Jaguares voltam a perder em casa no Super Rugby

ARTIGO COM VÍDEOS – A Nova Zelândia domina absoluta o Super Rugby. Nada menos que três franquias do país contam com a melhor campanha do torneio, todas empatadas em número de pontos: Crusaders, Chiefs e Highlanders, enquanto o quarto melhor do neozelandês, o Hurricanes, soma somente 1 ponto a menos que os três rivais. Neste fim de semana, o Chiefs folgou, enquanto Highlanders e Crusaders fizeram clássico da Ilha do Sul, que terminou com vitória dos atuais campeões da liga. Já os Hurricanes também fizeram sua parte e derrotaram o Reds. O único neozelandês que não se deu bem na rodada foi o Blues, superado pelo Lions, agora melhor time da África do Sul.

 

O Lions se deu bem pelo empate do então melhor sul-africano, o Stormers, diante do Sunwolves em Singapura, enquanto o Bulls foi derrotado pelo Waratahs, melhor time australiano do momento. Quem se complicou na zona africana foi o Jaguares, da Argentina, que caiu em casa diante do Sharks e ainda viu o Cheetahs encostar na classificação com vitória sobre o Kings. Já na Austrália, quem está na cola do Waratahs é o Brumbies, após vencer em Melbourne o Rebels. O Western Force, por sua vez, recebeu folga na rodada.

 

Highlanders triunfa no clássico da Ilha do Sul

O jogo grande da 12ª segunda jornada, foi realmente o grande jogo que se esperava. Highlanders versus Crusaders, a mais temível defesa contra o ataque mais agressivo (e hábil, são os Reis do Offload com 154 offloads e mais 44 tries), duas formações neozelandesas, o lugar de domínio no Super Rugby em discussão. Para os campeões em título, mais uma vez, a sua super defesa provou-se letal e garantiu uma base sólida para garantirem 5 pontos de vitórias (ponto de bônus ofensivo) frente a um dos seus rivais… 34-26, um jogo rico em rugby positivo, com uma disputa tremenda entre Ben Smith e Israel Dagg, o presente e o passado (será realmente só o passado?) da posição de defesa dos All Blacks.

 

No final, pareceu-nos que Smith esteve melhor, com uma gestão de passe e organização de jogo brutal, tendo sido importante para 4 dos 5 tries da sua time. No entanto, Dagg esteve irrepreensível no seu trabalho defensivo (podia ter comunicado mais no primeiro e terceiro try dos Highlanders) e no ataque somou o segundo try dos seus cruzados numa altura em que já perdiam por 34-19, com o relógio a bater nos 80’. Novamente foi a time que menos posse de bola teve, que arrancou a vitória, provando que saber atacar não significa terá bola sempre em seu poder (o Super Rugby lançou um artigo a falar exatamente nisto podem ver no site oficial da competição), mas sim, sempre que a oval pára nas mãos é obrigatório ir até ao meio-campo adversário e “sacar” o máximo de pontos possível. Nisto a velocidade de jogo e execução de Aaron Smith é a “engrenagem” mais importante de todo um sistema de jogo bem montado e delineado, que foi bem correspondido pelos seus colegas, a começar em Matt Fades, Ben Smith, Waisake Naholo e, curiosamente, Dan Pryor. Com um jogo bem calculado, bem montado e bem rotinado, os Highlanders voltaram às vitórias… apesar, de terem começado a perder por 09-03, com pontapés de Mo’Unga a responder ao chuto inicial de Sopoaga. À passagem dos 21’, Naholo recebe uma bola de Sopoaga, que fez um crosskick de excelência, bem captado pelo ponta; Mo’Unga ainda voltou a converter nova penalidade (os Highlanders têm de voltar aos primeiros jogos, em que o número de penalidades era baixo…12 neste jogo, perigoso), mas um erro de tackles de Macilai-Tori, abriu o espaço necessário para Matt Fades seguir sem oposição até à área de validação, isto aos 29’.

