Mais antigo e ainda assim muito atual e tão esperado. Nesse fim de semana, a Europa irá parar de olho na abertura do Six Nations Championship, o Torneio das Seis Nações, que envolve anualmente as 6 grandes seleções europeias: Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália. Tudo com transmissão da ESPN para o Brasil.

 

O que é preciso saber do Six Nations?

Disputado desde 1883, o Six Nations é um dos grandes torneios anuais do rugby mundial e tem um formato simples:

  • O Six Nations tem 6 seleções, que se enfrentam em turno único, com 5 rodadas no total. Cada seleção disputa 3 ou 2 partidas em casa e 3 ou 2 fora de casa. No ano seguinte, os mandos de jogo se invertem;
  • O sistema de pontuação é o consagrado no rugby mundial: 4 pontos para a vitória, 2 pontos para o empate, 1 ponto para a derrota por 7 pontos ou menos de diferença, 0 pontos para derrotas superiores a 7 pontos de diferença e 1 ponto a mais para qualquer seleções que marque 4 ou mais tries na mesma partida;
  • Ao final da competição, uma equipe que tenha vencido todos os seus jogos recebe mais 3 pontos na classificação, para que se evite que uma equipe que tenha menos vitória seja campeã por conta dos pontos bônus;
  • O Six Nations não conta com rebaixamento, com todas Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália garantidas em todos os anos;
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Além do título do campeonato, o Six Nations conta com outros troféus e disputas:

  • Grand Slam: máxima conquista do Six Nations, trata-se do título ganho com 5 vitórias em 5 jogos;
  • Tríplice Coroa (Triple Crown): troféu disputado apenas entre Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda e dado à equipe entre essas quatro que derrota as demais três;
  • Colher de pau (Wooden Spoon): o último colocado “ganha” a simbólica “colher de pau”;
  • Calcutta Cup: taça dada ao vencedor do jogo entre Inglaterra e Escócia;
  • Millennium Trophy: taça dada ao vencedor do jogo entre Inglaterra e Irlanda;
  • Centenary Quaich: taça dada ao vencedor do jogo entre Irlanda e Escócia;
  • Troféu Giuseppe Garibaldi: taça dada ao vencedor do jogo entre França e Itália;


O que esperar do torneio?

Quem tem mais chances de títulos? Quais as ambições de cada seleção? Favoritismo para a Inglaterra, com a Irlanda aparecendo como a principal competidora e com a Escócia correndo por fora.

 

Inglaterra

Em 2017, a Inglaterra do técnico Eddie Jones faturou seu segundo título consecutivo e agora em 2018 busca um feito inédito: jamais até hoje um país conquistou por três anos seguidos o Six Nations. Em 121 anos de disputas!

Os ingleses terão um elenco poderoso, mas sofreram baixas importantes, como Billy Vunipola, Nathan Hughes, Henry Slade ou James Haskell. Porém, Jones – que venceu 22 de seus 23 tests no comando da Rosa desde 2016 – conta com o mais farto elenco da Europa – liderado pelo capitão Dylan Hartley, pelo cérebro Owen Farrell e pela máquina de tackles Maro Itoje – e montou uma equipe capaz de vencer partidas de todos os jeitos, com todas as propostas. O jogo inglês a partir de laterais vem se provando uma máquina letal, ao passo que a linha da Rosa apresenta sempre composições que propiciam múltiplas escolhas, com carregadores de bola competentes, chutadores eficientes e finalizadores perfeitos.

A Inglaterra ainda terá a vantagem de receber a Irlanda, em jogo crucial, sendo desde já a maior favorita ao título.

 

irlanda copy

Irlanda

A Irlanda derrotou a Inglaterra e, mesmo não tendo impedido o título inglês, provou do que é capaz e também está confiante na luta pela taça. Os irlandeses são os mais cotados para destituírem a Inglaterra de seu trono, mas terão o desafio de visitarem os ingleses. O técnico Joe Schmidt viveu tempos de inconsistência com o Trevo, mas no ano passado a equipe voltou a dar um salto de qualidade, vencendo não são a Rosa, mas todos os países do Hemisfério Sul ao longo da temporada 2016-17.

Os verdes, como todos os times, sofreram perdas importantes por lesões, como Sean O’Brien, Garry Ringrose, e Rhys Ruddock, mas estão alicerçados em campanhas fortes de Leinster e Munster ao longo da temporada. A profundidade do elenco impressiona, assim como a chegada de bons novos talentos, como o tacledor fenomenal Josh van der Flier, Bundee Aki e Jordan Larmour. Jonny Sexton e Connor Murray seguem como poderosas armas, sendo uma das melhores duplas europeias.

 

Escócia

Quem viveu, viu. Finalmente, a Escócia largou a posição de patinho feio do Reino Unido para virar protagonista. Os escoceses não vencem o título europeu desde 1999, quando a competição ainda era chamada de Cinco Nações. Desde então, nunca a Escócia esteve tão forte e confiante como agora, com um elenco capaz de brigar definitivamente pelo título, com o comando do ídolo Gregor Townsend de técnico. A Escócia tem uma linha estrelada, com nome da qualidade de Stuart Hogg, Tommy Seymour e Mark Bennett, além da liderança de Greig Laidlaw e John Barclay. Porém, o pack escocês sofreu pesadas perdas, em especial na primeira e segunda linhas, o que fará com que o Cardo sofra no jogo de contato.

Contra os escoceses também está o fato de jogarem 3 partidas fora de casa, incluindo o embate com a Irlanda. Mas os azuis receberão a Inglaterra e isso sempre empolga a Escócia.

