Jaguares são jantados pelos Leões no Super Rugby

ARTIGO COM VÍDEOS – A vida argentina no Super Rugby não está nada fácil. Nesse fim de semana, os Jaguares voltaram a jogar no exterior e conheceram sua nona derrota em onze jogos, desta vez para os sul-africanos do Lions, que lideram agora o Grupo Africano, após os Stormers caíram no superclássico da África do Sul diante do Bulls.

 

A melhor campanha do Super Rugby também mudou de dono, com o Chiefs vencendo com bônus o Rebels e se aproveitando da vitória sem bônus do Crusaders sobre o Waratahs. A superioridade dos neozelandeses sobre os australianos segue evidente nesta temporada, com o Blues, pior neozelandês até aqui, batendo o Force e ficando apenas 1 ponto abaixo do Waratahs, melhor australiano no momento.

 

O Reds também comemorou vitória no sufoco sobre o Sunwolves, que mostra evolução, enquanto o Sharks passou fácil pelo combalido Kings. Cheetahs, Brumbies, Highlanders e Hurricanes folgaram na rodada.

 

Crusaders bate Waratahs, mas perde liderança do Super Rugby

Os Crusaders saíram de uma derrota complicada, frente aos Highlanders, para voltarem às vitórias de imediato, naquele sprint final de temporada. O time de Christchurch terá os quatro jogos finais frente aos Blues, Chiefs (fora de casa), Rebels e Hurricanes (em casa). O objetivo é terminarem entre os três primeiros lugares da classificação geral, o que permitiria, desde logo, um apuramento direto para as semifinais em casa. Para isto precisam que os Highlanders e Chiefs (lembro que vão jogar com eles em Julho) “tropecem” e percam pontos, já que dividem a mesma conferência. Em relação aos Tahs’, o calendário final é muito similar ao dos cruzados, com jogos frente aos Blues, Chiefs e Hurricanes, visitando os Sunwolves. Estão com os Brumbies e Rebels na mesma conferência, uma das mais intensas e disputadas… alguém vai ficar de fora do playoff e, certamente, das semifinais. Agora quem?

 

Se analisarmos o jogo entre Crusaders e Waratahs, os neozelandeses voltaram às boas performances com 4 tries, não conseguindo o ponto de bônus de vitória (teria dado bastante jeito para a classificação), com parte do mérito a recair na defesa dos australianos e outra parte no desmérito na forma de atacar nos dez minutos finais. A time da casa fez uma alteração na linha de ¾’s, com a entrada de Ryan Crotty, que foi importante no desenvolvimento ofensivo dos cruzados de Christchurch, apesar de só ter conquistado 20 metros com a bola. O centro completou 9 tackles, com 2 turnovers efetivos e em que outras 2 tackles resultaram um knock-on imediato da time dos tahs’. Os australianos tiverem alguns problemas, nomeadamente no que toca aos alinhamentos, onde só ganharam 65% dos 17 que tiveram direito, algo que originou problemas no esboçar de movimentações ofensivas. Para além disso, 11 knock-ons, outro aspecto e problema dos Waratahs neste jogo, com muitas bolas perdidas no contato (com os Crusaders então torna-se um problema grave, pela forma como reusam a oval), tirando possibilidade de chegarem a outro resultado que não a derrota. Os primeiros dez minutos de jogo, Israel Dagg, Johnny McNicholl e Richie Mo’unga  deram um incrível espetáculo de offloads e passes em profundidade, com o primeiro e o segundo a chegarem ao try. No primeiro, Joe Moody parecia um ponta a quebrar a linha e a fugir aos seus opositores e que na queda faz um offload de classe para Dagg, que não conseguindo chegar à linha, cai no chão e permite que se faça jogar para McNicholl, para o ponta mergulhar, em estilo, para dentro da área de try aos 3’. Aos 8 minutos, Mo’unga mete um crosskick na ponta, com o ponta a ganhar no ar e a offloadar para Dagg fazer o 12-00. Sempre com o pé no acelerador, os cruzados viram novo try a ser-lhes negado por pretenso fora de jogo de Matt Todd, que não interfere na jogada, com Jaco Peyper a negar esse momento a McNicholl (decisão aceitável q.b.).

