ARTIGO OPINATIVO – A coluna “Voz do Rugby” é nosso espaço de debate! Coluna aberta a todos que querem enviar textos opinativos. Hoje, o assunto é a Liga Sul-Americana e o autor é Liam Placente, designer e rugbier do Band Saracens.

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Jogos de XV da Seleção Masculina Adulta contra Portugal e o Baabas passados com grandes resultados, U20s Trophy sediado em nosso país, nossas meninas brilhando no Sul-americano 7s novamente. Agora voltamos nossa atenção para o tumultuado e ainda pouco visível campeonato sul-americano de Franquias (Super Liga Sul-Americana).  Nosso Brasil com certeza nos últimos 5 anos deixou de ser coadjuvante no cenário mundial do Rugby, trazendo diversas conquistas tanto femininas quanto masculinas no XV e no 7s, mas qual seria o próximo passo para nosso mundo da ovalada verde e amarela? Como podemos usar a imagem de uma boa franquia pra ampliar nosso alcance no Rugby mundial?

Eu Liam Piacente, formado em Design pela Universidade Mackenzie e Especializado em Marketing na UJA-Espanã e jogador de Rugby há 10 anos, irei citar pontos necessários e alguns erros que devemos evitar nesse novo campo que a CBRU irá desbravar, mostrando uma possível e imaginária hipótese de linguagem visual.

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1 – Franquia não é clube!

Muitos entusiastas do esporte mundial gostam de discutir como um grupo esportivo deve ser organizado, grande parte (como muito de nós brasileiros que estamos habituados) defende com unhas e dentes o sistema de clubes, que desde crianças vemos no futebol, onde há sempre seus representantes, votações de presidência com chapas e varias vezes diversos “conselheiros”das antigas, opinando aqui e ali no que o clube deve fazer, onde claramente, muitas vezes interesses pessoais afeta a atuação da equipe.
Já outros fãs, priorizam a gestão de franquias, muitas vezes inspiradas nos EUA, onde a equipe é quase interpretada 100% como uma empresa. Com investidores de diversos ramos, foco nos lucros e principalmente: DAR UM SHOW AO ESPECTADOR.
Um jogo de NFL ou NBA nos “States”é nada mais que um grande show como qualquer outro do Metallica ou Iron Maiden. Você paga um valor alto para se divertir, ter boa infra estrutura e apreciar um jogo bonito e divertido, além do balanceamento de equipes, com tetos salariais e elencos nivelados, aumentando a competitividade do campeonato. (Coisa que não vemos no Super13 desse ano)

Outro ponto crucial de uma franquia é a venda de merchandising, mas isso fica mais pra frente nesse artigo.

2- Assinar com um nome de peso do Futebol? Incentivo bem-vindo ou tiro no pé?

Sendo um artigo opinativo, dou minha humilde opinião, GIGANTESCO TIRO NO PÉ. Mas não vamos só falar, vamos dar argumentos para isso.

– Sim, um time grande como Fluminense, Flamengo e Corinthians seriam grandes propulsores de incentivo monetário como de material humano (jogadores/torcedores), porém trazem pontos atenuantes a serem visados, como a mistura dos valores de equipes FOCADAS no futebol com o rugby, e mesmo tendo diretorias diferentes e influência da CBRU o rugby claramente ficará sempre de lado não importa o que. Vide o Corinthians Rugby, que foi pra São Jorge quando o Corinthians abdicou de seus incentivos, e agora possuí apenas um time de bravas mulheres que não querem deixar o que resta da entidade acabar (Abraço e força meninas). Ou até casos internacionais, não vemos o Benfica de Portugal manter temporadas concisas na primeira divisão portuguesa de rugby a tempos, mesmo tendo tecnicamente uma diretoria organizada, suporte e mais dinheiro que as outras equipes.

– Outro ponto é a venda de material e torcida, ainda estamos falando de Entidades de Futebol com uma franquia na modalidade Rugby XV, eu por exemplo como Palmeirense, mesmo amando rugby, possuindo diversos amigos na seleção que podem estar na franquia, não compraria uma camisa com o símbolo do Corinthians se a franquia tivesse esse “Main Sponsor”, e com certeza São Paulinos, Flamenguistas, Santistas mais aficionados pensam o mesmo. Posso torcer para que vençam nossos irmãos argentinos e chiles, mas o nome de entidades centenárias do Futebol, sim, iria degradar em certo ponto o marketing da franquia. Mesmo trazendo até de fora muitos fãs dessa entidade. Queremos TODOS brasileiros, não uma parcela.

