Jejum de vitórias persegue Jaguares no Super Rugby

ARTIGO COM VÍDEOS – O Super Rugby viveu neste fim de semana sua sétima rodada, que provou algumas suspeitas. Argentinos e japoneses voltaram a sentir o peso da competição nova, com os Jaguares perdendo novamente, agora para os ascendentes Crusaders – a quinta derrota em seis partidas disputadas – e os Sunwolves sofrendo o maior placar da história do Super Rugby – contra  o humilde Cheetahs, da África do Sul. Na Austrália e na Nova Zelândia, o fim de semana foi ainda de grandes clássicos nacionais, com os Brumbies vencendo fora de casa os Waratahs e com os Lions se impondo sobre os Stormers. E nas partidas internacionais, os australianos levaram a pior, com Rebels e Reds caindo contra Hurricanes e Bulls, ao passo que no embate entre neozelandeses e sul-africanos os Blues prevaleceram contra os Sharks.

 

Force, Highlanders, Chiefs e Kings receberam as folgas da vez.

 
CVC 2016
 

Jaguares caem em Christchurch

Sob o comando de Read, mas, e essencialmente, sob os pezinhos e “magia” de Israel Dagg. Ao fim de quase um ano de ausência, o mítico nº15 AllBlack volta a pisar os campos de rugby e ao seu jeito, deixou uma marca profunda no resultado final, com dois tries e uma assistência… pode-se pedir mais ao nº15 que em outros tempos foi dos melhores jogadores do planeta? Claro que sim… Dagg conquistou mais de 120 metros, com 15carrie e com algumas quebras de linha, isto tudo a nível de ataque. Na defesa? Apesar de só ter feito duas tackles, o fullback foi fundamental na comunicação e controlo da sua linha de defesa. Outros quatro destaques do jogo dos Crusaders: MattTodd e Kieran Read na terceira linha (30 tackles no total e 3 turnovers), Richie Mo’Unga (1 try,  poucos metros conquistados mas um bom motor de jogo criativo ofensivo) e J. McNicholl (o ponta não fez tries, contudo assistiu por uma vez e é elétrico com ou sem bola, obrigando a defesa contrária a cometer erros de defesa). Mas o que isto representou para o jogo jogado da equipe de Christchurch? 600 metros conquistados com só 100 carries, o dobro de metros do que os Jaguares viriam conquistar com os mesmos carries… em 123 tackles, só por 16 vezes os argentinos conseguiram forçar o erro dos neozelandeses… estes Crusaders são, sem dúvida, uma das melhores equipes deste ano ao lado de Highlanders, Hurricanes, Chiefs ou Stormers. Em trinta minutos a equipe da casa somou três tries, Ellis (4’), Dagg (24’) e Mo’Unga (29’), aproveitando da melhor forma os erros de comunicação e o amarelo a Tuculet (23’). As ausências de Sánchez, Cordero, Lavanini e Landajo pesaram em larga escala a operação dos Jaguares em “arrancar” pontos dos Crusaders…. Este será o ano zero dos argentinos, para se aperceberem da exigência do Super Rugby (o 3º try dos cruzados demonstra essa parte ainda mais “tenrinha” dos argentinos, com um avant, uma falha de colectiva e uma abordagem pouco dinâmico de Tuculet que resultou num turnover).

 

A perder por 22-03, os Jaguares tinham de fazer alguma coisa para dar outra imagem ao seu jogo: aos 47’, naquele que foi o melhor período da equipe liderada por A. Creevy, surgiu a primeira “incursão” na área de validação, com um bom maul dinâmico que parecia estar perdido, só que o nº8, Facundo Isa, aparece de repente a fazer o try, a aproveitar a confusão dos 16 avançados. Antes de chegar aos últimos vinte minutos, novo try dos Crusaders com K. Read a receber a bola de J. McNicholl (offload de MattTodd momentos antes), o que voltou a abrir a “fome” da equipe da casa para chegar de novo à área de validação dos argentinos, que começavam a abrir espaços em vários setores. Aos 62’ veio o melhor try do jogo (e um dos desta ronda), com Israel Dagg a receber a bola Scott Barrett, e cria um lance fenomenal, a lembrar o antigo Dagg, que ganha mais de 50 metros entre fintas, trocas de pés e handoffs, para o 32-10. Já perto do final do encontro (77’), Baez realiza um bom turnover, que é seguido rápido por Ezcurra, com o ¾’s a atirar um gruber bem captado por Iglesias para o 32-15, finalizando o jogo com esse resultado. Jogo algo “pobre” dos Jaguares, que tiveram bola nas mãos, sem nunca encontrar forma de dar um seguimento positivo a essa posse. A. Creevy não esteve, de forma alguma, na sua melhor forma, algo partilhado por quase toda a sua avançado, excetuando-se Facundo Isa, que para além do try teve a “agressividade” certa nas scrums ou na disputa dos rucks. Sánchez e Cordero fizeram uma falta tremenda à equipe dos Jaguares, que nas últimas 3 semanas não se apresentou na sua máxima força.

