HOSKINS SOTUTU

ARTIGO OPINATIVO – Continuando com a parte 2, sobre os destaques até a sétima rodada da temporada do Super Rugby 2020 antes da pausa, na opinião de Francisco Isaac.

Depois de na parte 1 termos falado de 3 top-performers do Super Rugby 2020, esta é a 2ª metade de jogadores que se destacaram até à 7ª ronda da competição! Quem é que podia estar nesta lista?

GEORGE BRIDGE (CRUSADERS)

Os Crusaders perderam algumas das suas referências para esta nova época, como Kieran Read, Matt Todd, Samuel Whitelock (voltará em 2021 a Christchurch) e Jordan Taufua, mas conseguiu manter a maioria dos seus jogadores-chave casos de Richie Mo’unga, Jack Goodhue, George Bridge, Scott Barrett e David Havili. Scott Robertson tem vindo a solidificar os ‘saders com um plantel recheado de novas “pérolas”, craques e super-estrelas o que garante pontos, vitórias, domínio e favoritismo na renovação do título de campeão de época para época. Mas quem se tem destacado nesta época 2020 pela franquia mais titulada da história do Super Rugby? George Bridge. O defesa/ponta tem realizado consecutivas excelentes exibições revelando uma forma espetacular, o que conferiu sempre uma letalidade sem igual ao três-de-trás dos ainda tricampeões da competição de clubes mais emblemática do Hemisfério Sul.

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Bridge sempre que recebe a oval pavimenta um caminho de constante ameaça, conseguindo criar constantes dificuldades à equipa contrária como se veem pelos 5 tries, 3 assistências, 12 quebras-de-linha, 29 defesas batidos, sendo neste preciso momento a melhor solução para os All Blacks tanto na camisola nº11/14 ou 15. A inteligência que mostra a cada novo jogo é sensacional, percebendo bem como pode desequilibrar os seus adversários seja através do jogo ao pé ou de uma ação rápida começada ou finalizada por si mesmo e mostra-se cada vez mais essencial para meter o contra-ataque dos Crusaders num nível sempre supremo.

David Havili estava a registar uma temporada de excelência até ao momento em que se lesionou, com George Bridge a assumir o lugar do defesa sem descer o nível ou a qualidade nas ações do três-de-trás como “chefe de operações” deste departamento de jogo.

ANDREW KELLAWAY (REBELS)

O ponta, a par de Harry Wilson, parece ter começado a enviar mensagens claras a Dave Rennie que uma nova era para os Wallabies pode começar mas para isso é necessário que deem uma oportunidade a si e à “onda” de juventude australiana que tem se exibido em alta nestas sete primeiras jornadas do Super Rugby.

Andrew Kellaway regista neste momento 7 tries (é o melhor marcador da temporada para já), 14 quebras-de-linha (o 3º melhor só atrás do fantástico Mark Telea e Rosko Speckman), 390 metros conquistados (está no top-5), 9 tackle busts e 4 intercepções, revelando-se como um 3/4’s surpreendentemente veloz e rápido, detentor de uma sagacidade e vontade de apanhar desprevenido o adversário e uma capacidade para perceber em que sítios da defesa contrária pode fazer a diferença libertando-se das “amarras” das combinações ou de ficar-se só pela ponta.

É aquele tipo de ponta que rapidamente vai conquistar uma legião de fãs tanto pelas características técnicas bem trabalhadas ou pelo virtuosismo com que passei dentro das quatro-linhas, evocando uma capacidade quase única para mudar por completo com o ritmo de jogo, sendo como James O’Connor ou Dave Mitchell quando estes surgiram na cena internacional do rugby mundial. Kellaway é um atleta compacto e completo que caminha aceleradamente para atingir um patamar elevado no rugby australiano e dentro de pouco tempo deverá merecer a confiança dos selectors australianos.

HOSKINS SOTUTU (BLUES)

Kieran Read renunciou a sua “coroa” de nº8 dos All Blacks e agora é altura de encontrar o homem que se segue… será Ardie Savea, que é inegavelmente o 3ª linha mais apaixonante de ver a jogar no Hemisfério Sul? Ou esse papel pode ser atribuído a um novo jogador que começou neste momento a marcar presença no Super Rugby? Poderá ser Hoskins Sotutu, o nº8 do futuro da Nova Zelândia então?

Chegou em 2019 aos Blues como medical joker jogando pouco mais do que 1 encontro, conseguindo conquistar um lugar nos Blues de Leon MacDonald para a temporada 2020, mas seria à partida suplente de Akira Ioane ou Tom Robinson. Contudo, e de uma forma completamente surpreendente, Sotutu apareceu logo no arranque da época como dono da camisola nº8 e tem figurado como uma das referências dos Blues com uma panóplia de skills de relativo alto calibre, como aquele gruber realizado contra os Waratahs que ofereceu o 1º try do jogo a Mark Telea, dando ideia que este é um 3ª linha diferente e muito na linha do que foi o melhor Kieran Read.

Com 400 metros já conquistados (é o único avançado a aparecer no top-10) e 23 defesas batidos facilmente é perceptível a forma como se desenvencilha da barreira defensiva adversária para sprintar e sair em velocidade, oferecendo uma arma letal e francamente “agressiva” aos Blues para chegar ingoal oposto. Seja no trabalho após os alinhamentos, no equilíbrio oferecido a partir da formação-ordenada ou o excelente mindset que consegue transmitir aos seus colegas, Hoskins Sotutu tem arrancado elogios por tudo e todos e possivelmente poderá se revelar como uma solução para a posição de 8 dos All Blacks.

 

 

 

TEXTO: Francisco Isaac