 

Naholo e Fades voltaram a ir ao try, aos 36’ e 51’, com os Crusaders a terem amplas dificuldades em fazer jogar ou encontrar uma quebra de linha para explorar o terreno dos da casa. Wheeler, dos Highlanders, levou um amarelo por tackles só com o ombro, e os Crusaders lá conquistaram o seu try por JordanTaufua. Mas nem com este “tónico” conseguiu virar o jogo, pois logo de seguida, Liam Squire dá a machadada final com novo try, que nasceu das mãos dos Smith’s e assistido finalmente por Walden, aos 70’. Game Over, e nem o belo try de Israel Dagg (que offload de KieranRead) valeu de nada, uma vez que nem o ponto de bônus defensivo conseguiram obter. EllitonDixon sai como o tackler da tarde, com 15 e mais 2 turnovers, mas o trabalho de Fekitoa (em 9 tackles, conseguiu que duas terminassem em knock on dos seus adversários) e Naholo (7 tackles e 2 turnovers) foram essenciais para manter a formidável defesa dos campeões do Hemisfério Sul. Do outro lado, Dagg, Read e Mo’unga foram os melhores… as opções por D. Havili e K. Fonotia como dupla de centros foi, no mínimo, errada, uma vez que Drummond e Crotty estavam estáveis e a jogar bem. A ausência de Nadolo também pesou, e muito, uma vez que o ponta fijiano é mesmo um dos “pilares” dos Crusaders… sem ele, o espectáculo fica a metade do seu potencial.

 

Brumbies bate Rebels em dérbi aussie

Segundo dérbi da semana, com Rebels de Melbourne a receberem os Brumbies de Canberra, na luta pelo poder na conferência australiana. A jogar em casa os rebeldes realizaram uns bons vinte minutos iniciais, e depois perderam o controlo do jogo a partir dos 25’, com a formação de Fardy, Pocock, Sio, Moore e Lealiifano a realizarem um jogo bem interessante, mexido e emotivo. Duas boas defesas (um total de 223 tackles, com 124 para os Rebels e 99 para os Brumbies) que acabaram por se desafiar no que toca aos 15 metros finais. A time de Larkham conquistou uma importante vitória, muito devido à eficácia nos lances capitais do jogo, com a sua avançada a dominar e a caminhar no sentido da área de try. C. Lealiifano foi dos melhores em campo, com um controlo de bola de louvar, nota máxima na organização e lançamento de jogo e jogadas e, cada vez mais, uma figura importante no seio dos “cavalos selvagens”. Ter Pocock e Fardy é um extremo luxo, já que o asas dos Wallabies conquistaram 20 tackles, 3 turnovers e ainda somaram um try cada. Os Rebels, a jogar em casa, não conseguiram retirar os devidos dividendos quando tiverem por cima do jogo – foi raro mas aconteceu – e entregaram, de certa forma, o jogo aos Brumbies, assim como a liderança na conferência australiana. Cam Crawford abriu o placar aos 9’, mas a resposta dos visitantes chegou logo aos 15’ por Pocock, a dirigir bem uma scrum bem trabalhada e a sair de encontro à área de validação. Mesmo assim, os rebeldes estavam na frente por 10-08, e podiam até ter ampliado a sua vantagem, mas algumas más decisões de Jack Debreczeni e Mike Harrisimpossibilitou tal facto.

 

Como se diz na gíria do futebol, “quem não marca, leva”, foi o que tivemos nos últimos dez minutos da primeira parte: o segunda linha Rory Arnold com uma entrada curta de nível, consegue conquistar o segundo try da sua time (31’) e, poucos minutos depois, C. Lealiifano aproveita uma quebra de linha para chegar aos 20-10 (36’). Reece Hodge entrou a “ferver” na segunda parte (foi sempre um dos melhores Rebels durante todo o encontro) e após umas 7 fases de rucks, entradas curtas e jogadas ensaiadas, o primeiro centro conseguiu mergulhar para dentro da área de validação. Era necessário aguentar agora uma possível pressão do lado dos Brumbies, que iam tentar criar espaços e situações de rotura defensiva a todas as entradas e movimentações que fizessem… apesar das 18 tackles entre o s 45’ e 50’, os da casa consentiram novo try, desta feita por Fardy. Aplicaram uma excelente pressão alta, e forçaram 3 erros dos Brumbies, que no entanto souberam virar esses erros, e ao explorar a subida da generalidade da defesa dos rebeldes, encontraram espaço para o seu quarto try no encontro aos 51’. Até ao gongo final, S. Naivalu (56’), para os Rebels e Ah Wong (70’) para os Brumbies, fizeram os tries finais do encontro. Brumbies saem vivos de Melbourne e com o primeiro lugar bem solidificado. Os Rebels ainda podem chegar lá, mas o calendário começa a estar contra eles… haverá surpresa na conferência australiana?