 

Os Waratahs conseguiram atingir o in-goal numa jogada algo estranha, Folau tenta realizar um offload só que a bola invés de chegar às mãos, acaba por ir para aos pés de Rob Horne, que pontapeia para dentro para cair encima para o 12-05. Os tahs’, tomaram algum controlo do jogo e naquilo que podia quebrar a os Crusaders, acabou por “alimentar” a time neozelandesa que voltou a chegar ao try, por Mo’unga, com Ellis a realizar um passe por detrás das costas (competição séria para Aaron Smith), chegando o abertura para fugir e entre fintas e simulações, fez o 22-05. Na segundo parte, Jordan Taufua fez o quarto try e Zac Guildford “rouba” o ponto de bônus dos Crusaders, aos 64’ para o 29-10.

 

Os Crusaders tentaram voltar ao try aos 70’, só que McNicholl não encontrou espaço e apoio para fazer mais uma “maldade” e Guildford foi bem parado, já dentro da área de try por Dagg que o virou e impediu o terceiro try dos australianos. 29-10, Dagg continua a somar tries e bons jogos, mas é McNicholl que rouba a atenção de todos, com mais de 130 metros conquistados e uma qualidade de jogo bem interessante. Codie Taylor, outra boa exibição com 15 tackles e 1 turnover, para além de bons metros e uma forma fenomenal no alinhamento ou na formação ordenada (os seus colegas Franks e Moody estão igualmente “fortes” nestes perímetros e jogo).

Japoneses flertam com vitória sobre Queensland

Jogo entre “aflitos”, com os vermelhos de Queensland recebendo os nipônicos dos Sunwolves, no Estádio Suncorp. Entre crises e resultados pouco satisfatórios, alguma das formações do Super Rugby tinha de conquistar pontos e deixar ainda mais para trás o seu adversário. Felizmente para os da casa, foram os Reds a obter uma vitória por 10 pontos de diferença, que provieram, exatamente, por um try convertido e uma penalidade. O regresso de Samu Kerevi foi extremamente importante, com o centro australiano a não fazer tries, mas a dar muito trabalho e preocupações à defensiva japonesa. Kerevi sai com 130 metros conquistados, divididos em 12 carries, obtendo 5 quebras de linha… para um segundo centro esta interação no jogo acaba por ser fundamental para todo o processo de manobra ofensiva, não só conquistando metros mas para criar problemas de reorganização defensiva. Os Sunwolves mostraram-se em boa forma, não ficando a dever em nada frente aos Reds… chegaram a estar empatados por 25-25, mas um try aos 59-60’ de C. Neville, deu uma “estocada” quase final nas aspirações dos japoneses em ganhar fora de portas (ainda não o conseguiram nesta temporada de estreia).

 

O quarto try dos koalas, nasce num erro ofensivo dos lobos que deixam cair a bola para a frente no contato, recuperando Kerevi. O centro foi galgando metros, prendeu 3 defensores e Frisby, ao seu jeito matreiro, simula que vai para a direita acabando por correr isolado pela esquerda e num passe simples e rápido dá a Neville, com o segunda linha correndo até ao try do 32-25. São preciosismos que no rugby tem de se velar a cada jogo, a cada momento e a cada entrada no contato. É já a oitava vez que os Sunwolves sofrem um try que parte de uma jogada de ataque sua e, até, em fases do terreno muito avançadas. A avançada tem uma postura algo lenta (Mioli ou Quirk não tiveram na forma ideal), possibilitando que aconteçam este tipo de situações negativas para si. No filme do jogo, os Reds tiveram 4 tries a favor contra 3 dos nipônicos: aos 14’, o nº8 Browning entra bem num passe curto de Frisby, com Liam Gill a dar um empurrão importante para a queda do terceira linha dentro da área de validação; Derek Carpenter respondeu bem por volta dos 22’, numa jogada que nasce numa falta contra os koalas, no qual Pisi mete no alinhamento, saindo rápida e numa boa troca de offloads e passes curtos o nº13 fez o seu primeiro no encontro; o segundo try dos Reds pode ser considerado um belo movimento, com uma jogada muito curiosa no alinhamento (vale a penar rever o minuto 28’), com os avançados a trabalhar de forma bem “engraçada”, recebendo Slipper, o primeira linha, para o seu segundo try da temporada. Muita entrega, muitos erros (16 bolas caídas para a frente…) e alguma insegurança, como demonstram as estatísticas no que toca a tackle (71 feitas para 25 falhadas e 78 para 26, para Reds e Sunwolves respectivamente).

