ARTIGO ATUALIZADO – Nações irmãs dentro e fora de campo. Portugal e Brasil irão se enfrentar nessa quinta-feira, dia 1º de dezembro, pela segunda vez na história, a primeira em solo português. O palco será o Estádio Municipal “Sérgio Conceição” de Taveiro, em Coimbra, um dos bastiões do rugby português, com seus cerca de 3 mil lugares.

 

Por séculos a Universidade de Coimbra, fundada em 1537, iluminou mentes lusas e brasileiras e desta vez iluminará os caminhos da ovalada nos dois países. Para os Tupis, o jogo é muito significativo a fins inclusive de medição da evolução vivida pela seleção brasileira. Em 2013, Brasil e Portugal se enfrentaram pela primeira vez, com a Arena Barueri assistindo a uma vitória por 68 x 0 de Portugal, com um elenco recheado de atletas que haviam defendido a camisa lusa na Copa do Mundo de 2007 e em tantos torneios da Série Mundial de Sevens.

 

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Desde então, quem cresceu foi o Brasil e o jogo na casa portuguesa servirá para mostrar o tamanho da evolução vivida pelos Tupis, já muito mudados com relação ao time de 2013. Para o duelo contra o time das Quinas, o técnico do Brasil, Rodolfo Ambrosio, conta no elenco total com 8 atletas que estiveram na derrota de 2013: Coghetto, Nick, Matias, Ige, Nativo, Bruninho, Bruxinho e Chabal. Um número que mostra renovação aliada com permanência de atletas com experiência.

 

Com relação à equipe que encarou a Alemanha no último sábado, Ambrosio efetuou quatro alterações no XV inicial. Na primeira linha, Nelson deixou o time para a estreia de Flávio Chuahy, ex SPAC, hoje no rugby de clubes dos Estados Unidos. Na asa, Gelado começará no banco, deixando a camisa titular para Ige, que volta ao time formando uma terceira experiente com Matias e Nick. A camisa 10 também mudou, agora estando com Moisés, com Coghetto indo para a reserva como um 3/4s versátil. Moisés já era titular com a 12 e agora quem entra no centro é Luan, do Desterro, oriundo do rugby italiano e com passagem pelo NaFor. A última mudança é na ponta, com a camisa 14 passando de Estrela para Robert.

 

Do lado dos Lobos, a situação é inversa. Portugal caiu desde aquele ano, chegando ao “fundo do poço” em 2016, com sua seleção sendo pela primeira vez rebaixada no Europeu de Nações (o “Six Nations B”) e na Série Mundial de Sevens. Mas, o dia 1º de dezembro foi escolhido para a partida por ser feriado em Portugal: o feriado da Restauração da Independência, celebrando o fim da Guerra de Restauração, em 1640, quando Portugal pôs fim ao domínio espanhol, encerrando o período conhecido como União Ibérica, quando as coroas portuguesa e espanhola foram unidas por 60 anos (período esse que teve desdobramentos também no Brasil da época colonial). Para os Lobos, o Dia da Restauração poderá ser também de “restauração” para seu rugby, que precisa entrar em 2017 de cabeça erguida para buscar sua volta ao agora chamado Rugby Europe Championship.

 

Do time português, apenas três dos nomes chamados pelo técnico Martim Aguiar estiveram em Barueri. Foram eles o capitão e segunda linha Gonçalo Uva, que jogou a Copa do Mundo de 2007, o pilar Bruno Medeiros e o scrum-half Francisco Pinto. Além deles, João Bello, que já esteve com as seleções brasileiras nas categorias juvenis e jogou pelo SPAC, está confirmado no time luso. Apenas dois atletas dos Lobos jogam no exterior: o asa Maxime Vaz, do time “B” do poderoso Clermont, da França, e o centro José Lima, da equipe principal do Oyonnax, da 2ª divisão francesa (no Top 14 até a temporada passada).

 

A partida de 2016 deve ser bem distinta com relação ao jogo de 2013. A evolução brasileira é evidente e a experiência acumulada com um número crescente de jogos de alto nível internacionais, contra equipes inclusive de fora da América o Sul, e um programa de alto rendimento já sólido com academias de alto rendimento e atletas que já podemos considerar semiprofissionais. Fisicamente, o Brasil hoje é muito superior a 2013, e a força do pack brasileiro vem se mostrando contra adversários poderosos uma arma real. Portugal, por sua vez, já não tem mais sua geração de ouro, mas é um time que passa por um processo de renovação importante. A linha portuguesa, muito rápida e munida de atletas com experiência no exterior e no sevens, imporá aos Tupis desafio talvez maior que o imposto pelo jogo de mãos alemão, que não tem a mesma qualidade que o jogo aberto português.

 

O jogo que valerá para o Brasil quatro posições no ranking em caso de vitória e será o último grande desafio antes do Americas Rugby Championship, que larga em fevereiro. Do jogo poderá sair a base para o time que começará o importante ano de 2017, que também contará com os Tupis encarando as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2017 durante o Sul-Americano.

 

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13h00 – Portugal x Brasil, em Coimbra – SporTV 2 AO VIVO

Árbitro: Vlad Iordachescu (Romênia)

 

Portugal: 15 José Lima (Oyonnax, França), 14 Pedro Silvério (Direito), 13 Tomás Appleton (CDUL), 12 Vasco Ribeiro (Agronomia), 11 Duarte Moreira (Belenenses), 10 Nuno Penha Costa (CDUL), 9 Francisco Pinto Magalhães (c) (CDUL), 8 Pedro Rosa (Direito), 7 Sebastião Villax (CDUL), 6 Maxime Vaz (Clermont, França – intermédia), 5 Gonçalo Uva (Direito), 4 João Lino (CDUL), 3 Franciso Bruno (Direito), 2 Duarte Diniz (Direito), 1 Bruno Medeiros (CDUL);

Suplentes: 16 João Vasco Corte-Real (CDUP), 17 Duarte Foro (CDUL), 18 José Conde (Cascais), 19 José Fino (Belenenses), 20 Miguel Macedo (CDUP), 21 João Belo (CDUL), 22 Manuel Vilela Pereira (Direito), 23 Duarte Marques (Técnico);

 

Brasil:15 Daniel Sancery (São José), 14 Robert Tenório (Pasteur), 13 Felipe Sancery (São José), 12 Luan Smanio (Desterro), 11 Stefano Giantorno (Niterói), 10 Moisés Duque (São José), 9 Beukes Cremer (Poli), 8 Nick Smith (SPAC), 7 João Luiz “Ige” da Ros (Desterro), 6 Matheus “Matias” Daniel (Jacareí), 5 Gabriel Paganini (Band Saracens), 4 Lucas “Bruxinho” Piero (Desterro), 3 Flávio Chuahy (Madison United, Estados Unidos), 2 Yan Rosetti (CUBA, Argentina), 1 Alexandre “Texugo” Figueiredo (Desterro);

Suplentes: 16 Daniel “Nativo” Danielewicz (Desterro), 17 Jonatas “Chabal” Paulo (Band Saracens), 18 Caique Silva (Niterói), 19 Cléber “Gelado” Dias (SPAC e Wallys), 20 Joabe de Souza (Band Saracens), 21 Bruno Garcia “Bruninho” (Jacareí), 22 Mateus Estrela (Niterói), 23 Guilherme Coghetto (Desterro);

 

*Hora de Brasília

 

Brasil 00 x 68 Portugal, em 2013

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