 

Hurricanes encosta nos líderes

Após o upset da semana passada, os ‘Canes de Wellington voltaram às vitórias com um 29-14 frente aos Reds de Sydney. O futuro dos furacões não está promissor, uma vez que são das piores formações neozelandesas da sua conferência, e se acabasse a fase regular do Super Rugby estavam de fora da fase final dos playoffs. Num jogo que foi possível rodar alguns dos nomes fortes dos da casa (Julian Savea, Cory Jane ou Victor Vito por exemplo), a vitória com ponto de bônus ofensivo não lhes fugiu, apesar da boa réplica dos coalas, que estão a tentar sair de uma das suas fases mais negras dos últimos 5 anos. Domínio total na segunda parte, com a primeira a assistir-se um desafio empolgante que foi “crivado” com try dos Hurricanes aos 13’… e que extraordinário try.

 

Se no jogo dos Highlanders, Sopoaga atirou aquele crosskick para Naholo, Barrett fulmina um pontapé que é uma mistura entre cross kick e up and under, com Goosen a receber e a escapar-se para a linha de try. Manteve-se o maior controlo dos da casa, com boas jogadas ofensiva e uma avançada de categoria, com os rucks determinantes e os avançados, especialmente Goodes e Coles a criar roturas no close contact. Num maul dinâmico mesmo na caída do último segundo da primeira parte, os ‘Canes voltaram a ter mais 7 pontos no seu score, com o try a ser atribuído a Coles. Os Reds nos primeiros 40 podem queixar-se de terem perdido algumas boas oportunidades para chegar ao try… knock on (aos 25’ e 34’ erros crassos), turnovers em momentos importantes e falta de velocidade para penetrar na linha defensiva dos ‘Canes (dominadores nesse aspecto, com 130 tackles para 15 falhadas). Samu Kerevi continua a fazer falta, uma vez que é dos melhores a ganhar metros no contacto, para além de ter um ritmo de jogo acima da média. Na segunda parte mais três tries para os Hurricanes aos 43’, de Woodward, 65’, por Laumape e 80’, Woodward com uma brilhante intercepção. Os Reds conseguiram somar um único try, com uma tremenda velocidade e força de Feauai-Sautia para mergulhar à ponta da área de validação. Tínhamos falado das 130 tackles dos Hurricanes, notem que toda a avançada dos vice-campeões realizou 84 tackles, ou seja, 75% do total nos Canes’. Woodward que passou da posição de defesa (última vez foi com os Chiefs) para o banco (Sharks) e daí para a posição de ponta, foi um “abre-latas” de categoria, com dois tries (o último então é de “espertalhão” com uma tremenda intercepção) e muitos lances de bom recorte. Beauden Barrett excelente com as “mãos”, mau nos pontapés parados (em 6 pontapés, falhou 4), mas sempre um perigo a fazer o que quer da oval e do seu time. Dos “Coalas”, o Wallaby Liam Gill, tem nota média apesar da derrota… atenção que estes Reds são bons como time, um coletivo que este ano pode estar a ter uma vida complicada, mas se “jogar bem as cartas” pode vir a ser uma força tremenda como foi em 2011.

 

Waratahs assumem o primeiro lugar na Austrália

A semana acabou com uma “bomba” para os torcedores dos ‘Tahscom o anúncio da saída de Kurtley Beale para os London Wasps. O abertura/defesa/centro abandona assim um dos projetos mais dinâmicos da Austrália, para ir experimentar o contexto do Hemisfério Norte. Ironicamente, o wallaby com 60 internacionalizações lesionou-se ao primeiro minuto de jogo, tendo que sair… mesmo assim, os australianos não perderam o “fio à meada” e conquistaram os 5 pontos (vitória bonificada), com um 31-08 frente a uns “touros” pouco dinâmicos, interessantes e sem aquele boom necessário para ir em busca de outro de resultado que não a derrota. Os Bulls têm de fazer mais do que defender, têm de ser mais dominadores com a oval nas mãos, têm de garantir que cada line out termine em pontos ou em metros bem conquistados… é que defender e esperar pelo erro do adversário, pode não servir em alguns jogos, especialmente aqueles em que a time adversária sabe fazer bom uso do controlo de bola e território e procura a área de validação como o grande objetivo. Foi assim que a time da casa somo esta vitória.