 

Frisby foi sempre um “perigo” à solta, sendo um dos melhores formações da presente temporada, assistindo por 3 vezes, neste jogo, os seus colegas para try. Do outro lado, o irrequieto Tusi Pisi, o médio de abertura com “fogo” nos pés, velocidade nas mãos e uma alegria em jogar total (100 metros conquistados e 1 assistência, para além de ter convertido 4 pontapés, o que perfaz 10 pontos). O terceiro try dos Reds veio de um maul dinâmico com Browning a guiá-lo bem, com os Sunwolves a responderem com duplo try, por Carpenter (50’) e Moli (55’). A vitória não fugiu aos Reds que somam a sua terceira temporada, com o nome de Quade Cooper a fazer-se soar… voltará a casa o irreverente nº10?

Chiefs no topo da tabela

Nada melhor que “lamber feridas” com uma vitória categórica em casa. Os Chiefs após o desaire da semana passada frente aos Highlanders (13-26), fizeram uma majestosa primeira parte com um 26-03 logo aos primeiros 40’ do encontro. Quando foi preciso, a time de Waikato voltou ao ataque e cumpriu não só o objetivo de ganhar, mas também de obter o ponto de bônus de vitória com 5 tries contra 2. A defesa foi soberba, com 130 tackles para 11 falhadas, onde a entrega e “agressividade” permitiram criar um bloco estável para depois partir para um ataque bem capaz e eficaz. Por cada 100 metros (somaram 500 no final) conseguiram sempre um try, e isto, apesar de terem feito 6 knock-ons (9 da parte dos rebeldes). Bem disciplinados (só 5 faltas), bem capacitados da missão, a time de Dave Rennie continua na senda de atingir um lugar bem alto na classificação geral e passar de imediato às semifinais. E o MVP do encontro quem foi? Difícil escolha… para os que gostam de velocidade, técnica de corrida, inteligência a atacar e elegância a fazer jogar, Damian McKenzie (um dos melhores jogadores da presente temporada) foi sem dúvida impressionante. Não marcou tries, verdade, mas fez jogar, fez a “máquina” dos Chiefs andar sempre em alta rotação com metros e metros com a bola na mão, abrindo linhas de ataque que terminaram em tries. Cruden foi outro “rei” com a bola na mão, com 1 try, duas assistências e muito pureza de jogo a circular. Tem uma visão de jogo de alto nível, e poderá ser a aposta de Hansen para a posição de abertura da Nova Zelândia. E Sam Cane? 16 tackles, uma entrega infalível e uma resistência impacável… é o McCaw de Waikato, um exemplo a seguir, um “leão” que tem uma voz de comando soberba.

 

Do lado dos Rebels, a queda de forma é algo notória, seguindo-se para a terceira semana sem ganhar, algo desanimador para os australianos de Melbourne. Mas Mike Harris foi sempre uma unidade vibrante, com muito coração e velocidade e Jack Debreczeni a dar um bom mote na posição de abertura (bem “fechado” pelos chefes). O primeiro try de Tamanivalu é uma boa lição de steps com steps (4’). Aos 13’, a ganhar por 07-03, Cruden arriscou um gruber e quem apareceu à ponta para cair encima da bola? Nathan Harris, o hooker (regresso após lesão, não tinha jogado qualquer minuto esta temporada) sai disparado para o seu primeiro try de 2016! Sempre mais rugby, sempre mais vontade de fazer jogar, os Chiefs voltaram a ir ao try aos 24’, com T. Pulu a quebrar a linha para o 19-03. A quarta entrada na área de validação, foi das melhores jogadas entre linhas atrasadas desta jornada, com a bola a ser passada entre 3 jogadores, para Cruden chegar ao seu tento de honra. A apatia dos Rebls só terminou na segunda parte, conseguindo o primeiro try por Harris aos 45’ (excelente quebra de linha). Adivinha-vse mais reação dos rebeldes, só que uma série de knock-ons (imperdoável aos 55’ de Tom English), acabaram por “matar”, de certa forma, o encontro. Os Chiefs foram ainda o seu quinto try por Horrell e os Rebels ao segundo, pela mão de Reece Hodge. Os Chiefs “soltaram-se das amarras” do jogo anterior (demasiado pragmatismo e nervosismo) e viveram o jogo pelo jogo… são das time que melhor troca a bola entre si, e para os amantes do rugby total convidamos a reverem o jogo para perceberem o que é o rugby positivo em estado puro.