 

Hurricanes vencem em visita a Melbourne

Hurricanes a todo o “vapor” vão até Melbourne para espalhar o “terror” em casa dos Rebels. A formação australiana nunca teve condições para bloquear o maior poderio ofensivo da equipe de Chris Boyd, que tentam, a todo o custo, chegar ao primeiro lugar da sua conferência ocupado pelos Chiefs. A primeira parte vale a pena ver pela intensidade e entrega de ambas as formações, com os rebeldes a providenciar os primeiros pontos do jogo, pela “mão” de Dominic Shipperley (ponta), naquele que foi o try nº100 no AAMI Park dos Rebels (Julian Savea escorregou na abordagem ao chute de T. Ellison). Mais velocidade, melhor capacidade de controlo de bola e boas ideias ofensivas, iam dando esperanças aos torcedores dos rebeldes naquela que poderia ser uma vitória importante para a equipe australiana. Todavia, a partir dos 15’ o jogo ganhou tons de amarelo e negro, em que a avançada dos furacões estava de tal forma determinada que viu Victor Vito a chegar à linha de try, após uma tremenda entrada de B. Barrett (sempre uma dor de cabeça para os Rebels, com 7 entradas a garantir uma média de 19 metros por cada, ou seja, 130 metros) e um offload para o try do nº8 All Black. Aos 20’, é outra vez Barrett a produzir o segundo try da sua equipe, com um up and under que o próprio vai buscar para depois passar a Cory Jane.

 

A equipe australiana estava a conceder muita liberdade às linhas atrasadas dos ‘canes que se dão bem em jogos de pouca pressão… esta forma de actuar implicou uma nova avalanche de pontos, a começar pela intercepção do nº10 dos furacões (é a terceira vez esta temporada) aos 28’, depois JasonWoodward aos 37’ (a partir de um ruck) e ArdieSavea (temporada de grande nível… disputa com Gibson pelo rookie neozelandês deste Super Rugby) aos 59’. Nos cinco minutos finais, ainda tivemos para um try de cada equipe… para o 38-08, novamente por Barrett num lance minimamente caricato, com o nº10 a chutar a bola em que esta ressalta no corpo de um jogador dos Rebels, aproveitando o abertura para captá-la de novo e correr isolado até à linha de try. E por fim, a melhor jogada dos da casa resultou em try, tendo a oval sido passada por seis vezes, antes de Cam Crawford somar o seu primeiro try nesta edição do Super Rugby. Exibição “gigante” de BeaudenBarrett, o nº10 dos Hurricanes a pedir a Steve Hansen o lugar de médio de abertura dos AllBlacks, numa época que está a provar-se espectacular, com 4 tries, 2 assistências, 90 pontos e muito rugby na guelra. Estes Hurricanes são uma das melhores equipes dos últimos 3 anos, faltando, no entanto, títulos para ficarem na história da competição: ArdieSavea, o nº7, tem demonstrado um excelente índice na defesa (75 tackles e 10 turnovers) ou no ataque (3 tries, 6 quebras de linha), provando-se como uma das melhores unidades da sua equipe. Relembrar que entre a semana passada e esta, os neozelandeses efetuaram 4 trocas no seu line-up que não afetou em nada o seu estilo de jogo. Nos Rebels, a ausência de J. Placid (ficou-se pelo banco) e a falta de apoio a Debreczeni prejudicou a forma como os Rebels partiram para o ataque, o que obrigou ao par de centros a realizar um bom jogo (24 tackles, um try e uma assistência). Sean McMahon e Adam Thomson bem na arte da tackle, sem terem um papel, importante, no que toca ao jogo atacante. Com este resultado os Hurricanes mantêm-se no 4º lugar da competição.

