Crusaders assume a liderança isolada do Super Rugby

ARTIGO COM VÍDEOS – Maior campeão da história do Super Rugby, o Crusaders subiu neste fim de semana para o topo da liga, cada vez mais dominada pelos neozelandeses. As quatro melhores equipes até aqui na temporada são da Nova Zelândia, mas nesta jornada apenas Crusaders e Highlanders entre os times do topo venceram, enquanto Chiefs (derrotado  no clássico pelo Highladers) e Hurricanes (que caiu contra o Sharks, da África do Sul) lamentaram os insucessos.

 

As folgas na rodada ficaram por conta de Jaguares, Stormers, Lions e Rebels.

 

Crusaders nas nuvens

Crusaders em velocidade cruzeiro, com mais uma exibição atacante de gala perante uns Koalas pouco eficazes. Mas o que há mais para dizer do encontro em questão? Vejamos os aspectos técnicos do encontro: ambas conquistaram 382 metros com a oval em seu poder, só que a equipe da casa, os Crusaders, só precisaram de 81 carries para chegar a esse número, enquanto que os visitantes, Reds, precisaram de 130, quase o dobro dos seus adversários. Se os visitantes só conseguiram um try com tanto metro, já os da casa saíram da área de validação “inimiga” com 6 tries debaixo do “braço”. Acima de tudo é impressionante a disparidade em termos de controlo de território/posse de bola, com uns 70% a favor dos australianos, obrigando os cruzados de Christchurch a efetuar 140 tackles… porém, os jogadores de Todd Blackadder, falharam apenas 10 tackles, mostrando uma super muralha defensiva, quase ao estilo dos Highlanders. Esta vitória ditou a ascensão dos Crusaders como a primeira classificada do Super Rugby, à frente dos Chiefs (derrota frente aos Highlanders), embora com uma igualdade pontual (37 pontos). A grande “estrela” da noite foi o ponta Jone Macilai-Tori, o ponta que substitui N. Nadolo no presente encontro (já tinha substituído McNicholl a jornada anterior), somando um belo hat-trick, com tries aos 4’, 7’ e 42’. O segundo foi uma tremenda jogada coletiva, que recomendamos a sua visualização para compreendermos os básicos do rugby do Hemisfério Sul. Sem necessitar de ter a oval em sua posse por muito tempo, os Crusaders chegaram ao terceiro try, aos 33’, para uma tamanha apatia dos Reds que defendiam, no geral, mal.

 

O melhor período de jogo dos Reds foi coroado com um try de Magnay aos 45’, o centro que está a substituir Samu Kerevi (lesão estimada em três semanas)… foi até dos melhores jogadores dos Koalas, com 70 metros conquistados, 4 tackles, 1 turnover naquela que foi a sua estreia pelo Super Rugby com 19 anos. Aos 57’ Read foi expulso temporariamente, e quando todos pensavam que os Reds podiam aproveitar a vantagem, a completar um ligeiro ascendente sobre os Crusaders, foi a equipe da casa a conseguir novo try, agora por Taufua, o asa, que tem um “rasgo” de génio com um finta de passe para atingir a área de validação. Codie Taylor, o surpreendente hooker neozelandês somou novo try à passagem dos 75’, a partir de um bom trabalho no maul dinâmico. Matt Todd pode não ter somado qualquer try ou sem grande conquista de território (20 metros), mas as 18 tackles e 4 turnovers confirmam a uma extraordinária exibição da terceira linha dos cruzados. Os Reds aproveitaram mal as 14 penalidades que tiveram a seu favor, num dia que a falta de ideias no ataque, os knock-ons constantes (10) e má execução do jogo ao pé ditou uma derrota algo pesada.

 

Brumbies se recupera e volta a ser o melhor na Austrália

Uma defesa de “ferro” versus um ataque à maneira australiana… os 422 metros dos Brumbies viram na defesa dos touros 150 tackles, que só erraram o alvo por 8 vezes (um dos melhores registos da temporada). Foi um show de bem atacar e bem defender, que acabou por dar uma vitória por 23-06 para os “cavalos selvagens” de Canberra. Os Bulls tiveram amplas dificuldades para fazer circular a bola… explica-se por algumas razões: perdas de bola no contato (8), scrums (2), alinhamentos (1), rucks (6) e knock-ons (5). Apesar da excelente réplica defensiva, os Bulls não conseguiram explorar algumas das debilidades tácticas dos Brumbies, que aguentaram um período inicial complicado para depois passar ao ataque. F. Brummer aos 3 minutos converteu a penalidade de inicio de jogo, abrindo o placard no Estádio GIO. Depois, com Pocock e Fardy a liderar a avançada, os australianos começaram a “arrancar” penalidades atrás de penalidades (no final 14), que Lealiifano, converteu com nota quase máxima (em 6 pontapés conseguiu 5) as oportunidades ganhas.