 

A linha de ¾’s dos ‘Tahs é praticamente a mesma da seleção australiana (faltam dois ou três, mas vão se revezando, como Giteau ou O’Connor) e seria uma pena que estes ficassem de fora da fase final, algo que está em risco de acontecer. Foram 555 metros conquistados (125 carriers), com Nick Phipps a fazer uma espetacular exibição, com 2 tries e uma assistência, para além de 7 tackles e 1 turnover, foi sempre o “relógio” da sua time, fazendo os “ponteiros” do ataque girar à medida que ia castigando os Bulls com passes, offloads e uma comunicação de nível. Israel Folau foi importante pelos danos que provoca sempre que entra, abrindo espaço para criar falhas na defesa contrária, bem aproveitadas neste jogo, com Kellaway a continuar a sua boa temporada (Beale costumava ser o defesa dos ‘Tahsmas Kellaway conseguiu “sacar” o lugar). Bem 4 tries, com dois de Phipps 34’ e 69’, mais de Mumm 43’ e o do ponto de bônus a chegar aos 78’, Taavao-Matau. Os Bulls só fizeram 8 pontos, uma penalidade por Schoeman e um try de Swanepoel aos 73’, muito pouco para uma time que já foi campeã do Super Rugby e que deveria ser das principais franquias do Super Rugby. O trabalho a nível de movimentação tem de ser muito superior, há que alimentar bem as entradas de Marais ou Ulengo (100 metros conquistados, bom número para um ponta, não conseguindo qualquer try), há que saber combinar avançados com as linhas atrasadas, algo que não se viu hoje. A disciplina esteve algumas notas abaixo, com 13 penalidades e 1 amarelo, para além de não terem tido uma real vantagem nas suas scrums ou line outs. Labuschagne com mais 12 tackles, de nada valeu aos Bulls, que tiveram em Serfontein o seu melhor jogador (muito sacrifico, trabalho e suor em prol dos de Pretória). Os Bulls começam a ver o seu calendário a apertar, há que ganhar aos seus rivais diretos, Stormers e Lions, que são os dois jogos que se seguem para os “touros” a 21 e 28 de Maio. Se somarem uma derrota em qualquer um deles, estão fora dos playoffs.

 

Japoneses evoluem e arrancam empate contra Stormers

Pelo “buraco da agulha” Sunwolves, é a única expressão que nos vem à cabeça após esta viragem final do encontro. A ganhar 17-10 e com só 2 minutos a faltar no relógio, os nipónicos consentiram o try muito tardio, na sequência de uma quebra de linha de du Toit (jogo de topo do segunda linha), com o primeira-linha suplente, Vincent Koch, a sair com belo pick que terminou dentro da área de validação. Começámos pelo fim, porque parecia vitória certa dos Sunwolves que partiam para este jogo como “saco de pancada” dos sul-africanos. Porém, nova jornada e novo jogo tremido dos Stormers da Cidade do Cabo, que parecem estar a perder a bitola do apuramento, não fossem estar numa das conferências mais acessíveis de todo o Super Rugby (com Cheetahs, Bulls e Sunwolves) e esse cenário verificava-se. O empate conquistado no último segundo do encontro, valeu 2 pontos, apesar de ter sido a pior time deste jogo durante todo os 80’. Mais uma vez, os lobos do Japão não aproveitaram a oportunidade de “matar” o jogo, perdendo o controlo da oval nos cinco minutos finais, que acabaram por lhes tirar a oportunidade da segunda vitória nesta temporada.

 

Os primeiros 50 minutos demonstraram o melhor lado dos japoneses que conseguiram somar 17 pontos, com 230 metros bem trabalhados (os Stormers vão precisar de fazer o dobro para atingir o mesmo resultado)… porém, os knock on ainda são um problema latente desta formação que necessita de mais rodagem, mas está no bom caminho atenção. Por isso, o primeiro try, e único, foi da autoria de Yamada, o seu oitavo nesta temporada, com um bom escape pela ponta para o 08-03. Depois T. Pisi converteu 4 de 6 penalidades (65% de eficácia, algo abaixo do costume) a castigar as constantes dos sul-africanos (13), que apesar de terem apresentado uma defesa segura cometeram alguns erros a nível individual, a começar pelo par de centros, Jongh e Allende, que muito trabalharam só que sem a eficácia do costume. C. Kolbe, o fullback sul-africano voltou a realizar uma exibição de grande estilo, com uma quebra de linha, 8 defesas batidos e 110 metros com a oval nas mãos. Os Stormers a partir dos 55’ foram atrás de algo diferente e conseguiram-no: primeiro por um line out, com a saída de du Toit a provar-se eficaz, mesmo carregando 2 ou 3 defesas às suas costas (um avançado fazer 70 metros em jogo é “obra”). Foi sempre através de erros próprios, que os Sunwolves foram permitindo o avanço dos seus adversários, compondo, por outro lado, uma defesa bem articulada até ao final do jogo… entre os 60’ e 80’ realizaram cerca de 30 tackles, com Fa’atiga e Quirk responsáveis por 19 dessas. E como sabem, o try final deu o empate, dando-se um empate entre japoneses e sul-africanos. Um empate com sabor a derrota para os Sunwolves ou um empate com sabor a uma quase vitória para os Stormers? E porque não ambos?