 

Blues sobem às custas dos australianos

No total? Um jogo pouco atrativo, com duas franquias a baterem-se mal, na maioria do tempo, sem um fio de jogo consideravelmente bom. Dois tries para um, não seria mau claro, mas produziu-se muito pouco rugby no Estádio NIB, casa dos Force.

 

Os Blues tiveram uma boa primeira parte que deu para garantir a vitória, com 17 pontos para só 3 dos Force. Ian Prior e Ihaia West “cumprimentaram-se” com uma penalidade cada, aos 10’ e 14’ respectivamente, para depois o capitão dos azuis, Kaino, fazer o seu try do jogo (e o segundo nesta temporada), à chegada do minuto 25’. A partir de um lineout seu, os Blues aproveitaram para chegar à área de validação a partir dos 10 metros, com um maul a cair (bem defendido pelos australianos), com Kaino a receber a bola curta e a entrar sem grandes problemas na “caixa”. Tevita Li (31’) atinge a linha de try para os seus Blues, a concluir uma jogada de belo recorte entre Latimer, Nanai e Moala, com este último a realizar um offload de grande qualidade para a corrida do ponta. Depois os Blues desligaram o “motor” e decidiram que chegava por hoje, entregando o controlo de bola e territórios aos da casa, que quase nunca souberam o que fazer com a oval. Nem foi pela quantidade de erros próprios (8), nem pela falha nas suas fases estáticas (quase 100% em alinhamentos e total perfeição em 10 formações ordenadas) ou pela disciplina (5 faltas), mas sim pela falta de alguém que consiga perfurar a linha de forma consistente… falta um “dedo” ofensivo aos Force, que precisam de saber chegar ao try de forma mais clara. Notem que por duas vezes estiveram a jogar com mais um, pelas expulsões de Faumuina (40’) e Mayhen (77’), só que nem assim atingiram a linha de área de validação. Notem ainda mais que o try da time da casa só foi possível por um erro “gigante” dos Blues, que contestam mal o ruck abrindo um buraco claro, para Matt Hodgson, o asa Wallaby, ganhar o espaço suficiente para se atirar lá para dentro. No entanto, houve outro fator muito importante para este resultado: defender.

 

Apesar dos erros, da falta de critério, do equilíbrio ofensivo-defensivo não ser o melhor, os Blues estão a fazer uma boa temporada… e hoje uma defesa de luxo garantiu uma importante vitória: 170 tackles, 10 falhadas (representa quase 3-4% do total) equivale a vitória, com quase toda a certeza. Se não consegues atacar bem o tempo inteiro, então há que saber montar bem uma linha de defesa, organizar da melhor forma, procurar lutar por cada bola e repor-se a cada tackle e queda no chão. A introdução de B. Guyton como half back, poderá ter sido esse “elixir” para dar o salto para o crescimento exponencial dos Blues. O “tackleador” da noite foi o primeiro centro, nº12 Piers Francis com 16, que parou vários jogadores australianos durante 80 minutos consecutivos (não é nada fácil para Luke Morahan ou Ben Tapuai). Luatua, por mais uma semana, soma uma importância fulcral nos azuis de Umaga, com 14 tackles, 2 turnovers e 6 carries que somam 25 metros (um belo “carro de combate”). Espera-se mais, mas muito mais, de Petty, Tapuai e Morahan, todos jogadores capazes de fazer coisas formidáveis… os Force nunca foram uma time muito temida, só que há “argila” para construir uma das melhores gerações da time de Perth… há “fome” para sair do “fundo do poço”?