 

Com um 09-03 a favor dos da casa na primeira parte, a segunda abriu da mesma forma como se iniciou o jogo… com uma penalidade e crescimento dos Bulls, que voltaram a converter uma penalidade para o 09-06. Numa das melhores jogadas do encontro os Brumbies conseguiram o seu primeiro try, que nasceu de um bom alinhamento com Leafiifano a transmitir para uma entrada “monstruosa” de Nigel Ah Wong, para o primeiro try do ponta nesta edição do Super Rugby. Foi uma “machadada” nas aspirações dos touros, que estavam sem grandes ideias para ensaiar boas jogadas ofensivas, que SP Marais bem tentou conseguir qualquer coisa diferente – o segredo dos Brumbies foi “arrumar” com as mãos de Brummer que esteve o jogo todo “amarrado” e sem a possibilidade de fazer o que mais gosta. A terceira linha dos Blues, mesmo assim, ia dando grandes “cartas” na arte de defender, com 27 tackles divididas pelos três em que Pieter Labuschagne foi o “rei”, mais uma vez, com 17 tackles (é a terceira semanas que faz mais de 15 tackles num jogo só). Se o 16-09 chegou aos 44’, o 23-09 chegou pelo gênio criativo de T. Cubelli, o “astro” argentino. A construção ofensiva da jogada começou no meio-campo e depois de uma quebra de linha, uma penalidade seguida rápida pelo próprio Cubelli, os da casa encontraram a linha de try após 6 fases, em que o argentino ao jeito de um avançado, sai disparado com um pick and go para o seu try. A vitória foi merecida para os lados dos da casa, que estão a tentar a chegar ao playoff final.

 

Mais uma derrota japonesa

Ora nem uma semana passou e os Sunwolves perderam aquele “fogo” que lhes garantiu uma vitória frente aos Jaguares… em jogo entre últimos, foi a equipe da Western Force a sair com com os 5 pontos. Uma primeira parte de grande categoria permitiu chegarem a um resultado confortável, que deu-lhes a vitória, mesmo com a reação final dos japoneses. Marcel Brache obteve três tries, para além dos 70 metro conquistados, Kyle Godwin com duas assistências de nível a culminar um jogo muito capaz do primeiro centro australiano e Matt Hodgson ascendeu à liderança dos melhores “tackleadores”, com 145 tackles em 10 jogos, tendo feito mais 20 neste jogo. É de questionar se o asa Wallabie ficará muito mais tempo em Perth ou se quererá ir para outras paragens… bem, como dizíamos uns 40 minutos iniciais de gala, com quatro tries contra 1, deram essa vantagem confortável. Os Sunwolves até começaram bem com um try A. Yamada (tem tudo para chegar a outro patamar) aos 3’, naquela que foi a melhor jogada do Super Rugby esta jornada, onde a velocidade, entrega e capacidade de resposta foi acima da média. Infelizmente, esse ascendente inicial esfumou-se a passado 2 minutos, com Michael Brache a interceptar um passe de Carpenter (é o segundo em duas jornadas) e a sair isolado para a área de validação. Aos 12’, Brache voltou a chegar ao try, aproveitando uma má postura defensiva dos japoneses, em que a linha dos Sunwolves subiu de forma incompleta e com três falhas de tackle, o ponta sul-africano só teve que agradecer aos seus adversários. Mais uma vez, nova falha de tackle por parte da equipe da casa, possibilitou a F. Van Wyk quebrar a linha e com duas fases Brache mergulhou para o seu hat-trick quando o cronômetro batia no minuto 19’.

