Super Rugby sem invictos e com vida dura para os argentinos

ARTIGO COM VÍDEOS – Páscoa apetitosa de rugby no Hemisfério Sul. Nesse fim de semana, o Super Rugby chegou à sua quinta rodada, com oito jogos entre sexta e domingo. O grande destaque ficou por conta do fim da invencibilidade do Sharks, último invicto do certame, derrotado pelo Crusaders. A liderança do Grupo Sul-Africano está nas mãos do Stormers, que foi a Buenos Aires e impôs nova derrota aos Jaguares, que em quatro compromissos somente conseguiram uma vitória até aqui. Destaque também para o triunfo dos Waratahs sobre os Reds, no clássico de maior rivalidade da Austrália, e para o bom jogo dos japoneses do Sunwolves, em Cingapura, perdendo no detalhe para os Bulls. Blues e Lions receberam folga na rodada.

 

Hurricanes passam com tranquilidade pelos Kings

O resultado final, 42-20, não espelha a “verdade” do jogo, já que só nos últimos 6 minutos finais os ‘Canes tiveram a possibilidade de marcar 14 pontos, fruto de duas intercepções, num momento em que os Kings lutavam por chegar à reviravolta no resultado (28-20). N. Laumape foi o primeiro a cruzar a linha de try, com os furacões a jogar muito rápido a partir de ruck, isto devido à qualidade de TJ Perenara (tem sido um dos responsáveis pela subida de forma dos neozelandeses), à passagem do minuto 5. Louis Fouche (qualidade acima da média… veremos se fica nos Kings mais que uma época) converte uma penalidade aos 8’ para dar algum “moral” à equipe da África do Sul. Aos 12’ lá veio o 2º try dos Hurricanes, com A. Thompson, o nº8, a finalizar uma jogada muito simples – mal os Kings a defenderem a linha, com uma subida desfasada, aproveitando os neozelandeses para aproveitar os “buracos” para entrar bem. Aos 25’, Malcolm Jaer, ponta dos sul-africanos, recebe uma bola dentro dos seus 10 metros e com uma execução à “pressa”, realiza um mau pontapé aproveitado pela linha de ¾’s dos Hurricanes para chegar ao 19-03, por Ardie Savea, com uma grande corrida, que mesmo ao sofrer duas tackles e blocagens manteve o objetivo de chegar à área de validação. Uma excelente jogada, aos 29’, de Fouche (que offload no momento que é “tacleado”) permite a Steve Sykes atingir o 19-10. Antes mesmo do “cair do pano” para o intervalo, foi o próprio Fouche a meter o 2º try da sua equipe, graças a uma quebra de linha de Gates, que nem Savea ou Perenara conseguiram parar. Um 19-17 no final da 1ª parte, dando aos fãs que estavam no Estádio Westpac um thriller autêntico. As 5 penalidades cometidas pelos Kings comprometeram, em parte, o seu jogo, já que Beauden Barrett converteu três delas (53’, 57’ e 68’) para Fouche só ter uma hipótese de realizar o mesmo, aos 61’, com 28-20. Deon Davids, treinador destes Southern Kings, acreditava na vitória, pedindo aos seus jogadores para jogarem no risco… jogaram tanto, que aos 72’ permitiram aos Hurricanes chegar ao try da “acalmia”. Loni Uhila, o pilarão que pesa uns 125 kilos, consegue roubar a  bola no contacto e correr desamparado, apoiado por V. Fifita que acaba por receber e devolver a oval para V. Aso (conversão de Barrett) chegar ao try, para o 35-20. Mesmo encima do apito final, novo try dos furacões, de Barrett, a interceptar um alinhamento perdido dos Kings e com uma gula total “devora” mais de 50 metros até chegar aos postes. 42-20, exibição “enorme” do médio de abertura neozelandês (candidato a assumir a vaga de Daniel Carter), bem apoiado por Jason Woodward (mais 100 metros e 13 carries) e TJ Perenara (sempre em alta rotação o médio de formação All Black). Do outro lado, há que destacar CJ Velleman (19 tackles e 4 turnovers já atingiu as 60 tackles neste Super Rugby) e Louis Fouche.