Lions assumem a liderança do Grupo Africano

Os “leões” de Joanesburgo estão, sem dúvida alguma, numa das melhores formas de sempre. Com a vitória por 52-24 frente aos argentinos dos Jaguares, isolam-se no primeiro lugar do Grupo da África, assumindo a pole position de um apuramento fantástico que lhes permitirá, quase com toda certeza jogar em casa nas fases finais. Hoje “limparam”, com relativa facilidade, a time dos Jaguares, que estão a cambalear neste final de temporada. Em 96 tackles metidas , 36 erraram o alvo, o que pode representar perto de metade de erros defensivos próprios. Sem desculpas, já que jogaram com os seus melhore jogadores (ausência de Creevy por lesão), os argentinos não conseguiram fazer frente à velocidade de pés e mãos de Jantjies, o nº10 que vai conquistando o público e os comentadores a cada jogo que passa.

 

A noite pertenceu a Ruan Combrinck, o ponta nº14 que somou dois tries e quase 200 metros percorridos, para só 9 carries… trabalho excelente, não só do sul-africano, mas de toda a linha atrasada dos Lions, onde Mapoe ou Mnisi também tiveram sob o nosso foque. Foi num estilo imparável que os leões “engoliram” 8 tries, com Skosan (2’ e 70’), Mapoe (23’), Erasmus (39’), Brink (43’), Kriel (58’) e Combrinck (61 e 68’) a levar que atingissem a um dos seus melhores resultados desta temporada. E como os Lions conseguem isto? Arriscar, jogar nos limites, acreditar que é possível uma time sul-africana “inventar” coisas fora do normal: Jantjies tem aqueles “pezinhos” dominadores, que depois completa com umas mãos de gabarito, com offloads de classe, que possibilitaram o segundo e quarto try da sua time. Mapoe está cada vez melhor na visão de jogo, é um centro interessante, com uma adaptabilidade fora do comum, analisando bem o que o jogo precisa e como precisa. Os Jaguares estão “cansados”, é um campeonato diferente, as exigências são grandes e a coesão como um coletivo não está ainda assente (uma coisa é jogar pela Argentina e “sentir” as cores da selecção e outra é começar um projeto do zero e entender como jogar, correr ou passar). Landajo, Tuculet e Sánchez são capazes do melhor… mas também do pior, muitas vezes não são ouvidos pelos seus colegas da avançada (alguma “teimosia” em tentar fazer as coisas de forma mais díficil). Podia-se justificar por erros próprios… porém, notem que só cometeram 6 knock-ons neste encontro, mais 4 bolas perdidas no contato (uma delas gerou o segundo try dos Lions), o que não explica, nem ¼ da derrota em causa.

 

É na soma de tudo, dos erros individuais, dos coletivos, da falta de coesão, da falha na tackle (não se pode defender da mesma forma todos os jogos, há que ler o adversário, com o caso de Jantjies em que concederam demasiado espaço ao abertura para fazer o quisesse e bem entendesse da bola) e no desgaste emocional. É uma época de aprendizagem, sem dúvida e pedir algo mais seria errado. O jogo de hoje comprovou que estão alguns níveis abaixo dos Lions… vão ter em finais de Julho uma hipótese para se vingarem, conseguirão?

Dérbi “sem graça”

Jogo sem história… os Sharks jogaram, os Kings não, e time de Gold decidiu marcar vários tries para todos os gostos e desejos. É uma forma algo simples de se pôr o jogo, pois foi esta a realidade de um encontro que de disputado teve muito pouco. O regresso de Lambie veio levantar a “moral” dos tubarões, que agora têm o nº10 que precisavam para ter as rotinas ofensivas em dia… e que dia, com dois tries e mais uma assistência, para além de 13 pontos ao pontapé, o abertura dos Springboks veio reforçar um regresso à séria à competição. Foi decidir muito cedo o encontro, com 6 tries em 40 minutos, com a dupla Esterhuizen-Jordaan a fazer 3 tries e assistir mais dois, com uma qualidade de jogo de outro “universo” (ponderar se não mercerão os dois constas na lista dos Boks’ para os jogos amigáveis que se avizinham) a combinar bem com Le Roux (poderá estar de partida para Londres, mais em específico os London Wasps), que também inscreveu o seu nome na lista de marcadores.