 

O quarto try, do 26-05, foi quase como uma resposta ao primeiro try dos Sunwolves, que com uma série de passes e offloads chegam à área de validação por B. Stander aos 26’. Foi uma exibição infeliz a nível defensivo dos Sunwolves, no que toca à primeira parte… muitos erros na transmissão de passe ou na profundidade de linha, com Tusi Pisi a poder queixar-se da pouca concentração de alguns dos seus colegas. Aos 51’ Bem McCalman dá a distância quase final do resultado, com o 33-05 a chegar num lance muito fácil e rápido. Entre os 58’ até aos 80’ o jogo foi a favor dos japoneses, que marcaram três tries, que foram insuficientes para contestar a vitória dos australianos de Perth: aos 57’, Tusi Pisi, 69’, Derek Carpenter e 80’ Yamada. Entre os três tries, houve oportunidade para nova chegada à área de validação dos Sunwolves, com W. Force a interceptar mais um passe dos nipónicos, com K. Shigeno a ser surpreendido por Angus Cottrell… são demasiados erros para uma equipe que pode fazer muito melhor, têm as capacidades para tal, falta um discernimento maior, capacidade de decisão eficaz e ter outra postura na hora de placar (muito espaço para os australianos “brincarem” na linha defensiva nipónica). Riann Viljoen e A. Yamada somaram um total de 240 metros conquistados, em que o ponta japonês teve a possibilidade de fazer dois tries. Quem ficará com a “fava” do último lugar do Super Rugby esta temporada?

 

Highlanders triunfa em duelo de titãs

Enquanto uns aspiram em ser campeões, outros demonstraram que o realmente são… os Highlanders deslocaram-se até ao campo dos Chiefs de Waikato, para obterem uma vitória por 26-13, naquele que foi o jogo mais forte da jornada. Vejam que os Chiefs não perdiam desde da segunda jornada (frente aos Lions por 36-32) e uma derrota destas acaba por sair pesada. Jogo altamente táctico e técnico, um encontro recheado de estratégia, em que os pormenores e detalhes ditaram o resultado final. Houve um em específico… Naholo, o fortíssimo ponta dos All Blacks, deu aquele espetáculo que fazia falta à sua temporada. Os primeiros 40 minutos tiveram uma intensidade profunda, com Cruden e Sopoaga a trocarem pontapés, para um 06-03 a favor dos visitantes. Aos 29’, a equipe dos Highlanders recuperou a bola no seu meio-campo e com uma série de boas combinações ofensivas, viu Dan Lienert-Brown, o pilar, a dar uma de ponta a quebrar a linha e a se atirar para dentro da área de validação. Os Chiefs estavam a encontrar vários problemas para chegar ao último terço do terreno em condições, uma vez que a defesa dos visitantes voltou a estar em forma (não tanto como de costume) e ia repelindo as tentaivas de Cruden, McKenzie ou Ngatai de penetrarem na linha de defesa… ora, foi o centro neozelandês a fazer uma asneira total, quando aos 39’ recebe cartão amarelo por tackle perigosa (sem intenção de magoar). Esta ausência do centro pesou no equilíbrio defensivo/ofensivo dos Chiefs, que concederam mais espaços que o costume, algo que os Highlanders, como bons campeões em título, souberam aproveitar. Os Smith tiveram responsabilidade no segundo try da sua equipe, uma vez que Ben Smith soube encontrar espaço para furar a linha e depois Aaron Smith impôs aquela velocidade de passe, chegando às mãos de Naholo para o 18-03.

 

Em jogos deste nível, um resultado nestes a esta altura quase que significa vitória. Ngatai reentrou e a estabilidade veio com o centro, entrando com uma “fome” por demonstrar que podia redimir-se daquele pequeno erro… aos 51’, uma incrível jogada de mãos entre as linhas atrasadas dos da casa, Ngatai aproveita para fazer um passe a velocidade flash e Aaron Cruden correu para o salto final na área de validação Highlander! Jogo relançado? Sim, quase, não fossem as 4 penalidades que cometeram a seguir e sempre bem geridas pelos Highlanders. Quando dão oportunidade aos jogadores de Jamie Joseph de gerir o pace e a oval, o jogo dá um passo enorme para a vitória dos Highlanders… e o terceiro try confirmou isso mesmo. Com 6 fases de conquista, Fekitoa prende dois adversários e realiza uma enorme passe para Naholo para o 26-08 a vinte minutos do apito final. Quando os Chiefs começaram a unir-se e a crescerem no encontro, novo amarelo para um dos seus jogadores estragou a possibilidade de reviravolta ou pelo menos de ter um ponto de bônus defensivo, com M. Vaipulu aos 68’ por sucessão de faltas anti-desportivas. Aos 79’ ainda foram à área de try com Sam Vaka a ter a possibilidade de fazer o seu primeiro try esta temporada. Os “gulosos” do tackle foram Sam Cane, com 13, nos Chiefs e Dan Pryor, com 15, dos Highlanders. Os Smith continuam a ser a gasolina e o motor que faz este “carro” dos Highlanders andar a uma grande velocidade… vão para o bi-campeonato?