 

Chiefs lidera na Australásia

Chiefs um perigo com a bola na mão, não há dúvidas… e o próprio resultado reflecte o que se passou: um espectáculo ao jeito do Super Rugby. É impressionante ver a equipe de Dave Rennie a jogar rugby, que podia ter 5 vitórias em 5 jogos, não fosse aquela queda frente aos Lions de umas semanas atrás (32-36). Por outro lado, a equipe de Michael Foley continua numa situação muito complicada, tendo unicamente atingindo uma vitória em 5 jogos… e hoje até nem começou mal, já que até aos 30’ estava na frente do resultado por 10-05. A partir daí foi Chiefs Game e não conseguiram fazer até ao final dos 80 minutos. Os registos finais indicam 10 penalidades num total, cinco para cada lado, o que prova que não foi através dos pontapés de penalidade que os Chiefs tiveram uma base para atacar a área de validação dos australianos. Mas houve um setor que os Force tiveram mal e que é fundamental tê-lo dominado para, pelo menos, controlar o seu jogo: os rucks. Em 68 perderam 6 e foi a partir de 3 desses que se iniciaram as jogadas de try dos Chiefs. O 1º try foi um hino ao rugby total, com uma total troca de 10 passes sem que no processos existisse um ruck (já não é a 1ª vez que os de Waikato fazem uma coisa destas), destacando McKenzie, Cruden (aquele offload final é um must) e James Lowe (terminou com um total de 115 metros conquistados). Entre os 15’ e 24’ os Force dominaram o “jogo” atingindo a marca de try (por B. Taupai) e penalidade de P. Grant. O try foi sentido como “picada” motivacional para os Chiefs, partindo para um jogo total de ataque com vários trocas de bola… a Force foi aguentando a pressão, mas os tries foram aparecendo: 1º por Leich, nº8, e o 2º por Ngatai. O 1º centro All Black decidiu enviar uma mensagem a S. Hansen (seleccionador neozelandês) em como pode ser uma das opções para a posição de centro… porquê? Pois neste jogo Ngatai decidiu brindar o jogo com mais 3 tries e várias tackles de grande nível. A sequência de tries foi: Pulu (57’), Lowe (64’) e  McKenzie (72’). Como referimos, Ngatai aproveitou para chegar ao poker com grandes tries aos 61’, 78’ e 80’, premiando a vontade ofensiva dos Chiefs. É impossível destacar alguém na Western Force, o rugby destes australianos está nas “ruas da amargura”, com uma execução infeliz na tackle e falta de qualidade para parar os maiores excentrisismos dos seus adversários. E quem destacar nos Chiefs? Bem Cruden está um belíssimo médio de abertura, com uma facilidade em dar dinâmica e velocidade ao ataque da sua equipe (2 assistências para try). E Ngatai? Esperemos que Hansen tenha recebido a mensagem senão vai obrigar o centro a meter mais um poker para o bem dos Chiefs.

 

Highlanders se impõem em Melbourne

Os guerreiros de Dunedin estão claramente em alta, tanto no ataque como na defesa. Aliás vejam os números de tackle: 128 tackles realizadas, com 11 falhadas… 11 numa totalidade de quase 130. Uma super defesa ao estilo de uns campeões do Super Rugby. E os Rebels? Bem os australianos perante uma defesa destas não obtiveram qualquer try. Como se diz na gíria, uma bom ataque garante jogos, uma boa defesa garante títulos, os Highlanders deram 20 minutos de avanço aos australianos, quase como pendido que tentassem chegar ao try, mas nada… nada aconteceu e nada se passou. Aos 21’, os Highlanders chegam ao try fruto de um pontapé comprido de Aaron Smith, com Jonah Placid a não conseguir dominar a bola no ar, dando espaço a Rob Thompson, o centro, chutar e correr em direcção à área de validação. Os Rebels tentaram aplicar alguma rebeldia e aos 34’ chegam perto dos últimos metros defensivos dos visitantes, mas um knock on de Tom English devolve a oval à formação dos Smiths e Cª. Momento caricato do encontro aos 50’, quando Lima Sopoaga realiza um drop que esbarra com força no poste, ressalta no chão (Placid volta a “adormecer”) e Ben Smith com um gruber inteligente coloca a bola à mercê dos seus pontas, sem que ninguém finalizasse a jogada. 54’Jack Wilson, o ponta, consegue dar a melhor correspondência a um pontapé rasteiro de Thompson, colocando o score para o 20-03. Já com a cabeça algo perdida, os Rebels foram arriscando cada vez mais e sem a eficiência pedida, permitiram uma intercepção de Patrick Osborne, que com muita facilidade chegou ao 27-03. Nada mais a acrescentar, um ataque tremendamente eficaz, estupendamente cruel e brilhantemente executado… os Highlanders vão-se adaptando às necessidades do jogo, atingindo nova vitória neste Super Rugby. É uma das melhores equipas do Mundo, muito pela qualidade técnica que jogadores como Ben Smith, Aaron Smith, Lima Sopoaga, Liam Squire ou Malakai Fekitoa produzem ao longo de 80 minutos. Dos Rebels infelizmente não tivemos um bom Debreczeni ou Placid, “amordaçando” a vontade atacante dos australianos – valeu Sean McMahon, o asa Wallabie está em boa forma.

