Tupis em campo no sábado em Londres na decisão da Série Mundial de Sevens

O título da Série Mundial de Sevens Masculina 2015-16 será decidido nesse fim de semana em Twickenham! Londres receberá entre sábado (21) e domingo (22) a décima e última etapa da temporada 2015-16, o último grande torneio masculino antes do Rio 2016. O Brasil participará do torneio na condição de convidado e terá a chance de chegar aos Jogos Olímpicos com ainda mais rodagem e, quem sabe, com alguma vitória na bagagem para ganhar confiança em agosto de que voos maiores podem ser possíveis.

 

Porém, todas as atenções do mundo estarão nas disputas pelo título e contra o rebaixamento, que ainda não foram encerradas. Fiji irá à Inglaterra com uma imensa vantagem na liderança do circuito: 14 pontos de frente sobre a vice líder África do Sul, o que significa que só uma hecatombe tirará dos fijianos seu terceiro título da Série Mundial – o segundo consecutivo, feito inédito. Com tamanha diferença, o título mundial poderá ser de Fiji ainda no sábado, bastando aos fijianos apenas terminarem o torneio entre os oito melhores.

 

Além da briga pelo título da temporada entre Fiji e África do Sul, terminar a temporada em alta com um título está nas pretensões de todas as seleções que irão ao Rio 2016. Nada menos que as 10 primeiras colocadas da temporada terminaram ao menos uma etapa de 2015-16 entre os três primeiros lugares, sendo que cinco seleções diferentes foram campeãs de etapas ao longo de novo torneios.

 

Já na luta contra o rebaixamento, destinado ao último colocado do circuito, Portugal e Rússia jogam pela vida em Twickenham. Os russos somam hoje 6 pontos a mais que os portugueses.

 

O torneio deverá ter transmissão para o Brasil pelo BandSports, ainda a definir.

 

Brasil na busca por um triunfo alvissareiro

Os Tupis terão um sábado a se lembrar por muito tempo: pela primeira o Brasil irá encarar os All Blacks. O Grupo D conta com Nova Zelândia, Argentina, Rússia e Brasil, que terá um grande desafio em sua terceira visita ao “Templo do Rugby”, Twickenham.

 

Apesar de histórico, o jogo contra os All Blacks não é o maior objetivo dos Tupis. Contra a Argentina, o fato do Brasil já estar acostumado com jogos anuais contra os Pumas poderá abrir melhores oportunidades para os brasileiros. Mas, mais acessível para o Brasil arrancar uma vitória é o duelo com a Rússia, penúltima colocada do circuito, naquele que também será o primeiro confronto na história entre os dois países no masculino. Atenção no time russo para Vladislav Sozonov, vice artilheiro em tries em Paris.

 

Diferentemente dos duelos em Vancouver e em Paris contra o lanterna Portugal, o confronto com os russos acontecerá no primeiro dia de jogos, o que significa mais chances para o Brasil de um histórico sucesso, sem o desgaste do segundo dia – e com a vantagem de que, também ao contrário dos torneios de Vancouver e Paris, os Tupis não encaram o desafio de sevens com apenas um final de semana de distância do último jogo de XV. Paris deverá ter servido para o time do técnico Andrés Romagnoli como uma retomada preciosa ao ritmo do sevens, o que poderá resultar em uma equipe que conseguirá colocar melhor em prática seu plano de jogo. O elenco para o torneio na Inglaterra é praticamente o mesmo que jogou em Paris, tendo apenas a saída de Stefano Giantorno – que foi Top 10 do torneio de Paris em tackles – para a entrada de Daniel Sancery.

 

Além dos jogos envolvendo o Brasil, o grupo promete muito com o embate entre Nova Zelândia e Argentina. Os neozelandeses não fazem grande campanha nesta temporada, mas parte disso se deve à estratégia de poupar atletas de olho nos Jogos Olímpicos. Para as etapas finais do circuito, Gordon Tietjens, treinador dos All Blacks, apostou em um elenco inexperiente como parte dessa estratégia. Ainda assim, novatos como os irmãos Ioane vem dando o que falar no circuito, apoiados por jogadores mais experientes, como Sonny Bill Williams, Liam Messam, Tim Mikkelson e DJ Forbes, que ainda não foram confirmados em Londres, mas viajaram com o grupo. Já a Argentina está seguindo o caminho de outras grandes seleções do mundo e incorporando craques do XV na reta final. Em Londres, os Pumas contarão com três dos grandes nomes da última Copa do Mundo: Juan José Imhoff, Santiago Cordero e Matías Moroni, que se somaram a nomes ascendentes no cenário internacional, como Axel Muller, um dos melhores da última etapa, e Bautista Ezcurra, segundo maior “tackleador” do circuito. O status argentino para a reta final apenas subiu e a Argentina é candidata forte aos primeiros lugares em Londres.