 

Waratahs segue na busca pelo primeiro lugar em seu grupo

Waratahs voltam a crescer, Waratahs voltam a ganhar… mas bastará? A jogar em casa frente aos Cheetahs, uma exibição impecável a defender e altamente eficaz a atacar ditou a vitória da formação de Sydney. Jogo com partes diferentes, com a primeira a ter tries e pontos, e a segunda a ter defesas “armadas até aos dentes” com boas tackles mas sem a frescura mental para chegar à área de validação. Bernard Foley realizou uma boa prestação, ajudando os seus colegas a chegar a esta importante vitória que os coloca na perseguição ao primeiro lugar de melhor formação australiana. O primeiro try veio aos 27’ por Reece Robinson, quando tínhamos um 06-03 a favor dos tahs’, que até aí viram as chitas a cometer vários knock-ons e possibilitaram a recuperação em momentos cruciais da equipe da casa. Bem o primeiro try chegou ao tal minuto 27’, que após uma scrum, com Nick Phipps a jogar diretamente do chão para B. Foley e o médio de abertura transmite a Robinson, que um segundo antes de ser posto fora toca a bola na área de try. Com 11-06 aos 36’ e as Cheetahs a procurar chegar ao seu try, foi uma boa ação ofensiva dos Waratahs a dar o segundo try e a calma necessária para garantirem a vitória… ruck, Phipps joga para o nº10 e Foley vê o espaço no “buraco” e galga para a linha de try, para o 18-06.

 

Depois na segunda metade do jogo, houve só uma penalidade para o lado tahs’ que Foley converteu e deu o 21-06, sem mais qualquer mudança no resultado. Uma exibição intensa de Phipps e Foley permitiu terem uma base para terem a vitória final, mas há que fazer justiça a Kurtley Beale que voltou a realizar um jogo de nível, entre metros conquistados (51), carries (12) e tackles (6). As Cheetahs não tiveram um dia particularmente feliz e sem o Petersen do costume (o ponta esteve muito longe das decisões de jogo), pouco fizeram para chegar a outro resultado.

 

Sharks derrubam Hurricanes

Sharks, a equipe que vive em dois mundos diferentes… ora uma semana perdem com últimos classificados (Blues), ora voltam ao passado gloriosos e derrotam as melhores equipes do Super Rugby (Highlanders). Com uns esclarecedores 32-15, a equipe Durban foi trabalhando bem nas fases estáticas, frustrando os Hurricanes que perderam 4 alinhamentos em 13, para além de terem cometido um bom par de de knock-ons (9), algo nada normal na equipe de Chris Boyd. O mais estranho, do jogo dos Canes’, foram as várias penalidades cometidas (13) e erros acumulados que destruíram, por completo, a possibilidade dos furacões realizarem aquele tipo de razia que gostam de fazer.

 

A troca de James Marshall por James Woodward ainda pode dar uma ajuda à quebra de jogo, no que toca a ensaiar jogadas de ataque ou a ligação entre linha defensiva e trio de trás, mas seria uma mentira justificarmos a derrota por esse ponto… os Hurricanes tiveram sempre dificuldades em superar a defesa dos tubarões, que em 140 “dentadas” só erraram o furacão por 14 vezes! Em suma, uma defesa de nível, um ataque à moda da África do Sul e uma capacidade de gerir o jogo grande. Já tínhamos avisado para outro fato em relação aos Sharks, a incrível dupla de Esterhuizen e Jordaan, que completaram 25 tackles (4 falhadas) e 5 turnovers, para além de terem avançado vários metros no terreno (120 no total) com 20 carries em seu poder. Uma dupla que demonstra um entrosamento perfeito e que pode ser uma das valências dos tubarões no rumo ao playoff. Os seus homónimos dos Hurricanes, tiveram um jogo muito abaixo do normal, com V. Aso a falhar seis tackles das 8 que tentou acertar e os metros que percorreram foram poucos e sem grande destaque no encontro. Da equipe visitante tiramos a exibição de Ardie Savea (16 tackles, 1 turnover, 10 carriers e 18 metros) que vai galgando na direção de ganhar o jogador revelação desta temporada. Como aconteceu com Brummer dos Bulls, Barrett foi bem anulado pela atitude e estratégia defensiva dos Sharks, que pouco espaço  deram ao médio de abertura neozelandês.