 

Sunwolves a 3 pontos do paraíso em Cingapura

Nova semana, nova derrota para os japoneses dos Sunwolves… e mais uma vez por números tangenciais. No jogo com as Cheetahs perderam por um ponto, este fim de semana ficaram a três pontos do empate. Os Bulls, atravessam uma fase esquizofrênica conseguindo um domínio em certos pontos do jogo, para depois quase entregá-lo com erros imperdoáveis a este nível… estão muito longe daqueles tempos de maior domínio e em que chegavam a fases finais (não atingem uma fase final desde 2013). Os nipônicos tiveram uma entrada “agressiva” logo com um try de Andrew Durutalo, que acaba por conseguir arrancar a bola do chão (erro de handling de B. Odendaal) e dar um bom início de jogo aos seus lobos. No entanto e mais uma vez, foram os Sunwolves a complicar um jogo que poderia muito bem ter ficado sob seu controlo, com uma série de penalidades cometidas (um total de 16), que Tiaan Schoeman foi aproveitando para atirar aos postes (9 pontos no total). Mas uma boa penalidade não se transmite só em pontapés aos postes, como pode ser apontada para lineouts… e aí “arrancaram” mais dois tries, aos 25’ e 46’ (A. Strauss e R. Smit respectivamente) na sequência de dois mauls dinâmicos. Melhor try do jogo – e talvez do Super Rugby desta jornada – veio aos 56 minutos, das mãos de A. Yamada. O lance foi construído desde os 10 metros defensivos dos Sunwolves, indo de passe em passe (5 no total) para o Flash japonesa) resultou numa scrum, e com uma simples entrada de J. Ulengo voltam a dar uma vantagem confortável. Com um 23-20 aos 64’, os Sunwolves tinham de ir em busca de novo try ou penalidade que lhes possibilitasse ir ao sonho da primeira vitória… porém, nova penalidade para os Bulls (falta no chão da avançada -africanos “armar” uma defesa resistente e combativa para repelir os avanços que Ed Quirk, Tusi Pisi ou Viljoen tentavam suscitar nos japoneses… nas poucas 44 tackles que tiveram de realizar (isto define desde logo um jogo, com várias paragens, muito tempo perdido em scrums ou na gestão de jogo em rucks), mais de 15% foram realizadas em 8 minutos. Ainda assim foi a equipe de Mark Hammett ainda a conseguir chegar à área de try dos touros, a partir de um alinhamento, com Liaki Moli a receber bem a bola e a devolver lá de cima, para Y. Yatomi correr desamparado para o 30-27 (conversão de Pisi). Uma equipe que em 4 jornadas cometeu 45 penalidades acaba por sair sempre derrotada, como foi com os Sunwolves. E que dizer dos Bulls? Continuam a realizar jogos entre a mediocridade e o satisfatório, algo paralisados em momentos críticos do jogo… não têm um jogo “bonito”, o objetivo é ganhar.
 
Como ponto baixo do jogo os apenas 7.500 torcedores que compareceram ao Estádio Nacional de Cingapura. A decisão de levar alguns jogos da franquia japonesa à cidade do Sudeste Asiático já recebe críticas.

 