 

Fiji perto da glória

O centro das atenções em Londres é Fiji, que tem tudo para fechar sábado campeão mundial. Fiji, no entanto, sabe que a taça não está assegurada de forma alguma, ainda mais tendo caído em um grupo complicado, com Austrália, Inglaterra e Gales.

 

Fiji fez uma grande campanha em Paris, mas caiu na final de forma preocupante contra Samoa, de virada, o que pesa na necessidade fijiana de fechar a temporada não apenas com o título do circuito, mas com mais uma conquista de etapa. Para isso, Ben Ryan contará em seu elenco com uma novidade muito aguardada: Jarryd Hayne, ídolo do rugby league, que agora desembarcará no sevens – precisando, é verdade, de tempo para se adaptar, mas gerando expectativas grandes. Veremalua e Tuisova despontaram em Paris, entrando para o time do torneio.

 

A Austrália desponta como a segunda força do grupo, ciente de que é a única das quatro melhores seleções da temporada que ainda não venceu uma etapa em 2015-16, enquanto a anfitriã Inglaterra corre por fora, jogando suas fichas de evolução no torneio em casa, depois de um circuito decepcionante. Os aussies depositam grandes esperanças em uma das maiores revelações da temporada, o jovem Hutchinson, que está entre os candidatos a “novato do ano”.

 

No Grupo A, a África do Sul se apega às suas chance derradeiras de título mundial, mas sabe que, de forma realista, o que realmente interessará em Twickenham é quebrar o incômodo jejum de títulos. Apesar de ocuparem a vice liderança da temporada, os Boks não sobem no posto mais alto de uma etapa do circuito desde o ano passado e se o time do artilheiro Seabelo Senatla pretende entrar confiante na busca pelo ouro no Rio 2016 é necessário reencontrar agora o caminho das glória.

 

A África do Sul terá como grande concorrente a renascida Samoa, campeão da etapa de Paris. Na França, Samoa provou ser uma seleção de ponta do sevens mundial e em plena renovação, conquistando seu primeiro título desde 2012. A liderança do capitão Faalemiga Selesele devolveu a confiança aos samoanos, que agora têm a cabeça mais voltada para junho do que qualquer outra coisa, já que Samoa ainda terá que disputar o Pré-Olímpico Mundial, não tendo assegurada ainda uma vaga no Rio 2016.

 

E, em Londres, Samoa terá a oposição da seleção que talvez será sua principal concorrente no Pré-Olímpico: o Canadá, que vem decepcionando na temporada. Os canadenses precisam causar impacto agora na Inglaterra para recuperarem a confiança de olho na decisão da vaga olímpica. Fechando o grupo estão os Estados Unidos, que caíram profundamente de rendimento nos últimos torneios, mas parecem seguir a mesma lógica dos neozelandeses, reduzindo o rendimento agora para pensar em agosto. Olho no artilheiro Perry Baker.

 

Por fim, França e Quênia despontam como as principais forças do Grupo C. Os quenianos vão a Londres credenciados pelo título de Singapura e embalados pela possibilidade de fecharem a temporada com o maior artilheiro de tries da história do circuito, Collins Injera, que precisa de apenas 3 tries para superar o argentino Santiago Gómez Cora. A França, por sua vez, mostrou que, assim como o Quênia, está em ascensão na reta final do circuito, empurrada pelo genial Vakatawa, uma das grandes estrelas hoje da Série Mundial de Sevens. Mas, para Londres, os Bleus não terão o mágico Bouhraoua, que deverá fazer falta.

 

A Escócia emerge como a terceira força do Grupo C, mas muitas atenções recairão sobre Portugal, que jogará sua vida em Twickenham na busca pela salvação. O grupo favorece os portugueses, que terão pela frente seleções que apresentaram grandes oscilações ao longo da temporada, o que significa que os lusos ganharam esperanças reais na disputa. Duarte Moreira foi um dos grandes nomes de Paris.