 

Cheetahs se impõe em dérbi sul-africano

Quem diria que num jogo entre sul-africanos iríamos ter 6 tries? Costumam ser jogos muito fechados, em que ambas as formações “alimentam-se” dos erros umas da outra… hoje tivemos isso, mas com tries para todos os gostos. Estávamos com saudades de Sergeal Petersen, aquele ponta com um estilo único, uma passada que faz lembrar Habana e uma tremenda vontade de jogar rugby… hoje voltou a ser o seu dia, com um try e uma assistência, muitos metros conquistados com velocidade (em 7 carries conquistou 117, ou seja, 16 por cada bola que teve em seu poder) e importante com 4 tackles, duas delas a “salvar” a sua time, pondo fim a ações ofensivas dos Kings. Fora duas penalidades de Watts, os Kings pouco fizeram na primeira parte, ficando mais a ver jogar, “tackleando” o melhor possível, com as chitas do Free State a chegar ao try por duas vezes: a primeira a partir de um brilhante roubo no line out dos Kings (em 15 line outs, perderam 3), para o nº11 Rhule terminar uma excelente combinação atacante da time da casa, aos 23’. Por volta do minuto 27 foi a vez do asa, Uzair Cassiem somar o seu terceiro try esta temporada, a sair disparado a partir de scrum. 17-06, tudo como estipulado pelas Cheetahs, com os Kings a ter dificuldades em conseguir jogar largo, e tentar manter a bola no perímetro curto estava a ser complicado perante a “agressividade” dos da casa.

 

No regresso do descanso, os Kings voltaram a ter dificuldades em parar com a maior objetividade e velocidade dos Cheetahs, que voltaram a chegar ao try aos 44’, por der Spuy após “largada e fugida” de Petersen à ponta, com o ponta a realizar um passe bem medido. JP du Plessis aos 49’ quebrou a linha, e perante 3 falhas de tackles da linha dos Cheetahs (é a quarta semana que isto acontece, quando tentam meter mais que dois jogadores na tackles, acabam por consentir mais espaço e menos eficácia), com o centro a chegar à área de validação. Boa resposta aos 55’ dos Cheetahs, com Cassiem a manobrar um offload de categoria que Petersen agradeceu com um try imparável. Infelizmente para os Cheetahs não houve vitória bonificada, já que os Kings por L. Am atingiram, novamente, a área de validação e não entregaram esse ponto preciso à time da casa – entretanto, Petersen tinha saído com suspeitas de uma rotura na coxa, esperamos que não seja uma lesão de gravidade alta. Cheetahs têm daqui a duas semanas um jogo de vida ou morte, com um encontro ante os Stormers fora de portas. Será o ano das Cheetahs? Ou Stormers mantêm o seu ascendente como melhor formação sul-africana do Super Rugby?

 

