do Sul, e vai à campo em busca da sua recuperação.

 

Placar final: Charrua (7) 15×10 (3) Serra

 

Charrua

Tries: Diego Pietrobon “Banana” e Bruno Reginatti “Alemão”.

Conversões: Filipe Aguiar “Cata” (1)

Penais: Filipe Aguiar “Cata” (1)

 

Jacareí

Tries: Hiam Rombaldi

Conversões: Mauro Lopez

 

Escrito por Fellipe Aguilar

Foto: Raphael Seabra/ Fotojump

 

Clube Cidade (Estado) Pts J V E D 4+ 7- PP PC
Grupo A
Wallys Louveira (SP) 24 6 5 0 1 4 0 206 69
Rio Branco São Paulo (SP) 24 6 5 0 1 4 0 258 59
Maringá Hawks Maringá (PR) 11 6 2 0 4 3 0 159 251
Pé Vermelho Londrina (PR) 1 6 0 0 6 0 1 50 295
Grupo B
Niterói Niterói (RJ) 30 6 6 0 0 6 0 273 84
Poli São Paulo (SP) 21 6 4 0 2 4 1 194 118
BH Rugby Belo Horizonte (MG) 11 6 2 0 4 3 0 142 203
Guanabara Rio de Janeiro (RJ) 0 6 0 0 6 0 0 47 251
Grupo C
San Diego Porto Alegre (RS) 28 6 6 0 0 4 0 218 47
Serra Caxias do Sul (RS) 17 6 3 0 3 3 2 157 137
Charrua Porto Alegre (RS) 15 6 3 0 3 2 1 170 93
BC Rugby Balneário Camboriú (SC) 0 6 0 0 6 0 0 56 324

Comentários