 

SWS 2015-16 logo

London Sevens – 10ª etapa da Série Mundial de Sevens Masculina 2015-16 – em Londres, Inglaterra

Grupo A: Samoa, África do Sul, Estados Unidos e Canadá

Grupo B: Fiji, Austrália, Inglaterra e Gales

Grupo C: França, Quênia, Escócia e Portugal

Grupo D: Argentina, Nova Zelândia, Rússia e Brasil

 

*horários de Brasília

Sábado, dia 21 de maio – das 05h30 às 14h40

França x Escócia

Quênia x Portugal

Samoa x Estados Unidos

África do Sul x Canadá

Argentina x Rússia

Nova Zelândia x Brasil – às 07h20

Austrália x Gales

Fiji x Inglaterra

 

França x Portugal

Quênia x Escócia

Samoa x Canadá

África do Sul x Estados Unidos

Argentina x Brasil – às 10h26

Nova Zelândia x Rússia

Fiji x Gales

Austrália x Inglaterra

 

Escócia x Portugal

França x Quênia

Estados Unidos x Canadá

Samoa x África do Sul

Rússia x Brasil – às 13h10

Argentina x Nova Zelândia

Fiji x Austrália

Inglaterra x Gales

 

Domingo, dia 22 de maio – das 05h30 às 14h30

Finais

 

Seleção* Pontos – Classificação Geral Etapa 10 (Inglaterra) Etapa 9 (França) Etapa 8 (Singapura) Etapa 7 (Hong Kong) Etapa 6 (Canadá) Etapa 5 (Estados Unidos) Etapa 4 (Austrália) Etapa 3 (Nova Zelândia) Etapa 2 (África do Sul) Etapa 1 (Emirados Árabes)
Fiji 181 15 19 19 22 15 22 17 17 13 22
África do Sul 171 19 13 17 17 19 17 15 19 22 13
Nova Zelândia 158 13 10 12 19 22 13 22 22 10 15
Austrália 134 07 12 10 15 17 19 19 13 10 12
Argentina 119 12 15 15 08 05 10 13 12 19 10
Estados Unidos 117 17 05 07 12 12 15 10 10 12 17
Quênia 98 03 10 22 10 01 10 12 10 15 05
Inglaterra 92 10 07 05 13 05 01 10 15 07 19
Samoa 89 05 22 13 05 13 03 07 08 03 10
Escócia 87 22 08 08 07 10 05 05 07 08 07
França 85 10 17 10 05 07 07 01 03 17 08
Gales 54 08 02 02 10 10 08 03 01 05 05
Canadá 40 05 01 01 02 08 02 08 05 05 03
Rússia 28 02 05 03 03 03 05 02 02 02 01
Portugal 21 01 03 05 01 02 01 05 01 01 01
*Apenas as seleções centrais
Etapa Campeão
Etapa 1 (Emirados Árabes) Fiji
Etapa 2 (África do Sul) África do Sul
Etapa 3 (Nova Zelândia) Nova Zelândia
Etapa 4 (Austrália) Nova Zelândia
Etapa 5 (Estados Unidos) Fiji
Etapa 6 (Canadá) Nova Zelândia
Etapa 7 (Hong Kong) Fiji
Etapa 8 (Singapura) Quênia
Etapa 9 (França) Samoa
Etapa 10 (Inglaterra) Escócia

– 15º colocado = rebaixamento.

Pontuação:
1º – 22 pontos; 2º – 19 pts; 3º – 17 pts; 4º – 15 pts;
5º – 13 pts; 6º – 12 pts; 7º e 8º – 10 pts;
9º – 8 pts; 10º – 7 pts; 11º e 12º – 5 pts;
13º – 3 pts; 14º – 2 pts; 15º e 16º – 1 pt.



Brasil
: André Luiz Silva “Boy” (SPAC); Felipe Claro “Alemão” (SPAC); Felipe Sancery (São José); Gustavo Albuquerque “Rambo” (Curitiba); Juliano Fiori (Richmond, Inglaterra); Laurent Bourda Couhet (Band Saracens); Lucas Muller (Desterro); Lucas Domingues “Sábados” (Curitiba); Lucas Duque “Tanque” (São José); Martin Schaefer (SPAC); Moisés Duque (São José) e Daniel Sancery (São José) .

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