 

Em relação ao encontro, o primeiro try pertenceu aos visitantes, que após 7 fases, Marshall faz um passe para dentro que surge Reg Goodes a carimbar o try. Por volta do minuto 40’, com os Hurricanes atirados para encima da sua linha de área de validação, os Sharks entraram no jogo da paciência com várias fases de jogo, para depois num belo passe de W. Le Roux que caiu nas mãos de JP Pietersen, com o Springbok a cavar o try do empate. 08-08 nos primeiros 40’, depois foi a altura em que os canes’ caíram na baía dos Tubarões. Um erro ofensivo da equipe visitante, por Brad Shields, resultou em bola no chão e um JP Pietersen a todo o vapor a pontapear a bola até à área de validação, captando-a e metendo a mesma lá dentro. Antes que fosse possível os seus adversários ressurgirem no encontro, os Sharks enviaram a bola ao pontapé para dentro da área de try e Marshall sem escolha alguma, caiu para a scrum a cinco metros… uma penalidade na mesma, seguida rápida por Claasens, nº9, deu direito a try ao formação colocando na frente por 22-08. Nova penalidade, que April converte, mais pressão, mais erros e os Sharks a colher todos estes “frutos”, que voltaram ao try por Daniel du Preez após nova scrum na linha de 5 metros final dos Hurricanes (desastre nos 8 contra 8) aos 69’. A sete minutos do apito final, os Hurricanes conseguiram fazer o seu segundo try, por J. Marshall, o defesa a ganhar bem a bola e a penetrar na linha para o 32-15. Os Sharks em três semanas ganharam aos dois finalistas do ano passado do Super Rugby… algum presságio aqui?

 

Blues confirmam favoritismo contra os Kings

Belo jogo que tivemos em casa dos Southern Kings, no Nelson Mandela Bay, com 7 tries, numa vitória que sorriu aos Blues que não tiveram os fantásticos irmãos Ioane a jogar, uma vez que já se encontram com a equipe de 7’s da Nova Zelândia. Os Kings chegaram a estar por duas vezes à frente do resultado, primeiro com uma penalidade (Watts) e depois o try de resposta dos Blues, por James Hall aos 13’. O segundo try dos Blues aconteceu a partir de um belo alinhamento, com o nº14 Melani Nanai a encontrar o espaço necessário para dar nova cambalhota no resultado. Nem passados quatro minutos, Nanai volta a ter novo espaço e com um bom chega para lá, segue isolado para a área de validação para o 19-10, com muito jogo pela frente. Os Kings nem estavam a realizar uma exibição fraca, pelo contrário, demonstraram boa coesão ofensiva, só que no último terço do terreno, as más opções (alguns pontapés em exagero), a falta de velocidade no primeiro choque e a boa réplica dos comandados de Tana Umaga impediram qualquer try até ao final da primeira parte, em que tínhamos 22-10 no score.

 

Uma boa reação dos sul-africanos logo nos quinze minutos iniciais da segunda parte, trouxe 8 pontos para os da casa, com um try de Marutulle após uma scrum bem aguentada pelos Kings. 22-18, o jogo podia ir para qualquer um dos lados, entre tackles e intercepções, entre turnovers e knock-ons, os Kings queriam impedir nova vitória dos Blues, que seria a terceira consecutiva, algo que não atingiam desde 2011, ou seja, cinco anos sem ter esse sabor no clube (foi também a última grande época dos Blues). Quando entrávamos para os últimos dez minutos de jogo, os Kings tiveram uma scrum nos seus cinco metros, que parecia controlado… só que Steven Luatua, o nº8, consegue forçar os seus 7 avançados, e a bola volta a parar aos seus pés, o que permitiu Billy Guiton (um dos melhores suplentes do Super Rugby) tirar a bola e entrar pela a área de try a dentro. Depois ninguém queria meter a bola fora, os Kings acreditavam no ponto de bônus defensivo (relembro que é igual ou menos de 7 pontos) e os Blues queriam ir ao try do ponto de bônus ofensivo… e foram os Blues a chegar a esse objetivo já para lá dos 80, mais precisamente aos 84’. Guiton foi o criador da jogada, com um passe fenomenal por detrás das costas que Tevita Li aproveitou para fazer o 34-18.