Lions no topo da África do Sul

O rugido dos leões de Joanesburgo faz-se ouvir, e de que maneira… uma esmagadora vitória frente aos Blues de Auckland por 43-05 no seu reduto do Estádio Toyota. A juntar os sete tries, os Lions só falharam 7 tackles em 110 (!), um score só à altura das franquias do Super Rugby… estão no caminho certo para atingir os playoffs e quem sabe, fazer uma “gracinha” no Mundo da Oval. Mérito, muito mérito na forma de atacar este jogo, a impedir os Blues de segurarem a bola como gostam e a tentarem abrir o jogo À sua maneira. Todavia, é importante referir o seguinte, os Blues tiveram um dia muito “negro” in the Office, a permitir 21 turnovers no ataque, ou seja, 6 knock on, 5 roubos de bola no contacto, 3 intercepções e mais umas quantas em bolas que caíram no chão, algo muito pouco característico das formações neozelandesas que sabem ter a bola nas mãos. W. Whiteley fez o primeiro logo no minuto inicial, C. Skosan vai para o segundo aos 3’ (tem de agradecer aquele up and under de classe de Jantjes) e o terceiro, mais uma vez, a partir da bota do flyhalf dos Lions que mete a bola com a parte de fora do pé (a conhecida trivela) para van Rensburg aos 10’. Os Blues de Tana Umaga ficaram atordoados e sem capacidade de reação, sem a objectividade necessária para um jogo destes… a falta dos Ioane (ambos ao serviço dos 7’s) é assim tão sentida?

 

O ritmo dos Lions continuou na segunda parte, com mais 4 tries, três de L. Mapoe, que atingiu o número 7 em tries nesta edição da maior prova de rugby da Hemisfério Sul de clubes. O centro aproveitou uma boa entrada de Jantjes, para receber a oval e furar até à área de validação aos 46’. Passado 4 minutos, a avançada dos leões quis também dar uma “patada” nos Blues, e no seguimento de um maul dinâmico W. Tecklenburg chega à linha e faz o 31-00. Mapoe aproveitou novo erro defensivo dos Blues para subir a contagem para o 38-00, números com algum escândalo para os azuis da Nova Zelândia. Kara Pryor, entrou para asa, e no pouco que jogou deu para chegar à linha de try, com um brake bem “agressivo” e ainda com mais 4 tackles, 1 turnover e 40 metros com a bola nas mãos (Kaino e Latimer estiveram muito abaixo de forma). Novo try de Mapoe, e último, aos 78’ em mais uma boa jogada dos Lions que revelou algum desnorte dos Blues (vários jogadores a regressar a passo, sem noção de terem que montar logo a linha de defesa e sem a vontade necessária… muito trabalho). Esta semana discutíamos quem iria ficar com a camisola nº10 dos Springboks em Julho… Pat Lambie, que regressou agora de lesão? G. April que tem estado a um nível interessante, sem ainda a consistência que se pede? Porque não arriscar em Jantjes, que tem estado a um nível muito capaz, com 119 pontos convertidos, um “atrevido” com a bola nas mãos ou pés e um velocista de tremenda qualidade, somando a tackles segura e efectiva. Não havendo Pollard, porque não investir nesta possibilidade? Veremos no que dá. Jaco Kriel foi o outro grande destaque da tarde, com algumas tackles (10), turnovers (4) e 70 metros de conquista. Foi um dia perfeito para os Lions, um dia desastroso para os Blues… há possibilidade para a tal surpresa? O calendário joga a favor dos leões, precisam de manter a postura que têm tido desde o início de época.

 

Nova derrota argentina em casa

Os Sharks tomaram o gosto de jogar a defender e, pelos vistos, parecem estar a ter sucesso ao manter essa postura. Voltaram a entregar a posse de bola à time adversária, fizeram uma gestão cuidada, e no fim, com uma penalidade aos 80’, o regressado Pat Lambie converteu-a para dar uma vitória por 25-22 na casa dos Jaguares. Os argentinos voltaram à sua melhor forma, com aquela força, agressividade e raça. Com o seu melhor lineup, com Creevy, Senatore, Matera ou Lavanini na avançada, enquanto nos ¾’s Landajo, Sánchez, Hernandez, Tuculet e Boffelli voltaram a realizar uma boa manobra no seu jogo. O problema dos argentinos foi na questão da disciplina, com faltas comprometedoras que possibilitavam a Lambie de somar pontos atrás de pontos.

 