3 – TUPIS, SÃO TUPIS, FRANQUIAS A PARTE

Todos sabemos que a franquia será um modo de alavancar nosso XV masculino e dar mais ritmo de jogo a nossos jogadores de seleção das academias e etc. Que os jogadores do plantel seriam quase a seleção brasileira e não tem nada de errado nisso, vide exemplo mundiais. Porém, temos que entender uma coisa que nossos Hermanos argentinos entenderam com a criação dos jaguares.

Em suas devidas proporções, os PUMAS e até os TUPIS possuem uma imagem representativa forte, imagem essa que não deve ser misturada a suas franquias.
Já imaginou? Os jaguares jogando de Branco e Azul listrado, o iniciante no esporte pergunta:
-Essa é a seleção argentina?
-Sim e não
– Porquê?
– Sim por que tem quase todos da seleção jogando, e não porque não é
– Mas qual a diferença
– Um chama Jaguares, o outro Pumas
– ?????
Acho que deu para entender.

Criarmos uma franquia que tenha alguma ligação de imagem com os TUPIS, Curimins, Yaras e etc pode dar um nó na cabeça nos mais leigos no rugby tupiniquim, atrapalhar vendas de camisas, promoções de eventos e etc. Querendo ou não ainda somos do pais que considera um jogo contra o Maori AllBlacks mais importante que contra os Barbarians, que só levou cerca de 10mil ao morumbi.

Não há problema de usar cores parecidas, ou até as mesmas, mas sim como usar isso para vender muito material promocional e artigos esportivos, coisas que grande franquias tiram milhões.

Agora darei uma hipótese fictícia de linguagem visual para a franquia e como deveria ser exposta:

LOGO E NOME:

Fugindo das equipes de futebol, busquei um elemento natural brasileiro que pudesse representar a equipe, mundialmente o Rugby é muito bom em marcar equipes por seus logos simples, fortes, junto a suas alcunhas, como a linda rosa da Inglaterra, o Silver Fern dos allblacks e a Gazela dos Springboks. Você vê de longe, identifica e sabe: Ahhh aqueles são os BOKS.

Para isso escolhi um animal que faz muito bem o elo Fauna, Flora e Águas do Brasil, um animal que muito simpatizam, existe em abundância em nosso pais e consegue se adaptar a diversas dificuldades como todos brasileiros (até viver perto de rios poluídos como em São Paulo)

O animal escolhi foi a Capivara. Que além de ser um animal marcante nosso, facilitaria um apelido, Brasil Capis, facil de ser pronunciado pelos hispano-hablantes, que falariam errado o “CapiBara”na lingua deles. “Estou indo no jogo do Capis” simples não?
Além de fugir de discussões de apropriação cultural que nossos Tupis sofreram recentemente. A capivara vive na terra, na água e é um animal nativo nosso, tem coisa melhor?

O logo foi feito nas cores do Brasil, porém nos uniformes seriam focadas as cores Branca e Azul, diferenciando dos Tupis.

UNIFORMES

Com uma franquia, a criação de produtos, uma WebLoja para venda dos mesmo vira algo indispensável, coisa que é muito complicada ainda em relação aos TUPIS e YARAS. E não vamos mentir, quando vemos aquela seleção ou clube gringo jogando com aquele uniforme lindo, temos vontade de compra-lo na hora e da ainda mais gosto de assistir o jogo. Como os Jaguares nos últimos anos fez, com lindas peças Home – Away feitas pela NIKE, sempre bem chamativas, afinal, queremos vender e criar uma marca não? Nada de jogar na SAFEZONE.

A Camisa principal do Brasil Capis seria Azul, com homenagem às aguas brasileiras, ainda mais com a crise atual em relação a poluição petrolífera em nossos mares, tendo um apelo legal. E por que não (cada camisa vendida, uma doaçao de 10% do valor para o tratamento de nossas águas?)

Já nossa camisa 2 seria Branca e teria pontos verdes remetendo a nossa flora, também muito citada nos noticiários pela queima acelerada da nossa Amazônia. Que tal a America do Sul toda ver que nos importamos, quem sabe o mundo todo, dependendo de nossos resultados?

Até um uniforme de viagem pode trazer forte a marca dos Capis e chamar atenção pelos países que passarmos:

As opções são muitas, e o potencial financeiro e de alavancamento do Rugby Brasileiro é imenso, porém temos que ver se a CBRU conseguirá lidar com isso. Obviamente como qualquer torcedor de nosso rugby verde e amarelo, torço que independente da decisão, espero que tudo de certo.

Contato para criação de Uniformes/Logos Esportivos e Materiais de Rugby: www.instagram.com/liamp_design

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