ARTIGO COM VÍDEO – O melhor jogo do ano? A concorrência é boa, já que tivemos Six Nations e o Lions Tour neste ano. Mas Springboks e All Blacks honraram hoje a tradição do duelo e fizeram um jogaço no encerramento de suas campanhas no Rugby Championship. Com Newlands, na Cidade do Cabo, lotado, a África do Sul voltou a se encontrar e flertou com uma importante vitória sobre os já campeões neozelandeses, mas, no fim, com um desfecho polêmico, a vitória ficou nas mãos dos invencíveis All Blacks, que terminaram mais uma vez o Championship invictos, com 6 vitórias em 6 jogos. 25 x 24 no marcador.

O jogo começou agitado, com os Boks mostrando muito mas solidez no pack do que na derrota passada de 57 x 00 em solo neozelandês. Quem inaugurou o placar foi a África do Sul, com penal aos 10′ chutado por Jantjies, mas Beauden Barrett respondeu aos 12′ na mesma moeda. Quem flertou primeiro com o try foram os All Blacks, com Rieko Ioane recebendo na ponta, disparando e caindo no ingoal. Porém, sob a pressão de Jesse Kriel e Andries Coetzee o ponta kiwi perdeu o controle da bola na hora do apoio. Os All Blacks seguiram com a pressão, ganharam penal em scrum na sequência, apostaram no lateral mas Malcolm Marx, em dia exuberante, roubou a bola em momento crucial, afastando o perigo da pressão neozelandesa.

Aos 21′, veio a resposta sul-africana, com Ross Cronje fintando a defesa neozelandesa nas 22, mas falhando em dar o passe do try para Jantjies. O mesmo Jantjes, em dia apagado, ainda perdeu penal aos 25′ para os Boks, que dominavam o jogo em 60% de posse de bola. E quem não faz, leva. Aos 32′, Jantjies teve chute bloqueado por Barrett, que chutou para o in-goal, disputou a corrida com Kriel, mas quem chegou nela antes foi Ryan Crotty, mergulhando e conseguindo o apoio correto para o try, confirmado depois de muita análise do TMO. Lance complicado.

O primeiro tempo esteve tão bom que os dois times não quiseram colocar um fim nas disputas. Em um “lá e cá” de tirar o fôlego, os dois lados mantiveram a bola vive por 10 minutos, até os Boks conseguirem um penal, ousarem ao optarem pelo lateral, que acabou não resultando no try. 8 x 3 para os Homens de Preto. No total, 12 erros de mãos dos All Blacks no primeiro tempo (elevado!), mas 51% de posse para os visitantes, com muitos tackles perdidos dos dois lados.

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O segundo tempo manteve o nível de emoção e começou melhor para o lado verde. Logo aos 45′, os Boks ganharam lateral, acumularam fases nas 22 e Ross Cronje achou o espaço para cravar o try sul-africano, virando o marcador.

 

Sem Barrett, que teve que deixar o campo, a Nova Zelândia passou a confiar em Sopoaga nos chute e ele não foi feliz em sua primeira chance de penal, aos 49′. Mas a virada sairia aos 58′, com Cronje errando passe, interceptado por Ioane, que arrancou 60 metros para o try, punindo os Boks que acumulavam maior quantidade de território, posse e turnovers favoráveis.

A África do Sul não sentiu o golpe e, aos 64′, Pollard achou o espaço, servindo para o brilhante Marx, que deixou de offload para Jean-Luc Du Preez marcar novo try dos Boks. O troco, porém, não tardou. Aos 69′, Havili atacou após chute verde e entregou para Damian McKenzie disparar em grande corrida para o try. Try no fôlego! E kiwis em vantagem, 22 x 17.

Buscando sustentar a vantagem, os All Blacks foram gastando o tempo com fases no ataque e, aos 76′, Sopoaga tentou o drop goal da vitória, mas o chute foi para fora. Esse foi o lance capital do jogo. Tentando bloquear Sopoaga, Damian De Allende se colidiu com o abertura e o árbitro entendeu como um tackle atrasado, mostrando vermelho direto para o su-africano. Lance de rigor controverso do árbitro francês Jérôme Garcès. Sopaoga não desperdiçou o penal e pôs uma posse de bola de frente para os neozelandeses.

Sem tempo, a África do Sul foi para cima e Marx quase produziu a revolução no jogo cravando o terceiro try dos Boks em maul. Jantjies converteu e  o placar foi a 25 x 24 para os kiwis com 1 minutos restante.

Os minutos derradeiros foram tensos, mas os All Blacks conseguiram um precioso turnover em ruck e garantiram a vitória. Um grande jogo dos dois lados. 62% de território para os Boks, mas que acertaram apenas 76% de seus tackles, contra 84% dos All Blacks, que também tiveram um desempenho abaixo do normal. A Nova Zelândia cedeu 20 turnovers para os Boks, contra apenas 15 do contrário, mostrando a qualidade do pack sul-africano no jogo. Esperanças renovadas para os homens do técnico Allister Coetzee, que agora pensam nos amistosos de novembro.

Já a Nova Zelândia ainda terá mais um jogo neste mês, no dia 21, na Austrália, no terceiro jogo da Bledisloe Cup contra os Wallabies.

24versus copiar25

África do Sul 24 x 25 Nova Zelândia, na Cidade do Cabo

Árbitro: Jérôme Garcès (França)

África do Sul

Tries: Cronje, JL Du Preez e Marx

Conversões: Jantjies (2) e Pollard (1)

Penais: Jantjies (1)

15 Andries Coetzee, 14 Dillyn Leyds, 13 Jesse Kriel, 12 Jan Serfontein, 11 Courtnall Skosan, 10 Elton Jantjies, 9 Ross Cronje, 8 Francois Louw, 7 Pieter-Steph du Toit, 6 Siya Kolisi, 5 Lood de Jager, 4 Eben Etzebeth (c), 3 Ruan Dreyer, 2 Malcolm Marx, 1 Steven Kitshoff;

Suplentes: 16 Chiliboy Ralepelle, 17 Trevor Nyakane, 18 Wilco Louw, 19 Franco Mostert, 20 Jean-Luc du Preez, 21 Rudy Paige, 22 Handré Pollard, 23 Damian de Allende;

Nova Zelândia

Tries: Crotty, Ioane e McKenzie

Conversões: Sopoaga (2)

Penais: Barrett (1) e Sopoaga (2)

15 Damian McKenzie, 14 Nehe Milner-Skudder, 13 Ryan Crotty, 12 Sonny Bill Williams, 11 Rieko Ioane, 10 Beauden Barrett, 9 Aaron Smith, 8 Kieran Read (c), 7 Sam Cane, 6 Liam Squire, 5 Scott Barrett, 4 Sam Whitelock, 3 Nepo Laulala, 2 Dane Coles, 1 Kane Hames;

Suplentes: 16 Codie Taylor, 17 Wyatt Crockett, 18 Ofa Tu’ungafasi, 19 Patrick Tuipulotu, 20 Matt Todd, 21 Tawera Kerr-Barlow, 22 Lima Sopoaga, 23 David Havili;

PaísApelidoJogosPontos
Nova ZelândiaAll Blacks628
AustráliaWallabies615
África do SulSpringboks614
ArgentinaLos Pumas60

 

Foto: SA Rugby