Brumbies voltam a vencer

Uma vitória é sempre boa para “lamber feridas”, especialmente as da semana passada (derrota frente aos Stormers por 31-11). Neste quase tour pela África do Sul, a equipe dos jogadores S. Moore e D. Pocock garantiu nova vitória por 25-18, que perto do final podia ter ditado outra resultado… era necessário para tal que o passe de N. Marais tivesse tido outra finalização. Ao longo de 80 minutos, os sul-africanos de Bloemfontein do Free State, conseguiram conquistar mais de 300 metros (precisamente 371), com os mesmos carries que os seus adversários da Austrália. Pena, que nos metros finais não tiveram uma concretização melhor, no que foi um dos melhores jogos das chitas do Free State nesta temporada. De qualquer forma, o encontro começou da melhor forma para os Brumbies, com David Pocock a realizar uma excelente intercepção para em pouco mais de 4 fases atingirem o primeiro try do jogo por I. Vaea. Até ao intervalo, surgiu ainda mais um try para cada lado, de U. Cassiem (23’), para os da casa, e A. Toua (35’) dos visitantes, chegarem ao 15-08 (N. Marais e C. Lealiffiano converteram uma penalidade cada). Um combate “exaustivo”, com várias tackles e muitos carries de parte a parte, com David Pocock (sempre ele a realizar um jogo completo, entre 11 plcagens e 6 turnovers) e Matt Toomua a ser um total tanque, parando qualquer ofensiva pelo centro do ataque proporcionada pelas Cheetahs. Shaun Venter realizava um jogo bem interessante, com vários passes (32 no total), a gerir bem o jogo da sua equipe. Na 2ª parte tivemos mais Brumbies, sempre a um galope intenso, apesar da ausência de Kuridrani (não esteve em evidência como de costume) das movimentações de ataque, foram chegando perto da linha da área de validação. Aos 56’ B. Alexander, o 1ª linha, a conseguir dar uma arrancada até à linha de try, com Lealiffiano a converter para o 25-08. A partir deste momento, os australianos foram perdendo presença no território da equipe da casa, recuando – em demasia – para devolver a “esperança” de um empate ou um ponto bônus defensivo. O esforço e trabalho com a bola na mão valeu esse ponto especial com um try bem “arrancado” por C. Blommetjies, que foge a duas tackles e assiste S. Petersen para o 2º try dos sul-africanos. Até aos 80’ os Brumbies souberam “sofrer” (têm uma alma de campeão… só falta o troféu) e voltaram ao caminho das vitórias. Pocock realizou uma boa exibição, com S. Moore a estar menos bem nas fases estáticas (perderam três line outs e duas scrums) e Aidan Toua a garantir uma solidez no trio de trás.

 

Caiu o último invicto do Super Rugby 2016

Melhor jogo da ronda, não há dúvidas, muito pelo equilíbrio entre as duas formações. Os Crusaders parecem estar de regresso ao passado memorável, enquanto os Sharks estão mais completos na construção de jogo e intensidade. Um 19-14 a favor dos cruzados da Nova Zelândia permite ficar a 5 pontos da liderança da sua conferência (Chiefs lideram com 19 pontos com mais um jogo). A oval esteve em largos momentos do jogo sob o poder dos Crusaders, como demonstram os 554 metros conquistados (Sharks tiveram “direito” a 200) para o dobro de carries que tiveram. É uma equipe muito solidária, ante as ordens de Kieran Read, o nº8 All Black, que acabou por ser um dos jogadores com o nome inscrito no placar. O asa centro fez o toque de meta aos 71’, num 2 para 1 criado por Andrew Ellis, o médio de formação dos cruzados. Mas recuemos até ao início de jogo para perceber quem foi um dos jogadores mais irreverentes dentro do perímetro de jogo: Nemani Nadolo. O ponta com uma daquelas entradas, a passe de Ellis, arrasta dois defesas e num belo offload (já fazia falta um destes nesta jornada) dá a oval a D. Havili para o 7-0 inicial (24’). Mais posse, mais controlo e uma vontade em ter a bola nas mãos, obrigou os tubarões a morderem com maior vigor. Se não dá para recuperar a bola nos rucks ou line outs, há que procurá-la na intercepção… Mvovo tentou aos 30’ e conseguiu-o aos 35’, para chegar imparável e sem oposição à linha de try (um flat pass de Mo’unga levou a esse “roubo”). Voltámos do intervalo para Mvovo fazer mais uma “maldade” à linha ofensiva dos Crusaders, com o Speedy Gonzalez sul-africano a interceptar uma bola perdida e fugir em alta velocidade até à linha de try. 14-07, pressão na equipe dos Crusaders, que tinham de fazer algo mais para lutar pela vitória… não basta ter a posse de bola, ter mais carries e ganhar metros atrás metros para esbarrar todas as decisões ofensivas em knock ons ou bolas perdidas. Quando tudo parecia tenebroso para a equipe de Kieran Read – amarelo para Havili na sequência de um ruck, reacção a quente do ponta -, Nadolo lá apareceu no jogo e com um belo side step cai para dentro da área de try mesmo com três oponentes a placá-lo… é um “monstro” autêntico à ponta. Momento seguinte voltaram os Crusaders a chegar ao try, com Johnny McNicholl a chegar ao try… que foi retirado já que o passe de R. Crotty foi realizado quando o centro já pisava a linha de fora. Situação parecida aos 65 minutos para os tubarões, uma vez que Willie Le Roux, no momento do pontapé de Joe Pietersen, está à frente do médio de abertura. Jaco Peyper decidiu bem e considerou legal a jogada. E pronto, aos 71’ chegou o try de Read, a premiar a maior pressão atacante dos Crusaders que “castigou” um jogo inteligente dos Sharks. Mesmo sem o try, Le Roux foi das unidades mais hábeis, com vários metros recuperados. O destaque sul-africano vai para Paul Jordan, completando 12 tackles, um lutador no breakdown, incansável. Nadolo recebe nota máxima, foi sempre o maior instigador atacante dos Crusaders, com 1 try, 1 assistência, 100 metros a ser um cruzado digno de Christchurch.