 

O que aconteceu com os japoneses?!

O segundo resultado mais desnivelado da história do Super Rugby… os japoneses dos Sunwolves foram trucidados, esmagados, atropelados, bem qualquer tipo de dados que quiserem. 92-17, é sem dúvida algo assustador para qualquer espectador do Super Rugby. Mas o que se passou no encontro para que tal acontecesse? A atitude dos japoneses, sempre muito abaixo do que se pretende nesta competição, podendo ser explicada pelas notícias de um tremor de terra de escala elevada no Japão (era notório que a cabeça da maioria dos jogadores não estava no jogo); a vontade dos Cheetahs, que apostaram tudo num jogo veloz, imaginativo e de boas trocas de bola, proporcionando-lhes 14 tries, algo que nunca tinham feito antes (o melhor que conseguiram foi 7 num jogo só). Poderia ser difícil atribuir o MVP a qualquer jogador dos Cheetahs, só que S. Peteresen e Paul Schoeman, cada um com três merecem partilhar esse prêmio. O ponta sul-africano ao seu jeito gingão foi “distribuindo” destruição na linha adversária, não só com três tries (20’, 32’ e 74’), mas também com uma série de lances que originaram tries dos seus Cheetahs (três assistências, 200 metros conquistados, com apenas 12 carries no jogo).

 

O nº8, P. Schoeman, nesta sua temporada de estreia no Super Rugby, tem sido um bulldozer quando ataca ou defende, e especialmente neste encontro sob fazer uso do seu peso/velocidade para garantir os tais três tries (63’, 77’ e 79’), assim como comandar com excelência a sua avançada, que para além de terem ganho todos os seus lineouts ou scrums, capturaram três da formação adversária. É difícil e exaustivo fazermos um resumo episódico do que aconteceu, porém é fácil em curtas palavras resumir: tries, falhas de tackle, procura de espaço e eficácia. Na última componente as chitas do Free State da África do Sul, dominaram plenamente, com os lineouts, scrums, mauls, rucks e quebras de linha, tudo em 100% ou perto dessa meta. Notem que em 14 tries, 8 nasceram de situações de turnover dos Sunwolves, seja por bolas perdidas nos lineouts, nos rucks, em chutes no ar, passes incompletos ou em mauls, “matando” com o jogo ofensivo dos nipónicos… se tiverem interesse vejam o try aos 63’ de P. Schoeman para perceberem a má gestão de bola dos Sunwolves. 14 tries contra 2 (os únicos pontos dos Sunwolves surgiram no seu melhor período entre os 45’ e 60’), um resultado bem gordo, e as Cheetahs somam a sua segunda vitória deste ano, mais uma vez frente aos Sunwolves (na primeira vez que se encontraram recordamos que o resultado terminou num 32-31 para os sul-africanos). Os japoneses tiveram um dia mau – bastante mau, diga-se – no “escritório”, contudo se há algo que o Rugby demonstra é grandes reviravoltas e que há espaço para crescer e mudar nesta Super Rugby.

 