 

Gales

Gales virou um hospital, com uma qualidade inacreditável de pesadas perdas para o torneio, que deixam os vermelhos na prática fora do páreo direto pelo título.Quer uma lista? George North, Jonathan Davies, Rhys Webb, Rhys Priestland, Dan Biggar, Liam Williams, Sam Warburton e Dan Lydiate. Pesadelo.

Os galeses já não vinham enchendo os olhos, com o técnico Warren Gatland sem conseguir extrair o melhor de seu elenco. Gales ainda terá que visitar Inglaterra e Irlanda, para dificultar as coisas ainda mais. Porém, apesar das perdas, o rugby galês foi pródigo em revelar bons jovens jogadores nos últimos tempos, como Steff Evans e Hadleigh Parkes na linha, Rhys Patchell na criação ou Ross Moriarty na terceira linha, e ainda pode contar com um elenco forte. Prova disso é a temporada magnífica dos Scarlets, que estão voando baixo no PRO14 e Copa Europeia, praticando um rugby que, no entanto, passa bem longe do tipo de jogo de Gatland. Mudanças pela sobrevivência à vista?

 

França

Pesadelo mesmo vive a França, que vive talvez o pior momento de sua história, tendo trocado de técnico na virada de ano. Com pouco tempo para reerguer os Bleus, o técnico Jacques Brunel está numa enrascada e resolveu “radicalizar”. Para o Six Nations, a França estará recheada de jovens jogadores, em uma aposta na ousadia e improviso tradicionais do rugby francês como arma para superar a falta de conjunto do time. Como ponto de segurança, o pack francês segue muito forte, liderado por nomes de peso como Guirado e Slimani – mas o último corte de Picamoles é bastante questionáveis. Na terceira linha, o jovem Macalou é apontado como uma futura estrela mundial.

O maior problema estará mesmo na capacidade defensiva e na qualidade criativa. Brunel colocará na fogueira os jovens aberturas Belleau (21 anos) e Jalibert (19 anos) e os scrum-halves Dupont (21 anos) e Serin (23 anos). O resultado pode ser o pior resultado possível ou uma leve melhor. Faça suas apostas, pois a França ainda dará o que falar – para bem ou para mal.

 

Itália

Eterna favorita ao último lugar, a Itália tem motivos para entrar otimista no Six Nations 2018. Os times italianos vem fazendo no PRO14 campanhas acima do normal, mostrando evolução, e isso deverá se refletir da seleção. O problema para os Azzurri ficarem otimistas está no fato de fazerem somente 2 jogos em casa, tendo que visitar Gales e França, equipes hoje mais acessíveis para os italianos sonharem com vitórias.

Ainda assim, o técnico Conor O’Shea é paciente e trabalha no longo prazo com seu time, sendo também criativo o bastante para criar formas da Itália produzir – como a infame tática do “sem ruck” do ano passado. O torneio de 2018 será importante para se avaliar o quanto realmente o rugby italiano evoluiu sob seu comando.

 

Tabela 2018

Dia 03/02 – Gales x Escócia, em Cardiff

Dia 03/02 – França x Irlanda, em Paris

Dia 04/02 – Itália x Inglaterra, em Roma

 

Dia 10/02 – Irlanda x Itália, em Dublin

Dia 10/02 – Inglaterra x Gales, em Londres

Dia 11/02 – Escócia x França, em Edimburgo

 

Dia 23/02 – França x Itália, em Marselha

Dia 24/02 – Irlanda x Gales, em Dublin

Dia 24/02 – Escócia x Inglaterra, em Edimburgo

 

Dia 10/03 – Irlanda x Escócia, em Dublin

Dia 10/03 – França x Inglaterra, em Paris

Dia 11/03 – Gales x Itália, em Cardiff

 

Dia 17/03 – Itália x Escócia, em Roma

Dia 17/03 – Inglaterra x Irlanda, em Londres

Dia 17/03 – Gales x França, em Cardiff

 

Histórico

PaísTítulos totaisTítulos desde 2000Grand SlamsTríplices CoroasColheres de PauParticipações
Inglaterra28 (10)6132525121
Gales26 (12)4112021123
França17 (8)59-1888
Escócia15 (9)031033123
Irlanda13 (9)321036123
Itália000-1218
- Na coluna títulos estão o número de títulos "inteiros" e entre parênteses o número de títulos "divididos" de cada país;

- Até 1988, quando duas ou mais equipes terminavam empatadas em primeiro lugar em número de pontos o título era dividido entre essas duas ou mais seleções. A partir de 1989 critérios de desempate foram adotados para definir apenas um campeão por ano;

- Grand Slam = Quando uma equipe vence todas as partidas do torneio;

- Tríplice Coroa (Triple Crown) = Quando Inglaterra, Escócia, Gales ou Irlanda derrotam todos as demais nações dos Ilhas Britânicas. França e Itália não disputam a Tríplice Coroa;

- Colher de Pau = Quando uma seleção perde todas as partidas na competição;

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Histórico:

1883 - 1909 - Home Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda);

- Inglaterra não participou em 1888 e 1889; 1885, 1897 e 1898 não foram terminados;

1910 - 1914 - Five Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda e França);

1915 - 1919 - Interrupção pela Primeira Guerra Mundial;

1920 - 1931 - Five Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda e França);

1932 - 1939 - Home Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda);

1940 - 1946 - Interrupção pela Segunda Guerra Mundial;

1947 - 1999 - Five Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda e França);

- 1972 não foi terminado por crise política na Irlanda;

- 2000 - hoje - Six Nations Championship (Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália);