Wallabies vencem Springboks no banco e no coração

ARTIGO COM VÍDEO – Um jogo com emoção de Copa do Mundo e um final de tirar o fôlego. Foi assim que a Austrália abriu sua campanha com vitória no Rugby Championship, derrotando no apagar das luzes a África do Sul, em um jogo de idas e vindas que premiou não apenas a perseverança dos Wallabies como também o técnico Michael Cheika, que identificou os problemas em sua formação inicial e encontrou no segundo tempo a melhor forma de jogar para seu time, ao contrário de Heyneke Meyer, que viu seus Springboks caírem de produção na segunda etapa após a saída dos irmãos Du Plessis. O resultado foi uma epopeia de 24 x 20 para os donos da casa, que deram grandes esperanças a seu torcedor para o Mundial. Se o australiano não lotou o Suncorp Stadium em Brisbane neste fim de semana, por desconfiança, certamente terá outros olhos para sua seleção nos próximos meses.

 

A partida começou com mais movimentação da Austrália, porém a primeira chance foi verde. Aos 5′, Handré Pollard teve a possibilidade de abrir o placar para os Springboks, mas acertou a trave em penal. Pollard acelerou o jogo para os visitantes e garantiu maior mobilidade ao time, acionando com qualidade os forwards, que foram garantindo o domínio sul-africano no jogo. Depois de desperdiçar a primeira boa chance de try para os Boks, com knock-on, Pollard inaugurou o marcador com penal certeiro aos 15′, punindo a Austrália pelo início conservador e comedido.

 

Levando ampla vantagem no jogo de contato, sobretudo na primeira linha, a África do Sul não tardou a ampliar o placar com novo penal de Pollard aos 26′. Quade Cooper teve a chance três minutos depois para descontar para os donos da casa, mas falhou em seu primeiro penal de longa distância. Sem problemas, pois o momento já pendia a favor dos aussies e, aos 33′, o bom trabalho no lateral teve sequência com Quade Cooper, que deu um desconcertante passe para dentro, invertendo a linha e encontrando o ponta Adam Ashley-Cooper, que, buscando o meio do campo, foi fulminante para o try. Conversão e virada, 7 x 6 para os dourados.
A resposta foi na mesma moeda e veio no minuto final da primeira etapa. Jogando em vantagem, Handré Pollard desferiu chute cruzado para cima de Israel Folau, mal posicionado; Habana ganhou no ar e Le Roux deixou com Etzebeth, que atropelou. Virada, 13 x 7 para a África do Sul. Inferior na posse de bola e no scrum, a Austrália deu espaços para a África do Sul, exerceu pouca pressão no breakdown e permitiu que os Boks largassem na frente com méritos, enquanto a dupla Quade Cooper e Will Genia não mostrava efetividade e Matt Giteau ainda sentia a volta ao Hemisfério Sul.

 

Na volta dos vestiários, a situação se agravou para os Wallabies, que viram os Springboks arrepiarem com um try sensacional de Jesse Kriel. Após receber offload de Habana, o jovem centro costurou a defesa dourada, quebrou três tackles e anotou o segundo try dos visitantes. 20 x 7, aos 44′. Parecia que o passeio estava desenhado, mas ainda havia muito jogo. David Pocock ingressou nos Wallabies logo depois e, aos 49′, Heyneke Meyer substituiu a primeira linha inteira dos Springboks, o que se provou decisivo para a sorte dos visitantes.

 

A Austrália cresceu, Cooper descontou acertando seu primeiro penal para a Austrália, aos 54′, enquanto a África do Sul caía de rendimento. Aos 61′, o abertura dos Reds teve nova chance de penal, mas desferiu um chute inacreditavelmente ruim, jogando fora a chance. Ainda assim, o volume de jogo crescia a favor dos australianos e Matt Giteau conseguiu grande infiltração na sequência. Michael Cheika tomou em seguida a decisão certa, sacou a dupla Genia-Cooper, de fraca temporada, apostou em Nick Phipps e deslocou Giteau para a abertura, colocando em campo Matt Toomua, para fazer dupla a dupla do Brumbies com Kuridrani nos centros. E a equipe ganhou em qualidade, ganhando em território, pressão e ritmo. A resposta de Meyer foi colocar Cobus Reinach e Pat Lambie, mas ambos entraram sem inspiração. Cooper ainda voltaria a campo para atendimento temporário de Giteau, e foi ousado ao colocar para a lateral penal chutável, aos 68′. Já aos 72′, a Austrália ganha outro penal e mais uma vez opta por tentar o try, escolhando scrun. O pack aussie funciona e Nick Phipps conduz com maestria dando passe curto inesperado para Michael Hooper quebrar a defesa e cravar o try da esperança australiana, convertido por Cooper. 20 x 17, Boks ainda por um fio em vantagem, mas com o rendimento físico caindo minuto a minuto.

 

O resultado foi domínio absoluto dos Wallabies nos minutos derradeiros, pondo à prova a defesa sul-africana. Aos 78′, veio a chance de ouro para os australianos, mas Giteau desferiu um péssimo chute de penal, perdendo a possiblidade do empate. Parecia que a África do Sul sobreviveria, mas no minuto seguinte os Boks cederam outro penal, já fatigados, e, ao invés de pedir o chute, a Austrália ousou e confiou que era hora de ir para o lateral, com segundo restando. O prêmio foi merecido. O anfitriões trabalharam as fases com correção e, já com o tempo regulamentar há muito esgotado Kuridrani rompeu para o try da vitória. O lance foi difícil, Nigel Owens chamou o TMO, e o vídeo mostrou a bola triscando a linha. Vitória nos milímetros, 24 x 20!

 

Com a vitória, o Mandela Challenge Plate voltou para as mãos da Austrália pela primeira vez desde 2012. Na próxima rodada, sábado que vem, os Wallabies fazem seu único jogo fora de casa no certame, contra os Pumas, ao passo que os Springboks jogam a vida no torneio em casa contra os All Blacks, na partida mais aguardada do torneio.

 

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Austrália 24 x 20 África do Sul, em Brisbane

Árbitro: Nigel Owens (Gales)

 

Austrália

Tries: Ashley-Cooper, Hooper e Kuridrani

Conversões: Cooper (2) e Giteau (1)

Penais: Cooper (1)

15 Israel Folau, 14 Adam Ashley-Cooper, 13 Tevita Kuridrani, 12 Matt Giteau, 11 Rob Horne, 10 Quade Cooper, 9 Will Genia, 8 Scott Higginbothan, 7 Michael Hooper, 6 Scott Fardy, 5 Rob Simmons, 4 Will Skelton, 3 Sekope Kepu, 2 Stephen Moore (c), 1 James Slipper.

Suplentes: 16 Tatafu Polata-Nau, 17 Scott Sio, 18 Greg Holmes, 19 James Horwill, 20 David Pocock, 21 Nick Phipps, 22 Matt Toomua, 23 Drew Mitchell.

 

África do Sul

Tries: Etzebeth e Kriel

Conversões: Pollard (2)

Penais: Pollard (2)

15 Willie le Roux, 14 JP Pietersen, 13 Jesse Kriel, 12 Damian de Allende, 11 Bryan Habana, 10 Handré Pollard, 9 Ruan Pienaar, 8 Schalk Burger, 7 Marcell Coetzee, 6 Francois Louw, 5 Victor Matfield (c), 4 Eben Etzebeth, 3 Jannie du Plessis, 2 Bismarck du Plessis, 1 Tendai Mtawarira.

Suplentes: 16 Adriaan Strauss, 17 Heinke van der Merwe, 18 Frans Malherbe, 19 Lodewyk de Jager, 20 Teboho Mohoje, 21 Cobus Reinach, 22 Pat Lambie, 23 Lwazi Mvovo.

 

 

País Apelido Jogos Pontos
Austrália Wallabies 3 13
Nova Zelândia All Blacks 3 9
Argentina Pumas 3 5
África do Sul Springboks 3 2

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