Sharks perdem fôlego na Nova Zelândia

Blues conseguiram honrar, da melhor forma, a morte de um dos seus antigos jogadores Kurtis Haiu (faleceu devido a um cancro). Uma excelente vitória ante os Sharks, voltou a dar uma dose de confiança aos comandados de Tana Umaga. Os tubarões de Durban, “sem” treinador, uma vez que Gary Gold está suspenso por três semanas (palavras dirigidas ao TMO), estiveram no comando do encontro até aos 62 minutos, altura que sofreram com um das maiores revelações do Super Rugby e da Nova Zelândia: Rieko Ioane. Mas já lá vamos a esse momento do jogo. A equipe neozelandesa entrou para esta semana com um problema grave: Blake Gibson. O asa, responsável por mais de 80 tackles nesta temporada, estará de fora por 7 a 8 semanas devido a uma lesão, obrigando a Umaga realizar uma alteração, com a colocação de Latimer na posição de 7. Sem o melhor “tackleador”, como iriam os Blues aguentar a maior entrega física dos Sharks? Vejamos que em 55 oportunidades de tackle, em 15 permitiram que um jogador adversário conseguisse fugir à defesa… valeu o fato de terem tido o controlo de bola na maior parte do encontro (70-30% para os Blues), impossibilitando os tubarões de “brincarem” com a oval. Atenção que nem sempre foi por brilhantismo dos Blues que isso aconteceu, especialmente na fase final do jogo, onde os Sharks perderam 4 lineouts, sofreram 2 turnovers no ruck e realizaram 2 knock on’s, tudo isto em 15 minutos. Houve alguma displicência e pouca segurança em trabalhar a bola. Início do encontro viram West a converter uma penalidade, respondida aos 8’ com try de T. Mtawarira, após uma sequência de rucks e de um chute mal executado pelos Blues. Sempre a dominar o contato físico e na tackle (145 tackles no encontro), atirando para trás as tentativas de Moala ou West em quebrarem a linha, dando uma “dor de cabeça” às linhas atrasadas da equipe da casa… mas a paciência é um jogo que os neozelandeses (no geral) gostam de jogar. Aos 36’ após várias situações de ataque dos Blues, onde os Sharks mantinham uma postura excelente a defender (e a vencer por 11-08), foi o próprio centro G. Moala – tinha entrado há momentos por R. Ranger que saiu lesionado – a finalizar uma boa combinação de passes e offloads que negou a West o try, mas o centro não falhou os seus colegas na hora dos 5 pontos.

 

Se os Blues conseguiram um try no final da primeira parte, os Sharks foram atrás do resultado e logo na primeira bola de jogo, recuperam-na, apostando Willie Le Roux num passe para Paul Jordaan (centro), e este numa velocidade e pace estonteante chega à área de validação dos azuis. E agora podemos avançar até ao minuto 62, momento em que Ioane fez uma maldade à equipe dos Sharks: os sul-africanos muito pressionados na sua área de 22, tentavam a todo o custo tirar a bola e passar a pressionar eles os Blues… chute de Joe Pietersen, a linha dos Blues foi trabalhando e depois no que parecia um flat pass para Ioane, foi o contrário, já que o ponta de 19 anos, arranja forma de criar um “buraco”, aplica um grande handoff a Paul Jordaan, corre, volta a fugir a uma tackle de Mvovo e atira-se para dentro da área de try para o 20-18. A partir deste momento até ao final, o jogo foi sempre dos Blues, que “roubaram” a bola aos Sharks por 6 vezes, impedindo os tubarões de conseguir a reviravolta… West sentenciou mesmo o jogo aos 80’ (poderia tê-lo feito 3 minutos antes) garantindo assim a terceira vitória neste temporada aos azuis de Auckland, para os festejos e celebrações dos seus torcedores no Eden Park. Um jogo altamente emotivo decidido pela maior vontade e talento dos jovens neozelandeses. Os irmãos Ioane foram dois catalisadores fundamentais na 2ª parte do encontro, com Rieko a conquistar o nosso respeito, obtendo o prêmio de MVP do encontro (mais de cem metros percorridos perante uma das defesas mais complicadas do Super Rugby 2016). Aliás, o banco de suplentes dos Blues foi fulcral na vitória, já que as entradas de Guyton, Moala, Akira Ioane ou Tu’ungafasi subiram o ritmo de jogo da melhor forma possível. Do lado dos Sharks há que destacar a P. Van Der Walt, que realizou 20 tackles, tendo algum peso no primeiro try da sua equipe; e Willie Le Roux que mesmo com pouca bola foi sempre um dos melhores da equipe de Durban, assistindo Paul Jordaan (agradecer ao centro pelo momento de brilhantismo que teve no segundo try da sua equipe).