 

Comecemos pelo fim, Guiton… um jogador que quando entra faz o jogo rodar à sua maneira, é um médio de formação de uma classe total, apesar de ser mais pesado comparativamente com Aaron Smith ou Nick Phipps, não deixando de ter um ritmo de jogo muito acima da média. Com 26 anos, esta poderá ser a época de afirmação do melhor suplente do Super Rugby? E realmente o que valem estes Blues? Cinco vitórias e um empate, para três derrotas, um registo incrível observando o plantel dos Blues que está sem Gibson, Lam e mais uns quantos, para além das ausências dos Ioane por duas semanas. Steven Luatua foi dos avançados que trabalhou melhor com a bola nas mãos (60 metros), reservando o papel de “tackleador” do jogo a J. Kaino, o capitão com 14 tackles e 1 turnover. Do lado dos Kings, queremos destacar a prestação de três jogadores: CJ Velleman, Shane Gates e Chris Cloete. O primeiro e segundo, colegas da terceira linha, somaram 35 tackles e 5 turnovers, para além de ter feito um esforço brutal com a bolas nas mãos (o nº8 tem estado numa forma impressionante). Já o primeiro centro teve um belo jogo, daqueles de recordar… não fosse a derrota final.

 

Griquas no topo da Currie Cup

No Campeonato Sul-Africano, cuja fase preliminar corre em paralelo com o Super Rugby, a liderança segue nas mãos do Griquas, único invicto até aqui na competição. Na quinta rodada, o Griquas bateu o Border Bulldogs por 21 x 12 e se manteve no topo. Por outro lado, o único time que ainda não venceu nenhum jogo – e não somou nenhum ponto – é o Welwitschias, representante da Namíbia na Currie Cup, que dessa vez perdeu por 47 x 7 para o Mpumalanga Pumas.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Crusaders 38 x 05 Reds

Brumbies 23 x 06 Bulls

Sunwolves 22 x 40 Force

Chiefs 13 x 26 Highlanders

Waratahs 21 x 06 Cheetahs

Sharks 32 x 15 Hurricanes

Kings 18 x 34 Blues

 

EquipeConferência*PaísCidadeJogosPontos
Grupo Australásia
HurricanesNeozelandesaNova ZelândiaWellington1553
HighlandersNeozelandesaNova ZelândiaDunedin1552
ChiefsNeozelandesaNova ZelândiaHamilton1551
CrusadersNeozelandesaNova ZelândiaChristchurch1550
BrumbiesAustralianaAustráliaCanberra1543
WaratahsAustralianaAustráliaSydney1540
BluesNeozelandesaNova ZelândiaAuckland1539
RebelsAustralianaAustráliaMelbourne1531
RedsAustralianaAustráliaBrisbane1517
ForceAustralianaAustráliaPerth1513
Grupo África do Sul
LionsÁfrica 2África do SulJoanesburgo1552
StormersÁfrica 1África do SulCidade do Cabo1551
SharksÁfrica 2África do SulDurban1543
BullsÁfrica 1África do SulPretória1542
JaguaresÁfrica 2ArgentinaBuenos Aires1522
CheetahsÁfrica 1África do SulBloemfontein1521
KingsÁfrica 2África do SulPorto Elizabeth1509
SunwolvesÁfrica 1JapãoTóquio1509

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Griffons 30 x 14 Eagles

Kings 19 x 14 Blue Bulls

Leopards 31 x 43 Cavaliers

Griquas 21 x 12 Bulldogs

Pumas 47 x 07 Welwitschias

Golden Lions 15 x 29 Cheetahs

Sharks 24 x 16 Western Province

 

EquipesCidade principalFiliação no Super RugbyJogosPontos
Western Province*Cidade do CaboStormers1461
GriquasKimberleyCheetahs1456
Boland CavaliersWellingtonStormers1454
Mpumalanga PumasNelspruitLions1451
Golden Lions*JoanesburgoLions1447
Free State Cheetahs*BloemfonteinCheetahs1444
Blue Bulls*PretóriaBulls1438
LeopardsPotchefstroomSharks1437
GriffonsWelkomCheetahs1436
Natal Sharks*DurbanSharks1433
SWD EaglesGeorgeKings1430
FalconsKempton ParkBulls1430
Border BulldogsEast LondonBulls1426
Eastern Province Kings*Porto ElizabethKings1413
WelwitchiasWindhoek (Namíbia)1401
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

Foto: Crusaders x Rebels – SuperRugby.com

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