 

Os Sharks poderão ser um caso sério daqui para a frente, parecem estar de volta aos seus melhores momentos, aquele rugby sul-africano táctico mas altamente técnico, que apoiado num bom médio de abertura (Lambie poderá ser um Steyn novo) e com um par de centros hábil e “agressivo”, pode partir para qualquer jogo com 50% de favoritismo. Os Kings mantêm-se como de costume, mau rugby, muito rudimentar, pouca energia e sem ideias para fazer frente às times mais fortes do Super Rugby.

 

Como os Sunwolves ou Jaguares, é uma época de adaptação, de aprendizagem e de crescimento… mas erros como aconteceram no primeiro, terceiro e quinto try dos Sharks, não são de todo admissíveis no Super Rugby. Nota para a lesão de Du Preez, o nº8 que poderá estar afastado entre 2 a 4 semanas (poderá aproveitar a pausa de Junho para se recompor), tendo saído logo ao minuto 8’, após o primeiro try de Lambie.  Deixamos só alguns dados importantes de mencionar: Sharks com 781 metros de conquista de terreno com a oval, para uns “pobres” 264 dos Kings, tendo só feito mais 30 carries que os visitantes, 26 quebras de linha para 4… e 18 offloads para 8, o que comprova a diferença enorme entre times da África do Sul. A discussão pelo apuramento final está a aquecer entre times da terra dos Boks.

Dérbi com “muita graça”

Novamente o domínio territorial e de posse representa quase zero… Stormers dominaram em vários aspectos do jogo, não tirando qualquer proveito do jogo frente aos tourosem Loftus Versfeld. A time dos Bulls, a jogar em casa arrancou uma vitória importante na discussão pelo wildcard (não nos parece que os Bulls possam “sonhar” com algo mais), num jogo com 25 penalidades (14 para os da casa e 11 contra os Stormers), decidido por um drop aos 70’ de Schoeman. Os tries só chegaram na segunda parte, com os primeiros 40’ a serem de uma disputa física intensa, com as movimentações ofensivas dos dois lados a serem parados por excelentes tackles e algum mau trato dado à oval… Brummer e Du Plessis converteram duas penalidades para as suas times, seguindo um 06-06 para a segunda metade deste clássico.

 

Há que mencionar o incrível jogo de Labuschagne que completou 25 tackles em todo o encontro (17 só na primeira parte), um recorde da presente edição entrando o asa para o top-10 de melhores “tackleadores” desta temporada (só começou a jogar a partir da quarta/quinta jornada), com 106 em toda a sua “magia” de meter o ombro no adversário. Ágil, veloz, inteligente, é tudo o que se pode pedir a um dos nº6 de toda a competição, que merece alto destaque da nossa parte (somar 3 turnovers). Do outro lado, Damian De Allende, o Springbok, teve uma primeira parte de bom nível, com várias tentativas de quebra de linha (de longe o jogador mais solicitado na linha de ¾’s, com 16 carries), ocupando uma posição importante no desenho ofensivo dos Stormers… somem a isso Du Toit que pela quarta semana consecutiva, poderia constar como um dos melhores, com várias recepções de bola, bom trabalho nos rucks, um “gênio” nas alturas e uma qualidade sempre em crescendo.

 

Como referimos, os tries só surgiram nos segundos 40 minutos, o primeiro a ser dos touros, com Van Zyl a recepcionar uma bola das mãos de SP Marais (captou bem uma bola do ar de Brummer) à entrada dos 46’. O try de De Allende, vem de uma penalidade contra os Bulls que os Stormers optam por ir ao alinhamento dentro dos 22 metros, com o maul a ser bem parado (não foi um fim-de-semana com muitos tries deste género) e após 5 fases, o centro recebe uma bola sem oposição para o 14-13. Tudo “quente”, em aberto para qualquer dos lados, que agora mantinham uma postura defensiva mais “forte” e pouco dada a riscos… os Bulls vendo o perigo a chegar, apostaram num drop de Tiaan Schoeman, que tinha entrado em campo há minutos por Brummer… com esse pontapé aos 76’, o jogo ficou dito, feito e fechado, onde as soberbas tackles de Labuschagne, Kriel e Snyman evitaram a reviravolta dos Stormers. Está ao rubro as decisões na divisão sul-africana… quem sairá por cima e que ficará de fora da reta final do Super Rugby?