 

Brumbies vencem clássico australiano em Sydney

Dérbi aussie no Allianz Stadium, opondo Waratahs e Brumbies, um encontro sempre recheado de tries, bom rugby e masterclass de alguns jogadores. Desta feita saíram vitoriosos os cavalos selvagens, que “cravam as unhas” no segundo lugar da divisão australasiana e na sua conferência. Mas como foi possível conquistarem a vitória no campo da equipe de Folau, Beale e Foley? Há várias formas de analisar o jogo e de onde/como arrancaram os Brumbies para a vitória… todavia, avançamos para já esta ideia: pormenores. É nos detalhes, naqueles mínimos pormenores que estes close encounters são decididos e hoje houve um: Joseph Tomane. O ponta concretizou três tries, aproveitando a sua velocidade e melhor capacidade de reação para ir “reprimindo” a equipe dos Tahs’ que após uma semana paupérrima voltaram às suas melhores exibições… sem vitória no entanto. Houve outro jogador que tem captado a nossa atenção e que devemos referir: Matt Toomua, o primeiro centro Wallabie, tem sido um “pilar” de coordenação ofensiva/defensiva (especialmente na defesa), dos Brumbies, sendo um elemento inultrapassável no contato físico. É lógico que ter um colega ao lado como Tevita Kuridrani ajuda aos processos, todavia Toomua é um Joker muito interessante do rugby da equipe de Canberra. No lado da equipe dos Waratahs, Israel Folau e Kurtley Beale, os homônimos de Toomua e Kuridrani, também fizeram uma parelha bem capaz, articulada e dinâmica, tendo sido um perigo para os visitantes.

 

Na “ordem” de momentos, começaram melhor os Brumbies com dois tries em 10 minutos, com Tomane aos 6’ e 15’, a aproveitar uma pressão bem executada. A agressividade com que entraram foi a ideal para garantirem bons pontos, com Scott Fardy e Jarrad Butler a entrarem bem no close contact. A reação dos tahs’ foi de grande nível (finalmente) conseguindo dois tries, também, no espaço de 10 minutos por R. Robinson (21’ primeiro try seu no Super Rugby) e Folau (31’) com uma boa conversão de penalidade do nº10 da Austrália, Bernard Foley. Agora era a equipe da casa a mandar no jogo, obrigando os Brumbies a defender mais (nesse momento estava em 65/35% em termos de posse de bola) e a assumirem uma postura cautelosa no breakdown, uma vez que qualquer falta iria ser aproveitada por Foley para chutar em direção aos postes. Num momento que os cavalos estavam a ser sufocados, foram os Tahs’ a ajudar a sacudir a pressão do adversário ao consentirem um erro de handling e uma penalidade. Com um 17-12 no placar e a 5 minutos do intervalo, S. Moore, o capitão, decidiu ir ao lineout, querendo apostar num maul para obter o 3º try. Bola bem captada, grande trabalho no chão e quando a equipe da casa estava preocupada em procurar parar, foi o próprio Moore a escapar-se para fazer o 3º try (convertido por Lealiifano) para o 19-17.  O encontro sofreu sérias mudanças na 2ª metade, uma vez que só um try “apareceu”, passando a um duelo mais físico, com os detalhes a serem “esmagados” por boas tackles ou erros individuais. Vitória para os Brumbies ,num jogo que terminou com alguma emoção (um cartão amarelo para cada lado), mas já não escapou aos australianos de Canberra que assim assumem controlo da sua divisão e estão em 3º lugar na conferência. Tahs’ terá sido o final do “caminho” para atingirem o playoff?

 

Bulls despacham Reds

Mais uma vitória para os Bulls, que depois de um início pouco confiante (uma derrota e um empate) estão há 5 jogos a ir de vitória em vitória, “passando” por cima dos Reds, que voltaram a impressionar. A equipe de Queensland saiu do seu reduto da Austrália para visitar Loftus Versfeld em Pretória e até começou melhor o jogo, já que logo aos 4’ Chris Feauai-Sautia chega à área de validação depois de uma fantástica combinação entre Kerevi-Fainga’a e Hunt para o 5-0. Durante trinta minutos tiveram o controlo do encontro, o que deixou o público afeto aos Bulls algo preocupado… conseguiriam os koalas “domar” os touros? Não, não foi suficiente este arranque inicial, nem a assertividade nos lineouts (95%), scrum (100%) ou nos rucks (94%), nem as boas tackles que fizeram durante todo o encontro… era necessário terem conseguido mais pontos nesse espaço de tempo para “matar” ou adiar a resposta da equipe da casa. Não o conseguindo, os Reds permitiram um aumentar de intensidade dos seus adversários, que foi traduzido em tries: M. Van der Merwe aos 31’ a partir de um pick entra com facilidade na área de try (os Reds têm problemas em defender junto ao ruck); aos 35’, da mesma forma, mas agora por A. Strauss (hooker) a castigar nova falha de tackle junto ao ruck. Nunca mais os Bulls saíram da frente do marcador, mesmo com um drop fantástico (a fazer inveja a muitos médios de abertura) de Liam Gill, o asa dos koalas. Os primeiros 40’ foram de touch and reckon, ou seja, os adversários tocaram-se e conheceram as suas valências e deficiências.