 

¿Qué pasa, Jaguares?

Dos jogos mais fracos do Super Rugby, sem aqueles lances que caracterizam a maior competição do Hemisfério Sul. Os argentinos continuam fiéis ao seu core, com muito “fogo” dentro de si que voltou a resultar em mais um cartão amarelo de N. Sánchez (2º esta temporada), criando largas dificuldades à sua equipe durante dez minutos. Num jogo em Tomas Lavanini voltou a estar em evidência (se mantiver esta evolução poderá ombrear por um lugar como dos melhores 2ªs linhas a nível mundial), com J. de la Fuente a ser dos jogadores com maior espírito de sacrifício dos argentinos. Do outro lado estavam os Stormers, a equipe que levou ao “tapete” a formação dos Brumbies na semana passada, C. Kolbe a realizar mais uma grande exibição, podendo a vir ser uma unidade de futuro fundamental para a África do Sul. A par dos Highlanders, os Stormers foram a melhor defesa desta semana do Super Rugby, com 135 tackles e 25 falhadas, com S. Notshe (14 tackles), F. Malherbe (o pilar tem subido de forma semana a semana) e S. Burger (entrou na 2ª parte para realizar 8 tackles) a serem os storm troopers da Cidade do Cabo. Kurt Coleman castigou entre os 00 aos 20’ a equipas dos Jaguares com dois pontapés de penalidade, para o 06-00. Sánchez arma também o pé aos 21’, aproveitando um erro infantil do 5 da frente sul-africano. A falta de profundidade e a ausência de quebras de linha foi “enfurecendo” os Jaguares, que perderam uma bola no contacto, recuperada por John-Ben Kotze que acabou por ser parado de forma ilegal pelo médio de abertura dos Pumas, Nicolás Sánchez… cartão amarelo e o pior chegou segundos depois, com um try de Kolbe, a passar, fugir, driblar e a deixar 8 jaguares pelo chão (24’). A partir daqui foi um jogo muito pouco conseguido das duas formações, onde vários erros foram penalizando o jogo dos Jaguares e Stormers, para “tristeza” dos adeptos que se deslocaram ao Jose Amalfitani. De la Fuente ainda teve direito ao try de honra da equipe das Pampas, sem conseguirem chegar ao 2º, com mais de 35 minutos pela frente. A. Creevy esteve longe da sua melhor forma, perdendo 2 scrums, cometendo falta em outras 5. Até nos lineouts, setor que costumam exercer um bom domínio, os argentinos pecaram em alturas que precisavam ter levado para a frente. Foi um jogo decepcionante para quem estava à espera de um encontro do Super Rugby. Para os da casa os 450 metros conquistados ao longo de todo o encontro equivaleram num try e uma penalidade (Sánchez falhou dois pontapés que poderiam ter valido a vitória da sua equipe), muito pouco… os Stormers de forma algo merecida – e reforçamos o fator algo – arrancam 4 pontos na Argentina e continuam na perseguição ao apuramento para o playoff de apuramento de campeão.