Griquas invictos na Currie Cup

No Campeonato Sul-Africano, a invencibilidade do Griquas segue. Desta vez, o time de Northern Cape bateu o Blue Bulls por 39 x 38, sofrido, e se manteve na ponta.

 

A notícia da semana ficou por conta do realinhamento do Border Bulldogs, que deixou a franquia dos Kings e se associou à franquia dos Bulls no Super Rugby.

 

Super Rugby logo

Super Rugby – Liga de Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão

Crusaders 29 x 10 Waratahs

Reds 35 x 25 Sunwolves

Chiefs 36 x 15 Rebels

Force 13 x 17 Blues

Lions 52 x 24 Jaguares

Sharks 53 x 00 Kings

Bulls 17 x 13 Stormers

 

EquipeConferência*PaísCidadeJogosPontos
Grupo Australásia
HurricanesNeozelandesaNova ZelândiaWellington1553
HighlandersNeozelandesaNova ZelândiaDunedin1552
ChiefsNeozelandesaNova ZelândiaHamilton1551
CrusadersNeozelandesaNova ZelândiaChristchurch1550
BrumbiesAustralianaAustráliaCanberra1543
WaratahsAustralianaAustráliaSydney1540
BluesNeozelandesaNova ZelândiaAuckland1539
RebelsAustralianaAustráliaMelbourne1531
RedsAustralianaAustráliaBrisbane1517
ForceAustralianaAustráliaPerth1513
Grupo África do Sul
LionsÁfrica 2África do SulJoanesburgo1552
StormersÁfrica 1África do SulCidade do Cabo1551
SharksÁfrica 2África do SulDurban1543
BullsÁfrica 1África do SulPretória1542
JaguaresÁfrica 2ArgentinaBuenos Aires1522
CheetahsÁfrica 1África do SulBloemfontein1521
KingsÁfrica 2África do SulPorto Elizabeth1509
SunwolvesÁfrica 1JapãoTóquio1509

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Vencer marcando 3 ou mais tries que o oponente = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

Classificam-se às quartas de final:
– o 1º colocado de cada uma das 4 conferências*;
– mais três equipes de melhor campanha no Grupo Australásia;
– mais a equipe de melhor campanha no Grupo África do Sul;

 

Currie_cup_logo2016

The Currie Cup – Fase Qualificatória – Campeonato Sul-Africano

Falcons 22 x 24 Cavaliers

Kings 15 x 35 Cheetahs

Sharks 16 x 53 Lions

Pumas 20 x 27 Western Province

Leopards 42 x 17 Welwitschias

Griffons 34 x 23 Bulldogs

Griquas 39 x 38 Blue Bulls

 

EquipesCidade principalFiliação no Super RugbyJogosPontos
Western Province*Cidade do CaboStormers1461
GriquasKimberleyCheetahs1456
Boland CavaliersWellingtonStormers1454
Mpumalanga PumasNelspruitLions1451
Golden Lions*JoanesburgoLions1447
Free State Cheetahs*BloemfonteinCheetahs1444
Blue Bulls*PretóriaBulls1438
LeopardsPotchefstroomSharks1437
GriffonsWelkomCheetahs1436
Natal Sharks*DurbanSharks1433
SWD EaglesGeorgeKings1430
FalconsKempton ParkBulls1430
Border BulldogsEast LondonBulls1426
Eastern Province Kings*Porto ElizabethKings1413
WelwitchiasWindhoek (Namíbia)1401
* classificados automaticamente à fase final

– Vitória = 4 pontos;
– Empate = 2 pontos;
– Derrota = 0 pontos;
– Anotar 4 ou mais tries = 1 ponto extra;
– Perder por diferença de 7 pontos ou menos = 1 ponto extra;

* Western Province, Kings, Sharks, Cheetahs, Lions e Bulls já têm vaga assegurada na fase final. Os 3 melhores entre os demais times também avançarão à fase final.

 

Escrito por: Francisco Isaac

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