 

O segundo tempo foi um show de tries, com os Reds a tentarem responder às “cornadas” dos Bulls, que foram as necessárias para garantir uma vitória à equipe de Jesse Kriel e François Brummer. O abertura efetuou uma boa partida, com 16 pontos conquistados (não falhou nenhum chute seja aos postes, para fora ou em jogo corrido) e um passe para try, naquele que pode ser o seu ano de afirmação nos Springboks (lesões de Pat Lambie e Handré Pollard vão complicar as contas dos Sul-africanos). O try aos 49’ dos Bulls vale a pensar ser visto e revisto, com Brummer a começar por um chute curto e por cima dos Reds, bem apanhado por Kriel que só é parado nos 22’, onde termina com um belo offload para Brummer e este devolve a P. Labuschagne, o nº6, para novo try da avançada dos Bulls. 52’ e 58’ tries de Kerevi, ao jeito de um “monstro” como demonstrou no primeiro onde quebrou a linha e antes de se atirar lá para dentro dá um autêntico chega para lá em SP Marais (um dos melhores em campo. 27-22, sonharam com a reviravolta os koalas… infelizmente, não o aconteceu, muito por mérito da equipe da casa. Os Bulls voltaram a “respirar fundo” e regressaram a um bom controlo de bola, apostando na paciência e velocidade para conseguir garantir a vitória… plano bem delineado e executado, com dois novos tries de Ismael e Van der Zyl aos 61’ e 70’, respectivamente. Ajudou, também, o fato de não terem cometido faltas (em todo o encontro fizeram 4 penalidades) ou knock on’s (5 em todo o encontro), dando outra imagem ao rugby sul-africano que tem sido algo criticado pela sua rigidez de jogo, pouco show ou pace acelerado. Os Bulls retiram da sua casa uma boa vitória e voltam à carga por um lugar no playoff. Os Reds, apesar da exibição muito interessante, precisam de rever os detalhes que acabam por decidir os jogos.

 

Lions vence Clássico das Metrópoles sul-africanas

Clássico sul-africano entre Lions e Stormers, com os primeiros a saírem vitoriosos para a alegria dos torcedores que se deslocaram ao Emirates Airlines Park. A equipe dos leões, treinada por Jonah Ackermann está em franco crescimento e se na época passada terminaram em 9º, este ano já estão a caminho do seu melhor arranque nos últimos 5 anos, com 5 vitórias e 2 derrotas. Há um flair especial nesta equipe de Joanesburgo, um rugby impressionante e que já derrotou os seus adversários diretos, seja os Sharks (mesma conferência), Stormers ou Cheetahs (mesma divisão). Há um futuro a ser bem trilhado pelos leões, conseguiram ser a surpresa do Super Rugby? No jogo em questão tivemos uma primeira parte ao chute, com as duas formações a “castigar-se” mutuamente, num dos jogos com mais penalidades (21), pelo pé de Elton Jantjies (19 pontos) e du Plessis (17 pontos). Ambos os aberturas deram o seu máximo, com drops (3), chutes de penalidade (10) e conversões (3), para além de terem sido eles a fazer a bola circular durante os 80 minutos. Ao jeito dos Springboks, os Lions chegaram ao try aos 36’ por Combrinck, onde a intervenção de Jantjies foi decisiva para o processo de chegada à área de validação. Com Damien Allende e Siya Kolisi no banco de suplentes (entrariam na 2ª parte), faltava aos Stormers algo que lhes pudesse transmitir as movimentações em tries. Nos segundos 40’, foram os da casa a chegar ao try através de François de Klerk, o formação que tinha entrado à três minutos por Ross Cronje, a seguir rápido e cair dentro da área de try… erro total dos Stormers que invés de estarem preparados para a tackle, “adormeceram” mal o árbitro, Stuart Berry, apitou para a penalidade. Nem o try de Kolisi aos 62’ (espectacular a finta do asa sul-africano, que deixou Van der Walt sentar-se no chão) levantou o espírito dos Stormers que cometeram uma “mão cheia” de erros para aumentar a vantagem dos Lions, com Jantjies a fechar o jogo com um belo drop na direção dos postes (outra opção para os boks’?). Já destacámos o médio de abertura dos Lions (assim como o dos Stormers), sendo necessário falar do papel importante de Rohan Janse van Rensburg, o primeiro centro, que foi o “sacrificado” na hora de receber a bola, mostrando-se em boa forma no contato fechado e uma unidade que complica a vida de qualquer adversário. Kolisi foi “puxado” para o banco para S. Notshe assumir a posição de asa aberto (Nizaam Carr ficou com o nº6) tendo sido um gladiador, com 16 tackles, 100% na eficácia de limpeza de rucks e um “bruto” à séria no contato.