Os Jaguares de Buenos Aires entraram melhor, com vinte minutos à Pampas, com dois tries: aos 7’ por Lavanini, que esteve no momento certo para receber a bola de Tuculet, que tinha penetrado a linha de defesa e dado assim o mote aos seus colegas. A entrar para o quarto de hora de jogo, Landajo arrisca numa entrada entre avançados e entre puxões e agarros, conseguiu chegar à linha de try graças à ajuda dos seus colegas. Com melhor rugby do que os Sharks, os da casa só podem queixar-se de si próprios, que podiam ter evitado 50% das faltas (pouca concentração nas scrums ou no jogo dos offsides) e conseguido chegar ao intervalo em vantagem. Os “tubarões” atingiram a linha de try por Daniel du Preez a fazer um pick imparável, mesmo com Lavanini encima do acontecimento. Na segunda parte, menos flyhalfs, mais físico e os Sharks a gerirem bem a sua situação defensiva, com destaque para a primeira linha dos visitantes, a completar 32 tackles (Mtawarira que “tubarão” de defesa) e a evitar que Creevy (aos 55’) e Landajo (70’) chegassem ao try. Por volta do minuto 73’, Botta, dos Jaguares, arrisca numa entrada e com muito coração atinge a área de validação para o 22-22. Sánchez falha a conversão do try e abre a disputa até ao final, com poucos a arriscar no resultado final… só que lá está, nova scrum a 37 metros da linha de try Jaguar, os Sharks arriscam na “agressividade” e Montoya cede para permitir a Lambie converter o último lance do encontro. 25-22, Sharks a tentar copiar o estilo de jogo Highlander (sem o brilhantismo, a classe ou a qualidade de ataque) e a conseguir, de certa forma, isso mesmo. Menos bola, mais frieza, uma crueldade em optar pelos pontapés aos postes (ao bom jeito do rugby sul-africano puro e duro) e, quando possível, fazer um try. Pat Lambie fica com o o MVP do dia, pela sua excelente qualidade na hora de pontapé, após uma lesão de 5 meses… de “rins” também esteve em bom nível, a tentar fazer girar a “máquina” de Durban.

 

Griquas seguem na ponta

Na Currie Cup sul-africana, o destaque ficou pelo confronto entre o único invicto, o líder Griquas, e a lanterna e única que ainda não venceu, a equipe da Namíbia, o Welwitschias. E o resultado foi novamente amargo para os namibianos: Griquas 55 x 25, em Windhoek.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Highlanders 34 x 26 Crusaders

Rebels 22 x 30 Brumbies

Hurricanes 29 x 14 Reds

Waratahs 31 x 08 Bulls

Sunwolves 17 x 17 Stormers

Cheetahs 34 x 20 Kings

Lions 43 x 05 Blues

Jaguares 22 x 25 Sharks

 

EquipeConferência*PaísCidadeJogosPontos
Grupo Australásia
HurricanesNeozelandesaNova ZelândiaWellington1553
HighlandersNeozelandesaNova ZelândiaDunedin1552
ChiefsNeozelandesaNova ZelândiaHamilton1551
CrusadersNeozelandesaNova ZelândiaChristchurch1550
BrumbiesAustralianaAustráliaCanberra1543
WaratahsAustralianaAustráliaSydney1540
BluesNeozelandesaNova ZelândiaAuckland1539
RebelsAustralianaAustráliaMelbourne1531
RedsAustralianaAustráliaBrisbane1517
ForceAustralianaAustráliaPerth1513
Grupo África do Sul
LionsÁfrica 2África do SulJoanesburgo1552
StormersÁfrica 1África do SulCidade do Cabo1551
SharksÁfrica 2África do SulDurban1543
BullsÁfrica 1África do SulPretória1542
JaguaresÁfrica 2ArgentinaBuenos Aires1522
CheetahsÁfrica 1África do SulBloemfontein1521
KingsÁfrica 2África do SulPorto Elizabeth1509
SunwolvesÁfrica 1JapãoTóquio1509

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Eagles 30 x 32 Falcons

Bulldogs 22 x 34 Leopards

Cavaliers 56 x 17 Griffons

Blue Bulls 13 x 25 Pumas

Cheetahs 19 x 13 Sharks

Welwitschias 25 x 55 Griquas

Western Province 50 x 10 Kings

 

EquipesCidade principalFiliação no Super RugbyJogosPontos
Western Province*Cidade do CaboStormers1461
GriquasKimberleyCheetahs1456
Boland CavaliersWellingtonStormers1454
Mpumalanga PumasNelspruitLions1451
Golden Lions*JoanesburgoLions1447
Free State Cheetahs*BloemfonteinCheetahs1444
Blue Bulls*PretóriaBulls1438
LeopardsPotchefstroomSharks1437
GriffonsWelkomCheetahs1436
Natal Sharks*DurbanSharks1433
SWD EaglesGeorgeKings1430
FalconsKempton ParkBulls1430
Border BulldogsEast LondonBulls1426
Eastern Province Kings*Porto ElizabethKings1413
WelwitchiasWindhoek (Namíbia)1401
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

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