 

Waratahs afundam arquirrivais em Brisbane

A suposta pior equipe do Super Rugby esteve perto de um upset frente aos Waratahs e não fosse uma bola perdida no último ruck, tinham dado a cambalhota no resultado. 15-13, os “coalas” foram a 5ª equipe a somar um ponto bônus defensivo no final desta 5ª jornada. Os Waratahs bem podem “limpar o suor” da cara, já que Bernad Foley (5 pontos) transformou os pontapés necessários para lhes garantir uma vitória tangencial. Mas quem esteve evidência na formação visitante foi Israel Folau, o defesa dos Wallabies, a conseguir atingir o seu 2º e 3º try da temporada. O 1º (18’) partiu de uma agressiva quebra de linha por J. Holloway, nº8, que foi placado perto da área de validação, mas os 5 pontos já não fugiam, já que os Reds em contra pé não conseguiram acompanhar a velocidade do ataque dos tahs’. O 2º veio já para lá do tempo regulamentar da 1ª parte, com Michael Hooper (atravessa desde 2015 uma fase brilhante) a realizar um turnover, jogar para Holloway e pouco depois lá apareceu Folau com um pace superior e uma troca de pés que a defesa dos Reds não soube corresponder com uma boa tackle. Atenção, que a equipe da casa tinha ido ao try nos primeiros 5 minutos de jogo, onde a scrum vermelha derrubou a azul, para somar um try de penalidade. 12-07, conseguiriam os Reds devolver a esperança às bancadas do Stadium Suncorp? Jake McIntyre ainda acreditou, com dois pontapés de penalidade convertidos (apesar de ter falhado um terceiro) a repor a vantagem para os coalas. Mas Bernard Foley, decidiu “estragar” o imenso trabalho dos Reds (correram mais de 400 metros com K. Hunt e S. Kerevi a somarem um total de 146 metros), com a conversão de uma penalidade à passagem do minuto 68’. Até ao final do encontro, os Waratahs “divertiram-se” a defender, com Michael Hooper e Jed Holloway a pararem os avanços dos Reds… sem penalidades, sempre algo a destacar. No final que história pode-se contar? Igual aos Highlanders e  Stormers, os Waratahs tiveram uma postura formidável no contacto, levando a cabo 105 tackles para 20 que não entraram, perfazendo 82% de sucesso. Os Reds em 56 deixaram escapar 16, um dado algo preocupante para os lados de Queensland. Porém, em abono da verdade, os Reds estão bem melhores em tudo: scrum consistente (apesar de terem perdido duas em doze), alinhamento mais “inteligente”, bom uso da bola e outra “alegria” em jogar. Há, no entanto, um setor a trabalhar o mais rápido possível: domínio do ruck. Já na semana passada ressentiram-se na segurança e equilíbrio nos rucks, com 9 perdas de bola em 79, um deles até resultou no 2º try dos Waratahs. Estão mais “agressivos”, com uma vontade superior em jogar, denotando-se Jack McIntyre, Nick Frisby e Samu Kerevi. Se compararmos as duas franquias, os Waratahs têm vários jogadores de seleção, com Folau, Kuridrani, Nick Phipps, Kurtley Beale, Bernard Foley ou Michael Hooper (entre outros tantos). Perante isto é justo dizer que os Reds estão a dar a resposta certa, falta só quererem assumir a “sorte” do jogo.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Hurricanes 42 x 20 Kings

Chiefs 53 x 10 Force

Rebels 03 x 27 Highlanders

Sunwolves 27 x 30 Bulls

Cheetahs 18 x 25 Brumbies

Sharks 14 x 19 Crusaders

Jaguares 08 x 13 Stormers

Reds 13 x 15 Waratahs

 

Equipe Conferência* País Cidade Jogos Pontos
Grupo Australásia
Hurricanes Neozelandesa Nova Zelândia Wellington 15 53
Highlanders Neozelandesa Nova Zelândia Dunedin 15 52
Chiefs Neozelandesa Nova Zelândia Hamilton 15 51
Crusaders Neozelandesa Nova Zelândia Christchurch 15 50
Brumbies Australiana Austrália Canberra 15 43
Waratahs Australiana Austrália Sydney 15 40
Blues Neozelandesa Nova Zelândia Auckland 15 39
Rebels Australiana Austrália Melbourne 15 31
Reds Australiana Austrália Brisbane 15 17
Force Australiana Austrália Perth 15 13
Grupo África do Sul
Lions África 2 África do Sul Joanesburgo 15 52
Stormers África 1 África do Sul Cidade do Cabo 15 51
Sharks África 2 África do Sul Durban 15 43
Bulls África 1 África do Sul Pretória 15 42
Jaguares África 2 Argentina Buenos Aires 15 22
Cheetahs África 1 África do Sul Bloemfontein 15 21
Kings África 2 África do Sul Porto Elizabeth 15 09
Sunwolves África 1 Japão Tóquio 15 09

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Escrito por: Francisco Isaac

Foto: SuperRugby.com

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