 

Pequenos dominam o início da Currie Cup

No Campeonato Sul-Africano, a Currie Cup, a segunda rodada premiou os times mais humildes, com 4 dos chamados pequenos ainda invictos a na ponta da competição. Festa para Griquas, Boland Cavaliers, SWD Eagles e Border Bulldogs.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Crusaders 32 x 15 Jaguares

Rebels 13 x 38 Hurricanes

Cheetahs 92 x 17 Sunwolves

Blues 23 x 18 Sharks

Waratahs 20 x 26 Brumbies

Bulls 41 x 22 Reds

Lions 29 x 22 Stormers

 

Equipe Conferência* País Cidade Jogos Pontos
Grupo Australásia
Hurricanes Neozelandesa Nova Zelândia Wellington 15 53
Highlanders Neozelandesa Nova Zelândia Dunedin 15 52
Chiefs Neozelandesa Nova Zelândia Hamilton 15 51
Crusaders Neozelandesa Nova Zelândia Christchurch 15 50
Brumbies Australiana Austrália Canberra 15 43
Waratahs Australiana Austrália Sydney 15 40
Blues Neozelandesa Nova Zelândia Auckland 15 39
Rebels Australiana Austrália Melbourne 15 31
Reds Australiana Austrália Brisbane 15 17
Force Australiana Austrália Perth 15 13
Grupo África do Sul
Lions África 2 África do Sul Joanesburgo 15 52
Stormers África 1 África do Sul Cidade do Cabo 15 51
Sharks África 2 África do Sul Durban 15 43
Bulls África 1 África do Sul Pretória 15 42
Jaguares África 2 Argentina Buenos Aires 15 22
Cheetahs África 1 África do Sul Bloemfontein 15 21
Kings África 2 África do Sul Porto Elizabeth 15 09
Sunwolves África 1 Japão Tóquio 15 09

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Welwitchias 12 x 66 Lions

Cavaliers 37 x 18 Kings

Griffons 76 x 26 Leopards

Bulls 20 x 17 Cheetahs

Bulldogs 37 x 32 Sharks

Eagles 25 x 21 Pumas

Falcons 29 x 56 Griquas

 

Equipes Cidade principal Filiação no Super Rugby Jogos Pontos
Western Province* Cidade do Cabo Stormers 14 61
Griquas Kimberley Cheetahs 14 56
Boland Cavaliers Wellington Stormers 14 54
Mpumalanga Pumas Nelspruit Lions 14 51
Golden Lions* Joanesburgo Lions 14 47
Free State Cheetahs* Bloemfontein Cheetahs 14 44
Blue Bulls* Pretória Bulls 14 38
Leopards Potchefstroom Sharks 14 37
Griffons Welkom Cheetahs 14 36
Natal Sharks* Durban Sharks 14 33
SWD Eagles George Kings 14 30
Falcons Kempton Park Bulls 14 30
Border Bulldogs East London Bulls 14 26
Eastern Province Kings* Porto Elizabeth Kings 14 13
Welwitchias Windhoek (Namíbia) 14 01
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

Foto: Jaguares x Crusaders. Dave Lintott / lintottphoto.co.nz

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